Erasmo de Roterdão
Erasmo de Roterdão (português europeu) ou Roterdã (português brasileiro), nascido Gerrit Gerritszoon ou Herasmus Gerritszoon, foi um teólogo e filósofo humanista neerlandês que viajou por toda a Europa, como Portugal, Inglaterra, Itália, Espanha, Croácia, Bulgária, Dinamarca e outros.
Erasmo cursou o seminário com os monges agostinianos e realizou os votos monásticos aos 25 anos, vivendo como tal, sendo um grande crítico da vida monástica e das características que julgava negativas na Igreja Católica. Frequentou o Collège Montaigu, em Paris, e continuou seus estudos na Universidade de Paris, então o principal centro da escolástica, apesar da influência crescente do Renascimento da cultura clássica, que chegava de Itália, Erasmo optou por uma vida de acadêmico independente. Os principais centros da sua atividade foram Paris, Lovaina, Inglaterra e Basileia. No entanto, nunca pertenceu firmemente a nenhum destes locais. O tempo passado na Inglaterra foi frutífero, tendo feito amizades para a vida com os líderes ingleses John Colet, Thomas More, John Fisher, Thomas Linacre e Willian Grocyn. Na Universidade de Cambridge foi o professor de Teologia de Lady Margaret e teve a opção de passar o resto de sua vida como professor de inglês.[carece de fontes?] Esteve no Queens' College, em Cambridge, e é possível que tenha sido alumnus. Foram-lhe oferecidas várias posições de honra e proveito através do mundo acadêmico, mas declinou-as todas, preferindo a incerteza, tendo no entanto receitas suficientes da sua atividade literária independente. Entre 1506 e 1509 esteve em Itália. Passou ali uma parte do seu tempo na casa editorial de Aldus Manutius, em Veneza. De acordo com suas cartas,[carece de fontes?] esteve associado com o filósofo natural veneziano, Giulio Camillo, mas, além deste, teve uma associação com acadêmicos italianos menos ativa do que se esperava.
Erasmo nasceu em 28 de outubro na década de 1460. O ano exato de seu nascimento é debatido, com a maioria dos biógrafos citando o ano de 1467. Algumas evidências podem ser encontradas nas próprias palavras de Erasmo: de 23 declarações feitas sobre sua idade, boa parte indica 1466. Foi batizado de "Erasmo" após o santo de mesmo nome. Embora associado ao Roterdão, ele morou lá por apenas quatro anos, e nunca mais voltou. Informações sobre sua família e início da vida vêm principalmente de referências vagas em seus escritos. Seus pais quase certamente não eram casados legalmente. Seu pai, Gerard, era um padre e pároco católico em Gouda. Pouco se sabe de sua mãe se não o seu nome que era Margaretha Rogers e ela era a filha de um médico; ela pode ter sido governanta de Gerard. Embora tenha nascido fora de um casamento, Erasmo foi cuidado por seus pais até a morte precoce de peste negra em 1483.
A produtividade literária de Erasmo começou relativamente tarde na sua vida. Apenas quando dominou o latim é que começou a escrever sobre os grandes temas contemporâneos, nomeadamente sobre literatura e teologia. A sua revolta contra as formas de vida da igreja não resultou tanto de dúvidas quanto à verdade da doutrina tradicional, nem de alguma hostilidade para com a organização da Igreja. Sentiu antes a necessidade de aplicar os seus conhecimentos na purificação da doutrina e na liberalização das instituições do cristianismo. Como acadêmico, tentou libertar os métodos da Escolástica da rigidez e do formalismo das tradições medievais, mas não ficou satisfeito. Ele viu-se como o pregador da retidão. A sua convicção em toda a vida foi que o que era necessário para regenerar a Europa era uma aprendizagem sã, aplicada liberalmente e sem receios pela administração de assuntos públicos da Igreja e do Estado. Esta convicção confere unidade e consistência a uma vida que, de outra forma, pode parecer plena de contradições. Erasmo viu-se livre e distante de quaisquer obrigações comprometedoras; no entanto, Erasmo foi, num sentido singularmente verdadeiro, o centro do movimento literário do seu tempo. Ele se correspondeu com mais de quinhentos homens da maior importância no mundo da política e do pensamento, e o seu conselho em vários assuntos era procurado avidamente, se bem que nem sempre seguido.
