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Estação Ferroviária de Porto-São Bento

Estação Ferroviária de Porto - São Bento, igualmente denominada Estação de São Bento e Estação Ferroviária de São Bento, e originalmente Estação Central do Porto, é uma interface da Linha do Minho, que serve a cidade do Porto, em Portugal. Situada na Praça de Almeida Garrett, no Centro Histórico do Porto, a estação afirmou-se como um dos principais monumentos na cidade, sendo especialmente célebre pelos seus painéis de azulejo. O edifício, de influência francesa, é obra do arquitecto portuense José Marques da Silva. A estação entrou ao serviço, de forma provisória, no dia 8 de Novembro de 1896, só tendo sido oficialmente inaugurada em 5 de Outubro de 1916. A Estação de São Bento encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1997.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Descrição

Localização e acessos

A estação tem acesso pela Praça de Almeida Garret, no centro da cidade do Porto. Faz interface com a estação de São Bento da linha D do Metro do Porto.[carece de fontes?]

Infraestrutura

Em 2004 possuía oito vias de circulação e dispunha de um serviço de informação ao público. Em 2011, o número de vias já tinha sido reduzido para seis, com comprimentos úteis entre os 100 e 167 m; as gares, com uma extensão entre os 119 e 180 m, tinham 90 cm de altura. Devido ao reduzido espaço disponível, as plataformas da estação vão até à entrada do túnel. Está ligada à estação de Campanhã por via dupla, numa extensão de cerca de 2,7 km, correspondente ao troço inicial da Linha do Minho. O átrio principal da estação está revestido de azulejos de temática histórica. Cobrindo uma superfície de cerca de 551 m², representam, principalmente, cenas passadas no Norte do país, estando retratados, entre outros aspectos, o Torneio de Arcos de Valdevez (painel Batalha de Arcos de Valdevez), a apresentação de Egas Moniz com os filhos ao Rei Afonso VII de Leão e Castela, no século XII, a entrada de D. João I e de D. Filipa de Lencastre no Porto (painel Entrada de João I no Porto), em 1387, a Conquista de Ceuta, em 1415, e a vida tradicional campestre (painéis Vistas e Cenas Rurais); um friso colorido (História dos Transportes) dedica-se à evolução dos transportes em Portugal, concluindo com a inauguração dos caminhos de ferro. Foram produzidos na Fábrica de Sacavém e instalados entre 1905 e 1906 pelo artista Jorge Colaço, que, nessa altura, se afirmava como o mais popular azulejador em Portugal. Os azulejos apresentam um estilo típico da Arte Nova, utilizando cores muito claras, conhecidas como cores-pastel.

Serviços

Sede da CP Porto, unidade de negócios da operadora Comboios de Portugal, vocacionada para a prestação do serviço urbano de passageiros na área do Grande Porto e regiões próximas, nomeadamente nas subregiões do Cávado até Braga, do Ave até Guimarães, do Tâmega até Marco de Canaveses, Lima, até Viana do Castelo e do Baixo Vouga até Aveiro, num círculo de cerca de 60 km de raio à volta da cidade do Porto.[carece de fontes?]

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História

O Gabinete do Nó Ferroviário do Porto, criado pelo Decreto-Lei n.º 307/81, levou a cabo um programa de instalação de sinalização electrónica nas linhas em redor do Porto, incluindo o troço até São Bento. Em 1996, estavam previstas profundas obras de modificação da estação, de forma a melhorar as suas funções como terminal de comboios suburbanos de passageiros, incluindo o alargamento do túnel de acesso, a eliminação de algumas vias e o prolongamento das restantes, e a ampliação do edifício e a introdução de áreas comerciais e de lazer, respeitando-se as suas características arquitectónicas e a integração na área envolvente. O alargamento do túnel e a intervenção nas vias seriam da responsabilidade directa do Gabinete, tendo os projectos sido já elaborados nessa altura, enquanto que as obras de remodelação e ampliação do edifício deveriam ser entregues a terceiros. Estimava-se que o custo deste empreedimento, nas partes sob a responsabilidade do Gabinete, seria de 2 800 000 contos. Devido ao avançado estado de degradação das instalações, em 1991 fizeram-se obras de reparação das caixilharias do edifício e de beneficiação da cobertura da gare, e foram limpas as cantarias.

Antecedentes

Em 21 de Maio de 1875 foi inaugurada a estação de Campanhã, que foi desde logo considerada como a principal interface no Porto, com um movimento de passageiros e mercadorias muito elevado. Porém, estava situada numa zona de periferia do Porto, muito longe do centro da cidade, criando problemas de acesso, pelo que se iniciou o planeamento de uma nova gare ferroviária que ficasse mais próxima da zona central.

