Estação Primeira de Mangueira
Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira é uma escola de samba brasileira da cidade do Rio de Janeiro, sediada no bairro de Mangueira. A agremiação foi fundada em 28 de abril de 1928 por sambistas como Cartola, Carlos Cachaça, Zé Espinguela, Saturnino Gonçalves, Euclides Roberto dos Santos, Marcelino José Claudino, Pedro Caim (Paquetá) e Abelardo da Bolinha. A fundação foi no Terreiro de Tia Fé, no Morro de Mangueira. A escola tem como cores oficias o verde e o rosa. A sua quadra, conhecida como "Palácio do Samba", fica localizada na Rua Visconde de Niterói, número 1072, em Mangueira.
A Estação Primeira de Mangueira teve origem no Morro de Mangueira, posteriormente bairro de Mangueira, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. O Morro de Mangueira serviu de abrigo e moradia para escravos, alforriados e seus descendentes, que levavam para a localidade as manifestações culturais e religiosas características das nações africanas, como o candomblé e a batucada. Alguns casebres serviam de templos religiosos, como o terreiro de Tia Fé (Benedita de Oliveira), onde eram realizadas cerimônias religiosas seguidas de cantoria e batucada. A partir da década de 1910, começaram a surgir grupos carnavalescos em Mangueira, como os cordões Guerreiros da Montanha (com sede na casa de Tia Chiquinha Portuguesa) e Trunfos da Mangueira (sediado na casa de Leopoldo da Santinha), ambos na localidade conhecida como Buraco Quente. Nos cordões, um grupo de mascarados, conduzidos por um mestre com um apito, acompanhava uma orquestra de percussão. Menos primitivos que os cordões, surgiram os ranchos, que se destacaram por permitir a participação das mulheres nos cortejos e por trazerem inovações tais como: alegorias, uso do enredo, instrumentação de sopro e cordas e o casal de dançarinos baliza e porta-estandarte (o que mais tarde originaria o casal de mestre-sala e porta-bandeira). Três ranchos se destacaram em Mangueira: Pérolas do Egito (fundado em 1910 por Tia Fé), Pingo de Amor e Príncipes da Mata (depois renomeado para Príncipe da Floresta). A partir de 1920, surgiram os blocos carnavalescos, unindo elementos dos cordões e dos ranchos. Em Mangueira, destacaram-se os blocos de Tia Tomázia, Tia Fé e Mestre Candinho. Os blocos eram, constantemente, tomados por brigas e confusões causadas por sambistas embriagados, o que resultou em 1923, na fundação do Bloco dos Arengueiros. O bloco era formado apenas por homens e, como o próprio nome sugere, foi criado com o intuito de reunir os sambistas arruaceiros da região. Os participantes saiam às ruas vestidos de mulher, caçando briga com os outros blocos que encontrassem desfilando. Algumas confusões resultaram em prisões. Participaram da fundação do bloco: Carlos Cachaça, Cartola, Babaú da Mangueira, Saturnino Gonçalves, Arthur Gonçalves, Antonico, Fiúca, Francisco Ribeiro (Chico Porrão), Homem Bom, Gradim, Manoel Joaquim, Marcelino José Claudino (Maçu da Mangueira), Pimenta, Rubens e Zé Espinguela. O Bloco dos Arengueiros conquistou popularidade no Morro da Mangueira, sendo convidados para participar de outros blocos da região. Ainda assim, havia uma divisão entre os blocos tradicionais e o bloco dos arruaceiros, e os participantes dos Arengueiros não conseguiam se encaixar nos demais blocos. Após cinco carnavais, os participantes do Bloco dos Arengueiros propuseram unir todos os blocos de Mangueira para desfilar na Praça Onze. Na época, Cartola escrevera o samba "Chega de demanda", que seria o primeiro samba da Estação Primeira de Mangueira. No samba, Cartola conclama a união de todos os blocos da região ("Chega de demanda, chega / Com este time temos que ganhar / Somos da Estação Primeira / Salve o Morro de Mangueira").
