Elizabeth Taylor
Elizabeth Rosemond Taylor DBE foi uma atriz anglo-americana. Começou sua carreira como atriz infantil no início dos anos 1940, tornando-se uma das estrelas mais populares do cinema clássico de Hollywood nas décadas de 1950 e 1960. Ela foi a primeira atriz a assinar um contrato milionário com uma produtora, para estrelar o filme "Cleópatra", em 1963.
Elizabeth Rosemond Taylor nasceu em 27 de fevereiro de 1932, em Heathwood, na casa de sua família em 8 Wildwood Road, Hampstead Garden Suburb, Londres.:3–10 Seus pais, Francis Lenn Taylor (1897–1968) e a atriz aposentada Sara Sothern (nascida Sara Viola Warmbrodt, 1895–1994), eram estadunidenses, ambos originários de Arkansas City, Kansas. Mudaram-se para Londres em 1929 e abriram uma galeria de arte na Bond Street; seu primeiro filho, chamado Howard, nasceu no mesmo ano.:61:3–11 A família viveu em Londres durante a infância de Elizabeth.:11–19 Seu círculo social incluía artistas como Augustus John e Laura Knight, e políticos como o coronel Victor Cazalet.:11–19 Cazalet foi o padrinho não-oficial de Taylor e uma influência importante em sua vida precoce.:11–19 Ela foi matriculada na Byron House, uma escola em Highgate, e foi criada de acordo com os ensinamentos da ciência cristã, a religião de sua mãe e Cazalet.
Após um período de semi-aposentadoria do cinema, Elizabeth Taylor estrelou "The Mirror Crack'd" ("A Maldição do Espelho") em 1980, adaptado do romance policial The Mirror Crack'd from Side to Side, de Agatha Christie. Apresentava um elenco da era do estúdio, como Angela Lansbury, Kim Novak, Rock Hudson e Tony Curtis.:435 Querendo desafiar a si mesma, ela assumiu seu primeiro papel substancial no palco, interpretando Regina Giddens na produção da Broadway de "The Little Foxes", de Lillian Hellman.:411:347–362 Em vez de retratar Giddens sob uma luz negativa, como muitas vezes foi o caso em produções anteriores, a ideia da atriz era mostrar-se como vítima das circunstâncias, explicando: "Ela é uma assassina, mas está dizendo: 'Desculpem, colegas, vocês me colocaram nessa posição'".:349 A produção estreou em maio de 1981 e durou menos de seis meses, recebendo críticas favoráveis e negativas.:411:347–362 Frank Rich, do The New York Times, escreveu que "a performance de Taylor como Regina Giddens, aquela deusa-vadia maligna do sul ... começa cautelosamente, logo ganha força e então explode em uma tempestade negra e estrondosa que pode simplesmente derrubá-lo do seu assento". Dan Sullivan, do Los Angeles Times, declarou: "Taylor apresenta uma possível Regina Giddens, vista através da persona de Elizabeth Taylor. Há alguma atuação nela, bem como alguma exibição pessoal". Ela apareceu como a socialite do mal Helena Cassadine na novela diurna "General Hospital" em novembro de 1981.:347–362 No ano seguinte, continuou apresentando "The Little Foxes" no West End de Londres, mas recebeu críticas negativas da imprensa britânica.:347–362
Estrelato na adolescência (1941–49)
Na Califórnia, a mãe de Elizabeth era frequentemente orientada para que levasse a filha para fazer testes em produtoras de filmes.:27–30 Os olhos de Taylor, em particular, chamavam a atenção; eles eram violetas, e eram contornados por cílios duplos escuros causados por uma distiquíase, doença hereditária que, no caso de Elizabeth, era favorável esteticamente.:9 Sara se opôs inicialmente à ideia, mas depois que a eclosão da guerra na Europa tornou o retorno improvável, ela começou a ver a indústria cinematográfica como uma forma de assimilar-se com a sociedade americana.:27–30 A galeria de Francis Taylor em Beverly Hills ganhou clientes da indústria cinematográfica logo após a abertura, ajudada pelo endosso da colunista de fofocas Hedda Hopper, amiga dos Cazalets.:27–31 Através de um cliente e pai de um amigo de escola, Elizabeth fez o teste para a Universal Pictures e Metro-Goldwyn-Mayer no início de 1941.:27–37 Ambos os estúdios ofereceram contratos a ela, e sua mãe optou por aceitar a oferta da Universal.:27–37
