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Era Meiji

O Período Meiji ou Era Meiji foi o período de reinado do Imperador Meiji do Japão, que se estendeu de 3 de fevereiro de 1868 a 30 de julho de 1912. Nessa fase, o Japão conheceu uma acelerada modernização, vindo a constituir-se em uma potência mundial.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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História

Antecedentes

No final do Período Edo (1603-1868), o Japão era praticamente país feudal, economicamente não desenvolvido e bastante fechado, permanecendo distante em termos de Relações Internacionais. Nesse período, o xogunato era o modelo de governo. Nele, o poder político (representado pelo líder, o xogum) ficava nas mãos de uma família por gerações. O xogunato Tokugawa, que precedeu a Era Meiji, tinha a famíia Tokogawa no poder. Dentro do modelo do xogunato, o imperador ainda existia, mas seu papel era decorativo, pois não ocupava espaço político. Outras características do xogunato eram a atuação dos samurais e as bem definidas hierarquias desse grupo social, que também influenciavam na organização da sociedade japonesa como um todo: de acordo com suas funções, as pessoas ocupavam um lugar determinado e fixo dentro de uma cadeia de relações sociais. A ascensão social não era possível e o status era muito valorizado.

Chegada do Comodoro Perry

Após sua chegada ao Japão em 1853 exigindo a abertura do Japão ao comércio internacional, Matthew Perry concluiu que a política tradicional de isolamento do Japão seria alterada apenas frente a forças navais superiores. Com duas fragatas e dois veleiros, ele entrou no porto fortificado de Uraga em 8 de julho de 1853. Perry se recusou a obedecer às ordens japonesas de sair e ordenou que se o governo não delegar uma pessoa adequada para receber os documentos em sua posse, ele os entregaria à força. As defesas japonesas eram inadequadas para resistir a ele e, após alguns dias de violenta disputa diplomática, aceitaram a carta do presidente dos Estados Unidos solicitando um tratado.

A Restauração Meiji

Em 25 de fevereiro de 1867, o Príncipe Mutsuhito (que passaria a ser conhecido como Imperador Meiji), então com 15 anos de idade, sucedeu ao seu pai, o imperador Komei. A nova era, a de Meiji (regime iluminado) foi proclamada. A Restauração Meiji, que teve lugar em 1868, terminou com o Sistema Feudal de 256 anos dos Xogunato Tokugawa e devolveu o poder central ao imperador. O último xogum, Tokugawa Yoshinobu, renunciou em 1867 e, em 1868, o Império foi restaurado. Os Exércitos dos Feudos de Satsuma, Choshu e Tosa, que agora compunham as forças imperiais, dominaram os seguidores dos Tokugawa e, pouco depois, asseguraram a Restauração Meiji. O Governo Meiji assegurou às potências internacionais que iria seguir os antigos tratados negociados pelo Bakufu e anunciou que iria agir de acordo com a Lei Internacional. Mutsuhito selecionou o novo título para seu Regime (Meiji), para marcar o início de uma nova era da História do Japão.

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As mudanças políticas e econômicas

Imagem: sailko · BY-SA · Openverse

Com o início da Era Meiji e sua nova estruturação política, surgem também ações governamentais que visam modernizar o Japão a fim de que possa se equiparar às potências ocidentais, visto que estas se apresentam como ameaças tendo em vista seu desenvolvimento tecnológico, militar e econômico. A unidade política do país permitiu a centralização da administração pública e a intervenção do Estado na economia. Isso, por sua vez, possibilitou reformas econômicas que consistiram na eliminação de entraves e resquícios do modo de produção feudal, na liberação da mão-de-obra, e na assimilação da tecnologia ocidental, preparando o Japão para o capitalismo em sua revolução. A nova organização política instaurada combinava uma mistura de elementos da política ocidental com antigos modelos japoneses. Embora o imperador fosse a figura de maior poder do Estado, a tomada de decisões estava mais a cargo da Dieta, composta por duas câmaras, e das Oligarquias (compostas por antigos senhores feudais e samurais de classe baixa que apoiaram o imperador). Uma parte dos políticos que compunham a Dieta eram eleitos pelo povo japonês - mesmo que esse grupo de eleitores fosse restrito.

