Eduardo VII do Reino Unido
Eduardo VII, nascido Alberto Eduardo; foi o Rei do Reino Unido e da Irlanda, dos Domínios Britânicos e Imperador da Índia de 1901 até sua morte. Filho mais velho da rainha Vitória e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, seu reinado de mais de nove anos ficou conhecido como a era eduardiana. Foi também o primeiro monarca britânico da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, que anos depois foi rebatizada como Casa de Windsor por seu filho, Jorge V.
Albert Edward nasceu às 10h48min do dia 9 de novembro de 1841 no Palácio de Buckingham, Londres. Era o segundo filho, primeiro homem, da rainha Vitória do Reino Unido e seu marido o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Foi batizado em 25 de janeiro de 1842 na Capela de São Jorge, Castelo de Windsor. Seus padrinhos foram o rei Frederico Guilherme IV da Prússia, a esposa de seu avô paterno a duquesa Maria de Württemberg (representada por sua avó materna a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld), seu tio-avô o príncipe Adolfo, Duque de Cambridge, a esposa de seu bisavô a princesa Carolina Amália de Hesse-Cassel (representada por sua tia-avó a princesa Augusta de Hesse-Cassel), sua tia-avó a princesa Sofia do Reino Unido (representada por sua prima a princesa Augusta de Cambridge) e seu tio-avô o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota. Recebeu o nome de Alberto em homenagem ao pai e o de Eduardo em homenagem ao avô materno, o príncipe Eduardo, Duque de Kent e Strathearn. Durante toda a vida, a família chamou-lhe Bertie.
Educação
Vitória e Alberto estavam determinados a que seu filho mais velho e herdeiro tivesse uma educação que o preparasse para ser um modelo de monarca constitucional. Eduardo começou aos sete anos um rigoroso programa educacional planejado por seu pai e supervisionado por vários professores. Entretanto, diferentemente de sua irmã mais velha Vitória, Princesa Real, não sobressaia nos estudos. O príncipe tentava alcançar as expectativas dos pais, porém em vão. Apesar de Eduardo nunca ter sido um aluno diligente – seus talentos verdadeiros eram o charme, sociabilidade e tato – o primeiro-ministro Benjamin Disraeli o descreveu como informado, inteligente e de boas maneiras.
Eduardo realizou em 1860 a primeira viagem de um herdeiro britânico para a América do Norte. Seu bom humor e cordialidade fizeram da visita um grande sucesso. Em Montreal, Canadá, inaugurou a Victoria Bridge sobre o rio São Lourenço e colocou a pedra fundamental da Colina do Parlamento em Ottawa. Nos Estados Unidos o príncipe viu Charles Blondin cruzar as Cataratas do Niágara sobre um fio e passou três dias na Casa Branca hospedado pelo presidente James Buchanan. Os dois foram para Mount Vernon prestar homenagens a George Washington em sua tumba. As multidões eram grandes em todos os lugares. Encontrou-se com o poeta Henry Wadsworth Longfellow, o filósofo Ralph Waldo Emerson e o médico Oliver Wendell Holmes. Orações pela família real foram realizadas na Igreja da Trindade em Nova Iorque pela primeira vez desde 1776. A viagem de quatro meses aumentou consideravelmente a autoestima e confiança de Eduardo e gerou muitos benefícios diplomáticos para o Reino Unido.
Uma vez viúva, Vitória retirou-se totalmente da vida pública. Ela fez com que Eduardo embarcasse em uma longa viagem pelo Oriente Médio logo depois da morte de Alberto, passando pelo Egito, Jerusalém, Damasco, Beirute e Constantinopla. Parcialmente pela política, o governo britânico queria que o príncipe ficasse amigo de Sa'id Pasha do Egito a fim de impedir que os franceses tomassem controle do Canal de Suez se o Império Otomano caísse. Foi a primeira viagem real acompanhada por um fotógrafo oficial, Francis Bedford. Assim que retornou à Grã-Bretanha, iniciaram-se os preparativos para o seu noivado, que foi selado em Laeken, Bélgica, no dia 9 de setembro de 1862. Eduardo e Alexandra casaram-se na Capela de São Jorge em 10 de março de 1863. O casal passou residir na Casa Marlborough em Londres e a utilizar a Casa Sandringham em Norfolk como seu retiro de campo. Entretinham-se de forma luxuosa. O casamento não foi bem recebido em certos círculos sociais já que a maioria das relações familiares de Vitória era germânica e a Dinamarca estava em desavença com a Alemanha por causa dos territórios de Schleswig e Holstein. Quando o pai de Alexandra ascendeu ao trono dinamarquês como Cristiano IX em 15 de novembro de 1863, a Confederação Germânica aproveitou a oportunidade para invadir e anexar Schleswig-Holstein. Vitória tinha opiniões divididas se seria uma boa união dada a situação política. A rainha expressou depois do casamento uma grande angústia pelo estilo de vida social de Eduardo e Alexandra e tentou ditar suas ações em diversos assuntos, incluindo o nome de seus filhos. O casal teve seis filhos: Alberto Vitor, Jorge, Luísa, Vitória Alexandra, Maud e Alexandre João; aparentemente, todos nasceram prematuros e o biógrafo Richard Hough sugere que Alexandra enganava deliberadamente Vitória sobre as prováveis datas de nascimento para não ter a presença da rainha durante seus partos.
