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Estêvão de Inglaterra

Estêvão, também chamado de Estêvão de Blois, foi o Rei da Inglaterra de 1135 até sua morte e Conde de Bolonha em direito de sua esposa. Seu reinado foi marcado pela Anarquia, guerra civil que travou contra sua prima Matilde da Inglaterra. Foi sucedido pelo filho dela, Henrique II, o primeiro da dinastia Plantageneta.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Início de vida

Infância

Estêvão nasceu em Blois, Condado de Blois, França, em 1092 ou 1096.[nota 1] Seu pai era Estêvão II, Conde de Blois, um nobre francês que participou pouco da infância do filho por ser um cruzado. Estêvão II adquiriu a reputação de covarde durante a Primeira Cruzada e voltou ao combate em 1101 para reconstruir seu nome, morrendo no ano seguinte na Batalha de Ramla. A mãe de Estêvão era Adela da Normandia, filha do rei Guilherme I da Inglaterra e Matilde de Flandres, famosa entre seus contemporâneos por sua piedade, riqueza e talento político. Ela teve grande influência no início da vida de Estêvão. A França do século XII era um conjunto de condados, ducados e organizações políticas menores sob o controle mínimo de um rei. O poder do monarca estava ligado ao seu controle da rica província de Ilha de França, leste de Blois. No oeste jazia os condados de Maine, Anjou e Touraine, e ao norte estava o Ducado da Normandia, de onde Guilherme I havia conquistado a Inglaterra em 1066. O controle da herança anglo-normanda ainda estava sendo disputado pelos filhos de Guilherme. Apesar de dialetos regionais, os governantes da região falavam uma língua similar, seguiam a mesma religião e eram relacionados; também eram muito competitivos e frequentemente entravam em conflito por territórios valiosos e castelos.

Relação com Henrique I

O rei Henrique I da Inglaterra também era seu tio e foi uma grande influência no início da vida de Estêvão. Henrique chegou ao poder após a morte de seu irmão mais velho, o rei Guilherme II. Ele invadiu e capturou o Ducado da Normandia em 1106, que era controlado por seu irmão mais velho Roberto II, derrotando o exército normando na Batalha de Tinchebray. Henrique então entrou em conflito com o rei Luís VI da França, que aproveitou a oportunidade para declarar que Guilherme Clito, filho de Roberto, era o legítimo Duque da Normandia. A resposta do rei inglês foi formar uma rede de alianças com os condados ocidentais da França contra Luís, criando um conflito regional que duraria por toda a infância de Estêvão. Adela e Teobaldo aliaram-se com Henrique, com a mãe de Estêvão decidindo colocá-lo na corte. A próxima campanha de Henrique na Normandia começou em 1111, lutando contra rebeldes que se opunham ao seu domínio. Estêvão provavelmente acompanhou o rei durante a campanha militar de 1112, onde foi feito cavaleiro, definitivamente estando presente na corte durante a visita de Henrique à Abadia de Saint-Evroul em 1113. Estêvão foi a Inglaterra pela primeira vez em 1113 ou 1115, quase certamente como parte da corte real.

Barco Branco e sucessão

A situação política da Inglaterra mudou drasticamente em 1120. Trezentas pessoas embarcaram no Barco Branco em Barfleur para chegarem na Inglaterra. Dentre essas pessoas estava Guilherme Adelino, herdeiro do trono, e outros nobres. Estêvão deveria ter viajado no mesmo navio, porém mudou de ideia no último momento e decidiu esperar outra embarcação, ou por medo da superlotação ou por estar sofrendo de diarreia.[nota 3] O navio naufragou no caminho e Adelino morreu junto com os passageiros.[nota 4] A herança do trono inglês foi posta em dúvida com a morte de Adelino. As regras de sucessão no oeste da Europa eram incertas na época; a primogenitura masculina, em que o filho mais velho herdava o título, estava ficando cada vez mais popular em algumas partes da França. Também era uma tradição para o rei francês coroar seu sucessor enquanto ainda estava vivo, deixando bem claro a linha de sucessão. Entretanto, o caso era diferente na Inglaterra. Em outras partes da Europa, como na Normandia e na Inglaterra, a tradição mandava as terras serem divididas, com o mais velho recebendo as terras maiores e mais valiosas e o mais jovem ficando com as menores ou recentemente adquiridas. O problema complicava-se ainda mais pela sequência de instáveis sucessões anglo-normandas – Guilherme I tomou a Inglaterra pela força; Guilherme II e Roberto II, Duque da Normandia, lutaram entre si para estabelecer a herança; e Henrique I adquiriu a Normandia também pela força. Não houve sucessões pacíficas e incontestadas.