Planeamento

Inicialmente surgiu a ideia de fazer uma estação subterrânea, ao nível do túnel do Ramal da Alfândega, junto à Igreja de São Nicolau, que foi apoiada pelos comerciantes da Rua de São João. O plano para a nova estação a ser construída e o seu ramal para a rede ferroviária, com o nome de Linha Urbana dos Caminhos de Ferro do Porto, foi apresentado na sessão da Câmara Municipal do Porto de 8 de Julho de 1887, pelos vereadores António Júlio Machado e José Maria Ferreira. Em 18 de Janeiro de 1888, o ministro das Obras Públicas, Emídio Navarro, autorizou a construção do ramal através de uma portaria, que dividiu o ramal em três troços: o primeiro seria da estação de Campanhã até ao perfil 22 do ante-projecto, equivalente ao final do Viaduto da Formiga, o segundo desde aquele ponto até às agulhas da estação, incluindo o túnel de São Bento, e o terceiro corresponderia às vias da estação em si. Este diploma estabeleceu igualmente que a estação deveria ser instalada junto à Praça de D. Pedro, no local do Mosteiro de São Bento de Avé-Maria, do qual a estação recebeu a denominação. Aquele complexo, construído no século XVI, foi danificado num incêndio em 1783, tendo sido posteriormente reconstruído, mas encontrava-se em mau estado de conservação nos finais do século XIX. Ainda assim, a sua demolição foi contestada pela Irmandade de São Bento da Avé-Maria. Do lado oposto, um dos maiores promotores da destruição do convento foi o empresário J. A. Ferreira, proprietário dos Armazens Herminios. Apesar dos vultuosos investimentos e dos grandes problemas técnicos para levar a via férrea até ao centro da cidade, considerou-se que aquela obra era indispensável, especialmente pela administração dos Caminhos de Ferro do Estado, que a classificou de prioritária.

Estação provisória

Em 1 de Novembro de 1893 a construção da gare ferroviária já tinha sido novamente adiada. Em 23 de Novembro de 1893, a Direcção-Geral das Obras Publicas apresentou uma proposta para a exploração provisória, na qual se deveria construir, sem prejuízo do projecto completo, um dos túneis laterais do lado da Rua da Madeira, sendo um dos cais construído de mercadorias aproveitado para serviço de passageiros; esta proposta foi aceite, e foi posta em concurso. Em 14 de Maio de 1894 o Conselho Superior de Obras Públicas voltou a analisar os planos para a estação, e em 26 de Maio foi aprovado o projecto para a exploração provisória. Em Fevereiro de 1895, já tinha sido autorizado o projecto para a exploração definitiva. Entretanto, em 5 de Maio de 1894, foi enviada uma representação ao governo, da parte da Associação Industrial, Ateneu Comercial, Associação Comercial dos Lojistas e Associação dos Empregados do Comércio, apelando ao governo que fosse concluído o ramal, devido à sua grande importância.

Estação definitiva

Já em 1888, começou-se a planear a construção do edifício da estação, que deveria ser suficientemente grande para acolher confortavelmente os serviços de passageiros e recovagens, no espaço exíguo entre a praça, em frente, o terreno traseiro, de grande cota, e as ruas laterais, do Loureiro e da Madeira. Em 29 de Julho de 1889 o Conselho Superior de Obras Públicas pronunciou-se pela primeira vez sobre os planos que já tinham sido elaborados para o edifício. Entretanto, logo desde a abertura da estação verificou-se que as instalações provisórias eram insuficientes para o movimento de passageiros e mercadorias, não se podendo realizar serviços no regime de pequena velocidade. Por outro lado, o facto da estação ter sido inaugurada apenas com as instalações temporárias foi criticado pela imprensa portuense, especialmente o jornal A Provincia, que classificou a estação provisória como vergonhosa para a cidade do Porto, e exigiu a construção de um edifício definitivo. No entanto, este processo foi atrasado pela falta de verbas, agravada pela crise económica.

Transição para a CP e duplicação da via

Em 1927 os Caminhos de Ferro do Estado foram integrados na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, que passou a explorar as antigas linhas do Estado, incluindo a do Minho. Em Outubro de 1928 previa-se a instalação de um sistema de informação sonora aos passageiros em várias estações do país, incluindo São Bento. Este sistema já estava a funcionar durante a Exposição Colonial de 1934, onde comprovou a sua eficácia nas alturas de maior afluência. Em 1931 a Direcção Geral de Caminhos de Ferro instalou um sistema de sinalização e encravamento eléctrico entre as estações de São Bento e Campanhã, para possibilitar a circulação em via dupla neste troço, que ficou concluída no ano seguinte. Esta intervenção teve um excelente resultado, tendo descongestionado ambas as estações, e reduzido o tempo de viagem dos comboios naquele troço.

Electrificação da via e remodelação do edifício

Em 1965 foi instalada a catenária no interior da gare ferroviária, para a tracção eléctrica. Em 1968, o edifício encontrava-se em obras de remodelação interior e expansão, no âmbito da electrificação da via, prevendo-se, nessa altura, a instalação de um restaurante, e novas bilheteiras e salas de espera; no átrio, seria instalado um sistema de luz indirecta, de forma a melhor realçar os painéis de azulejos, e de uma placa para a identificação dos mesmos. Em 3 de Abril de 1971 foi autorizado o encerramento do trânsito de mercadorias em São Bento, a partir de 1 de Agosto desse ano. Na tarde do dia 25 de Abril de 1974, na sequência da Revolução em Lisboa, ocorreu um incidente junto à estação, quando alguns agentes da Polícia de Segurança Pública foram perseguidos pela multidão.

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Fontes consultadas

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