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El Chavo del Ocho

El Chavo del Ocho, ou El Chavo, é um seriado de televisão de comédia mexicano escrito, dirigido e estrelado por Roberto Gómez Bolaños com produção da Televisa. Exibido primeiramente no Canal 8 e depois no Canal 2, o roteiro veio de um esquete escrito por Bolaños, em que uma criança de oito anos discutia com um vendedor de balões em um parque. Bolaños deu importância ao desenvolvimento dos personagens, aos quais foram distribuídas personalidades distintas. Desde o início, seu criador percebeu que o seriado seria destinado ao público de todas as idades, mesmo se tratando de adultos interpretando crianças. O elenco principal é composto por Roberto Gómez Bolaños, Carlos Villagrán, Ramón Valdés, Florinda Meza, María Antonieta de las Nieves, Édgar Vivar, Rubén Aguirre, Angelines Fernández, Horacio Gómez e Raúl Padilla.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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História

— Bolaños sobre o protagonista da série. Algumas situações recorrentes no enredo das séries criadas por Bolaños — especialmente em El Chavo del Ocho e El Chapulín Colorado — exploram mal-entendidos provocados por interpretações literais da linguagem, criando efeitos cômicos por meio da confusão entre o sentido real e o figurado das expressões. Esse recurso, comum ao longo de vários episódios, reforça o caráter ingênuo dos personagens e a natureza acessível do humor. Segundo o pesquisador Wilson Filho Ribeiro de Almeida, trata-se de "um chiste baseado num processo de separação mental, muito comum no texto de Bolaños." El Chavo del Ocho é uma sitcom que aborda as interações de um grupo de pessoas que moram em uma vila. O protagonista, Chaves, é um garoto órfão de oito anos que muitas vezes, enfrenta problemas com adultos, incluindo Seu Madruga, Dona Florinda e Dona Clotilde devido a mal-entendidos, distrações ou travessuras. Ele também convive com seus amigos Quico e Chiquinha, que são da mesma faixa etária. Muitas vezes, Chaves é encontrado em um barril de madeira, segundo o próprio personagem, é apenas um esconderijo, na verdade ele mora na casa de número 8. Praticamente, a trama se desenrola nesta vila, que tem como proprietário Seu Barriga, e os moradores Seu Madruga, Dona Neves e Chiquinha (na casa 72), Dona Clotilde, apelidada de Bruxa do 71 por sua aparência e o número de sua residência, na casa 14 vivem Dona Florinda e seu filho Quico. Glória e sua sobrinha Paty permanecem um período na casa 24, e posteriormente, Jaiminho. Dona Edwiges (apelidada de Louca da Escadaria devido à sua casa se situar no alto de uma escada) também morou lá.

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Produção

Um dos episódios de maior sucesso da série é o episódio Vamos Todos a Acapulco, onde os personagens viajam para Acapulco. Foram gravados dois episódios de Chaves e um de Chapolin no Hotel Acapulco Continental. Os episódios foram gravados e exibidos em 1977. Algum tempo depois, surgiu um boato de que os episódios de Acapulco teriam sido os últimos episódios com Carlos Villagrán no elenco e que a música "Boa Noite, Vizinhança", que toca no final do episódio, seria uma homenagem a Villagrán para marcar sua despedida da série, mas nada disso é verdade, tendo em vista que os episódios de Acapulco são de 1977 e Carlos Villagrán permaneceu no elenco até o final da temporada de 1978. O que houve foi que, no início de 1979, quando Villagrán saiu da série, a Televisa reprisou os episódios de Acapulco, fazendo com esse boato surgisse. Outro boato é de que o hotel onde foram gravados os episódios pertencia ao presidente da Televisa, Emilio Azcárraga Milmo, e que ele teria pedido para Roberto Gómez Bolaños gravar episódios lá para promover seu próprio hotel. Tal informação também não é verdadeira, pois Azcárraga não era dono do hotel, que na verdade pertencia ao vice-presidente da Televisa na época, Miguel Alemán Velasco. Anos depois, o hotel onde foram gravados os episódios foi vendido, teve reformas e mudou de nome, passando a se chamar Hotel Emporio Acapulco. Até hoje, fãs do seriado Chaves viajam ao hotel. Em 25 de outubro de 2023, a cidade de Acapulco foi atingida pelo furacão Otis, que causou destruição em vários lugares da cidade, incluindo o Hotel Emporio, que sofreu muitos danos.

