Pesquisa · Mapa mental

Arara-vermelha

A arara-vermelha ou arara-vermelha-grande é uma espécie de ave psitaciforme, do gênero Ara. É uma espécie monotípica de grande porte, medindo entre 90 e 95 centímetros de comprimento e pesando entre 1,05 e 1,71 quilogramas. Muito semelhante à araracanga, distingue-se principalmente pela ampla faixa verde nas asas, pelas finas linhas de penas vermelhas na face, pelas penas de voo azul-claras e pelo bico mais robusto. Distribui-se amplamente desde o leste do Panamá até Bolívia, Peru, Equador, Paraguai e Brasil, tendo ocorrido também no norte da Argentina. Em território brasileiro, está presente nos biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, ocupando uma ampla rede de bacias hidrográficas e habitando principalmente florestas tropicais úmidas, embora também utilize matas de galeria, savanas, lhanos, florestas decíduas e áreas preservadas de caatinga.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/07/2026
01

Etimologia

O nome popular arara deriva do tupi a'rara, vocábulo empregado como nome comum para diversas aves de grande porte da família dos psitacídeos. Segundo interpretação reproduzida por Antônio Geraldo da Cunha a partir de comentário de José de Alencar, o termo ará significaria originalmente "periquito", sendo que os povos indígenas formariam aumentativos por meio da repetição da última sílaba ou da palavra inteira; assim, arará corresponderia ao aumentativo de ará, designando as maiores espécies do grupo. Os registros históricos mais antigos conhecidos do vocábulo remontam ao século XVI, aparecendo na forma aráras em 1576 e como arara por volta de 1584. O nome genérico Ara tem a mesma origem no tupi. Por sua vez, o epíteto específico chloropterus deriva do grego khlōrós (χλωρός), "verde", "amarelo-esverdeado" ou "de coloração verde-clara", e pterón (πτερόν), "asa" ou "pena". O nome significa, portanto, "de asas verdes" ou "com asas verde-amareladas", em referência à coloração das asas apresentada pela espécie.

02

Taxonomia e sistemática

A arara-vermelha é monotípica. Seu nome científico suscitou discussões, em decorrência da dúvida a respeito do gênero gramatical do gênero Ara, o que explica a existência das grafias Ara chloroptera e Ara chloropterus. Considera-se que Ara seja masculino e, assim, a forma correta do nome é Ara chloropterus. O primeiro registro da espécie pode ser rastreado até a obra do ornitólogo francês Louis Pierre Vieillot em 1816, na qual ele a nomeou como Macrocercus macao, tratando-a, no entanto, como a mesma espécie da araracanga. Posteriormente, diversos ornitólogos, como Heinrich Kuhl e Johann Georg Wagler, separaram as duas espécies, mas ainda assim mantiveram o nome macao para esta arara, o que levou à duplicação nomenclatural com a araracanga. O próprio George Robert Gray, autor da nomenclatura atualmente aceita, chegou a considerar anteriormente que ambas pertenciam à mesma espécie. A primeira designação binomial não baseada em macao só surgiu em 1859, em uma lista de aves britânicas na qual Gray participou da compilação. Como área de distribuição, Gray indicou a Guiana Britânica e a América do Sul. Já em 1799, Bernard Germain Lacépède havia estabelecido o gênero Ara. Alfred Laubmann considerou, além de dois espécimes coletados durante a "2.ª Expedição ao Grão-Chaco" por Eugen Josef Robert Schuhmacher (1906–1973) e Michael Mathias Kiefer (1902–1980), apenas o sinônimo Ara chloroptera major Bertoni, W., 1901, proveniente do departamento do Alto Paraná, como o único outro registro da presença da espécie no Paraguai.

