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Eloquência

Eloquência é, na oratória e redação, a forma de falar ou escrever fluente, preciso, elegante e persuasivo. Passa-se, com a eloquência, a compreensão de grandes emoções com uma linguagem marcante, mas adequada. Os gregos antigos tinham em Calíope a musa da eloquência, cujo patrono era o deus Hermes. Na Roma Antiga houve a figura de Cícero, considerado o mais eloquente orador da Antiguidade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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Distinção de conceitos

Embora em sua origem os termos eloquência, retórica e oratória significassem apenas "falar", possuem conceitos distintos. A eloquência tem corriqueiramente várias acepções: pode significar o discurso de convencimento (quando então seu significado é igual à da retórica antiga); também pode significar genericamente um conjunto de discursos proferidos (como quando se diz "a eloquência jurídica argentina", diz-se na verdade dos discursos nesta área ali proferidos); também pode estar ligado a um dom, algo que o orador possui naturalmente (então trata-se de uma "eloquência natural") e, finalmente, a eloquência consiste na apreciação valorativa de um discurso, ou seja, como indicativo de sua qualidade.

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Alegorias ocidentais

Imagem: Evandro Sudre · BY-NC · Openverse

Registrou Joaquín Bastús (em domínio público, com livre tradução): "Representa-se às vezes como uma formosa ninfa adornada de grinaldas e coroada de pérolas, tendo um cetro numa das mãos e na outra um livro aberto, sobre o qual há um relógio de areia. Outras vezes se figura com uma respeitosa matrona. O diadema que cinge sua fronte indica seu domínio sobre os espíritos. O raio e as flores que alguns põem em uma de suas mãos demonstra a força da razão, e o encanto desta que emprega com igual sucesso. O caduceu, símbolo da persuasão, se vê aos seus pés. Uma coluna rostral dá a ideia da tribuna dos discursos, na qual se veem escritos os nomes de Demóstenes e Cícero. Algumas vezes está armada dos pés à cabeça como Palas: com um dos braços dobrado no cotovelo, ela lança pedras, emblema de uma eloquência austera e rápida como a de Demóstenes." Para a poesia, Bastús diz: "A eloquência poética se expressa com símbolo de Orfeu, cujos sons harmoniosos atraem e prendem aos seus pés os animais mais ferozes. Cada gênero de poesia tem uma eloquência que lhe é própria."

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Histórico

Na antiga Roma Cícero foi um orador tão completo que Quintiliano, professor de outro dos grandes oradores de Roma, Plínio, o Jovem, e ele próprio um dos grandes nesta arte, declarou que seu nome já não era mais de uma pessoa, e sim de eloquência; ele pregava aos seus alunos que estudassem o grande orador, tomando-o por modelo, dizendo: "Hunc igitur spectemus, hoc propositum nobis sit exemplum, ille se profecisse sciat, cui Cícero ualde placebit" (Em livre tradução: "olhemos portanto para ele, com o propósito de ser um exemplo para nós, e vemos que tem progredido quem a Cícero segue o exemplo"). Cícero e Plínio usaram de sua eloquência tanto para a política quanto para os tribunais, e muitos de seus discursos assim se perderam nas altercações que tiveram, restando somente aqueles que registraram em cartas nas quais registravam suas falas; ambos foram especialistas na eloquência política e Plínio, seguindo o orador que lhe precedera na história, também considerava que o melhor discurso era aquele fosse longo.

Portugal

Até a reforma levada a cabo por Pombal, a retórica dos discursos lusitanos eram excessivos e eivados de vícios; tal situação levou Luís António Verney a publicar o polêmico Verdadeiro Método de Estudar, em 1746, onde o autor dedica duas das "cartas" a criticar o mau gosto lusitano na oratória, servindo-se para tanto de vários exemplos obtidos em sermões e outros escritos; ele demonstra que são falas sem conteúdo, uso demasiado e desconexo de citações, repetições inúteis, e outros erros que ridiculariza, dizendo: "Estão todos persuadidos que a eloquência consiste na afetação e singularidade e, por esta regra, querendo ser eloquentes, procuram de ser mui afetados nas palavras, mui singulares nas idéias, e mui fora de propósito nas aplicações.”

Brasil

Quando em 1808 houve a fuga da família real para o Brasil, o futuro ministro de D. João VI, Silvestre Pinheiro Ferreira, logo abriu um curso com o fim de dar aulas sobre o domínio do discurso e, não havendo livros adequados no país, editou ele próprio um Preleções Philosophicas, onde seguia a linha mais pragmática de Verney. Seguindo os ditames da metrópole, mesmo após a independência e com a criação dos cursos jurídicos, para o ingresso neles era feito exame de retórica; após a fundação do Colégio Pedro II o professor e padre Lopes Gama publicou o primeiro livro totalmente voltado à eloquência brasileira, mas ainda baseado nos filósofos e oradores da Antiguidade como Cícero e Quintiliano.

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Eloquência jurídica

Joaquín María López dizia que a tribuna jurídica era "o verdadeiro santuário da eloquência".[nota 2] O estudo acadêmico empresta ao jurista o preparo necessário para que seu discurso difira do falar comum e, muitas vezes, aproxima-o da oratória política; neste sentido forma um tipo de discurso corporativo dado o conteúdo das suas falas, seus limites e propriedade intelectual. Esta propriedade era tão importante para as lides forenses que nas faculdades de direito, no passado, foram criados cursos de oratória forense: em 1845 um plano de reforma espanhol mantinha o curso para que fosse lecionado "estilo e eloquência com aplicação ao foro". Seguindo os ensinamentos dos antigos como Quintiliano, ou dos mais recentes como Blair, recomendava-se que os acadêmicos tivessem muito cuidado ao exercitar a eloquência, de forma que o treino seja útil, majestoso e embasado naquilo que tenham estudado; que sejam moderados no falar e que não falem com muita frequência nem de coisas que desconheçam ou não compreendam bem; que para isto precisavam ter recolhido materiais pertinentes ao discurso sobre o qual antes pensaram bastante a respeito para só então falar em juízo com intuito de persuadir; finalmente, que se escolha o ponto de vista ao qual já se encontrem mais inclinados, por acreditarem-no verdadeiro, e que o defenda com as provas que lhe pareçam mais sólidas.

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Eloquência religiosa

Imagem: GualdimG · BY-SA · Openverse

Agostinho de Hipona em seu A Doutrina Cristã dedica a quarta e última parte da obra à oratória religiosa - não apenas como um manual de eloquência, mas com conselhos sobre o como falar no púlpito; segundo ele havia três estilos para os discursos religiosos: simples, temperado e o sublime conforme a eloquência se manifesta, que resumiu da seguinte forma: "ser eloquente é ser capaz de falar para ensinar em estilo simples as pequenas questões; para agradar, tratando questões médias, em estilo temperado; e para converter, expondo grandes questões, em estilo sublime." Ele ressalta, contudo: "é preciso que o orador, [seja] capaz de discutir ou de falar – se não com eloquência, ao menos com sabedoria (...) em vista de ser útil aos seus ouvintes." João Crisóstomo, na sua obra O Sacerdócio, pregava: “o povo é que deve seguir o pregador, e não este os desejos da grande massa. Ele somente o conseguirá por meio de duas qualidades, a saber: o desprezo de quaisquer elogios e a força da própria eloquência.”

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