Eduardo foi o pioneiro, durante a viuvez de Vitória, da ideia de aparições públicas reais como são compreendidas hoje – por exemplo, as inaugurações do aterro do Tâmisa em 1871, do Túnel Mersey em 1886 e da Tower Bridge em 1894. Porém, foi apenas em 1898 que a rainha permitiu que o filho tivesse um papel ativo na administração do país. Eram lhe enviados sumários de importantes documentos do governo, porém ela negava que tivesse acesso aos originais. Irritou a mãe em 1864 ao ficar do lado da Dinamarca na questão de Schleswig-Holstein e no mesmo ano a irritou outra vez ao se esforçar para conhecer Giuseppe Garibaldi. O primeiro-ministro William Ewart Gladstone secretamente enviava a Eduardo documentos do governo. O sentimento republicano no Reino Unido cresceu em 1870 quando o imperador Napoleão III da França foi derrotado na Guerra Franco-Prussiana e a Terceira República Francesa foi declarada. Porém, um encontro com a morte no fim de 1871 levou a uma melhora na popularidade de Eduardo com o público e na sua relação com a mãe. Enquanto estava no Chalé Londesborough perto de Scarborough, North Yorkshire, o príncipe pegou febre tifoide, a doença que acreditava-se que tinha matado seu pai. Houve uma grande preocupação nacional e um dos convidados, lorde George Stanhope, 7.º Conde de Chesterfield, morreu. A recuperação de Eduardo causou um enorme alívio. Celebrações públicas incluíram a composição de "Festival Te Deum", de Arthur Sullivan. O príncipe era amigo de políticos de todos os partidos, incluindo republicanos, e dessa forma dissipou quaisquer sentimentos residuais contra ele. Lorde Archibald Primrose, 5.º Conde de Rosebery e secretário de assuntos estrangeiros, começou em 1886 a enviar a Eduardo documentos de seu ministério, e a partir de 1892 alguns documentos do gabinete eram abertos por ele.
Ascensão
Vitória morreu em 22 de janeiro de 1901 e Eduardo se tornou rei do Reino Unido, Imperador da Índia e, como inovação, dos Domínios Britânicos de Além-mar. Ele escolheu reinar como Eduardo VII em vez de Alberto Eduardo – o nome que sua mãe queria que usasse, declarando que não desejava "subestimar o nome de Alberto" e diminuir a posição de seu pai com quem o "nome deve permanecer sozinho". O numeral VII era ocasionalmente omitido na Escócia, até pela igreja nacional, em defesa dos protestos que os Eduardos anteriores eram reis ingleses que haviam "sido excluídos da Escócia pela batalha". J. B. Priestley lembra que "Eu era apenas uma criança quando em 1901 ele sucedeu Vitória, porém posso testemunhar sua extraordinária popularidade. Ele foi na verdade o rei mais popular que a Inglaterra viu desde o início dos anos 1660".
"Tio da Europa"
Como rei, os principais interesses de Eduardo eram assuntos estrangeiros e questões militares e navais. Fluente em francês e alemão, ele fez várias visitas internacionais e passava férias anuais em Biarritz e Mariánské Lázně. Uma de suas mais importantes viagens foi uma visita oficial a França em 1903 como convidado do presidente Émile Loubet. Depois de uma visita ao Papa Leão XIII em Roma, esta viagem ajudou a criar uma atmosfera de uma Entente Cordiale anglo-francesa e um acordo delineando as colônias britânicas e francesas no Norte da África, além de descartar completamente qualquer guerra futura entre os dois países. A Entente foi negociada entre Théophile Delcassé, ministro estrangeiro francês, e lorde Lansdowne. Ela foi assinada em Londres no dia 8 de abril de 1904 por Lansdowne e o embaixador francês Paul Cambon, marcando o fim de séculos de rivalidade e o isolamento do Reino Unido de assuntos continentais, tentando também contrabalancear o crescente domínio do Império Alemão e seu aliado, o Império Austro Húngaro.