Transição para papéis adultos (1950–51)
Elizabeth fez a transição para papéis adultos quando completou dezoito anos, em 1950. Em seu primeiro papel maduro, no thriller "Traidor" (1949), ela interpreta uma mulher que começa a suspeitar que seu marido é um espião soviético.:75–83 A atriz tinha apenas dezesseis anos na época das filmagens, mas seu lançamento foi adiado até março de 1950, pois a MGM não gostava e temia que a produção pudesse causar problemas diplomáticos.:75–83 Seu segundo papel maduro foi na comédia "The Big Hangover" ("A Verdade Não se Diz"), lançado em maio de 1950, coestrelado por Van Johnson. Nesse mesmo mês, ela se casou com Conrad Hilton Jr, herdeiro de uma rede hoteleira, em uma cerimônia muito divulgada.:99–105 O evento foi organizado pela MGM, e foi usado como parte da campanha publicitária para o próximo filme de Elizabeth, "O Pai da Noiva" (1950), no qual ela apareceu ao lado de Spencer Tracy e Joan Bennett como uma noiva se preparando para seu casamento.:99–105 O filme se tornou um sucesso de bilheteria após seu lançamento em junho, arrecadando US$ 6 milhões em todo o mundo, e foi seguido por uma sequência de sucesso, "Father's Little Dividend" ("O Netinho do Papai"), de 1951, dez meses depois.
Sucesso contínuo na MGM (1952–55)
Em seguida, a atriz estrelou a comédia romântica "O Melhor é Casar" (1952).:124–125 De acordo com Alexander Walker, a MGM a colocou no elenco desse "filme B" como uma reprimenda por se divorciar de Hilton em janeiro de 1951, depois de apenas nove meses de casamento, o que causou um escândalo público que refletiu negativamente em sua carreira.:124–125 Depois de completar as filmagens de "Love Is Better Than Ever", ela foi enviada para a Grã-Bretanha para participar do épico histórico "Ivanhoé, o Vingador do Rei" (1952), um dos projetos mais caros na história do estúdio.:129–132 Ela não estava feliz com o projeto, achando a história superficial e seu papel como Rebecca muito pequeno.:129–132 Independentemente disso, "Ivanhoe" se tornou um dos maiores sucessos comerciais da MGM, lucrando US$ 11 milhões em todo o mundo.
Criticamente aclamada (1956–60)
Em meados da década de 1950, a indústria cinematográfica americana estava começando a enfrentar uma séria concorrência com a televisão, o que resultou em estúdios produzindo menos filmes e concentrando-se em sua qualidade.:158–165 A mudança beneficiou Elizabeth, que finalmente encontrou papéis mais desafiadores após vários anos de decepções na carreira.:158–165 Depois de muito tempo, convenceu o diretor George Stevens e ganhou o papel principal feminino em "Assim Caminha a Humanidade" (1956), um drama épico sobre uma dinastia de fazendeiros, coestrelado por Rock Hudson e James Dean.:158–165 Sua filmagem em Marfa, Texas foi uma experiência difícil para ela, pois entrou em conflito com Stevens, que queria torná-la mais fácil de dirigir, e muitas vezes aparecia doente, resultando em atrasos.:158–165 Para complicar ainda mais a produção, Dean morreu em um acidente de carro alguns dias após a conclusão das filmagens; mesmo durante o luto, a atriz teve que filmar tomadas de reação para suas cenas conjuntas.:158–166 Quando "Giant" foi lançado um ano depois, tornou-se um sucesso de bilheteria e foi amplamente elogiado pela crítica.:158–165 Mesmo não tendo sido indicada ao Oscar como suas coestrelas, ela recebeu críticas positivas por sua atuação, com Variety a chamando de "surpreendentemente inteligente". e The Manchester Guardian elogiou sua atuação como "uma revelação surpreendente de presentes insuspeitos". O jornal a nomeou uma das partes mais fortes e memoráveis do filme.