Segundo a própria escola de samba, a Estação Primeira de Mangueira foi fundada no dia 28 de abril de 1928, por Cartola, Zé Espinguela, Saturnino Gonçalves, Euclides Roberto dos Santos (Seu Euclides), Marcelino José Claudino (Maçu da Mangueira), Pedro Caim (Paquetá) e Abelardo da Bolinha. A fundação foi no Terreiro de Tia Fé, pessoa de grande importância na história do Morro de Mangueira. Carlos Cachaça foi reconhecido como fundador, apesar de não estar presente durante a reunião de fundação. Os participantes do Bloco dos Arengueiros se reuniram na casa de Euclides Roberto dos Santos (Seu Euclides), na Travessa Saião Lobato, número 21, no Buraco Quente, em Mangueira e fundaram o Bloco Carnavalesco Estação Primeira. A denominação "escola de samba", criada pelos sambistas do Estácio, só foi incorporada em 1931. Em 1934 houve a inclusão dos termos "Grêmio Recreativo". E apenas no final da década de 1960 houve a inclusão "de Mangueira". Foram escolhidos: Saturnino Gonçalves como primeiro presidente da escola; Francisco Ribeiro (Chico Porrão) como tesoureiro; Pedro Caim como secretário; Carlos Cachaça como orador; e Cartola como diretor de harmonia. A primeira sede da agremiação foi instalada na Travessa Saião Lobato, número sete, no Buraco Quente, em Mangueira.
Nome
O nome da agremiação foi escolhido por Cartola, por ser, a Estação Mangueira, a primeira estação no trajeto entre a Central do Brasil e o subúrbio carioca, onde havia samba.
Cores
A Mangueira tem como cores o verde e o rosa, escolhidas por Cartola em referência ao Rancho do Arrepiado, frequentado por seu pai, quando morava em Laranjeiras.
Símbolos
No início de sua história, a Mangueira não tinha um símbolo definido. A cada ano era bordado um símbolo diferente na bandeira da agremiação. Já foram utilizados como símbolos: violão, pandeiro, tamborim, clarin, e até mesmo uma águia, igual a da Portela. No início da década de 1960, na gestão de Roberto Paulino como presidente, a escola instituiu seu símbolo definitivo. Idealizado por Manuel Pereira Filho (Beleléu) e desenhado por Darque Dias Moreira (Sinhôzinho), o símbolo da Mangueira consiste em um tambor surdo, encimado por uma coroa, e com ramos de louro em volta. O tambor simboliza o samba; a coroa representa a Mangueira como a "rainha do samba"; e os louros significam as vitórias da agremiação. O símbolo foi registrado por Beleléu no Departamento de Censura, sendo adotado definitivamente pela escola.
Bandeira
A bandeira da escola é formada por um retângulo, com dezesseis raios, dispostos em cores alternadas (oito verdes e oito rosas), partindo do centro em direção às extremidades do pavilhão. No centro da bandeira, há um octógono na cor verde, onde, dentro, se encontra o logotipo com os símbolos da agremiação. O logotipo da Mangueira é composto por um tambor surdo encimado por uma coroa. Ramos de louro contornam a base do tambor. Abaixo, encontra-se a inscrição "1928" (ano de fundação da escola). E mais abaixo, uma faixa com o nome oficial da agremiação ("G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira"). Acima da coroa, um arco formado por estrelas na mesma quantidade de títulos conquistados pela escola, sendo uma delas, maior que as demais, por representar o supercampeonato do carnaval de 1984.
Primeiros anos
Nos carnavais de 1927 e 1928, os blocos do Morro de Mangueira se fundiram dando origem à Estação Primeira, participou dos concursos informais realizados na residência de José Espinguela. Desfilou na Praça Onze com grande contingente. Venceu os três primeiros concursos oficiais. Sendo o primeiro realizado pelo Jornal Mundo Sportivo que foi responsável pela organização do primeiro concurso de escolas de samba carioca, realizado num domingo, 7 de fevereiro de 1932, na Praça Onze. Não desfilou em 1937, pois o desfile foi cancelado por ordem do delegado de polícia Dulcídio Gonçalves. Neste ano, o morro de Mangueira foi representado pela azul e rosa Unidos de Mangueira, que somente participou do desfile oficial por quatro anos.