03

Descrição

A arara-vermelha mede entre 90 e 95 centímetros de comprimento e pesa aproximadamente entre 1,05 e 1,71 quilogramas. Em algumas observações, 12 adultos apresentaram peso médio de 1 214 gramas. Embora seu peso seja bastante semelhante ao da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), o peso médio da arara-vermelha é ligeiramente inferior ao da arara-azul-grande, ao da arara-militar-grande (Ara ambiguus) e, entre todos os papagaios vivos, também ao do cácapo (Strigops habroptilus). Sua plumagem é predominantemente vermelha, passando para verde nas penas centrais das asas e, mais externamente, para azul-claro, tornando-se azul-escura nas rêmiges primárias mais distais. As retrizes possuem base azul-clara, que gradualmente se torna vermelha ao longo de cada pena, terminando em pontas azuladas. A face apresenta pele branca nua recoberta por finas linhas de penas vermelhas. A maxila é amarelo-pálida, com uma área negra na base, enquanto a mandíbula é inteiramente negra. A íris dos adultos é amarela, e machos e fêmeas possuem aparência semelhante. O comprimento da asa varia de 380 a 421 milímetros. É muito semelhante à araracanga (Ara macao), distinguindo-se principalmente pela ampla faixa verde nas asas, em substituição à faixa amarela característica daquela espécie, além das finas linhas de penas vermelhas sobre a pele nua da face. A arara-vermelha também apresenta porte geral maior e bico proporcionalmente mais robusto que o da araracanga. Os indivíduos imaturos possuem cauda relativamente mais curta, bico acinzentado ou com as áreas negras mais pálidas que nos adultos, além de íris castanha, em contraste com o bico predominantemente negro e a íris amarela observados nos indivíduos adultos.

04

Distribuição e habitat

A arara-vermelha distribui-se desde o leste do Panamá, pelas terras baixas da Colômbia, Venezuela, Guianas (Guiana, Suriname e Guiana Francesa) e Brasil, alcançando o sul do Paraguai e estendendo-se para oeste até Equador, Peru e nordeste da Bolívia; anteriormente também ocorria no norte da Argentina. No Brasil, a arara-vermelha ocorre nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima, São Paulo e Tocantins. Em sua área de ocorrência, distribui-se pelos biomas da Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, estando registrada nas sub-bacias hidrográficas dos litorais do Amapá, Bahia e Espírito Santo, do Araguaia, do Doce, da foz do Amazonas, do Grande, Gurupi, do Madeira, do Mearim, do Negro, do Paraguai, do Paranapanema, do Paranaíba, do Alto e Médio Parnaíba, do Paru, do Purus, do Solimões, do Alto e Médio São Francisco, do Tapajós, do Alto e Baixo Tocantins, do Trombetas e do Xingu. Habita principalmente florestas perenes úmidas de baixada, geralmente abaixo de 500 metros de altitude, embora também frequente florestas tropicais decíduas, matas de galeria em áreas de savana e lhanos, e até formações preservadas de caatinga. No Panamá, demonstra preferência por áreas montanhosas, podendo atingir cerca de 1 500 metros de altitude.

05

Ecologia

Alimentação

A arara-vermelha é predominantemente granívora, alimentando-se principalmente de sementes e envoltórios seminais de numerosas espécies vegetais. Entre os gêneros consumidos estão Jacaranda, Tetragastris, Sclerolobium, Hymenaea, Copaifera, Caryocar, Hevea, Eschweilera, Guarea, Abuta, Euterpe, Maximiliana, Micropholis, Sterculia, Spondias, Terminalia, Sapium, Croton, Parkia, Quararibea, Rheedia, Eperua, Dipteryx, Schwartzia, Borismene, Sorocea, Mauritia, Endopleura e Bertholletia. Também consome a polpa de frutos de Inga, Quararibea, Rheedia, Eperua, Dipteryx, Schwartzia, Borismene, Sorocea e Mauritia, o endosperma de palmeiras do gênero Scheelea, os arilos de espécies de Virola, além de folhas de Erythrina, flores e cascas vegetais. Durante o forrageamento demonstra grande agilidade, utilizando os pés zigodáctilos para manipular alimentos e o bico como apoio para escalar troncos e galhos. Apesar da plumagem vistosa, pode ser difícil de observar na floresta, onde permanece discretamente entre as copas das árvores. Em cativeiro, sua dieta inclui frutas, hortaliças, rações peletizadas para grandes aves e misturas de sementes, geralmente com menor teor de gordura do que aquele encontrado na alimentação natural, em razão do menor gasto energético. As araras-vermelhas consomem argila principalmente porque ela contém elevados níveis de sódio e auxilia na neutralização de substâncias tóxicas presentes nas sementes. A argila é capaz de se ligar a alcaloides tóxicos, permitindo que estes atravessem o trato digestivo sem serem absorvidos pela corrente sanguínea. Além disso, forma uma camada protetora no intestino das aves, reduzindo os efeitos de taninos e de outros compostos potencialmente nocivos presentes na dieta.

