Acidentes e incidentes aéreos
Um acidente aéreo ou acidente aeronáutico é um evento associado a operação de uma aeronave que acontece entre o embarque de pessoas com intenção de voar e o desembarque delas. Acidentes com aviões em grandes números de ocorrências começaram juntamente com os voos de passageiros na década de 1920. O número de mortes anuais em acidentes aéreos superou 100 pela primeira vez em 1928, e 1 000 em 1943, Desde 1945. Após 2019 nenhum ano registrou acima de 1 000 mortes, sendo 2023 apresentando o menor índice de fatalidades com apenas 246 mortes, enquanto 2025 foi o ano que mais se aproximou de 1 000 em 7 anos, com mais de 776 mortes.
Um acidente aéreo, normalmente com sérias consequências, é um risco real presente na utilização de aeronaves. Isso ocorre devido às características desse tipo de equipamento, com uma quantidade significativa de massa que se desloca a grande velocidade, altura e distância, em geral transportando, além da tripulação, muitos passageiros ou carga. Quando há uma falha, por qualquer que seja o motivo, as ações corretivas são limitadas devido à natureza dos instrumentos, momento e lugar. Mesmo que os aviões sejam desenvolvidos para minimizar as chances de falhas, e mesmo que os pilotos sejam treinados para os momentos críticos de segurança, os acidentes continuam a ocorrer e amedrontar pessoas. Porém, mesmo que ocorram acidentes aéreos, voar continua sendo estatisticamente o meio de transporte mais seguro do mundo. Na história do homem, muitas tentativas de voo terminaram em falhas graves de projeto que causaram acidentes, quedas e perdas. Alguns dos pioneiros da aviação perderam suas vidas testando suas invenções - “máquinas voadoras” - sem nunca terem conseguido voar tal como voamos hoje.
Cerca de 80% de todos os acidentes na aviação ocorreram imediatamente antes, durante ou depois da decolagem ou da aterrissagem, e são frequentemente identificados como resultado de erro humano. Desastres em voo são raros mas não inteiramente inéditos ou impossíveis. Dentre outras causas, estão os atentados terroristas com bombas (voo Pan Am 103) e sequestros (voo Ethiopian 961), as colisões em voo (voo Gol 1907), as falhas estruturais (como ocorrido com os Comets) e as condições climáticas (voo Air France 447). Uma análise de 1 843 acidentes aéreos desde 1950 até 2006 determinou as seguintes causas, excluindo-se ocorrências militares, voos privados e voos charters: Um estudo da Boeing determinou a causa principal dos acidentes com perda total de aviões comerciais, desde 1996 até 2005, como sendo: O estudo da Boeing incluiu 183 acidentes, com causas conhecidas para 134 deles. Nos 49 restantes as causas são desconhecidas ou estão em fase final de determinação. Já Trantolo & Trantolo concluíram que algumas causas de acidentes aéreos são comuns e incluem:
O maior acidente aéreo da história da aviação, considerando todas as perdas materiais e humanas, a bordo e no solo, foram aqueles relacionados aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quando dois aviões foram intencionalmente atirados contra o World Trade Center em Nova Iorque. No total, entre passageiros, ocupantes das torres gêmeas e outros, 2 988 pessoas morrem nesse acontecimento. Em março de 1977, ocorreu o maior desastre da aviação em operação ordinária, considerando o número de passageiros mortos. Dois Boeings 747, um da KLM com 234 pessoas e o outro da Pan Am com 380 pessoas colidiram em solo quando taxiavam para decolagem no Aeroporto de Tenerife Norte (na época chamado de Aeroporto de Los Rodeos), na ilha de Santa Cruz de Tenerife, Espanha. Causaram o desastre, erros na comunicação entre pilotos e controle de tráfego, o nevoeiro na hora da decolagem e o congestionamento de aeronaves no aeroporto. Apenas 61 pessoas sobreviveram nessa que é até hoje a maior catástrofe da aviação comercial, com 583 passageiros mortos.
