Movimento estudantil
O movimento estudantil é um ativismo da área da educação no qual as pessoas são os próprios estudantes, com o objetivo de causar mudanças políticas, ambientais, econômicas ou sociais. Embora frequentemente se concentre nas lutas diretamente relacionadas a eles nas escolas e universidades, os movimentos de estudantes também têm papel em eventos políticos e sociais.
Os primeiros movimentos estudantis registrados começaram na Europa e, em geral, podem ser divididos de acordo com sua causa em dois: aqueles que são inspirados pela melhoria das condições do corpo estudantil em geral, e que são legitimados na medida em que são a geração intelectual futura do sociedade em que são incubadas; e aquelas que respondem às condições de injustiça social que prevalecem no momento da ocorrência, justificando-se como um ato de justiça idealista.[carece de fontes?] Do ponto de vista do establishment os movimentos dos estudantes são sempre atípicos e inesperados e cada um emerge e evolui de forma única, dificultando - se não impossibilitando - encontrar uma maneira eficaz e inteligente de combate-los. Em suma, o Movimento Estudantil, num sentido mais amplo, é uma força jovem, com um espírito libertário que luta por demandas sociais para fazer justiça e a equidade dos povos. Não defende as ideologias imperialistas, nem os regimes totalitários, só busca a melhoria social e política de uma nação.[carece de fontes?]
As reações às greves de estudantes variam desde a aceitação de muitos estudantes, que até forçaram as autoridades a criar ministérios e secretarias ou reformaram o sistema de participação do Estado na indústria ou na economia, de acordo com as propostas dos estudantes, indo até reações violentas contra eles, não sendo incomum mortes mesmo em manifestações públicas de natureza pacífica. Os estudantes participaram ativamente de diversos momentos na história de várias nações, desde a Reforma Universitária na Argentina, a Revolução Socialista em Cuba , os eventos de Maio de 1968 na França, entre muitos outros. Os eventos do pós-guerra geraram uma maior reações dos estudantes contra a ordem política burguesa e o sistema corporativista, apesar de já terem movimentos desses temas antes disso. Durante os anos 1960 e 1970, o movimento estudantil manteve uma feroz oposição contra os governos, indo desde protestos até a resistência armada contra regimes ditatoriais. Os confrontos entre as forças do estado e os movimentos estudantis eram e ainda são frequentes.
Após já ter experimentado a chamada "Revolução dos Pinguins", uma onda de grandes protestos estudantis organizados pelos secundaristas em 2006, entre 2011 e 2012 o Chile foi impulsionado por uma nova série de protestos nacionais dirigidos por estudantes em todo o Chile, exigindo um novo quadro para a educação no país, incluindo uma participação estatal mais direta no ensino secundário e o fim da existência de lucro no ensino superior. As demandas de 2006 e 2011 eram parecidas, mas em 2011 estudantes de todo o sistema educacional chileno participaram ativamente. Atualmente no Chile, apenas 45% dos estudantes do ensino médio estudam em escolas públicas tradicionais e a maioria das universidades também são privadas. Não foram construídas novas universidades públicas desde o fim da transição chilena para a democracia em 1990, embora o número de estudantes universitários tenha aumentado. Além das exigências específicas em relação à educação, os protestos refletiram um "profundo descontentamento" entre algumas partes da sociedade com o alto nível de desigualdade do Chile. Os protestos incluíram marchas maciças não violentas, mas também uma quantidade considerável de violência por uma parte dos manifestantes e de policiais.
Alemanha
Na Alemanha e nos estados que a antecederam, o movimento estudantil sempre esteve ligado ao espírito da sua época, e tendo o país passado por diversos momentos e estando sob a influência de diversas ideologias, não foi diferente com seus estudantes. Em 1815, em Jena, a Urburschenschaft foi fundada. Era um Studentenverbindung (espécie de clube estudantil, apesar do termo alemão ser bem amplo) que se concentrou em ideias nacionais e democráticas. Em 1817, inspirados em ideias liberais e patriotas de uma Alemanha unida, as organizações estudantis reuniram-se para o Festival de Wartburg no simbólico Castelo de Wartburg, em Eisenach, Turíngia, onde livros tidos como reacionários foram queimados.