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Ascensão

Estêvão era uma figura estabelecida na sociedade anglo-normanda em 1135. Era extremamente rico, bem-educado e querido por seus companheiros. Também era considerado um homem capaz de ações firmes. Os crônicos contam que Estêvão era um líder modesto e fácil de lidar, gostava de sentar com seus homens e criados, casualmente rindo e comendo com eles apesar de sua riqueza e poder. Ele era bem devoto, tanto na manutenção dos ritos religiosos quanto em sua generosidade para a igreja. Estêvão tinha um confessor pessoal indicado pelo arcebispo da Cantuária, que implementou para ele um regime de penitência. Ele também encorajou a recém criada Ordem de Cister a formar abadias em suas propriedades, conseguindo aliados dentro da igreja. Entretanto, continuaram os rumores sobre a covardia de seu pai na Primeira Cruzada, e o desejo de evitar a mesma reputação pode ter influenciado algumas de suas decisões militares mais precipitadas. Matilde, sua esposa, foi importantíssima na administração de suas propriedades, que contribuíam para deixá-los como a segunda família mais rica do país, atrás apenas do rei. O nobre flamenco Guilherme de Ypres juntou-se à criadagem de Estêvão em 1133 junto com Faramus de Bolonha, um parente flamenco e amigo de Matilde.

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Começo do reinado

Primeiros anos

O reino anglo-normando de Estêvão fora moldado pela conquista normanda em 1066 e a posterior expansão para o sul de Gales nos anos seguintes. Tanto o reino quanto o ducado eram dominados por um pequeno número de poderosos barões que possuíam terras dos dois lados do Canal da Mancha, com barões menores logo abaixo com castelos mais localizados. Ainda não era claro o quanto dessas terras podiam ser passadas pela hereditariedade ou por presente real, com a questão começando a gerar tensões durante o reinado de Henrique I. Algumas das terras da Normandia, passadas hereditariamente, eram consideradas mais importantes para os grandes barões que aquelas na Inglaterra, onde suas possessões não eram tão claras. Henrique I havia aumentado a autoridade e a capacidade da administração real, frequentemente trazendo "novos homens" para ocupar posições chaves em vez de escolher a nobreza já estabelecida. Ele conseguiu maximizar rendas e conter despesas no processo, criando um superávit e aumentando o tesouro, porém ao mesmo tempo aumentando as tensões.[nota 8]

Defendendo o reino

Estêvão foi atacado em vários frontes diferentes em 1138. Primeiro, Roberto de Gloucester rebelou-se, iniciando o caminho para uma guerra civil na Inglaterra. Roberto, filho bastardo de Henrique I e meio-irmão de Matilde, era um dos mais poderosos barões anglo-normandos, controlando propriedades na Normandia e no Condado de Gloucester. Ele era conhecido por ser um grande estadista, por sua experiência militar e capacidade de liderança. Roberto havia tentado convencer Teobaldo em 1135 a tomar o trono; ele não compareceu à primeira corte de Estêvão em 1136 e foram necessárias várias intimações para fazê-lo comparecer a corte em Oxford naquele mesmo ano. Roberto renunciou sua vassalagem a Estêvão em 1138 e declarou seu apoio a Matilde, iniciando uma grande rebelião regional em Kent e no sudeste da Inglaterra, apesar do próprio ter permanecido na Normandia. Na França, Godofredo de Anjou aproveitou a situação e invadiu novamente a Normandia. David da Escócia também invadiu o norte da Inglaterra, afirmando apoiar a reivindicação de sua sobrinha Matilde ao trono, avançando em direção ao sul até Yorkshire.[nota 10]