Década de 1980
Década de ouro para a Mangueira com a conquista de quatro títulos. Em 1984 foi Campeã e Supercampeã com o icônico desfile "Yes, Nós Temos Braguinha", em que a escola deu "meia-volta" no recém inaugurado Sambódromo. Também foi campeã em 1986 e 1987. Em 1988 foi vice-campeã desfilando com o histórico samba "Cem Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão?". Em abril de 1980, Percival Pires assumiu a presidência da escola. Para o carnaval de 1980, a AESCRJ tomou a polêmica decisão de abolir os quesitos Mestre-Sala e Porta-Bandeira e Comissão de Frente com a justificativa de que eles estavam se tornando onerosos, visto que as escolas estavam negociando financeiramente os melhores profissionais. Apesar de não serem julgados, a apresentação dos quesitos foi mantida como obrigatória. Sétima das dez agremiações que se apresentaram no Grupo 1-A, a Mangueira realizou um desfile sobre "coisas brasileiras" como: tropicália, frevo, gafieira, pagode, e pelada. O enredo foi desenvolvido pelas carnavalescas Liana Silveira e Érica Cirne. Segundo o jornal O Globo, "a bateria, a torre da plataforma de petróleo da Petrobras iluminada a gás neon, algumas alegorias em branco e prata, e nomes conhecidos como Beth Carvalho, Leci Brandão, Alcione, Carlinhos Pandeiro de Ouro, Annik Malvil, e Rosemary receberam os poucos aplausos para a Mangueira. O resto da escola, o mangueirense não entendeu muito. Havia peixes cor-de-rosa, alegorias de mão, guarda-chuvas de plástico branco e figas em branco e prata ladeando as alas". O desfile ficou marcado pela participação do futebolista Garrincha, que desfilou sentado numa alegoria, de forma inerte, com expressão apática, dias após sair de mais uma de suas internações para tratar o alcoolismo. Parecendo estar dopado, Garrincha sequer reconheceu o amigo Pelé, que lhe acenava do camarote. Com o desfile, a Mangueira obteve o pior resultado de sua história até então. Oficialmente, houve um empate triplo na primeira colocação (Beija-Flor, Imperatriz e Portela) e outro empate triplo no segundo lugar (Mocidade, União da Ilha e Vila Isabel). O Salgueiro ficou em terceiro lugar e a Mangueira em quarto, com sete escolas classificadas a sua frente, o que, na prática, lhe confere o oitavo lugar entre as dez escolas do grupo. A Mangueira recebeu nota máxima em Bateria, Harmonia e Evolução, perdendo pontos nos demais quesitos. Mocinha recebeu o Estandarte de Ouro de melhor porta-bandeira, algo incomum para uma segunda porta-bandeira.
Década de 1990
A Mangueira começou a década com uma grave crise financeira, mas conseguiu se recuperar, conquistando mais um título, no carnaval de 1998. O período também se destaca pelo clássico samba "E Deu a Louca no Barroco" (1990) e pelo popular "Atrás da Verde e Rosa Só não Vai Quem Já Morreu" (1994); além da histórica Comissão de Frente do desfile de 1999. Em abril de 1989, José Ananias de Barcelos foi eleito presidente da Mangueira. Morador do Morro da Mangueira, Ananias já havia ocupado os cargos de vice-presidente financeiro da escola e tesoureiro da bateria, além de ser compositor do samba de 1979. A escola realizou um concurso para escolha de um novo carnavalesco. Venceu a dupla Ernesto Nascimento e Fábio Borges com um enredo sobre Sinhá Olímpia, uma notória habitante de Ouro Preto que circulava pelas ruas da cidade contando histórias delirantes. O enredo foi uma ideia do carnavalesco Fernando Pinto, morto em 1987, reaproveitada por seu amigo, Ernesto Nascimento. A Mangueira foi a terceira das oito escolas que se apresentaram na segunda noite do Grupo Especial (antigo Grupo 1). A agremiação chegou ao carnaval apontada pela imprensa como favorita ao campeonato, mas um grave problema com uma de suas alegorias tirou a escola da disputa por título. O maior carro alegórico do desfile, "Altar com Obras de Aleijadinho", quebrou o eixo de direção no final da pista de desfile. Diretores da escola, bombeiros e até jornalistas se juntaram para empurrar a alegoria que, emperrada, não saiu do lugar. As alas que vinham