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Escola Austríaca

A Escola Austríaca é uma escola de pensamento econômico que enfatiza o poder de organização espontânea do mecanismo de preços. A Escola Austríaca afirma que a complexidade das escolhas humanas subjetivas faz com que seja extremamente difícil a modelação matemática do mercado em evolução e defende uma abordagem laissez-faire para a economia. Os economistas da Escola Austríaca defendem a estrita aplicação rigorosa dos acordos contratuais voluntários entre os agentes econômicos, e afirmam que transações comerciais devam ser sujeitas à menor imposição possível de forças coercitivas como as Governamentais e/ou Corporativistas. Seus membros defendem, por exemplo, o free banking.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Origens

A Escola Austríaca de Economia reúne em torno de si uma gama considerável de autores distribuídos ao longo de cinco ou mais gerações de economistas. O início dessa tradição de pesquisa acontece com a publicação do Grundsätze (Princípios da Economia), de Carl Menger, em 1871, o livro foi um dos primeiros tratados modernos a promover a teoria da utilidade marginal e o autor até então desconhecido que residia em Viena. Embora o marginalismo fosse geralmente influente, também havia uma escola mais específica que começou a se aglutinar em torno da obra de Menger, que veio a ser conhecida como "Escola de Psicologia", "Escola de Viena" ou "Escola Austríaca". Menger desde então tornou-se conhecido como o pai ou o fundador de um movimento específico no interior do pensamento econômico. A Escola Austríaca foi uma das três correntes fundadoras da revolução marginalista da década de 1870, com sua principal contribuição sendo a introdução da abordagem subjetivista na economia. A trajetória das ideias austríacas, desde essa época, pode ser traçada em seus aspectos gerais. Menger notabilizou-se pela sua exposição dos fundamentos da teoria do valor econômico, pela sua minuciosa descrição dos processos de produção e consumo e por um número de definições que viriam a ser incorporadas pela ortodoxia econômica no século XX. Mas Menger não se tornou muito conhecido à sua época, cabendo a dois seguidores, Böhm-Bawerk e Wieser, o papel de divulgadores de suas ideias para o público internacional. De fato, esses últimos tornaram-se muito respeitados na comunidade acadêmica e suas contribuições teóricas foram bastante aproveitadas na edificação de uma teoria do valor, da produção, dos ciclos econômicos e da lógica da escolha entre o início do século XX e os anos 30. Esses três economistas se tornaram o que é conhecido como a "primeira onda" da Escola Austríaca. Por essa época não havia uma clara distinção entre a tradição austríaca e a ortodoxia econômica que se firmara na Inglaterra, nos EUA e em outros países, mas a Escola Austríaca sempre guardou um afastamento da tradição marginalista e marshalliana que passou a predominar nesses meios. Böhm-Bawerk escreveu extensas críticas a Karl Marx nas décadas de 1880 e 1890 como parte da participação dos austríacos na Methodenstreit do final do século XIX, durante a qual eles atacaram as doutrinas hegelianas da escola histórica.

Século XX (Vinte)

Frank Albert Fetter (1863–1949) foi um líder do pensamento austríaco, nasceu em 1863, na cidade de Peru, Indiana, Estados Unidos. Ele obteve seu PhD em 1894 na Universidade de Halle-Wittenberg (Alemanha) e, em seguida, foi nomeado Professor de Economia Política e Finanças em Cornell (Universidade localizada em Ithaca, Nova York) em 1901. Durante a década de 1920 Vários economistas austríacos importantes formaram-se na Universidade de Viena e posteriormente participaram de seminários privados realizados por Ludwig von Mises. Estes incluíram Gottfried Haberler, Friedrich Hayek, Fritz Machlup, Karl Menger (filho de Carl Menger), Oskar Morgenstern, Paul Rosenstein-Rodan, Abraham Wald, e Michael A. Heilperin, entre outros, bem como o sociólogo Alfred Schütz.