Os cuidados com a segurança para o voo existem desde as origens da aviação e já perfazem mais de 100 anos. Atualmente duas grandes fabricantes continuam a produzir aviões para o transporte de passageiros em massa, a Boeing e a Airbus, disputando o mercado. Ambas tem gastado milhões de dólares no desenvolvimento de sistemas de segurança, pois essa questão pode comprometer seriamente suas vendas e operações. Assim, alguns dos principais dispositivos de segurança passaram a ser obrigatórios em aeronaves comerciais, tais como: A segurança quando medida por “distância transportada”, as viagens aéreas são as mais seguras que qualquer outro meio. Contudo, quando medida por “mortes por pessoa transportada”, a aviação perde apenas para bicicletas e motocicletas com um número muito alto de fatalidades. Um estudo de 2007 realizado pela revista norte-americana Popular Mechanics concluiu que os passageiros sentados na parte traseira dos aviões têm 40% a mais de chances de sobreviver a acidentes, ainda que a Boeing e a FAA afirmem não haver um lugar mais seguro que outro em um avião comercial. Também os registradores de voo são normalmente montados na seção traseira das aeronaves, para que sofram menos danos nos acidentes. Segundo o engenheiro de garantia de qualidade Peter Ashford, articulista da publicação Avionics News, a cauda do avião é "onde é mais provável sobreviver a um acidente grave. Toda a frente da aeronave atua como uma 'zona de esmagamento', reduzindo o choque sofrido pelos registradores de voo". O estudo da revista Popular Mechanics baseou-se em uma pesquisa feita em vinte acidentes aéreos.
O Bureau of Aircraft Accidents Archives (B3A), anteriormente conhecido como Aircraft Crashes Record Office (ACRO), é uma organização não governamental sediada em Geneva, na Suíça, que compila estatísticas sobre acidentes de aviação envolvendo aeronaves capazes de transportar mais de seis passageiros, excluindo helicópteros, balões e aeronaves de combate. A ACRO considera apenas acidentes em que a aeronave sofreu danos tão graves que foi retirada de serviço, o que reduz ainda mais as estatísticas de incidentes e fatalidades em comparação com algumas outras bases de dados. De acordo com a ACRO, os anos recentes têm sido consideravelmente mais seguros para a aviação, com menos de 170 incidentes por ano entre 2009 e 2017, em comparação com até 226 em 1998. O número anual de mortes foi inferior a 1.000 em dez dos quatorze anos entre 2007 e 2020, sendo que o ano de 2017 registrou o menor número de fatalidades com 399 desde o final da Segunda Guerra Mundial. O ano de 2014 incluiu o desaparecimento do voo MH370 sobre o Oceano Índico e o abatimento do voo MH17 como parte da Guerra em Donbas. O número total de fatalidades em 2014 foi 869 maior do que em 2013. Mortes e incidentes no mundo por ano de acordo com dados da ACRO e do Bureau of Aircraft Accident Archives:
No Brasil ocorreu no Congresso Nacional um processo de construção de uma nova legislação proposta pela CPI da Crise Aérea (Projeto de Lei N.º 2 453/07), que foi sancionado como Lei N. 12 970 em maio de 2014, garantindo a inviolabilidade do sigilo das informações dos acidentes aéreos à SIPAER, / CENIPA, órgãos de gestão mantidas pela Força Aérea Brasileira. A liberação de dados à investigação da Polícia Federal e Ministério Público só ocorre mediante solicitação judicial e parecer do representante da SIPAER. A guarda exclusiva do segredo da investigação e dos resultados da investigação pelas Forças Armadas é um instrumento de garantia do funcionamento do Estado de Direito para a segurança da democracia na República Federativa do Brasil.
A prática de cancelar ou mudar os números dos voos acidentados, com vítimas fatais, é muito comum na aviação. Assim aconteceu com o voo TAM 3054, voo Gol 1907, e mais recentemente com o voo Air France 447. Mas há voos cujas companhias que não modificaram tais números, como por exemplo, Japan Airlines voo 123, American Airlines voo 587, United Airlines Flight 823 e Aer Lingus Flight 712.


