Embraer
Embraer é um conglomerado transnacional brasileiro, fabricante de aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares, peças aeroespaciais, serviços e suporte na área. A empresa tem sede no município de São José dos Campos, interior do estado de São Paulo, e possui diversas unidades no Brasil e no exterior, inclusive joint ventures na China e em Portugal.
No final de 2025, a Embraer tinha uma carteira de pedidos de 31,6 bilhões de dólares (163,8 bilhões de reais), o maior volume já registrado pela empresa até então. No mesmo ano, a Embraer era a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo e a líder mundial no segmento de aeronaves até 150 assentos. Em março de 2026, a Embraer apresentou o primeiro caça supersônico produzido no Brasil e na América Latina, o F-39E Gripen, fabricado no complexo industrial de Gavião Peixoto e desenvolvido em parceria com a sueca Saab. A entrega é fruto do acordo celebrado pelo governo brasileiro em 2014 que previa a entrega de 36 caças à Força Aérea Brasileira (FAB), dos quais 15 devem ser fabricados no paísm medicante transferência de tecnologia.
Origem e fundação
Em 1952, o oficial Casimiro Montenegro convidou o engenheiro aeroespacial e fundador da Focke-Wulf em Bremen, o alemão Henrich Focke e seus engenheiros, para que atuassem no CTA. Isto ocorreu após Montenegro tomar conhecimento dos projetos inovadores que esses engenheiros vinham realizando na Alemanha, através da sugestão e intermediação do engenheiro Wilhelm Stein, convidado por Montenegro para participar de outro sonho seu, o PAR, o núcleo de pesquisa de construção de aeronaves do CTA. Professor Focke, considerado o inventor do helicóptero pelos relatórios da NASA, e sua equipe chegaram em 1953 em São José dos Campos para desenvolver no PAR, o projeto de um convertiplano. A vinda do engenheiro Henrich Focke e sua equipe de especialistas, para o PAR, segundo Casimiro Montenegro e o jornalista Roberto Pereira de Andrade, autor do livro “A História da Construção Aeronáutica no Brasil”, constituiu o embrião da Embraer. A Embraer nasceu como uma iniciativa do governo brasileiro dentro de um projeto estratégico para implementar a indústria aeronáutica no país, em um contexto de políticas de substituição de importações.
Cooperação e crise
Ao iniciar uma parceria com a Itália em 1981, foi possível elaborar o avião de ataque ar-terra AMX, considerado um importante salto tecnológico para a elaboração de novos projetos. Em 1986 Ozires Silva deixou a presidência da empresa para assumir a Petrobras. Em 1988 teve início o desenvolvimento de um avião binacional que seria projetado e construído tanto pela Embraer, quanto pela argentina Fábrica Militar de Aviones (FMA). A aeronave teve a designação de CBA-123, sendo CBA a sigla para Cooperação Brasil-Argentina. Em 1990 o primeiro protótipo voou, mas seu alto preço, além da crise econômica e política da época, acabou com o projeto. Um dado curioso sobre a aeronave é a motorização na parte traseira da fuselagem, com as hélices voltadas para trás. A grave situação econômica do Brasil no final da década de 1980, a qual se convencionou chamar de Década perdida por causa dos dados econômicos ruins registrados somada à hiperinflação, marcou a economia brasileira e contribuíram para o agravamento da crise da Embraer, que quase fechou. O valor da dívida da Embraer alcançou os valores de 790 milhões de dólares no ano de 1991 e 933 milhões de dólares em 1992. Em 1991, Ozires Silva foi convidado a voltar à presidência da empresa e a conduzir o processo de privatização.
Privatização
Em 1992 foi colocada na lista de empresas a serem privatizadas e em 1994, durante o governo de Itamar Franco, a empresa foi leiloada. Com a privatização da empresa, a União pôde arrecadar cerca de 154 milhões de reais. Os novos controladores acionários passaram então a ser os fundos de pensão Previ e Sistel (20% cada) e a Cia. Bozano, Simonsen (20%). Um grupo de investidores com participação acionária menor (total de 20%), composto pela Dassault, EADS, Snecma e Thales Group compraram a Embraer em 1999. Após a privatização, a empresa foi presidida pelo engenheiro Maurício Botelho, que foi substituído em 2007 por Frederico Curado. Após a privatização, a empresa passou por um longo processo de reestruturação, com novos projetos sendo apresentados. O número de funcionários foi reduzido de nove mil para cerca de seis mil pessoas. Em dezembro daquele mesmo ano, a empresa se tornaria a terceira maior empresa mundial no setor.
Crescimento internacional
Maurício Botelho foi responsável pela reestruturação da empresa, principalmente no âmbito financeiro. O lançamento do projeto da família ERJ-145, jatos comerciais com capacidade de até cinquenta passageiros, foi um sucesso de mercado que atingiu a marca de mil aviões vendidos em 2006. O passo seguinte foram novos investimentos para a criação da linha de aviões EMB 170/190, uma aposta no segmento de 70 a 120 lugares, classificados como E-Jets. Foram um sucesso com 878 encomendas firmes e 915 intenções de compra, e que foram logo associados a um novo nicho de mercado, ocupado tanto pelas empresas aeronáuticas principais (ou major) quanto pelas de baixo-custo e baixa-tarifa (ou low-cost, low-fare). Neste segmento, sua maior concorrente é a empresa canadense Bombardier, com modelos de até 90 lugares. Em 2000, a brasileira lançou ações nas bolsas de valores de Nova Iorque e de São Paulo.[carece de fontes?]