Argentina
Na Argentina, como em outros países latino-americanos, o movimento estudantil remonta ao século XIX, mas só a partir de 1900 que se tornou uma força política importante. Em 1918, o ativismo dos estudantes desencadeou uma modernização geral das universidades, especialmente tendendo a democratização: foi a Reforma Universitária. Iniciada em Córdoba, os eventos desencadearam revoltas semelhantes em todo o país e por todo o continente, sendo um dos movimentos estudantis mais conhecidos até hoje.
Austrália
Os estudantes australianos têm uma longa história de atuação nos debates políticos, especialmente nas novas universidades que foram estabelecidas em áreas suburbanas. Durante grande parte do século XX, o principal grupo organizador de campus em toda a Austrália foi a Australian Union of Students ("União Australiana dos Estudantes"), fundado em 1937 como Union of Australian University Students, tendo sido mantido até 1984. Foi substituído pelo National Union of Students ("União Nacional dos Estudantes") em 1987.
Bangladesh
O movimento estudantil de Bangladesh é conflituoso e violento. As organizações estudantis atuam como braços milicianos dos partidos políticos de que fazem parte. Ao longo dos anos, confrontos políticos e conflitos entre facções em instituições educacionais mataram muitos, dificultando seriamente a vida acadêmica. As aulas e os semestres são interrompidos, prejudicando os alunos. As divisões estudantis dos partidos dominantes dominam os campi e os dormitórios através do crime e da violência e desfrutam vários privilégios não autorizadas. Eles controlam os dormitórios para favorecer alunos leais e membros do partido. É comum a extorsão e a chantagem de professores e alunos por esses grupos.
Brasil
O Movimento Estudantil no Brasil data ainda do período imperial, quando os estudantes, recém-chegados da Europa e com conhecimento trazido de lá, intervinham em assuntos locais. Já no período republicano, em 1901 foi criada a Federação dos Estudantes Brasileiros, considerada a primeira entidade estudantil nacional, mas que não durou muito. Em 1910 foi realizado o I Congresso Nacional de Estudantes, em São Paulo. O movimento estudantil começa a se reforçar a partir da década de 1930, após o Golpe de 1930. Em 1932, estudantes paulistas protestam contra o regime de Getúlio Vargas junto da população, e a repressão a esses protestos acaba matando quatro deles, Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, cujos nomes formariam a sigla M.M.D.C e cujas mortes desencadeiam a Revolução Constitucionalista de 1932. Entidades como a Juventude Comunista, a Juventude Integralista, a União Democrática Estudantil, a Federação Vermelha dos Estudantes e a Frente Democrática da Mocidade surgem nessa década.
Canadá
No Canadá, as organizações estudantis de esquerda do final da década de 1950 e 1960 tornaram-se principalmente duas: SUPA (Student Union for Peace Action) e CYC (Company of Young Canadians). O SUPA surgiu da CUCND (Combined Universities Campaign for Nuclear Disarmament, "Campanha de Universidades Combinadas para o Desarmamento Nuclear") em dezembro de 1964, em uma conferência da Universidade da Saskatchewan. Enquanto o CUCND se concentrou em protestos de rua, a SUPA procurava mudar a sociedade canadense como um todo. Seus objetivos expandiram-se para a política de base em comunidades desfavorecidas e "conscientização" para radicalizar e conscientizar o "hiato de geração" experimentado pela juventude canadense. A SUPA era uma organização descentralizada, enraizada em campus universitários locais. Ela acabou se desintegrando no final de 1967 em debates sobre o papel da classe trabalhadora e da velha esquerda, e seus membros se mudaram para o CYC ou se tornaram líderes ativos no CUS (Canadian Union of Students, a União Canadense dos Estudantes), levando o CUS a assumir a liderança do movimento estudantil canadense.