Cleópatra e outras parcerias com Richard Burton (1961–67)
Depois de encerrar seu contrato com a MGM, Taylor estrelou em "Cleópatra" (1963), da 20th Century Fox. Segundo o historiador de cinema Alexander Doty, esse épico histórico a tornou mais famosa do que nunca. Ela se tornou a primeira estrela de cinema a receber US$ 1 milhão por um papel; a Fox também concedeu a ela 10% dos lucros do filme, além de rodar o filme na mais alta qualidade, num formato panorâmico para o qual ela herdou os direitos de Mike Todd, seu ex-marido.:10–11:211–223 A produção do filme – caracterizada por cenários e figurinos caros, atrasos constantes e um escândalo causado pelo caso extraconjugal de Elizabeth com seu colega de elenco Richard Burton – foi seguido de perto pela mídia, com a revista Life o elegendo como o "o filme mais falado de todos os tempos".:11–12,39,45–46, 56 As filmagens começaram na Inglaterra em 1960, mas tiveram que ser interrompidas várias vezes por causa do mau tempo e da saúde de Elizabeth.:12–13 Em março de 1961, ela contraiu uma pneumonia grave, que exigiu uma traqueostomia; uma agência de notícias chegou a divulgar erroneamente que ela havia morrido.:12–13 Assim que a atriz se recuperou, a Fox descartou o material já filmado e mudou a produção para Roma, alterando seu diretor para Joseph Mankiewicz e o ator que interpretava Marco Antônio para Burton.:12–18 As filmagens foram finalmente concluídas em julho de 1962.:39 O custo final do filme foi de US$ 62 milhões, tornando-o o filme mais caro feito até então.:46
Declínio da carreira (1968–79)
A carreira de Elizabeth entrou em declínio no final dos anos 1960. Ela ganhou peso, estava chegando à meia-idade e não se encaixava mais com as estrelas da Nova Hollywood, como Jane Fonda e Julie Christie.:135–136:294–296,307–308 Após vários anos de atenção quase constante da mídia, o público estava cansado de Burton e dela, e criticou seu estilo de vida jet set.:142, 151–152:294–296,305–306 Em 1968, ela estrelou dois filmes dirigidos por Joseph Losey – "Boom!" e "Secret Ceremony" ("Cerimônia Secreta") – ambos fracassos de crítica e comerciais.:238–246 O primeiro, baseado na peça de Tennessee Williams "The Milk Train Doesn't Stop Here Anymore", a apresenta como uma milionária de meia-idade que tem a fama de se casar muitas vezes, e Burton como um homem mais jovem que aparece em uma ilha do Mediterrâneo em que ela descansa após se aposentar.:211–217 "Secret Ceremony" é um drama psicológico que também tem como protagonistas Mia Farrow e Robert Mitchum.:242–243, 246 O terceiro filme de Elizabeth com George Stevens, "Jogo de Paixões" (1970), no qual ela interpretou uma showgirl de Las Vegas que tem um caso com um jogador compulsivo, interpretado por Warren Beatty, e que não teve sucesso.:287
Taylor era uma grande apreciadora de joias. Adorava o brilho de brincos, colares, anéis e pulseiras, além de amar maquiagens, sapatos de grife, bolsas da moda e vestidos caros. Mesmo sem tudo isso, em trajes simples e sem pintura, ainda era considerada uma beleza rara. Os críticos da moda consideravam sua simetria de rosto e corpo ideais, ambas se encaixavam perfeitamente. Ficou famosa também por seus numerosos casamentos, sete, ao todo. Além de seus inúmeros relacionamentos amorosos com diversos empresários milionários, e astros da música e do cinema. Seu primeiro casamento foi com o empresário Conrad Nicholson Hilton, em 1950, mas a união durou apenas um ano, terminando amigavelmente. Seu mais famoso casamento foi com o ator britânico Richard Burton, seu quinto marido, que ficou marcado pelo alcoolismo e pelas agressões contra ela. Elizabeth esteve casada com ele por duas vezes: de 1964 a 1974 e de 1975 a 1976. O casal atuou junto em vários filmes nos anos 60, como o antológico "Cleópatra" (1963), o dramático "Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?" (1966), em que ela ganhou o segundo Oscar, "Os Farsantes" e "A Megera Domada". (1967)