Pré-guerra civil

Estêvão se preparou para a invasão angevina criando um número maior de condados. Durante o reinado de Henrique I, existiam apenas um número pequeno e eram principalmente de natureza simbólica. Estêvão criou muitos outros, colocando neles homens considerados leais e competentes comandantes militares, também entregando novas terras e poderes executivos adicionais em áreas mais vulneráveis do país. O rei tinha vários objetivos em mente, que incluíam garantir a lealdade de seus principais apoiadores ao dar-lhes títulos de nobreza e melhorar as defesas das principais partes do reino. Valerano de Beaumont, Conde de Meulan e seu principal conselheiro, irmão gêmeo de Roberto de Beaumont, 2º Conde de Leicester, foi uma grande influência. Os gêmeos Beaumont, seu irmão mais novo e seus primos receberam a maioria dos novos condados. A partir de 1138, Estêvão entregou a família os condados de Worcester, Leicester, Hereford, Warwick e Pembroke, que – combinados com as terras do príncipe Henrique em Cumberland e Nortúmbria – criavam um território que servia de zona-tampão entre o sudeste, Chester e o resto do reino. O poder dos Beaumont cresceu tanto com suas novas terras que o historiador David Crouch sugere que ficou "perigoso ser qualquer coisa diferente de amigo de Valerano" na corte de Estêvão.

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Guerra civil

Fase inicial

A invasão angevina chegou em 1139. Balduíno de Redvers cruzou o Canal da Mancha em agosto indo até Wareham, inicialmente tentando capturar o porto para receber o exército de invasão de Matilde, porém as forças de Estêvão o forçaram a recuar para o sudeste. Entretanto, a imperatriz foi convidada pela viúva rainha Adeliza no mês seguinte a desembarcar em Arundel. Matilde e Roberto de Gloucester chegaram na Inglaterra com 140 cavaleiros no dia 30 setembro.[nota 13] Ela ficou no Castelo de Arundel enquanto Roberto marchou para Wallingford e Bristol no noroeste, esperando conseguir apoio para uma rebelião e encontrar Miles de Gloucester, um competente comandante militar que aproveitou a oportunidade para abdicar de sua fidelidade ao rei. Estêvão rapidamente foi para o sul, cercando Arundel e prendendo Matilde dentro do castelo.

Segunda fase

Roberto de Gloucester e Ranulfo de Chester avançaram contra as posições do rei com uma grande força enquanto Estêvão e seu exército cercavam o Castelo de Lincoln no início de 1141. Quando soube das notícias, Estêvão reuniu um conselho para decidir se caminhava para a batalha ou se retirava para reunir mais soldados: decidiu lutar, resultando na Batalha de Lincoln em 2 de fevereiro de 1141. Estêvão comandou o centro do exército, com Alan da Bretanha na direita e Guilherme de Aumale na esquerda. As forças de Roberto e Ranulfo tinham superioridade na cavalaria e Estêvão desmontou muitos de seus cavaleiros para formar uma infantaria sólida; ele próprio lutou sem cavalo.[nota 15] Estêvão não era um bom orador público, pedindo para Balduíno de Clare realizar o discurso pré-batalha, que inflamou as tropas. Depois de um sucesso inicial onde Guilherme destruiu a infantaria angevina galesa, a batalha piorou para o rei. A cavalaria de Roberto e Ranulfo cercou o centro de Estêvão e o próprio rei. Muitos de seus apoiadores fugiram nesse momento, incluindo Valerano de Beaumont e Guilherme de Ypres, mas Estêvão continuou lutando, se defendendo com sua espada e, depois dela ter quebrado, um machado de guerra. Finalmente, ele foi subjugado e capturado.

Impasse

Enquanto Godofredo de Anjou consolidava seu poder na Normandia, a guerra entre os dois lados na Inglaterra chegava em um impasse na metade da década de 1140. O ano começou mal para Estêvão quando foi cercado por Roberto de Gloucester no Castelo de Wilton, um ponto de encontro para as forças reais em Herefordshire. O rei tentou fugir, resultando na Batalha de Wilton. A cavalaria angevina novamente mostrou-se muito forte e por um momento pareceu que Estêvão seria capturado mais uma vez. Entretanto, desta vez Guilherme Martel fez uma grande esforço na retaguarda, permitindo que o rei escapasse da batalha. Estêvão valorizou tanto a lealdade de Guilherme que concordou em trocar o Castelo de Sherborne por sua libertação – essa foi uma das poucas ocasiões em que ele estava disposto a entregar um castelo por um de seus homens.

