Ergue-te
O Ergue-te (E), fundado como Partido Nacional Renovador (PNR), foi um partido político português ultranacionalista de extrema-direita. O seu lema era Nação e Trabalho e um dos seus objetivos consistia na valorização de um espírito nacionalista português. O partido resultava legalmente da alteração de estatutos aprovada na VII Convenção Nacional do antigo Partido Renovador Democrático (PRD) requerida em 17 de Março de 2000 e validada pelo Tribunal Constitucional a 12 de abril de 2000. Esta alteração implicou na mudança de nome, sigla e símbolo do partido para os então adotados pelo PNR. O seu último presidente foi, desde 15 de dezembro de 2024 e até à dissolução do partido, Rui Fonseca e Castro.
A 10 de julho de 2020, com vista a alterar a sua imagem pública e a desfazer equívocos decorrentes da confusão de siglas entre PNR e PDR — o antigo Partido Democrático Republicano, anteriormente designado Alternativa Democrática Nacional —, passou a designar-se Ergue-te, com a sigla E, alteração que foi aceite e registada pelo Tribunal Constitucional na sequência de deliberação tomada pelo Conselho Nacional do PNR a 23 de novembro de 2019. O partido também era descrito como islamofóbico e foi oposto à adesão de Portugal à NATO. Por falha na apresentação das contas relativas aos anos 2019, 2020 e 2021, o partido foi extinto a 12 de junho de 2025.
O partido tem sido descrito como islamofóbico e opõe-se à participação de Portugal na NATO. Seu programa para as eleições de 2024 inclui a oposição ao multiculturalismo, restrições à imigração, a alteração da lei de nacionalidade para que se baseie no jus sanguinis, a oposição à eutanásia e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, e a abolição do direito de greve.
O E esteve envolvido em várias polémicas. Em 2006, envolveram-se na manifestação dos agentes das forças de segurança contra o governo, levando-a quase à suspensão. A notícia do Diário de Notícias sobre participação do então PNR foi a seguinte: "Foi a confusão total. Já passavam quase 120 minutos da hora marcada para o início do desfile dos agentes das forças de segurança contra a política do Governo quando os organizadores chegaram ao Marquês de Pombal para avisar que, afinal, não ia haver manifestação. Com o argumento de que os agentes da PSP, da GNR, da Polícia Marítima e dos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras se recusavam a "desfilar ao lado dos neonazis" (e representantes do Partido Nacional Renovador) que se tinham concentrado naquele local para participar na manifestação. E com receio de que ocorressem conflitos entre os dois lados. A decisão dos organizadores da manifestação — a Comissão Coordenadora Permanente de Sindicatos e Associações das Forças e Serviços de Segurança — enfureceu os agentes das várias forças policiais. Os protestos aumentaram de tom, a confusão gerou-se e, de repente, quando menos se esperava, os elementos das forças de segurança passaram por cima da decisão da organização e começaram a desfilar. A Comissão Coordenadora tinha perdido o controlo da situação. E o desfile fez-se, de facto, até ao Terreiro do Paço, onde está instalado o Ministério da Administração Interna. Aí, os agentes exigiram mudanças do sistema de saúde, na aposentação e melhores condições de trabalho. Os militantes de extrema-direita, após terem tido um palco para falar aos media começaram a dispersar, vendo-se ao longo do desfile um grupo aqui outro acolá. Mas não seguiram a manifestação atrás das forças policiais."
Imagem: Ergue-te · BY-SA · Openverse
Desde o início do ano de 2006, procurou recrutar jovens estudantes em escolas secundárias e em estabelecimentos do ensino superior. Esta situação despertou mais uma vez a atenção das autoridades, que enviaram um relatório aos ministros da Educação e da Administração Interna. Segundo o relatório, apesar de o então PNR ser um partido legalizado, existe um risco efetivo de transmissão aos jovens de ideias de caráter xenófobo, potenciadoras de violência. O líder da Juventude confirmou este recrutamento, refutando, no entanto, a transmissão aos jovens de mensagens de natureza criminal ou violenta. Após a mudança de nome do partido em 2020, a juventude partidária do Ergue-te passou a ser intitulada "Ala dos Namorados", nome inspirado na ala direita do exército português na Batalha de Aljubarrota.
Imagem: Ergue-te · BY-SA · Openverse
Alguns ex-membros seus foram condenados por discriminação racial e crimes violentos como, entre outros, o assassinato dum dirigente do PSR (José Carvalho) e dum jovem cabo-verdiano (Alcindo Monteiro), depois de terem sido ligados a grupos de extrema-direita armados como a Frente Nacional e os Hammerskin portugueses. No entanto, a forma de atuação destes grupos levou a um afastamento do então PNR em relação aos mesmos. Em 2007, os Gato Fedorento provocaram o PNR ao publicar um cartaz satírico, na Rotunda do Marquês, ao lado de um cartaz do PNR contra a imigração. O cartaz gerou polémica, incluindo ameaças de nacionalistas aos humoristas portugueses. Apesar do protesto do Bloco de Esquerda favorável à manutenção do cartaz humorístico, o cartaz acabou por ser removido pela Câmara Municipal de Lisboa devido a ser ilegal, tendo sido colocado durante a noite. Entretanto, o PNR colocou um novo cartaz, igual ao original, para substituir o cartaz vandalizado. Os custos foram pagos pelos militantes e, inclusive, fizeram a guarda noturna do cartaz para que não voltasse a ser vandalizado.
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Eleições autárquicas
(Resultado que excluem os resultados de coligações envolvendo o partido)