atrás do carro passaram por ele, mas a alegoria seguinte não conseguiu ultrapassá-lo, prendendo todo o contingente que vinha atrás das duas alegorias. Após dezoito minutos de tentativas, a alegoria foi destravada, liberando a passagem do restante da agremiação. Mesmo com os últimos componentes correndo, a escola ultrapassou quatro minutos do tempo máximo de desfile permitido pelo regulamento, perdendo os cinco pontos referentes à cronometragem. A Mangueira se classificou em oitavo lugar, ficando mais um ano de fora do Desfile das Campeãs. Na avaliação dos jurados, a escola conseguiu a pontuação máxima em quase todos os quesitos, com exceção de Alegorias, Evolução e Fantasias que, juntos, tiraram cinco pontos da agremiação. Apesar dos problemas, a Mangueira foi a campeã da edição do Estandarte de Ouro, recebendo seis prêmios: melhor escola, melhor samba-enredo, Bateria, ala de baianas, passista masculino para Serginho do Pandeiro, e intérprete para Jamelão. Segundo os jurados da premiação, a escola "empolgou a avenida, levando a plateia ao delírio com sua bateria". Jamelão, que teve problemas de saúde antes do carnaval e desfilou acompanhado de um médico, chegou a anunciar sua aposentadoria, mas, pouco tempo depois, mudou de ideia. Quem se aposentou de fato foi o mestre-sala Lilico que, convertido à religião evangélica, virou pastor e passou a pregar contra o carnaval e a própria Mangueira.
Década de 2000
A Mangueira começou a década com desfiles competitivos e mais um título, conquistado no carnaval de 2002. Mas no final da década voltou a sofrer com uma crise financeira e política. O período também marcou a despedida do intérprete Jamelão, morto em 2008. Em comemoração ao aniversário de quinhentos anos da descoberta do Brasil pelos portugueses, a LIESA decidiu que os enredos das escolas abordariam períodos específicos do país. A própria Liga forneceu 21 opções temáticas para as agremiações. Cada escola recebeu uma quantia extra de quinhentos mil reais da Prefeitura do Rio de Janeiro para confeccionar os desfiles. A Mangueira escolheu um enredo sobre a luta dos negros pela liberdade, tendo como fio condutor a figura de Cândido da Fonseca Galvão, que se autodeclarava Dom Obá II D'África. Descendente do obá do Império de Oió, Dom Obá II se voluntariou para lutar na Guerra do Paraguai, onde alcançou a patente de alferes. Foi amigo de Pedro II e reconhecido na sociedade por sua luta abolicionista e no combate ao racismo. A Mangueira foi a segunda escola a se apresentar na segunda noite do Grupo Especial de 2000. A Comissão de Frente de Carlinhos de Jesus encenou o nascimento de Dom Obá II, utilizando um boneco realista com movimentos mecânicos. Componentes ainda trocavam de roupas, passando de nobres para "esfarrapados". A ala de baianas inovou ao realizar uma coreografia seguindo a letra do samba. Quando era cantado "no Rio de lá / luxo e riqueza" apontavam para os camarotes e "no Rio de cá / lixo e pobreza" apontavam para as arquibancadas. O carro "Corte dos Esfarrapados" teve dificuldade para entrar na pista de desfile, o que gerou um "buraco" (espaço) entre as alas à frente dele. A alegoria seguinte, "Baile Imperial", quebrou antes de entrar na pista e não participou do desfile, gerando novos "buracos" e problemas na evolução dos componentes. Na última ala do desfile, componentes vestidos de ricos e pobres encenavam uma briga, simbolizando a desigualdade social e a luta de classes. Na avaliação dos jurados, a Mangueira conseguiu a pontuação máxima apenas nos quesitos Samba-enredo e Comissão de Frente. Perdendo pontos nos demais quesitos, a escola se classificou em sétimo lugar, ficando mais um ano de fora do Desfile das Campeãs. Apesar dos problemas, a Mangueira foi a campeã do Tamborim de Ouro, recebendo os prêmios de melhor escola, samba-enredo, Comissão de Frente, ala de baianas e ala de crianças. O samba também recebeu o Estandarte de Ouro. Após o carnaval, a Mangueira demitiu o carnavalesco Alexandre Louzada e prometeu mudanças na produção de alegorias e fantasias.