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Cultura e sociedade

Imagem: j3ssl33 · BY · Openverse

A partir dos contatos com o Ocidente e com a chegada de tantos costumes, ideias e produtos ocidentais, a sociedade japonesa encarou conflitos de ordem moral, visto as grandes diferenças entre os valores japoneses e os valores ocidentais. A cultura japonesa estava mais voltada para uma ética comunitária, dedicando respeito à comunidade, à família e aos antepassados. Apesar de diversos valores ocidentais terem penetrado a sociedade japonesa, os quais costumam ser considerados como valores que priorizam um individualismo, o apreço tradicional à integração na comunidade e o respeito às hierarquias sociais e de idade permaneceram elementos fortes no Japão. Sendo assim, a sociedade japonesa assimilou diversas características das civilizações ocidentais, mas a crença que possuíam (crença esta que remonta às origens do povo japonês e que perpassou ao longo de eras) de uma superioridade do Japão frente os outros povos, fez com que permanecessem fiéis às suas características que tornavam a civilização japonesa única. É esta crença em uma superioridade, aliada ao nacionalismo e à noção de igualdade fomentados pelas políticas governamentais, que irão orientar as ações imperialistas japonesas nos últimos anos do século XIX e especialmente durante toda a primeira metade do século XX.

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Economia

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A industrialização no Japão ocorreu durante a Era Meiji. Existem pelo menos duas razões para a velocidade de sua modernização: o emprego de mais de 3 mil especialistas estrangeiros (chamados o-yatoi gaikokujin ou estrangeiros contratados) em várias áreas como o ensino de inglês, ciências, engenharia, o exército e a marinha etc; e o envio de muitos estudantes japoneses para intercâmbio na Europa e América, baseado no quinto e último artigo da Carta de Juramento de 1868: 'O conhecimento deve ser buscado ao redor do mundo a fim de fortalecer as bases do domínio imperial'. Esse processo de modernização foi monitorado de perto e intensamente subsidiado pelo governo Meiji, aumentando o poder das grandes zaibatsus como a Mitsui e a Mitsubishi. Juntos, os zaibatsu e o governo guiaram a nação, emprestando tecnologia do ocidente. O Japão gradativamente tomou controle da maior parte do mercado asiático de bens manufaturados, a começar com os têxteis. A estrutura econômica tornou-se muito mercantilística, importando matérias-primas e exportando produtos finalizados - um reflexo da relativa escassez de commodities no país.

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Início do imperialismo japonês na Ásia

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O rápido desenvolvimento econômico não tardou a ter reflexos, também, na esfera militar. O Império do Japão não demorou a se lançar em uma corrida imperialista ambiciosa de certa forma semelhante à dos europeus e americanos. Em 1895, Japão e China assinaram o Tratado de Shimonoseki, no qual fora reconhecida a independência da Coreia (abrindo mão a China, portanto, de qualquer ambição territorial na península coreana - até então seu estado vassalo - , deixando o caminho livre para os japoneses a anexarem formalmente 15 anos depois, em 1910, permanecendo como colônia até o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945). Também, no início do século XX, o Japão ganha a Guerra Russo-Japonesa, sendo a primeira vez que um país asiático derrotava um estado europeu.

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Consequências

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Após a morte do imperador Meiji, em 1912, o imperador Taisho tomou o trono, dando início ao período Taisho. O Japão enfrentou graves problemas estruturais que, se não fossem superados, poderiam comprometer o seu crescimento econômico. Esses entraves consistiam em escassez de matéria-prima e de fontes de energia, e na limitação do seu mercado interno. Para tentar encontrar uma solução, o Japão investiu em seu poderio bélico, a fim de obter uma expansão militar. O exército japonês ocupou a Coreia, Taiwan, o sul da ilha de Sacalina e a Manchúria. Essa disputa, principalmente contra a China, conduziu o Japão à Primeira e à Segunda Guerra Mundial, e à sua derrota nesta última.

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