Predação

Embora disponha de bico e garras robustos capazes de auxiliar na defesa, a arara-vermelha normalmente evita confrontos diretos e reage a ameaças fugindo e emitindo vocalizações de alarme para alertar outros psitacídeos presentes na área. Quando uma ave de rapina é detectada, indivíduos podem emitir chamados de advertência que atraem outras araras, as quais perseguem o intruso em voo até que ele se afaste. Os ovos são particularmente vulneráveis à predação por tucanos e iraras (Eira barbara), enquanto os adultos possuem poucos predadores naturais além de grandes aves de rapina. Entre os predadores confirmados encontram-se espécies como o gavião-carijó (Rupornis magnirostris) e a onça-pintada (Panthera onca). Outros animais, incluindo a própria irara, tucanos e águias do gênero Spizaetus, foram observados atacando ninhos, penetrando cavidades de reprodução ou realizando voos de investida contra indivíduos da espécie, embora nem todos esses registros tenham sido confirmados como eventos efetivos de predação.

Comportamento

Passa a maior parte do tempo no dossel das florestas, onde se alimenta, socializa e busca proteção contra predadores. Ocorre geralmente em pares ou pequenos grupos familiares, reunindo-se em maior número apenas em barreiros ou barrancos argilosos às margens de rios. É uma espécie diurna, passando a noite nas árvores quando não está em atividade reprodutiva. Não realiza movimentos migratórios conhecidos, embora no Mato Grosso seja considerada mais comum durante a estação seca; os registros históricos na Argentina podem ter correspondido apenas a indivíduos errantes. Raramente apresenta comportamento agressivo fora do período de nidificação, quando pode defender ativamente o ninho. Também não possui hábito natatório e pode ser particularmente vulnerável a afogamentos durante eventos de inundação intensa. A socialização ocorre principalmente em barreiros e barrancos argilosos, onde indivíduos se reúnem desde o início da manhã até o meio da tarde. Nesses locais, convivem não apenas com indivíduos da própria espécie, mas também com outras grandes araras, como a arara-canindé (Ara ararauna), a araracanga e a arara-azul-grande. A presença humana próxima a esses locais, especialmente por embarcações ou deslocamentos a pé, pode provocar a dispersão temporária dos bandos. Fora dos barreiros, os indivíduos costumam permanecer apenas com seus parceiros ou em pequenos grupos familiares. Embora a área de vida da espécie ainda não tenha sido determinada com precisão, análises espaciais baseadas em parâmetros utilizados para a arara-de-garganta-azul (Ara glaucogularis) indicaram que os ninhos tendem a localizar-se significativamente mais próximos de povoados humanos do que seria esperado ao acaso, além de demonstrarem uma distribuição espacial agregada, com indivíduos ocorrendo mais frequentemente próximos de outras araras-vermelhas do que o previsto por uma distribuição aleatória. No Parque Nacional de Manú, no Peru, foi registrada densidade aproximada de um casal por quilômetro quadrado.

Reprodução

A arara-vermelha forma pares monogâmicos duradouros, que geralmente permanecem unidos por toda a vida e se reproduzem ao menos uma vez por ano. Quando se aproximam do período reprodutivo, os parceiros realizam comportamentos de corte, como a limpeza mútua da plumagem, a remoção de penas, a troca de alimento por regurgitação e posturas corporais características, incluindo arqueamento do corpo, asas abaixadas e cauda erguida. O casal também participa conjuntamente da busca e preparação do ninho. A reprodução ocorre em diferentes épocas conforme a região, com registros de atividade reprodutiva entre outubro e maio, incluindo observações entre novembro e abril no Peru, em dezembro no Suriname e a partir de janeiro no Brasil central. Os ninhos são instalados principalmente em cavidades de árvores altas, frequentemente a mais de 30 metros do solo, especialmente em exemplares de Dipteryx e Iriarthea, embora também possam ser utilizados paredões de arenito na Bolívia, penhascos no nordeste brasileiro e barrancos fluviais no sul do país. A espécie também utiliza cavidades naturais associadas a barreiros e margens de rios, reutilizando frequentemente os mesmos locais de nidificação em anos sucessivos. Estudos indicam que os ninhos tendem a ocorrer mais próximos de povoados humanos e de outros ninhos da espécie do que seria esperado ao acaso.