Posteriormente no Século XX (Vinte)

Em meados da década de 1930, a maioria dos economistas havia adotado o que consideravam as contribuições importantes dos primeiros austríacos. Fritz Machlup citou a declaração de Hayek de que "o maior sucesso de uma escola é que ela deixa de existir porque seus ensinamentos fundamentais se tornaram parte do corpo geral do pensamento comumente aceito". Em algum momento durante o meio do século 20, a economia austríaca foi desconsiderada ou ridicularizada pelos economistas convencionais porque rejeitou a construção de modelos e métodos matemáticos e estatísticos no estudo da economia. O aluno de Mises, Israel Kirzner, lembrou que em 1954, quando Kirzner estava fazendo seu doutorado, não havia uma Escola Austríaca separada como tal. Quando Kirzner estava decidindo qual escola de pós-graduação cursar, Mises o aconselhou a aceitar uma oferta de admissão na Johns Hopkins porque era uma universidade de prestígio e Fritz Machlup lecionava lá.

Metodologia

Na literatura especializada, os ensaios de Jaffé e Streissler demonstraram que a tradição austríaca em Menger mantinha uma especificidade de conceitos e ideias de modo a não poder ser confundida com a abordagem de um William Stanley Jevons ou de um Leon Walras, nomes usualmente colocados ao lado de Menger como representantes do episódio conhecido como Revolução marginalista. Ao processo de separação de ideias entre Jevons, Walras e Menger, Jaffé cunhou a expressão “desomogeneização” (de-homogeneized) para indicar tratar-se de três tradições distintas que se filiam a diferentes técnicas de análise e pedigrees filosóficos, e como conseqüência cada qual focaliza a Economia de um modo bem particular.

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Críticas

Em geral

Os economistas tradicionais geralmente rejeitam a economia austríaca moderna e argumentam que os economistas austríacos são excessivamente avessos ao uso da matemática e da estatística na economia. A oposição austríaca à matematização se estende apenas à teorização econômica, pois eles argumentam que o comportamento humano é muito variável para que os modelos matemáticos abrangentes sejam verdadeiros ao longo do tempo e do contexto. Os austríacos, no entanto, apoiam a análise da preferência revelada por meio da matematização para auxiliar os negócios e as finanças. O economista Paul Krugman afirmou que os austríacos desconhecem as lacunas em seu próprio pensamento porque não usam "modelos explícitos".

Metodologia

Os críticos argumentam que a economia austríaca carece de rigor científico e rejeita métodos científicos e o uso de dados empíricos na modelagem do comportamento econômico. Alguns economistas descrevem a metodologia austríaca como sendo a priori ou não empírica. O economista Mark Blaug criticou o excesso de confiança no individualismo metodológico, argumentando que descartaria todas as proposições macroeconômicas que não podem ser reduzidas a microeconômicas e, portanto, rejeitaria quase toda a macroeconomia aceita. O economista Thomas Mayer afirmou que os austríacos defendem a rejeição do método científico que envolve o desenvolvimento de teorias empiricamente falsificáveis. Além disso, os economistas desenvolveram vários experimentos que extraem informações úteis sobre as preferências individuais.

Teoria dos ciclos econômicos

A pesquisa econômica dominante sobre a teoria austríaca dos ciclos econômicos considera que ela é inconsistente com as evidências empíricas. Economistas notáveis como Gordon Tullock, Milton Friedman e Paul Krugman disseram que consideram a teoria incorreta. O economista austríaco Ludwig Lachmann observou que a teoria austríaca foi rejeitada durante a década de 1930. A promessa de uma teoria austríaca do ciclo econômico, que também poderia servir para explicar a gravidade da Grande Depressão, uma característica do início dos anos 1930 que forneceu o pano de fundo para a aparição bem-sucedida de Hayek no cenário londrino, logo se mostrou enganosa. Três gigantes – Keynes, Knight e Sraffa – se voltaram contra os infelizes austríacos que, em meados daquela década negra, tiveram que lutar em três frentes. Naturalmente, provou ser uma tarefa além de suas forças.

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Fontes consultadas

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