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Economia da Tunísia

A Tunísia está em um processo de reforma econômica e liberalização após décadas de participação do estado na economia. Prudência econômica e planejamento fiscal resultaram em um crescimento acelerado durante uma década.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/07/2026
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História

Nacionalizações (1956-1961)

À data da proclamação da independência, em 1956, o país não tinha os ativos dos seus vizinhos do norte de África: tinha poucas terras agrícolas produtivas, infraestrutura portuária precária, mercado interno pouco dinâmico, poupanças baixas e desfalcadas pela emigração da população de origem europeia e elevado desemprego.:11-12 A taxa de crescimento anual 4,7% nos anos anteriores, de 1950 a 1954, cai para 2,8% nos primeiros anos de autonomia, até 1960.:22 A prioridade estabelecida pelo novo Presidente da República da Tunísia, Habib Bourguiba foi libertar a economia do controle francês, que tinha favorecido a agricultura e de extração mineral, mas tinha negligenciado a industrialização, sendo a Tunísia o país menos industrializado do Magrebe.:94 Entre 1956 e 1960 quase todos os funcionários franceses que trabalham na administração pública foram repatriados.

A experiência socialista (1961-1969)

No início dos anos 1960, os fosfatos produzidos na região de Gafsa - de baixo teor em ácido fosfórico necessitando de transformação em superfosfatos - e o azeite constituíam as principais fontes de receita externa. As receitas do turismo eram praticamente inexistentes, com apenas 52.700 visitantes estrangeiros em 1962:13-14. O único grande projeto industrial do país, as indústrias químicas em Gabès, seriam o polo de desenvolvimento do sul do país antes do advento do turismo.:49 Neste contexto, a importância crescente da União Geral de Trabalhadores da Tunísia (UGTT) nas decisões econômicas pela ação do seu Secretário Geral, Ahmed Ben Salah, conduz o país para a adoção de medidas coletivistas na economia. Em 1961, os políticos optam por esta nova estratégia e começar a ampliar o controle estatal sobre todas as áreas da economia. Essa mudança é marcada por duas importantes decisões tomadas durante este período: A primeira é a criação de um Ministério do Planejamento, ao qual são agregados os Ministérios da Economia, Finanças, Agricultura, Comércio e Indústria.:52 Ben Salah toma assim a direção e controle de toda política econômica, com a assistência de uma equipa de jovens economistas, incluindo Mansour Moalla. A segunda é a adoção de um plano comum de desenvolvimento mais a dez anos (1962 - 1971), que é baseado nas resoluções do Congresso da UGTT de 1956. Os principais objectivos deste plano são a "descolonização econômica", a melhoria do nível de vida da população, a redução da dependência de capitais externos (e, assim, uma maior autossuficiência) e a criação de um mercado nacional. Esta fase testemunha a aceleração da coletivização, em especial no sector agrícola. Em maio de 1964, a Assembleia Nacional decreta a expropriação das terras propriedade de estrangeiros - pertencendo principalmente a famílias francesas e italianas, para estabelecer 300 cooperativas agrícolas estatais.

O capitalismo sob controle (1970-1981)

A experiência cooperativa dura até setembro de 1969, quando Habib Bourguiba suspende Ben Salah das suas funções na sequência de um relatório do Banco Mundial sobre o défice das empresas públicas:103 e das pressões da ala pragmática do partido. As cooperativas serão mantidas até março de 1970, e o movimento gera uma série de iniciativas industriais, lança a implantação do turismo através da Sociedade hoteleira turística e de transportes.:18 Com a chegada de Hedi Nouira, pragmático governador do Banco Central, hostil ao coletivismo:53, ao Ministério da Economia e depois ao Primeiro-Ministro, a Tunísia reorienta-se na direção da economia de mercado e da propriedade privada. Com o apoio financeiro da Sociedade bancária tunisina de Abdelaziz Mathari:53-54 o novo governo incentiva a retirada do estado do setor industrial, abrindo-a ao investimento privado. Nouira procede também à fundação de novas instituições com a finalidade de promover o setor privado, como a Agência de Promoção da indústria, com o objectivo de simplificar, modernizar e racionalizar a política industrial.