Expectativa de vida

A longevidade da arara-vermelha é pouco conhecida em condições naturais. Em cativeiro, a espécie apresenta expectativa de vida média de aproximadamente 50,1 anos, havendo registro documentado de um indivíduo que viveu 63,04 anos. Estimativas baseadas no acompanhamento de indivíduos desde um dia após a eclosão indicaram sobrevivência média entre 9,51 e 14,44 anos, dependendo dos critérios utilizados na análise. Contudo, esses valores refletem sobretudo taxas de sobrevivência observadas em populações monitoradas e não necessariamente a expectativa de vida de indivíduos adultos em ambiente natural, que permanece insuficientemente documentada. Dados reprodutivos sugerem que a mortalidade nos estágios iniciais da vida pode ser elevada. Em um estudo com 25 filhotes monitorados, apenas dez alcançaram a fase de voo, enquanto seis foram vítimas de predação e cerca de 36% morreram presumivelmente por inanição. Entre os agentes patogênicos registrados para a espécie estão bactérias do grupo Escherichia coli, encontradas em indivíduos doentes e em ninhos, possivelmente associadas ao acúmulo de matéria orgânica e excrementos. Também foi relatada a ocorrência do vírus do Nilo Ocidental em uma fêmea cativa de 29 anos, que apresentou dificuldades locomotoras e alterações nas secreções mucosas. Entretanto, ainda não está esclarecido o impacto desses agentes sobre as populações silvestres da espécie. Além disso, como outros psitacídeos, sofrem de arrancamento de penas, doença da dilatação proventricular, doença das penas do bico [en] e psitacose.

06

Papel ecológico e relevância aos humanos

A arara-vermelha desempenha papel ecológico relevante como dispersora de sementes em ecossistemas tropicais. Também pode hospedar diferentes parasitas. Entre eles está o protozoário apicomplexo Haemoproteus homohandai, capaz de provocar infecções potencialmente fatais. Foram igualmente registrados ácaros de penas dos gêneros Chiasmalges e Fainalges, associados a irritação cutânea, lesões e infecções secundárias. A arara-vermelha possui importância econômica positiva principalmente por sua contribuição ao ecoturismo em diversas regiões da América do Sul, especialmente no Brasil, onde os barreiros e barrancos argilosos visitados diariamente pela espécie constituem importantes atrações para observação da fauna. A atividade turística associada a essas áreas contribui para valorizar unidades de conservação e reservas naturais, estimulando a proteção de ambientes de elevada biodiversidade. Suas penas também foram tradicionalmente utilizadas por povos indígenas na confecção de adornos, vestimentas e acessórios. Além disso, indivíduos apreendidos do tráfico ou entregues por proprietários podem ser encaminhados para centros de reabilitação, resgate e educação ambiental, onde participam de programas de conservação e sensibilização pública. A espécie também está envolvida no comércio internacional de aves de estimação. Embora a captura e comercialização ilegal de exemplares silvestres continue sendo uma ameaça em parte de sua distribuição, indivíduos criados legalmente em cativeiro e destinados à exportação ou importação estão sujeitos às normas da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES), que exigem comprovação de origem legal, transporte adequado e garantia de que a comercialização não comprometa a sobrevivência das populações naturais. Não são conhecidos impactos econômicos negativos significativos da arara-vermelha sobre as atividades humanas.