O movimento de Martinho Lutero começou no ano seguinte à publicação do Novo Testamento, e foi um teste ao caráter de Erasmo. A discussão entre a sociedade europeia e a Igreja Católica Romana tinha-se tornado tão aberta que poucos se podiam furtar a um pedido de uma opinião. Erasmo, no auge da sua fama literária, foi inevitavelmente chamado a tomar partido por um dos lados, mas partidarismo era algo de estranho à sua natureza e hábitos. Em toda a sua crítica às tolices clericais e aos abusos, ele tinha sempre afirmado que não estava a atacar as instituições da Igreja em si e não era um inimigo do clero. O mundo inteiro tinha rido com as suas sátiras, mas poucos interferiram com as suas actividades. Ele acreditava que o seu trabalho até então o recomendava às melhores mentes e aos poderes dominantes no mundo religioso. Erasmo tinha uma simpatia pelos pontos principais da crítica luterana à Igreja. Tinha um grande respeito pessoal por Martinho Lutero e Lutero sempre falava de Erasmo com reverência pelo seu conhecimento. Lutero esperava obter a sua cooperação num trabalho que parecia o resultado natural do seu próprio. Na sua troca de correspondência inicial, Lutero expressou uma intensa admiração por tudo o que Erasmo tinha feito pela causa de um cristianismo saudável e razoável e encorajou-o a unir-se ao movimento. Erasmo, porém criticou duramente a doutrina luterana que negava ao homem o livre-arbítrio.
A sua obra mais conhecida, Elogio da Loucura (em grego Morias Encomium, latim Laus stultitiae), escrita em 1509, foi dedicada ao seu amigo Sir Thomas More. Em 1536 ele escreveu "De puritate ecclesiae christianae", na qual ele tentou reconciliar os diferentes partidos. Muitos dos seus escritos apelam a uma grande audiência e lidam com assuntos do interesse humano geral; ele parece ter considerado estes como uma diversão, uma actividade de lazer. Os seus escritos mais sérios começaram cedo com a "Enchiridion Militis Christiani", o "Manual (ou adaga) do cavalheiro cristão" (1503). Nesta breve obra, Erasmo esquematiza as perspectivas da vida cristã normal, uma tarefa que se lhe tornaria constante na sua vida. O principal mal dos seus dias, diz ele, é o formalismo, um respeito por tradições sem consideração pelo verdadeiro ensinamento de Cristo. O remédio é que cada homem se pergunte a cada ponto "Qual a coisa essencial?", fazendo-o sem receio. Formas podem esconder ou sufocar o espírito. Na sua examinação dos perigos do formalismo, Erasmo discute a vida monástica, a veneração dos santos, a guerra, o espírito de classe e as fraquezas da "sociedade", mas o "Enchiridion" é mais um sermão do que uma sátira. O seu texto acompanhante, o "Institutio Principis Christiani" (Basileia, 1516), foi escrito como conselho ao jovem Rei Carlos de Espanha, mais tarde Carlos V, Sacro-Imperador Romano. Erasmo aplica os princípios gerais de honra e de sinceridade às especiais funções do Príncipe, quem ele apresenta como um servidor do povo.
A popularidade extraordinária dos seus livros fica patente pelo número de edições e traduções que surgiram desde o século XVI, e no interesse permanente que é suscitado pela sua personalidade esquiva mas fascinante. Dez colunas do catálogo da "British Library" estão ocupadas com a mera enumeração de suas obras e subsequentes reedições. Grandes nomes da era clássica e dos pais da igreja foram traduzidos, editados ou comentados por Erasmo, incluindo Santo Ambrósio de Milão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Basílio de Cesareia, São João Crisóstomo, Cícero, e Jerónimo de Estridão. O seu livro mais famoso, "Elogio da Loucura", escrito em 1509, foi dedicado ao seu amigo Sir Thomas More.
The Collected Works of Erasmus (ou CWE ) é um conjunto de 84 volumes de traduções em inglês e comentários da University of Toronto Press. Em maio de 2023, 66 de 84 volumes foram lançados. O Erasmi opera omni, conhecido como Amsterdam Edition ou ASD, é um conjunto de 65 volumes das obras originais em latim. Em maio de 2013, 59 volumes foram lançados.
Cartas
As melhores fontes para o mundo do humanismo renascentista europeu no início do século XVI são as correspondências de Erasmo. — Froude, "Prefácio", Vida e Cartas de Erasmo Mais de 3000 cartas existem por um período de 52 anos, incluindo de e para a maioria dos papas ocidentais, imperadores, reis e sua equipe, bem como para importantes intelectuais, bispos, reformadores, fãs, amigos e inimigos.
Novo testamento
A edição de 1516 tinha as versões Vulgata latina e grega corrigidas de Erasmo. As edições revisadas subsequentes tiveram a nova versão latina e grega de Erasmo. A edição de 1527 tinha a Vulgata e o novo latim de Erasmo com o grego. Estes foram acompanhados por anotações substanciais, notas metodológicas e paráfrases, em volumes separados.
Edições patrísticas e clássicas
Para as edições patrísticas, Erasmo estava supervisionando o editor e o editor ou tradutor, muitas vezes trabalhando com outros. Ele também contribuiu com prefácios, notas e biografias. No final de sua carreira editorial, Erasmus produziu edições de dois escritores pré-escolares: Escritores clássicos cujas obras Erasmo traduziu ou editou incluem Luciano (1506), Eurípides (1508), Catonis Disticha (1513), Curtius (1517 ), Suetônio (1518), Cícero (1523), Ovídio e Prudêncio (1524), Galeno ( 1526), Sêneca (1528), Plutarco (1531), Terêncio (1532), Ptolomeu (1533).