Antecedentes

Após colaborar com o programa Cómicos y canciones como escritor e ator ocasional, o mexicano Roberto Gómez Bolaños, mais conhecido como Chespirito, estreou no canal 8 (XEQ-TV) com a série El ciudadano Gómez produzida pela Televisión Independiente de México, no qual atuava junto com Rubén Aguirre (que anteriormente participava de El club del Shory). Embora este foi transmitido em 1968, Bernardo Garza Sada, proprietário do canal 8, decidiu adiar indefinidamente sua transmissão com o motivo de "tê-lo preparado para uma competição futura com canal 2 (XEW-TV), emissora rival do Telesistema Mexicano". El ciudadano Gómez retornou sua transmissão em 1970.

Roteiro e personagens

"Eu nunca quis que as pessoas acreditassem que éramos crianças, mas aceitassem que éramos adultos interpretando crianças." Bolaños elaborou um esboço de El Chavo sem seguir uma cronologia com outra história, um garoto pobre de oito anos discutia com um vendedor de balões num parque. Ele interpreta a criança, enquanto o outro personagem recairia a Valdés. Os seguintes episódios surgiram de uma maneira semelhante ao usar histórias que não tinham sido consideradas anteriormente. Contudo, queria separar os personagens das crianças até então, interpretados. De acordo com o livro biográfico de Bolaños, tudo foi um grande desafio, pois a graça seria a de uma criança, ou seja, de uma forma inocente e ingênua. O conteúdo de El Chavo estaria dirigido ao público adulto. Sua filha Marcela Gómez Fernández revelou que vários gestos do protagonista vieram dela e de seus irmãos quando pequenos. Em opinião de Roberto Gómez Fernández, filho de Bolaños, seu pai tentou encontrar valores universais infantis, com personagens que poderiam ter várias contradições e elementos opostos, assim que surgisse a comédia. Ele acrescentou que o personagem conhecido como Chaves do 8, tinha esse nome porque a série era transmitida no canal 8. Gómez Bolaños revelou então que, também, era conhecido assim por morar no apartamento número oito, e não no barril que servia apenas de esconderijo.

Erro na data de estreia

Várias fontes, incluindo a Televisa e o Grupo Chespirito (empresa criada pela família de Bolaños para administrar o legado dele), dizem que Chaves estreou na televisão no dia 20 de junho de 1971. Porém, há várias evidências que desmentem isso. Chaves surgiu primeiro como uma esquete ou quadro do Programa Chespirito, que era exibido às quintas-feiras. Mas o dia 20 de junho de 1971 foi um domingo, logo a estreia não poderia ter sido nesse dia. Além disso, segundo o próprio Roberto Gómez Bolaños em entrevistas, ele e Rubén Aguirre faziam a esquete Los Chifladitos e, após Rubén decidir sair temporariamente do programa, o que impossibilitou que Chespirito continuasse com essa esquete, ele decidiu criar o Chaves para substituir os Chifladitos. Segundo reportagens da época, a saída de Rubén do programa ocorreu no início de 1972, não em 1971. As reportagens da época também apontam que a primeira esquete de Chaves teria sido exibida em março de 1972 - o dia exato é desconhecido. Para completar, o próprio Chespirito já disse em entrevistas que a primeira exibição de Chaves como esquete foi em março de 1972. Portanto, todas as evidências apontam que Chaves foi exibido pela primeira vez na televisão, ainda como esquete, em março de 1972, não no dia 20 de junho de 1971.

Primeiras exibições e popularidade

Surgindo inicialmente como um quadro do programa Chespirito, El Chavo del Ocho obteve seu programa independente com meia hora de duração no horário nobre. Neste, Gómez Bolaños adquiriu outros cenários e acessórios para recriar a vila de onde habitam os personagens dos antigos esquetes e os novos atores contratados por audições. Além disso, Aguirre, María Antonieta de las Nieves[nota 1] e Valdés já tinham colaborado com Bolaños nos anos anteriores, principalmente em Los supergenios de la mesa cuadrada. O criador da série contratou Florinda Meza que anteriormente participava da série de comédia La media naranja, por meio de Aguirre, conheceu Carlos Villagrán, que atuava em um outro programa de outra rede. Particularmente, foi contratado uma vez que Gómez Bolaños observou um esquete onde interpretava um boneco ventrículo chamado Piloro e desde então, Villagrán inchava suas bochechas para proporcionar mais comédia em sua atuação. Bolaños comparou seu estilo humorístico com o do francês Henri Bergson e sua filosofia da "humanização do mecânico e da mecanização do humano". Villagrán colaborou também com o característico choro do Quico, herdado da personagem Lola Mento, de um programa chamado El club del Chori. Nacho Brambila, amigo de Gómez Bolaños, recomendou-lhe o médico Édgar Vivar para El Chavo. O próprio ator disse que sua integração havia sido algo totalmente sem planos, que era fascinado por cinema e teatro, entretanto nunca pensou em estar num projeto tão grande. Por outro lado, a espanhola Angelines Fernández já era conhecida por suas atuações no cinema. Outros atores que chegaram a participar ocasionalmente no programa foram Ofelia Guilmáin, Germán Robles, Héctor Bonilla, Rogelio Guerra, entre outros.

Equipe do programa

A direção e a produção da série recaíram a Carmen Ochoa e Enrique Segoviano, que previamente haviam colaborado com Gómez Bolaños em Chespirito. Em alguns episódios, o próprio criador aparece listado nos créditos como diretor cênico, junto com Segoviano.[nota 4] Mary Cabañas, Tere de la Cueva, Ersilia Anderlini e Norma Gutiérrez eram os assistentes de Ochoa e da equipe de produção,[nota 5] Luís Fabiano Macías servia como chefe de produção, Saltiel Peláez era o responsável pelo estúdio onde se gravava os episódios, enquanto Gabriel Vázquez era o diretor das câmeras. Por sua vez, havia três cinegrafistas para gravar um único episódio, entre eles, incluíam Andrés H. Salinas, José M. Carrillo, Jaime Sánchez e Armando Soto. Os cenários eram responsabilidade de Julio Latuff (nos episódios de 1976) e de Alicia Cázares (em 1979), Leopoldo Sánchez e Alberto García eram os assistentes de direção.[nota 4][nota 6] Os episódios que mostram a vila, a escola, ou o restaurante da Dona Florinda entre outros lugares eram gravados nos estúdios 1, 2, 6, 8 e 5,[nota 4] da Televisa San Ángel, na Cidade do México, embora houvesse algumas exceções, tal como a viagem à Acapulco, onde as cenas foram gravadas no Hotel Acapulco Continental (atual Hotel Acapulco Emporio) e em algumas partes da cidade e da praia de Acapulco.

Sequência de abertura e de encerramento

A canção utilizada na sequência de abertura de El Chavo del Ocho é "The Elephant Never Forgets", composta pelo músico francês Jean-Jacques Perrey em 1970. Por sua vez, a letra desta melodia é baseada na obra "Las Ruinas de Atenas" de Ludwig van Beethoven. A sequência teve algumas variações após os anos, da forma que as cenas apareciam e o modo em que os atores eram mencionados. Consistia em cenas curtas para apresentar cada personagem e uma narração que citava o ator e sua interpretação na série. Porém, em 2009, Jean-Jacques Perrey descobriu que sua música era usada na abertura da série sem autorização e sem lhe dar os devidos créditos. Por isso, Perrey entrou com um processo na justiça contra a Televisa. Várias fontes na imprensa disseram que Chespirito também teria sido processado por Perrey mas, segundo os documentos do processo, Chespirito estava envolvido apenas indiretamente, tendo o processo sido movido não contra ele mas sim contra a Televisa. Em 2010, foi feito um acordo, que resultou em uma indenização de um milhão de dólares para Jean-Jacques Perrey.

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Exibição

Imagem: Dj Crazy Gabe · BY-ND · Openverse

"Nunca pude imaginar que meus programas e minhas obras chegariam a ser conhecidos em todo o território de meu país... Menos ainda em todo o continente americano! E também na Europa, na Ásia e na África! Por que tudo isso aconteceu? Essa é uma pergunta que somente o público seria capaz de responder. Público ao qual desejo expressar minha infinita gratidão! Também agradeço aos demais personagens, que contribuíram para que eu jamais me distanciasse de meu propósito fundamental: divertir sem causar danos às pessoas, sem distinção de idade, sexo, raça ou nacionalidade." Bolaños sobre a popularidade de El Chavo. O primeiro país que transmitiu a série fora do México foi a Guatemala. Mais tarde, Porto Rico, República Dominicana e Equador e depois se espalhou por todo o Continente Americano e até chegou na Itália e Espanha. Países como China, Marrocos, Índia, Rússia, Japão, Coreia do Sul, Moçambique e Angola também têm indícios de exibições. Para Bolaños, a popularidade internacional da sitcom se deve ao sucesso de El Chapulín Colorado.

Classificação indicativa

Inicialmente teve classificação "livre para todos os públicos". Em 27 de dezembro de 2024, a série foi reclassificada pelo Ministério da Justiça para "não recomendado para menores de 10 anos", por apresentar drogas lícitas e violência fantasiosa (como bullying, exposição de pessoas em situações constrangedoras e atos de preconceito). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União, e na noite do mesmo dia, o SBT, a única emissora que exibe Chaves na TV aberta no Brasil, apresentou a nova faixa de classificação indicativa no início da exibição.

Quase saída em 2005

Em 2005, o SBT, que na época era o único canal que exibia Chaves no Brasil, decidiu não renovar o contrato de exibição da série com a Televisa. O motivo foi que a emissora mexicana passou a cobrar o triplo do valor de antes pela série. Com a não-renovação do SBT, a série iria deixar de ser exibida em todo o país. O SBT inicialmente anunciou que iria tirar Chaves do ar no final de maio daquele ano (o contrato de exibição acabaria em junho); e substituí-lo pela novela mexicana Rebelde, que iria estrear no canal. Houve uma grande mobilização de fãs de Chaves em todo o Brasil, mandando e-mails ao SBT pedindo que não tirasse a série do ar e renovasse o contrato. Alguns outros canais da TV brasileira, entre eles a Globo, sondaram comprar a série.[carece de fontes?]

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Música

Imagem: Horus Curcino · BY · Openverse

De início, a trilha sonora de El Chavo del Ocho foi produzida por Ángel Álvarez,[nota 7] Luis A. Diazayas,[nota 4] René Tirado e Alejandro García.[nota 6] Em alguns capítulos, usaram melodias para determinar ênfase em cenas, tais como "The Second Star to the Right", composta originalmente da animação de 1953 Peter Pan, e o tema de Dona Florinda e Professor Girafales, "Tara's Theme" (usado somente na versão brasileira), original do filme E o Vento Levou. Em 1977, a Polydor Records, que é subsidiária da Universal Music Group, distribuiu o disco LP Así cantamos y vacilamos en la vecindad del Chavo, com canções inclusas em diversos episódios. O disco contém dez músicas no total, com duração de uma hora, entre elas, La vecindad del Chavo (também conhecida como ¡Qué bonita vecindad!). Três anos depois, em 1980, foi lançada outra série de três discos denominada Síganme los buenos a la vecindad del Chavo, também com melodias de El Chapulín Colorado. Em 1981, El Chavo canta Eso, eso, eso…! foi distribuído com dez canções pela PolyGram.

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Elenco

Imagem: andresmh · BY-SA · Openverse

Roberto Gómez Bolaños, mais conhecido como Chespirito, interpreta o garoto órfão Chaves, pobre, distraído e lento, mas criativo e bem intencionado. Aos oito anos de idade, é um pouco ingênuo, passa a maior parte do seu tempo dentro de barril, ninguém sabe seu nome verdadeiro, por isso o chamam de El Chavo, gíria mexicana que significa "moleque". Quico ou Frederico Mátallas Callando y Corcuéra (Carlos Villagrán) é um menino de nove anos, com bochechas enormes, mimado e superprotegido, além de arrogante, manipulador e invejoso, embora tenha um bom coração. Vive com a ilusão de receber uma bola quadrada e veste um traje de marinheiro, em homenagem ao pai que foi engolido por uma baleia. María Antonieta de las Nieves interpreta a sardenta e esperta Chiquinha (ou Chilindrina "Francisca") e sua bisavó Dona Nieves ou Nieves Frías de Lemón Aguado. Seu Madruga (Ramón Valdés) vive fugindo das cobranças de 14 meses de aluguel, é pai de Chiquinha, está sempre de mau humor por ser alvo das travessuras das crianças e tem um primo chamado Seu Madroga ou Don Román (Germán Robles). Florinda Meza interpreta a romântica, antissocial, impaciente e mal-humorada Florinda Corcuéra y Villalpando viúva de Federico Mátallas Callando ou apenas, Dona Florinda e sua sobrinha egoísta Pópis. Edgar Vivar interpreta o estudioso Nhonho ou Febronio Barriga Gordorritúa e seu pai Zenón Barriga y Pesado, o dono da vila. Horácio Gómez Bolaños interpreta o distraído e solitário Godinez, que é o pior aluno da sala de Professor Girafales (Rubén Aguirre). Clotilde ou Bruxa do 71 (Angelines Fernández) era uma senhora que se vestia como uma bruxa e era apaixonada por Madruga, onde brigava seu amor por Glória (Maribel Fernández, Olivia Leyva e Regina Torné), que vivia com sua sobrinha Paty (Patty Juárez, Rosita Bouchot e Ana Lilian de la Macorra). Mais tarde, Clotilde se apaixonou pelo carteiro Jaiminho (Raúl Padilla). Seguidos da prima de Chiquinha, Malicha (María Luisa Alcalá) e do ladrão Furtado (José Antônio Mena e Ricardo de Pascual.

Dublagem

No Brasil, a dublagem clássica de El Chavo del Ocho aconteceu nos estúdios TVS, entre 1984 e 1986 e Marshmallow, de 1988 a 1992, com direção de Mário Lúcio de Freitas e tradução de Nelson Machado. Nas edições para DVD, lançados em 2005 pela Amazonas Filmes, os episódios selecionados foram redublados pelo Studio Gábia. Em 2012, o SBT recebeu um novo lote com episódios inéditos e encarregou a Rio Sound pela nova dublagem. Após a compra dos direitos de exibição pelo Grupo Globo em 2018, a Som de Vera Cruz ficou responsável por dublar os episódios restantes entregues pela Televisa. Nem todos os dubladores que participaram da dublagem clássica aceitaram dar suas vozes aos personagens posteriormente, com exceção dos já falecidos e da dublagem de 2018.

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Episódios

Imagem: faseextra · BY-NC-SA · Openverse

El Chavo teve, entre 1973 e 1980, 312 episódios exibidos, sendo que 273 são distribuídos atualmente pela Televisa, dos quais 39 são considerados "perdidos mundialmente". Desses 39, por sua vez, quatro são exibidos apenas no Brasil pelo SBT e pelo Multishow; são eles "Muitas marteladas — parte 2" (1974), "Ser pintor é uma questão de talento — parte 1" (1976), "Um festival de vizinhos — parte 2" (1976), e "Errar é humano — parte 1" (1978). Gravações caseiras de alguns dos episódios perdidos podem ser encontradas em sites de vídeos na internet.

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Recepção

Imagem: xavo_rob · BY-NC-SA · Openverse

O seriado se tornou rapidamente o programa de maior sucesso do Canal 2, sendo um dos primeiros programas a registrar níveis tão altos de audiência a ponto de superar a conquistada pelo Canal 8, porém em seus primeiros capítulos, era considerado "uma série vulgar e fútil, apenas com boa estrutura e dramatização". Na Colômbia, o governo tentou proibir sua exibição por considerar "alienante", enquanto que no Brasil, alguns executivos e funcionários do SBT o classificaram como "não recomendado para menores de dez anos". Gómez Bolaños retrucou que "o programa não é dirigido ao público infantil, é claro que existem crianças que procuram esses programas, pois há um núcleo que as crianças se identificam. É uma falta de senso crítico esses adultos que pensam que os humorísticos não são para crianças e preferem sintonizar apenas nos educativos". Um dos temas que recebeu mais críticas foi a violência explícita. Numa pesquisa no Equador, em 2008, cerca de 1 800 pais concluíram que os golpes de Florinda e Madruga, que também castiga as crianças por travessuras, são péssimas influências para os telespectadores mirins. Patricia Ávila Muñoz, da revista espanhola Sphera Pública, determinou que "o humor da série desvia o olhar familiar para os personagens (preguiçosos e sem graça) que são ridicularizados por crianças" e a comparou com The Simpsons: "apresenta uma das reflexões da sociedade, [mas] minimiza problemas sociais". O escritor mexicano Fernando Buen Abad considerou que "El Chavo" utiliza o terrorismo da mídia, concentrando-se no direito de proporcionar entretenimento para um público onde uma criança órfã de oito anos expõe a violência". A personagem Pópis, cuja característica marcante é sua voz fanhosa, não satisfez um pai que enviou uma carta para Bolaños reclamando que seu filho sofria assédio na escola devido a voz da personagem.

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Controvérsias

Conflitos com Villagrán e saída de Valdés

Começaram a ocorrer alguns conflitos no elenco envolvendo Carlos Villagrán, o Quico. Segundo reportagens da época, os problemas começaram em 1976, quando Villagrán assinou um contrato de exclusividade com a gravadora EMI Capitol para gravar vários discos solos do Quico. Villagrán assinou o contrato sem avisar Chespirito antes, o que o incomodou, porque devido a isso Chespirito não pôde usar o Quico em um disco que todo o elenco gravou junto. Apesar disso, Chespirito permitiu que Villagrán gravasse os seus discos como Quico. Apesar desse conflito com o criador do programa, Villagrán permaneceu no programa até dezembro de 1978. Seu último episódio na série foi A Escolinha do Professor Girafales. No início de 1979, Carlos Villagrán deixou o programa para começar seu próprio espetáculo, ainda como o personagem Quico, com a autorização de Bolaños. No entanto, passado algum tempo, Villagrán considerou que o Quico era de sua autoria e processou Gómez Bolaños pelos direitos do personagem. O resultado do processo foi favorável a Chespirito. Mais tarde, o intérprete de Quico afirmou que sua saída do elenco se deu a problemas de "ciúme e inveja" entre os integrantes do elenco de El Chavo. O presidente da Televisa, Emilio Azcárraga Milmo, apoiou Roberto e, como Villagrán insistia em dizer que o Quico era dele e não de Bolaños, Azcárraga optou por cancelar o projeto de um programa independente do Quico na Televisa e vetou Carlos Villagrán em várias emissoras do México e da América Latina. Porém, o ator seguiu sua carreira com o personagem na Venezuela em 1981, após encontrar uma brecha nos direitos autorais e registrar o Quico em seu nome com outra grafia, "Kiko".

Últimos episódios e briga com de las Nieves

Por causa da saída de Villagrán e Valdés, Roberto Gómez Bolaños optou por criar um novo cenário, o restaurante da Dona Florinda e regravar alguns episódios passados, porém com pequenas alterações na história e nos diálogos, primordialmente substituindo Quico e Seu Madruga com novas cenas. O último episódio de meia hora de El Chavo del Ocho como série, foi transmitido no dia 7 de janeiro de 1980 (alguns consideram que o episódio final foi La Lavadora). Depois disso, Chaves voltou a ser um quadro do Programa Chespirito, que voltou ao ar em 1980. A última esquete de Chaves foi produzida uma década depois, em 12 de junho de 1992 como parte do programa Chespirito e se chama Aula de Inglês. Nessa esquete, as crianças tem uma aula de inglês na escola do Professor Girafales. Já a última esquete de Chaves ambientada na vila foi "Um Banho para o Chaves", exibida em setembro de 1991. No total, foram transmitidos 292 capítulos. O fim da série se deu a idade avançada que Gómez Bolaños tinha durante este período (63 anos), o que criava dificuldades para interpretar uma criança e a problemas cardiovasculares de Edgar Vivar.

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Legado

"Em regra geral, o público aplaude facilmente o que é grosseiro, e no Brasil aplaudem o inteligente. Isso quer dizer que é um público inteligente. E isso me deixa muito orgulhoso". A popularidade da série permitiu que vários atores realizassem apresentações em circos nacionais e internacionais: um exemplo disso são as atuações de Ruben Aguirré, que fez sucesso entre as décadas de 1970 e 2000; de Villagrán nos anos 1990; de Antonieta, que ganhou êxito nas décadas de 2000 e 2010; entre outros. Por sua vez, o criador se tornou um ícone de entretenimento a partir da fama de El Chapulin Colorado e El Chavo del Ocho. Após o término do seriado, Gómez Bolaños continuou como escritor e roteirista de outras produções. Vivar foi indicado para o filme El orfanato (2007) e para telenovela Para volver a amar (2010). O ator considerou que seu sucesso como Senhor Barriga o ajudou em sua carreira e mencionou que: "El Chavo é uma nostalgia... lembro-me do tempo que viajei e conheci muitos lugares. Foi um luxo, um período fantástico que nem todos têm a oportunidade de vivenciar, mas a série me ajudou nisso".

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Fontes consultadas

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