Fases finais

A Inglaterra sofreu muito com a guerra, com historiadores vitorianos chamando o período de "a Anarquia". A Crônica Anglo-Saxônica registra que "havia apenas perturbação, perversidade e roubos". As lutas e os ataques certamente causaram grandes devastações em algumas partes do país, como Wiltshire, Berkshire, o vale do Tâmisa e Anglia do Leste. Vários lordes locais construíram castelos sem autorização – o crônico Roberto de Torigni fala que por volta de 1115 castelos foram construídos durante o conflito, apesar disso provavelmente ser um exagero já que em outro lugar ele sugere que foram 126. O centralizado sistema da moeda estava fragmentado, com Estêvão, Matilde e lordes locais cunhando suas próprias moedas. As leis florestais ruíram em várias partes do país. Porém, algumas partes mal foram tocadas pela guerra civil – por exemplo, as terras de Estêvão no sudeste e as terras angevinas perto de Gloucester e Bristol pouco foram afetadas, e David I governou suas terras no norte da Inglaterra sem muitos transtornos. A renda do rei vinda de suas posses caiu muito durante o período, particularmente depois de 1141, com o controle real sobre a cunhagem de novas moedas permanecendo limitado fora do sudoeste e de Anglia do Leste. Com o rei baseado no sudoeste da Inglaterra, Westminster tornou-se cada vez mais o centro do governo real.

Discussão com a igreja

A relação de Estêvão com a igreja deteriorou muito ao final de seu reinado. O movimento reformista de dentro da igreja, que defendia maior autonomia do clero em relação à autoridade real, continuava a crescer enquanto novas vozes como a Ordem de Cister ganhavam mais prestígio dentro das ordens monásticas, sobrepujando ordens mais antigas como a de Cluny. A briga de Estêvão com a igreja teve suas origens em 1140 quando o arcebispo Turstin de Iorque morreu. Começou uma discussão entre um grupo de reformistas de Iorque apoiados por Bernardo de Claraval, chefe da Ordem de Cister, que preferiam Guilherme de Rievaulx como o novo arcebispo, enquanto Estêvão e Henrique de Blois preferiam algum de seus parentes. A disputa entre Henrique e Bernardo começou a ficar cada vez mais pessoal e o irmão do rei usou sua autoridade de legado papal em 1144 para nomear seu sobrinho Guilherme de Iorque para o cargo. Porém, quando o papa Inocêncio II morreu no ano seguinte, Bernardo conseguiu fazer com que a nomeação fosse rejeitada por Roma. Ele convenceu em 1147 o papa Eugênio III a anular completamente a decisão de Henrique, depondo Guilherme e colocando Henrique Murdac no lugar.

Tratados e paz

Henrique FitzEmpress voltou para a Inglaterra no início de 1153 com um pequeno exército, tendo apoio no norte e oeste por Ranulfo de Chester e Hugo Bigot. O castelo de Estêvão em Malmesbury foi cercado pelas forças de Henrique e o rei respondeu marchando para o oeste com um exército. Estêvão tentou, sem sucesso, forçar o exército de Henrique a travar uma batalha perto do rio Avon. Com o inverno chegando, ele concordou com uma trégua temporária e voltou para Londres, deixando Henrique viajar para o norte pelas Midlands onde o poderoso Roberto de Beaumont, 2º Conde de Leicester, anunciou seu apoio a causa angevina. Henrique e seus aliados agora controlavam as Midlands, o sudoeste e grande parte do norte da Inglaterra apesar do pequeno exército.

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Morte

Na época, a decisão de Estêvão de reconhecer Henrique como seu herdeiro não era necessariamente a solução final para a guerra civil. Apesar da cunhagem de uma nova moeda e reformas administrativas, Estêvão ainda poderia viver por muitos anos, enquanto a posição de Henrique não estava segura. Apesar de Guilherme, filho do rei, ainda ser jovem e sem nenhum preparo para desafiar Henrique pelo trono, a situação poderia mudar nos anos seguintes – por exemplo, houve rumores em 1154 que Guilherme planejava assassinar Henrique. O historiador Graeme J. White descreve o tratado como uma "paz precária", capturando o julgamento da maioria dos historiadores modernos: a situação no final de 1153 ainda era incerta e imprevisível. Certamente restavam vários problemas para serem resolvidos, incluindo o reestabelecimento da autoridade real nas províncias e a resolução da complexa questão sobre quais barões deveriam controlar as terras e propriedades contestadas após a longa guerra civil. Estêvão entrou em atividade no começo de 1154, viajando muito pelo reino. Ele começou a emitir vários decretos para o sudoeste da Inglaterra e viajou para Iorque a fim de realizar uma grande corte para tentar impressionar os barões do norte de que a autoridade real estava sendo reafirmada. Depois do atarefado verão de 1154, Estêvão viajou para Dover para se encontrar com Teodorico da Alsácia, Conde de Flandres; alguns historiadores acreditam que ele já estava doente e preparando-se para ajeitar seus assuntos de família. Estêvão adoeceu do estômago e morreu no dia 25 de outubro, sendo enterrado na Abadia de Faversham ao lado de sua esposa Matilde e Eustácio.

