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Emissão otoacústica

Emissão otoacústica (EOA) é a energia mecânica produzida pelas contração rápida das células ciliadas externas (CCE) presentes na cóclea, componente da orelha interna. Prevista porThomas Gold em 1948, sua existência foi comprovada experimentalmente por David Kemp em 1978 e, desde então, as emissões otoacústicas tem demonstrado surgir por meio de diferentes atividades celulares e mecânicas na orelha interna. São sons produzidos espontaneamente ou em resposta a estímulos acústicos pela cóclea, sendo amplamente utilizadas na avaliação da função coclear e na triagem auditiva neonatal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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História

As emissões otoacústicas foram observadas, pela primeira vez, pelo inglês David Kemp no ano de 1978, onde ele as definiu como a liberação de uma energia sonora originária da cóclea, que passa pela orelha média, até o conduto auditivo externo. Em seus estudos, pôde demonstrar que as EOAs estão presentes em todos os ouvidos funcionalmente normais e que deixam de ser detectadas acima de limiares entre 20 a 30 dB. De acordo com Probst, em 1990, a cóclea não é só capaz de receber sons, mas também de produzir energia acústica, um fenômeno relacionado com o processo de micromecânica coclear, além do fato de que as EOAS, ao serem geradas na cóclea, sugere que nesta encontre-se um componente mecanicamente ativo, acoplado à membrana basilar, por meio do qual ocorre o processo reverso de transdução de energia sonora, função esta atribuída às células ciliadas externas e controlada pelas vias auditivas eferentes.

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Mecanismo de ocorrência

Os EOAs são relacionadas à função de amplificação da cóclea. Na ausência de estimulação externa, a atividade do amplificador coclear aumenta, levando à produção de um som. Várias linhas de evidência sugerem que, em mamíferos, as células ciliadas externas são os elementos que aumentam a sensibilidade coclear e a seletividade de frequência e, portanto, agem como fontes de energia para amplificação. Uma teoria é que eles agem para aumentar a discriminabilidade das variações de sinal no ruído contínuo, diminuindo o efeito de mascaramento de sua amplificação coclear.

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Emissões Otoacústicas Espontâneas

As emissões otoacústicas espontâneas são um sinais de banda estreita, de nível sonoro bem baixo, medidos na ausência de estimulação acústica deliberada. Elas ocorrem em cerca de 50% das orelhas em padrão normal. Esta tem muito pouca utilidade clínica, mas podem ter algumas implicações em pesquisas científicas. Enquanto as emissões otoacústicas espontâneas estão presentes em 100% das orelhas normais e são subdivididas em três tipos, de acordo com a natureza do estímulo utilizado. As emissões otoacústicas espontâneas são sons emitidos pelo ouvido sem estimulação externa e mensuráveis com microfones sensíveis no meato acústico externo. As emissões otoacústicas espontâneas podem ser detectadas em aproximadamente 35 - 50% da população. Os sons são estáveis em frequência entre 500 Hz e 4500 Hz para ter volumes instáveis entre -30 dB NPS e +10 dB NPS. A maioria das pessoas não tem conhecimento de suas emissões otoacústicas espontâneas; porções de 1 - 9%, no entanto, a percebem como um zumbido irritante.

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Emissões Otoacústicas Evocadas

As emissões otoacústicas evocadas (EOE) são evocadas usando três metodologias diferentes. Com as respostas evocadas desses estímulos ocorrem em frequências ( f d p {\displaystyle f_{dp}} ) matematicamente sendo relacionadas às frequências primárias, sendo as duas mais proeminentes f d p = 2 f 1 − f 2 {\displaystyle f_{dp}=2f_{1}-f_{2}} (o tom de distorção "cúbico", mais comumente usado para triagem auditiva) porque produzem a emissão mais robusta e f d p = f 2 − f 1 {\displaystyle f_{dp}=f_{2}-f_{1}} (o tom de distorção "quadrático" ou tom de diferença simples). As emissões otoacústicas evocadas (EOAE), utilizadas na prática clínica, podem ser divididas em três: as transientes, a estímulo-frequência e as produto de distorção. As emissões otoacústicas transientes (EOAET) ocorrem decorrentes de um estímulo chamado de "click" que percorre uma faixa de frequência de 1000 a 4000 Hz, na qual, é um teste de alta sensibilidade utilizado para identificar se existe lesão de CCE. Caso exista alguma lesão, mesmo que mínima, as EOAET estarão ausentes. Esse teste dura em média 75 segundos para cada ouvido.