Opiniões políticas
Eduardo envolvia-se bastante em discussões sobre reformas militares, cuja necessidade ficou aparente após as várias falhas na Segunda Guerra dos Bôeres. Ele apoiava uma mudança no comando do exército, a criação de uma força territorial e a decisão de enviar uma força expedicionária à França em caso de guerra contra a Alemanha. Reformas na Marinha Real também foram sugeridas, parcialmente devido as sempre crescentes estimativas orçamentárias e porque a Kaiserliche Marine estava emergindo como uma nova ameaça estratégica. No final, uma disputa apareceu entre o almirante lorde Charles Beresford, a favor de um aumento de gastos e uma implantação mais ampla, e o Primeiro Lorde do Mar almirante sir John Arbuthnot Fisher, a favor de economias eficientes, desmantelamento de navios obsoletos e o realinhamento estratégico da marinha para se apoiar em torpedeiros para defesa da Grã-Bretanha com o apoio dos novos couraçados.
Crise constitucional
Eduardo se envolveu no último ano de sua vida em uma crise constitucional quando a maioria conservadora da Câmara dos Lordes se recusou a aprovar o "Orçamento do Povo" proposto pelo governo liberal do primeiro-ministro Asquith. A crise posteriormente levou – após a morte de Eduardo – à retirada do direito dos lordes de vetarem legislações. O rei ficou insatisfeito com os ataques dos liberais aos pariatos, que incluíram um discurso polêmico por David Lloyd George em Limehouse. O ministro Winston Churchill publicamente exigiu uma eleição geral, ação que fez com Asquith pedisse desculpas ao conselheiro do rei, Francis Knollys, 1.º Visconde Knollys, e repreendesse Churchill em uma reunião de gabinete. Eduardo estava tão depressivo com o tom da luta de classes – apesar de Asquith lhe falar que o rancor dos partidos havia sido pior no Projeto de Lei do Governo da Irlanda em 1886 – que apresentou seu filho como "o último Rei da Inglaterra" a Richard Haldane, Secretário de Estado para a Guerra. Depois de seu cavalo Minoru ter vencido o Derby em 26 de julho de 1909, ele voltou para a pista no dia seguinte, rindo quando alguém gritou: "Agora, Rei. Você venceu o Derby. Volte para casa e dissolva esse maldito parlamento!".
Morte
Eduardo costumava fumar por volta de vinte cigarros e doze charutos por dia. Um carcinoma basocelular, uma espécie de câncer afetando a pele perto do nariz, foi curada em 1907 com rádio. Ao final da vida ele sofreu cada vez mais de bronquite. Eduardo sofreu de uma momentânea perda de consciência durante uma visita a Berlim em fevereiro de 1909. O rei estava em Biarritz em março de 1910 quando desmaiou. Ele permaneceu por lá para convalescer enquanto Asquith tentava em Londres lidar com a crise constitucional do orçamento. Sua saúde ruim não foi relatada e Eduardo acabou criticado pela imprensa britânica por ficar na França enquanto as tensões estavam altas no parlamento.
Como rei, Eduardo mostrou-se um sucesso muito maior que o esperado, porém já era um homem velho e teve pouco tempo para realizar seu papel. Em seu curto reinado, garantiu que seu filho e herdeiro, Jorge V, estivesse mais bem preparado para assumir o trono. Contemporâneos descreveram a relação dos dois mais como irmãos afetuosos do que pai e filho, com Jorge escrevendo em seu diário após a morte do pai que havia perdido seu "melhor amigo e o melhor dos pais ... Nunca tive uma discussão com ele em minha vida. Estou de coração partido e tomado pela dor". Eduardo foi enaltecido como "O Pacificador", porém temia que seu sobrinho o imperador Guilherme II da Alemanha levasse a Europa para a guerra. A Primeira Guerra Mundial acabou começando quatro anos depois de sua morte. As reformas navais que havia apoiado e seu papel em garantir a Tríplice Entente entre Reino Unido, França e Rússia, além de suas relações com seus familiares, aumentaram a paranoia de Guilherme que acabou culpando o tio pelo conflito. O autor Sidney Lee adiou a publicação da biografia oficial de Eduardo por temer que propagandistas alemães selecionassem materiais para representar o rei como um antialemão belicista. Lee também foi prejudicado pela grande destruição dos documentos pessoais de Eduardo; o rei havia deixado ordens para que todos os seus papéis fossem queimados após sua morte. Biógrafos subsequentes conseguiram construir uma visão melhor dele ao usarem materiais e fontes indisponíveis para Lee.
Títulos e estilos
Como rei seu título completo era: Eduardo VII, pela Graça de Deus, do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, e dos Domínios Britânicos de Além-mar, Rei, Defensor da Fé, Imperador da Índia.
Brasões
Como Príncipe de Gales, Eduardo usava o brasão real de armas do Reino Unido diferenciado por um lambel argento de três pés e um escudo interior com o brasão da Saxônia, representando seu pai. Como rei, ele possuía as armas reais de sua mãe sem diferenciação. Esquatrelado: I e IV goles, três leões passant guardant or em pala (pela Inglaterra); II or, um leão rampant dentro de um tressure flory-contra-flory goles (pela Escócia); III Azure, uma harpa or com cordas argento (pela Irlanda).