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Legado

Após a morte de Estêvão, Henrique o sucedeu no trono da Inglaterra como Henrique II. Ele firmemente reestabeleceu a autoridade real depois da guerra civil, derrubou castelos e aumentou a renda, apesar de vários desses atos terem se iniciado ainda no reinado de Estêvão. A destruição de castelos promovida por Henrique não foi tão grande como já se acreditou, e apesar dele ter restaurado as rendas reais, a economia inglesa pouco mudou sob os dois monarcas. Guilherme, o filho restante de Estêvão, foi confirmado como Conde de Surrey por Henrique, prosperando durante o novo reinado, apesar da ocasional tensão com o rei. A filha de Estêvão, Maria, também sobreviveu ao pai; ela havia sido colocada em um convento por Estêvão, porém saiu depois de sua morte e casou-se. O primeiro filho de Estêvão, Balduíno, e sua primeira filha, Matilde, morreram em 1135 e foram enterrados no Priorado da Santíssima Trindade. Estêvão também teve provavelmente três filhos bastardos com sua amante Damette: Gervásio, Raul e Américo. Gervásio tornou-se Abade de Westminster em 1138, porém após a morte do pai foi retirado em 1157, morrendo pouco depois.

Historiografia

Muito da história moderna sobre o reinado de Estêvão é baseada em crônicos que viveram no século XII ou perto desse período, formando relatos relativamente ricos sobre a época. Todos os principais crônicos carregavam preconceitos regionais na maneira como retratavam os eventos. Várias crônicas importantes foram escritas no sudoeste da Inglaterra, incluindo a Gesta Stephani ("Atos de Estêvão") e a Historia Novella ("Nova História") de Guilherme de Malmesbury. Na Normandia, Orderico Vitalis escreveu Ecclesiastical History, cobrindo o reinado de Estêvão até 1141, e Roberto de Torigni escreveu posteriormente sobre o resto do período. Henrique de Huntingdon vivia no leste da Inglaterra, produzindo a Historia Anglorum que mostra um relato regional sobre o reinado. A Crônica Anglo-Saxônica já não estava mais em seu auge, porém é lembrada por seu marcante relato sobre as condições durante "a Anarquia". A maioria dos crônicos eram tendenciosos contra ou a favor de Estêvão, Roberto de Gloucester ou outra figura importante do conflito. Daqueles que escreviam para a igreja depois dos eventos do final do reinado de Estêvão, como João de Salisbury, mostravam o rei como um tirano por sua discussão com o arcebispo da Cantuária; em contraste, os clérigos em Durham o consideravam um salvador pela contribuição na derrota dos escoceses na Batalha de Sandard. Crônicos posteriores durante o reinado de Henrique II eram geralmente mais negativos: Valter Map, por exemplo, descrevia Estêvão como "um bom cavaleiro, mas em outros aspectos quase um tolo". Vários foros foram emitidos durante o reinado, dando detalhes sobre eventos contemporâneos e da rotina diária, muito utilizados como fontes por historiadores modernos.

Cultura popular

Estêvão e seu reinado ocasionalmente foram usados em obras de ficção histórica. Ele e seus apoiadores apareceram na série histórica Brother Cadfael Chronicles, romances escritos por Edith Pargeter, que se passam entre 1137 e 1145. A representação de Pargeter do reinado de Estêvão é essencialmente uma narrativa local focada na cidade de Shrewsbury e arredores. Pargeter mostra o rei como um homem tolerante e um monarca sensato, apesar de executar os defensores de Shrewsbury após tomar a cidade em 1138. Em contraste, Estêvão é representado antipaticamente no romance The Pillars of the Earth, de Ken Follett, e na minissérie de televisão que o adapta.

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Descendência

Estêvão casou-se com Matilde I, Condessa de Bolonha em 1125. Eles tiveram cinco filhos:

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Fontes consultadas

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