Emissões Otoacústicas Evocadas Transientes

Emissões otoacústicas evocadas transientes (EOAT) são sons de fraca intensidade produzidos pela cóclea em resposta à apresentação de um estimulo sonoro. As EOAT apresentam componentes ocorrendo em curta e longa latência, sendo os de curta latência em frequências altas (4 kHz e 5 kHz) e os de longa latência em frequências baixas (1kHz). Para o registro das EOAT a sonda deve apresentar dois tubos, um para emitir o estímulo (transdutor) e um para captar as emissões (microfone). Pode-se ser utilizado o estímulo clique ou tone burst, na prática clínica o estímulo mais utilizado é o clique já que este estimula a cóclea como um todo com máxima sincronia, permitindo uma melhor visualização do registro promovido.

Emissões Otoacústicas Evocadas Produto de Distorção

Emissões Otoacústicas Evocadas Produto de Distorção (EOAPD) são a resposta produzida pela cóclea em função de dois tons puros (f1 e f2) com intensidade moderada (55-65 dB) que são apresentados de forma simultânea com frequências sonoras muito próximas (relação entre f2/f1 = 1,22). As EOAPD são uma consequência da natureza não-linear da cóclea, que a partir da apresentação de um estímulo sonoro, composto por dois tons, produz energia diferente do sinal apresentado. De forma que o produto de distorção é resultado da incapacidade da cóclea em amplificar dois sinais diferentes, levando a ocorrência de uma intermodulação, que ocasiona um sinal tonal que não estava presente nos tons puros evocados. Com algumas pesquisas apontando para a possibilidade de geração das EOAPD pela não linearidade dos feixes estereociliares das células ciliadas externas.

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Aplicação clínica

As emissões otoacústicas podem ser registradas em 98% das orelhas de indivíduos adultos com audição normal, independente da idade e do sexo, e de acordo com alguns autores, as EOA podem ser detectadas em recém-nascidos na mesma proporção. Existem fatores que podem interferir no exame como alterações no conduto auditivo externo, modificações de orelha média, problemas com o equipamento, má colocação da sonda e excesso de ruído, por exemplo. A relação sinal ruído do exame deve estar acima de 3 dB na frequência de 1000 Hz e acima de 6 dB nas demais frequências em criança menor que dois anos de idade, enquanto para adultos é essencial que esteja maior que 3 dB em todas as faixas de frequência. As EOA podem ser registradas em indivíduos com limiares auditivos melhores de 20 a 30 dB, servindo para confirmar a integridade do mecanismo coclear. Por suas características supracitadas, como rapidez e por não ser invasivo, torna-se um teste ideal para os programas de triagem, principalmente, a triagem neonatal. É importante salientar que a captação das emissões otoacústicas é muito importante e significativo para estudo da função coclear.

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Importância biométrica

Em 2009, Stephen Beeby, da Universidade de Southampton, liderou pesquisas sobre a utilização de emissões otoacústicas para identificação biométrica. Os dispositivos equipados com um microfone podem detectar essas emissões subsônicas e potencialmente identificar um indivíduo, fornecendo acesso ao dispositivo, sem a necessidade de uma senha tradicional. Especula-se, no entanto, que resfriados, medicamentos, aparar os pelos da orelha ou gravar e reproduzir um sinal no microfone podem subverter o processo de identificação.

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