Década de 2010
A Mangueira começou a década envolvida nas polêmicas do seu presidente, Ivo Meirelles. Após uma conturbada disputa judicial, a escola trocou de comando, elegendo Chiquinho da Mangueira. Com a chegada do carnavalesco Leandro Vieira, conquistou mais dois títulos: em 2016 com uma homenagem a Maria Bethânia e em 2019 com o icônico "História pra Ninar Gente Grande". Em abril de 2009 a Mangueira elegeu seu novo presidente num pleito cercado de polêmicas. O candidato vencedor, Ivo Meirelles, oficializou a sua candidatura após o prazo de encerramento das inscrições. O outro candidato seria Carlos Dória Júnior, filho do ex-presidente Carlos Dória. No entanto, alegando problemas pessoais, ele retirou a candidatura. Como candidato único, Ivo foi aclamado presidente da escola, com mandato até 2012. Anos depois, em depoimento a Polícia, Carlos Dória Júnior alegou que dois homens armados mandaram ele retirar a candidatura e informaram que Ivo seria o novo presidente da agremiação. A primeira ação de Ivo como presidente foi pedir desculpas a Beth Carvalho pelo imbróglio no desfile de 2007, que causou o afastamento da cantora da escola. Ivo também mudou toda a equipe da agremiação. Márcia Lage foi contratada como carnavalesca. O intérprete Luizito ganhou a companhia de Zé Paulo Sierra e Rixxah, formando um trio apelidado de "os três tenores". Mestre Jaguara Filho assumiu a Bateria e Jaime Arôxa assumiu a Comissão de Frente. Renata Santos foi coroada rainha de bateria. Raphael Rodrigues e Marcella Alves assumiram o primeiro posto de mestre-sala e porta-bandeira. Neta de Zica e Cartola, Nilcemar Nogueira assumiu a direção de carnaval. José Carlos Netto assumiu a direção de harmonia. Em setembro de 2009, a Mangueira demitiu a carnavalesca Márcia Lage. Para o lugar dela, foram contratados Jorge Caribé e Jaime Cezário. Última escola a se apresentar no carnaval de 2010, a Mangueira realizou um desfile sobre a música brasileira. Participaram da apresentação músicos como Alcione, Sandra Sá, Milton Nascimento, Emílio Santiago, Marcos Valle e João Donato. O mestre-sala Raphael desfilou caracterizado de Cartola. Rogéria desfilou presa numa gaiola na alegoria em referência a censura na época da ditadura. A bateria da escola também fez referência a músicos presos na ditadura. Com roupas listradas, simbolizando presidiários, ritmistas da bateria eram cercados por grades e reprimidos por diretores interpretando militares, numa coreografia liderada por Carlinhos de Jesus. O carro abre-alas teve um princípio de incêndio rapidamente controlado pelos bombeiros. Na quinta alegoria, uma parte lateral foi danificada e precisou ser serrada. No final da apresentação, componentes precisaram acelerar o passo para não ultrapassar o tempo máximo permitido pelo regulamento. A Mangueira se classificou em sexto lugar, garantindo a última vaga para o Desfile das Campeãs. A escola conseguiu a pontuação máxima nos quesitos Bateria, Samba-enredo e Harmonia. O quesito mais despontuado foi Alegorias e Adereços, com a perda de sete décimos. A Mangueira recebeu o Tamborim de Ouro de melhor escola. O samba-enredo recebeu três premiações. Raphael e Marcella receberam os prêmios Tamborim de Ouro e Troféu Tupi.