07

Conservação

A população global da arara-vermelha apresenta tendência de declínio, embora a espécie possua uma área de distribuição extremamente ampla e permaneça classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) como pouco preocupante (LC), pois ocorre numa distribuição extremamente grande e não se aproxima dos limiares para Vulnerável sob o critério de tamanho de distribuição (segundo a IUCN, extensão de ocorrência < 20 mil quilômetros quadrados combinada com um tamanho de distribuição decrescente ou flutuante, extensão/qualidade do habitat ou tamanho populacional e um pequeno número de locais ou fragmentação severa). Sabe-se que suas populações estão em tendência decrescente, mas o declínio não é suficientemente rápido para se aproximar dos limiares para vulnerável (> 30% de declínio ao longo de dez anos ou três gerações) e sua população é muito grande, o que igualmente descaracteriza a classificação como vulnerável (< 10 mil indivíduos maduros com um declínio contínuo estimado em > 10% em dez anos ou três gerações, ou com uma estrutura populacional especificada). A espécie também está incluída no Apêndice II da CITES, que regulamenta o comércio internacional de exemplares silvestres. Em geral é considerada incomum, ocorrendo frequentemente em pares isolados e dispersos, apresentando declínios nas bordas de sua distribuição e desaparecendo precocemente de áreas perturbadas ou intensamente ocupadas pelo ser humano. Como ocorre com muitas espécies associadas a florestas tropicais, enfrenta ameaças decorrentes da perda e degradação de habitat provocadas pelo desmatamento, bem como da captura para o comércio de animais de estimação. Estima-se que sua população silvestre atual esteja entre 50 000 e 499 999 indivíduos.

Argentina

Na Argentina, há poucos registros desde 1917, muitos dos quais possivelmente correspondem a indivíduos escapados do cativeiro. Entre 1981 e 1985, cerca de 1 962 indivíduos foram comercializados internacionalmente por ano, principalmente provenientes da Bolívia e da Guiana, tendo os Estados Unidos como principal destino. Entre 1986 e 1990, esse número caiu para aproximadamente 1 706 indivíduos anuais e, em 1993, a Guiana instituiu uma proibição por tempo indeterminado para novas exportações da espécie. Acredita-se que a distribuição histórica da espécie tenha se estendido para o sul, incluindo as províncias argentinas de Chaco, Corrientes, Formosa e Misiones. Penas atribuídas à espécie encontradas em um túmulo da cultura Ichma, próximo a Pachacamac, demonstram a existência de comércio transandino entre aproximadamente 1000 e 1470. A caça para consumo, a captura para o comércio de animais de estimação e as alterações no uso da terra são consideradas as principais causas de sua extinção na Argentina durante a década de 1960. Apesar disso, desde 1999 uma população passou a ocorrer em Trindade, possivelmente originada de aves escapadas do cativeiro ou resultante de uma expansão natural da distribuição da espécie. A espécie é atualmente classificada como criticamente em perigo de extinção na Argentina. Em meados da década de 2010, verificou-se a recolonização do Parque Nacional do Iguaçu, e, em 2019, registros indicavam expansão para o vizinho Parque Provincial Puerto Península. Paralelamente, foi iniciado um programa de reintrodução na Reserva Provincial Iberá, promovido por organizações como Aves Argentinas, World Parrot Trust e Fundación CLT, com o objetivo de restabelecer populações reprodutivas da espécie e, simultaneamente, estimular o ecoturismo regional.

Brasil

A arara-vermelha apresenta estrutura populacional organizada em metapopulações, de modo que a manutenção de corredores ecológicos entre diferentes núcleos populacionais é considerada fundamental para assegurar o fluxo gênico e reduzir os riscos de isolamento genético. A espécie é considerada razoavelmente comum, embora de distribuição localizada, sendo observada com maior frequência em unidades de conservação do que em áreas não protegidas. Apesar disso, há evidências de declínio populacional em diferentes partes de sua área de ocorrência, incluindo os limites de sua distribuição geográfica e regiões como Terra Ronca, em Goiás, onde moradores relataram redução perceptível de sua abundância. A tendência populacional é considerada decrescente. A espécie sofre intensa pressão decorrente da perda e degradação de habitat, especialmente na porção oriental de sua área de distribuição. No Brasil, essa pressão resulta principalmente da destruição de ambientes naturais e da retirada de filhotes dos ninhos para abastecer o comércio de aves, tendo levado ao desaparecimento da espécie do sudeste do país, onde anteriormente era comum, restando apenas populações remanescentes em áreas isoladas, como o Parque Estadual do Morro do Diabo, em São Paulo. Além da redução das áreas naturais disponíveis, a espécie é amplamente afetada pela captura para o tráfico de animais silvestres, tanto para abastecimento do mercado interno quanto do comércio internacional. A combinação entre perda de habitat e exploração comercial constitui uma das principais ameaças à manutenção de suas populações em estado silvestre.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando