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Alcindo Monteiro

Alcindo Bernardo Fortes Monteiro foi um cidadão português assassinado aos 27 anos, vítima de crime de ódio racial.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/08/2026
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Biografia

Alcindo Monteiro nasceu no Mindelo a 1 de outubro de 1967, filho de Bernardo e Francisca Monteiro. Era um de sete filhos. Em 1978, com 11 anos, Alcindo emigrou para Portugal juntamente com a sua família, que se estabeleceu no Bairro de Casquilhos, no Barreiro. Alcindo cumpriu o serviço militar obrigatório em Beja, tendo assumido o posto de cozinheiro. Gostava de cozinhar e de dançar. Um dos seus sonhos era seguir a carreira de bailarino, «talvez de Hip Hop ou breakdance».

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Assassinato

Na noite de 10 de junho de 1995, Alcindo Monteiro apanhou o barco do Barreiro para Lisboa, com o objetivo de ir dançar ao Bairro Alto. Foi intercetado e violentamente espancado por um grupo de nacionalistas skinheads, na zona do Chiado, vindos de um jantar comemorativo do "Dia da Raça", designação dada durante o Estado Novo ao Dia de Portugal, celebrado naquele dia. Monteiro foi encontrado sem sentidos na Rua Garrett, em frente à montra da casa Gianni Versace, sendo transportado para o Hospital de São José, juntamente com outras nove vítimas de agressões, todas elas negras. Foi o ator João Lourenço quem ligou para o 115. O relatório médico indicava "hemorragias sub-pleurais e sub-endocárdicas; edema pulmonar; graves lesões traumáticas crânio-vasculo-encefálicas; lesão no tronco cerebral; edema cerebral muito marcado; fractura da calote craniana". Alcindo Monteiro entrou em coma profundo nas primeiras horas da madrugada de 11 de junho de 1995. O seu óbito seria declarado às 10h30 da manhã de 12 de junho.

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Julgamento do seu assassinato

O julgamento do caso teve início no dia 31 de janeiro de 1997, no tribunal de Monsanto, presidido pelo juiz João Martinho. Foram identificados 17 arguidos, julgados por genocídio, um crime de homicídio e dez ofensas corporais, e ouvidas 84 testemunhas. As sessões estenderam-se até 4 de junho do mesmo ano. Os arguidos foram Mário Machado, Nuno Cláudio Cerejeira, Nuno Monteiro, Nélson Silva, Nuno Themudo da Silva, Jaime Hélder, Alexandre Cordeiro, José Lameiras, Hugo Silva, João Martins, Ricardo Abreu, José Paiva, Jorge Martins, Tiago Palma, Jorge Santos, Nélson Pereira e João Homem. Foi o depoimento do arguido José Lameiras que permitiu a identificação dos restantes agressores e o seu nível de envolvimento na agressão. João Lourenço depôs como testemunha ocular da agressão, mas não conseguiu identificar nenhum dos agressores. No dia 2 de maio, o Ministério Público deixou cair a acusação de genocídio.

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Reconhecimentos

Em 2020, a Câmara Municipal de Lisboa colocou na Rua Garrett, local onde Alcindo foi assassinado, uma placa evocativa em sua homenagem. Em 2021 foi lançado o documentário Alcindo realizado por Miguel Dores. O documentário relata a noite do assassinato e reflete ainda sobre a violência e ataques racistas, em Portugal. O documentário foi vencedor do Prémio do Público na edição de 2021 do Doclisboa e nesse mesmo ano ganhou ainda o prémio de Melhor Documentário e o Grande Prémio do Festival Caminhos do Cinema Português.

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Fontes consultadas

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