Década de 2020
Em abril de 2019, a escola aclamou a única chapa inscrita em seu processo eleitoral como vitoriosa, elegendo Elias Riche o novo presidente da agremiação, tendo Guanayra Firmino como vice-presidente. Para o carnaval de 2020, a escola manteve a equipe campeã de 2019. O enredo desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira apresentou uma releitura crítica da vida de Jesus Cristo, fazendo analogias à sociedade contemporânea. Após dois anos cortando a verba pela metade, o prefeito Marcelo Crivella decidiu cortar integralmente a subvenção das escolas que desfilam no Sambódromo. A Mangueira foi a terceira escola a se apresentar na primeira noite do Grupo Especial. Um dos destaques do desfile foi a alegoria "O Calvário", que tinha uma grande escultura de um menino negro crucificado, com diversas marcas de tiro pelo corpo, representando a morte de inocentes nas favelas cariocas. A rainha de bateria, Evelyn Bastos, representou Jesus mulher e optou por não sambar durante o desfile. A comissão de frente, que representou Jesus dançando funk e sofrendo repressão policial, recebeu diversos prêmios, como Tamborim de Ouro, Estrela do Carnaval e S@mba-Net. Numa das alas, componentes carregavam cruzes com a inscrição "bandido morto", em alusão à frase "bandido bom é bandido morto". O então presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, criticou o desfile da agremiação, dizendo que a escola "desacatou religiões". O samba-enredo do desfile fazia uma "crítica velada" a Bolsonaro no verso "Favela, pega a visão / Não tem futuro sem partilha / Nem messias de arma na mão". Especialistas classificaram o desfile como "frio", longe da empolgação e aclamação popular do ano anterior. A escola perdeu pontos em vários quesitos, com exceção de bateria, enredo e samba-enredo, obtendo a sexta colocação do carnaval, conquistando a última vaga para o Desfile das Campeãs.
A Mangueira possui vinte títulos no carnaval carioca desfilando pelo primeiro grupo (atual Grupo Especial) e foi a campeã do primeiro desfile oficial, realizado em 1932 pelo Jornal "O Mundo Esportivo". Em 1984, para comemorar a inauguração do Sambódromo da Marquês de Sapucaí, a liga organizadora dos desfiles anunciou que dividiria as quatorze agremiações em dois dias, havendo uma escola campeã no desfile de domingo, e outra campeã no desfile de segunda-feira. E ainda, as melhores colocadas dos dois dias participariam de um desfile extra - um Supercampeonato - a ser realizado no sábado seguinte ao carnaval. A Mangueira foi a escola campeã do desfile de segunda-feira, se classificando para participar do Supercampeonato, vencendo também esta disputa. Por esse motivo, a Mangueira possui dois títulos no carnaval de 1984, sendo campeã e supercampeã do carnaval carioca daquele ano.
A Mangueira tem uma vasta lista de prêmios recebidos ao longo de sua história. A escola é a maior vencedora do Estandarte de Ouro, considerado o "óscar do carnaval carioca". Também conquistou diversas outras premiações como Tamborim de Ouro; S@mba-Net; Estrela do Carnaval; Prêmio SRzd; entre outros. No ano de 2001, a escola foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural.
Bateria
A bateria da Mangueira é chamada de "Tem que Respeitar Meu Tamborim" e tem como característica usar o surdo de primeira como única marcação. Possui três prêmios Estandarte de Ouro, concebidos pelos carnavais de 1990, 2011 e 2024. A partir da década de 1980, a Mangueira passou a realizar concurso entre mulheres do Morro da Mangueira para escolher a rainha e duas princesas de bateria. A tradição foi interrompida em 2007. Em 2014, a escola voltou a ter uma rainha de bateria nascida e moradora da comunidade.
Em 19 de abril de 1998, foi criada a Academia Mangueirense do Samba, nos moldes da Academia Brasileira de Letras, com 22 mangueirenses ilustres, que ganham o título de baluarte da escola. A primeira formação do grupo teve Jamelão, Carlos Cachaça, Dona Neuma, Dona Zica, Tinguinha, Mocinha, Tia Miúda, Chiquinho Modesto, José Ramos, Tuninho Caolho, Zé Crioulinho, Nelson Sargento, Roberto Paulino, entre outros. Sempre após o falecimento de um integrante é realizada uma votação com os remanescentes para a escolha do novo baluarte que sucederá o falecido.


