Museu Paraense Emílio Goeldi
O Museu Paraense Emílio Goeldi popularmente conhecido como Museu Goeldi ou Museu Emílio Goeldi, é uma instituição museológica e científica pública e um parque zoobotânico brasileiro, fundada em 1866 pelo naturalista Domingos Soares Ferreira Penna, no município brasileiro de Belém, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia do Governo Federal. É o primeiro parque zoobotânico do Brasil, a mais antiga instituição científica da Amazônia e o segundo museu de história natural brasileiro. Possui ainda o primeiro aquário público do país, fundado em 1911, o terceiro herbário mais antigo do Brasil e o primeiro da Amazônia, criado em 1895, além de manter um dos primeiros periódicos científicos brasileiros, datado de 1894. Entre 1914 e 1922, também foi a primeira instituição de pesquisa da América do Sul a ser dirigira por uma mulher, a ornitóloga e naturalista alemã Emile Snethlage.
O século XIX foi o auge das expedições naturalistas na Amazônia, com a chegada à região de estrangeiros (ingleses, alemães, franceses, italianos, estadunidenses e russos) devido a abertura dos portos brasileiros em 1808, tornando acessível aos naturalistas e artistas que vieram com entusiasmo estudar e retratar a natureza amazonida. Nesse contexto, em 1866, houve na cidade de Belém a fundação do embrião do museu, a Associação Philomática (amigos da ciência), por Domingos Soares Ferreira Penna, com o objetivo de estudar o indígena amazônico. Posteriormente, outras áreas de conhecimento, pouco estudadas na época também foram objeto de estudos, como a geografia e a geologia.
Museu Paraense
A urbanização e o crescimento da cidade durante o período da Belle Époque (1870-1922), transformou-a em metrópole, onde um dos marcos desta mudança ocorreu em 1870, quando a Associação passou a chamar-se "Museu Paraense de História Natural e Ethnografia". E em 25 de março de 1871, o Governo do Estado do Pará tornou-se oficialmente um órgão da província, e Domingos Soares Ferreira Penna designado seu primeiro diretor. Na década de 1880, a conjuntura política era complicada, envolvendo Ferreira Penna em disputas políticas que, somadas a sua saúde delicada, não permitiam a instalação adequada do Museu. A instalação precária, a reduzida equipe técnica e a falta de apoio às pesquisas levou as coleções a se perderem por conta de más condições de conservação. Assim, a produção científica praticamente resumiu-se aos próprios trabalhos do presidente da instituição, prinicipalmente sobre geografia e arqueologia.
Naturalista Emilio Goeldi
Em 1893, o governador Lauro Sodré contratou o naturalista Émil August Goeldi (1859-1917), que havia sido demitido do Museu Nacional por questões políticas após a Proclamação da República. O zoólogo assumiu a direção do então "Museu Paraense de História Natural e Ethnografia" com a missão de transformá-lo em um grande centro de pesquisa sobre a região amazônica. Sua estrutura foi modificada para enquadrá-lo nos padrões dos museus de história, sendo contratada uma produtiva equipe de cientistas e técnicos. Assim na década de 1990, possuia cerca de 800 espécies de plantas e 600 espécies de animais. Em 1895, o museu adquiriu a antiga rocinha e logo foram iniciadas as obras de implantação do Parque Botânico. O zoólogo suíço Émil August Goeldi junto com o botânico brasileiro Jacques Huber planejaram tecnicamente o parque: o horto, as gaiolas, os tanques e o aquário. Os terrenos contíguos foram sendo adquiridos pelo governo, ampliando os espaços do horto e do zoológico, que foram inaugurados em 1911. Mostra da fauna e da flora regionais para educação e lazer da população.
É formado por uma pequena praça localizada na entrada, seguido da antiga gruta da caixa d’água, monumento em forma de arco, barroco, então o horto das plantas medicinais, pelo viveiro das aves aquáticas e viveiro das araras, finalizando com o lago das vitórias-régias.