Reestruturação societária e mudança de nome
Em 20 de janeiro de 2006, a Embraer anunciou um plano de reestruturação societária, segundo a qual o poder decisório seria pulverizado entre todos os acionistas, pois todos os portadores de ações da empresa na B3 teriam direito a voto. Além disso, seria desfeito o esquema, em vigor desde a privatização, no qual os fundos de pensão Previ, Sistel e a Cia. Bozano controlavam 60% das ações. Maurício Botelho continuaria na presidência do Conselho de Administração da empresa até 2009. Em 14 de fevereiro de 2007, a empresa EADS vendeu sua participação acionária de 2,12% da Embraer, por 124 milhões de euros. Em dezembro de 2012, a Embraer contava com 740,5 milhões de ações no mercado, negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e na B3, cerca de 50% em cada. Suas ações estavam distribuídas entre fundos de pensão PREVI, Oppenheimer Fund's, Thornburg Investment, BlackRock, BNDESPAR e outros BM&FBOVESPA.
Proposta de joint venture com a Boeing
Em 5 de julho de 2018, a Embraer anunciou um acordo de intenções com a norte-americana Boeing para a criação de uma joint-venture. O negócio foi avaliado em 4,75 bilhões de dólares, com a empresa brasileira a representar 20% da participação. O acordo dependia de aprovação dos acionistas e dos órgãos reguladores de ambos os países. No caso brasileiro, o próprio governo deveria concordar com a criação da nova empresa, por ter participação na Embraer, com títulos de classe especial, chamados golden share. No entanto, haveria a possibilidade da extinção desta participação especial por meio de uma decisão do Tribunal de Contas da União. Com as aprovações definitivas, a previsão era que o acordo fosse oficializado até o fim de 2019.
A Indústria Aeronáutica Neiva foi fundada em 1954, no Rio de Janeiro. Em 1956 o seu parque industrial foi instalado na cidade paulista de Botucatu. Quase duas décadas depois, em 1975, a empresa foi contratada pela Embraer para produzir a linha Embraer Piper. Em 1980 tornou-se sua subsidiária integral. Em 2006 foi incorporada e denominada Embraer Aviação Agrícola. A unidade tem como foco fabricar e fornecer suporte pós-venda da linha de aviões agrícolas Ipanema. A variante EMB-203 do Ipanema foi o primeiro avião elétrico fabricado da empresa. O EMB-203 é ainda uma opção de base para o desenvolvimento de uma aeronave híbrida elétrica, combinando motor de combustão interna e motor elétrico para proporcionar maior autonomia e menor poluição/consumo. A propulsão híbrida elétrica também foi considerada no projeto do TPNG (TurboProp Next Generation - "Turboélice de Nova Geração"). Produz também componentes para as linhas Embraer 170, Embraer 190, Phenom 100 e Phenom 300, além de partes do Super Tucano, KC-390, Legacy 450, Legacy 500 e Legacy 650. Sua planta industrial supera 90 000 m², onde trabalham cerca de 1 800 funcionários.
A Embraer, que mantém sua sede na cidade paulista de São José dos Campos, também tem várias unidades outras unidades. No Brasil, a empresa também tem unidades nos municípios de São Paulo, Botucatu, Eugênio de Melo, Gavião Peixoto, Taubaté e Sorocaba, além de representações em Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Brasil
Com sede comercial no bairro do Brooklin, em São Paulo, a Embraer Defesa e Segurança Participações, cuja planta industrial foi instalada no início de 2011 na unidade Gavião Peixoto, tem como foco o fortalecimento da indústria brasileira de defesa e segurança, aplicando a experiência acumulada pela Embraer ao longo dos anos. É responsável pela produção e modernização tecnológica de aeronaves militares como o EMB-314, AMX e o desenvolvimento e produção do cargueiro tático KC-390. A EDS detém capacitação em gestão de integração de tecnologia e sistemas, aplicáveis ao setor de defesa. Tem parcerias estratégicas com empresas que atuam nas áreas de comando e controle, radares, armamentos e veículos aéreos não-tripulados. Entre suas parceiras estão a Atech, a Visiona e a OGMA.
Outros países
Localizada na República de Singapura, no Sudeste Asiático. Subsidiária que iniciou suas atividades no ano de 2000, é um centro de estoque e distribuição regional de peças de reposição, manutenção e reparo das aeronaves comerciais da Embraer na região.
Comerciais
Em dezembro de 2018, a Embraer afirmou liderar o mercado de aeronaves comerciais de até 150 assentos com 100 operadores das famílias ERJ e E-Jet.