Lançamentos de perfumes e Casa de Beleza Taylor
Em 1987, quando Malcolm Forbes, a famosa editora da revista de negócios Forbes, apresentou Elizabeth Taylor em uma conferência de imprensa secreta para apresentar seu novo empreendimento comercial, um perfume chamado "Passion", o mundo sentou-se para assistir essa estrela em mais um sucesso. Uma vez, enquanto explicava o nome do perfume, a atriz disse: "A paixão é o ingrediente que me fez quem eu sou. É minha paixão pela vida ... minha paixão pelo amor é o que me fez nunca desistir". O perfume, que foi contemplado por uma campanha promocional de US$ 10 milhões, tornou-se um sucesso instantâneo e a primeira fragrância criada por uma celebridade de sucesso. Muitos outros tentaram, mas apenas a "paixão de Elizabeth" foi bem-sucedida. Elizabeth, a quem haviam sido oferecidos outros endossos no passado, achava que o meio estético era o negócio perfeito para entrar. "Eu acho que perfume é mais do que apenas um acessório para uma mulher. Faz parte da sua aura. Eu uso perfume mesmo quando estou sozinha".
Problemas de saúde e morte
Elizabeth Taylor teve vários problemas de saúde durante a maior parte de sua vida. Nasceu com escoliose, e sofreu um traumatismo na coluna vertebral durante as filmagens de "A Mocidade é Assim", em 1944.: 40–47 O trauma não foi diagnosticado por vários anos, embora tenha causado problemas crônicos na região lombar.:40–47 Em 1956, foi submetida a uma cirurgia em que foram removidos alguns discos intervertebrais, substituídos por próteses.:175 A atriz também teve outras doenças e contusões, que muitas vezes exigiram cirurgia. Em 1961, foi acometida por uma pneumonia que quase a levou à morte, tendo sido necessário realizar uma traqueostomia. A atriz tinha vício em álcool, analgésicos e tranquilizantes. Durante sete semanas (de dezembro de 1983 a janeiro de 1984), passou por um tratamento no Betty Ford Center, uma clínica de recuperação de dependência química, fundada pela ex-primeira-dama dos Estados Unidos Betty Ford. Taylor foi a primeira celebridade que tornou pública a internação na clínica.:424-425 Teve uma recaída no final da década e foi internada novamente na mesma clínica, em 1988.:366–368 Ela também lutou para reduzir seu peso, que começou a aumentar na década de 1970, especialmente depois do casamento com o senador John Warner, e publicou um livro sobre sua experiência com dietas, "Elizabeth Takes Off", lançado em 1988. Elizabeth também foi fumante compulsiva até ser acometida por outra séria pneumonia em 1990.
"Mais do que qualquer outra pessoa que eu possa pensar, Elizabeth Taylor representa o fenômeno completo do cinema – o que os filmes são como arte e indústria, e o que eles significaram para aqueles de nós que crescemos assistindo-os no escuro ... Como os filmes, ela cresceu conosco, como nós crescemos com ela. Ela é alguém cuja vida inteira foi jogada em uma série de cenários negados para sempre na quarta parede. Elizabeth Taylor é a personagem mais importante que ela já interpretou". —Vincent Canby do The New York Times em 1986 Elizabeth Taylor foi uma das últimas estrelas do cinema clássico de Hollywood e uma das primeiras celebridades da era moderna. Durante a era do sistema de estúdios, ela exemplificou a estrela do cinema clássico. Foi retratada como diferente das pessoas "comuns", e sua imagem pública foi cuidadosamente elaborada e controlada pela MGM. Quando a era clássica de Hollywood terminou na década de 1960, e os paparazzi tornaram-se uma característica normal da cultura da mídia, a atriz passou a definir um novo tipo de celebridade cuja vida privada real era o foco do interesse público. De acordo com Adam Bernstein, do The Washington Post, "mais do que para qualquer papel no cinema, ela se tornou famosa por ser famosa, estabelecendo um modelo de mídia para gerações posteriores de artistas, modelos, e toda a variedade de semi-alguém".