A Revolução de 1930 e o período posterior, marcado pela ditadura de Getúlio Vargas, foi o início da transformação pela qual o Estado brasileiro passaria e as velhas oligarquias agrárias estavam sendo substituídas por uma nova classe, representante do poder industrial. No Pará, o interventor Joaquim de Magalhães Barata nomeou o pernambucano Carlos Estevão de Oliveira para a direção do Museu Goeldi. De acordo com a ideologia do novo regime, caracterizada pelo populismo e pelo nacionalismo, foram recuperadas as dependências do Parque Zoobotânico (principal área de lazer da população) e alterou-se novamente o nome da instituição, para Museu Paraense Emílio Goeldi. A partir de 1931, através de investimentos regulares, o Parque Zoobotânico tornou-se reconhecido nacionalmente, chegando a abrigar 2 500 exemplares de animais de centenas de espécies da região, muitas das quais raras ou pouco conhecidas. Esse reconhecimento foi possível graças à subvenção que o Governo Estadual impôs às prefeituras do interior, obrigando-as a remeter mensalmente animais e parte de sua arrecadação ao Museu Goeldi. Muitas espécies foram reproduzidas em cativeiro com sucesso, em especial répteis e peixes. Somente nos três primeiros anos de coletas sistemáticas, foram descritas cinco novas espécies de peixes, inclusive um gênero novo.
Arqueologia ceramista
Um local de pesquisas pioneiras na área da arqueologia da Amazônia, principalmente no âmbito dos estudos cerâmicos pré-colombianos, que incluem os trabalhos de Curt Nimuendaju, Peter Paul Hilbert, Betty Meggers e Mário Simões, resultando em um acervo centenário proveniente de muitas áreas amazônicas. Entre os conjuntos incorporados ao museu destaca-se a coleção de cerâmicas marajoaras e tapajônicas reunida por Frederico Barata, composta por mais de uma centena de peças inteiras e milhares de fragmentos, posteriormente estudada por Betty Meggers e Clifford Evans. A obra de Betty Meggers, a partir da publicação Archaeological Investigations in the Mouth of the Amazon (1957), é considerada a “bíblia” dos estudos cerâmicos no Brasil, pois postulou teorias sobre as origens dos diferentes complexos cerâmicos. Já a obra de Donald Lathrap, The Upper Amazon (1970), sintetizou os dados então disponíveis no Alto Amazonas, propondo novos modelos para entender as cerâmicas como resultantes do potencial criativo das culturas da floresta tropical, possivelmente difundidas via migração de determinados grupos linguísticos.
O Museu também possui uma importante trajetória na linha teórica da arqueologia histórica. Essa vertente arqueológica começou a ser pesquisada na década de 1980, tendo a primeira experiência em 1985, com os pesquisadores Scott Anderson e Fernando Marques nas localidades interioranas de Igarapé-Miri e Barcarena. Contudo, vale se ressaltar que a implementação da vertente no Museu se deu tardiamente, visto que ela já era empregada em outras instituições do país. Segundo Lima (2011), "Ao conceituarmos a Arqueologia como a disciplina que investiga a emergência, a manutenção e a transformação dos sistemas socioculturais através dos tempos, por meio da cultura material por eles produzida". Sendo assim, "a Arqueologia Histórica pode ser entendida como a que analisa o registro da materialidade que os grupos deixaram associados às fontes escritas e orais, ressaltando-se que o registro escrito tende a ser “lido” na pauta política em que a Arqueologia está inserida". (Saladino e Ferreira, 2016).
Instrumentos musicais Ka'apor
O Museu possui uma Coleção Etnográfica denominado Curt Nimuendajú, tombado em 1938, contendo os instrumentos musicais dos indígenas Ka'apor, onde consta o maracá (MPEG, não tombado); o colar-apito (MPEG, objetos n. 858; 860; 10559; 10905); a flauta transversal de bambu (MPEG, 11354; 10580); o trompete ou a buzina de madeira (MPEG, 11360; 10567), e; o tambor Ka'apor (MPEG, 886).
O Museu Paraense e o Parque Zoológico são tombados como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e, pelo Departamento de Patrimônio Histórico Artístico e Cultural do estado do Pará (DPHAC); onde o parque foi tombado como sítio histórico pelo IPHAN em 1994, e o Conjunto Arquitetônico, Paisagístico e, Coleções do museu foi tombado como sítio histórico pelo DPHAC em 1982.


