Pesquisa · Mapa mental

Escrita automática

Escrita automática, no âmbito artístico-literário, é o processo de produção de material escrito que objetiva evitar os pensamentos conscientes do autor, através do fluxo do inconsciente. Através da escrita automática, o Eu do poeta se manifestaria livremente de qualquer repressão da consciência, e deixaria crescer o poder criador do homem, fora de qualquer influxo castrador. Seu propósito é vencer a censura que se exerce sobre o inconsciente, libertando-o através de atos criativos não programados, aleatórios, improvisados e sem sentido imediato para a consciência, os quais escapam à vontade do autor.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Origens

Elementos predecessores da escrita automática foram criados pelos dadaístas, porém, enquanto técnica consolidada, a escrita automática ganha corpo pelo líder do movimento surrealista, André Breton, no ano de 1919 ou por Tristan Tzara. Ou seja, para a literatura, se trata somente de um método literário defendido, principalmente, pela vanguarda surrealista. O primeiro livro produzido por escrita automática foi "Os campos magnéticos"(1921), de André Breton e Philippe Soupault, e suas raízes se encontram na poesia em prosa de Rimbaud e Lautréamont e na poesia, mais remota, de William Blake. No Brasil, a escrita automática chegou ainda nos anos 20 daquele século, através de Prudente de Morais Neto e Sérgio Buarque de Holanda.

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Arte e literatura

Imagem: .:Adry:. · BY-NC-SA · Openverse

Se o Dadaísmo pavimentou os caminhos de manifestação do inconsciente na arte e na literatura, o Surrealismo trilhou esse caminho e não só reconheceu como sistematizou a escrita automática enquanto técnica artística. No Manifesto Surrealista, escrito em 1924 por André Breton, encontra-se como se constrói o processo da escrita automática: Pense que a literatura é um dos mais tristes caminhos que levam a tudo. Escreva depressa, sem assunto preconcebido, bastante depressa para não reprimir, e para fugir à tentação de se reler. A primeira frase vem por si, tanto é verdade que a cada segundo há uma frase estranha ao nosso pensamento consciente pedindo para ser exteriorizada. É bastante difícil decidir sobre a frase seguinte: ela participa, sem dúvida, a um só tempo, de nossa atividade consciente e da outra, admitindo-se que o fato de haver escrito a primeira supõe um mínimo de percepção. Tal automatismo representaria, para Breton, o descarrilhar da escrita, o rompimento de todos os freios e barreiras da consciência e a liberdade da caneta frente o papel.

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Psicanálise

Imagem: André Breton, Philippe Soupault · CC0 · Openverse

O surrealismo pode ser entendido como o ponto de encontro entre arte e psicanálise, utilizando como matéria artísticas elementos e técnicas alternativas e inovadoras para a época, como a escrita automática, os sonhos, a loucura e os fluxos de consciência. Dada as relações de interseção e influências mútuas entre psicanálise e surrealismo, percebe-se na escrita automática a expressão artística do inconsciente estruturado como linguagem de Jacques Lacan.

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