Crise económica (1982 - 1986)

Neste período a Tunísia está muito dependente das receitas do petróleo e está penalizada pela sua dívida externa, que agrava as finanças públicas que até esse momento asseguram o subsidiamento dos preços. Além disso, não tem uma base produtiva suficiente para conseguir absorver o excedente de trabalhadores e exportar uma gama de produtos diversificada e competitiva. A falta de investimento governamental em infraestruturas limita o crescimento e o desencoraja os investidores. Por isso, o VIº plano de desenvolvimento, que começa em 1982, é concebido para introduzir os ajustamentos económicos necessários para preparar a Tunísia para um período marcado pela queda das receitas do petróleo. O investimento dirige-se principalmente para as indústrias não petrolíferas. Além disso, a dívida externa e a balança de pagamento são rigorosamente controladas, o investimento público é reduzido, e o consumo é submetido a medidas restritivas através do congelamento dos salários e de restrições adicionais às importações. Apesar disso, a maioria dos objetivos do plano não são conseguidos: o crescimento da Produto Interno Bruto (PIB) continua abaixo dos 3%, o défice da conta corrente eleva-se para 7,8% do PIB, e a dívida externa sobe para 56% do PIB. Além disso, entre 1985 e 1986 os preço do petróleo recuam, uma série de secas que afectam o país e os salários dos trabalhadores diminui. Em 1986, a Tunísia enfrentando o seu primeiro ano de crescimento negativo desde a independência. A agitação social aumenta dramaticamente durante este período e a União Geral de Trabalhadores da Tunísia, que critica abertamente a política econômica adotada pelo governo, organiza uma série de greves e manifestações contra o aumento do desemprego e a política salarial. Para lidar com a situação, o presidente Bourguiba nomeia Rachid Sfar primeiro-ministro, negociou o primeiro programa nacional de ajustamento económico, o Plan d'ajustement structurel (PAS) e, finalmente reconhece a realidade da crise que se traduz no agravamento da situação económica e financeira. Em 1986 o governo oficializa o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a execução do PAS formalizando um acordo sobre um programa de relançamento da economia por um período de 18 meses. Em 1988 chega a acordo para utilizar fundos por um período de mais três anos. Depois disso, o período de empréstimo foi prorrogado por diversas vezes até que 1992, destacando a confiança do FMI na capacidade do governo para implementar as reformas estruturais da economia. Um dos objetivos da PAS é a transferência total ou parcial de certos serviços públicos para os bancos e grupos privados.

Liberalização da economia (1987-1995)

A estratégia do programa é implementada nos VII e VIII e planos de desenvolvimento. O primeiro plano é desenvolvido com a colaboração do FMI e Banco Mundial. Pretende alcançar a estabilidade macroeconômica e introduzir as medidas iniciais para uma liberalização estrutural, ao mesmo tempo que reduzia a dependência das exportações de petróleo. Os resultados não foram estáveis devido à vulnerabilidade da agricultura e aos efeitos da Guerra do Golfo (1990-1991). No entanto, pode-se considerar que o plano teve um relativo sucesso: os grandes desequilíbrios internos e externos são controlados, a dívida externa fica com níveis razoáveis e é conseguido um crescimento médio do PIB na ordem dos 4,3%.

Novo desenvolvimento da economia (1995)

O novo desenvolvimento da Tunísia ocorreu a partir do regresso de medidas protecionistas, do forte reinvestimento em infraestruturas e na qualificação da mão de obra. A Tunísia é um país pequeno mas com um IDH (índice de desenvolvimento humano) alto.

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Estrutura econômica

Em 2009, o produto interno bruto (PIB) atingiu 48.972 milhões de dinares tunisinos, um aumento de 3% em relação a 2008. Quanto à população ativa, chegou às 3,593 milhões de pessoas, mas a população total empregada foi de 3,085 milhões de pessoas, sendo 30% destes preenchidos por mulheres, o dobro do nível de 1980.:75-76 De acordo com os dados oficiais, a desagregação por setor de atividade é a seguinte:

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Comércio exterior

Em 2020, o país foi o 77º maior exportador do mundo (US $ 15,1 bilhões em mercadorias, 0,1% do total mundial). Na soma de bens e serviços exportados, chega a US $ 19,4 bilhões, ficando em 80º lugar mundial. Já nas importações, em 2019, foi o 76º maior importador do mundo: US $ 18,4 bilhões.

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Setor primário

Agricultura e Pesca

Além de produções menores de outros produtos agrícolas. Na pecuária, em 2019, a Tunísia produziu 1,4 bilhão de litros de leite de vaca, 144 mil toneladas de carne de frango, 55 mil toneladas de carne bovina, 51 mil toneladas de carne de cordeiro, entre outros. Nos últimos anos do protetorado francês, a agricultura representava ainda 29 % da atividade econômica total, mas caiu para 22 % com a nacionalização dos 850 mil hectares cultivados por colonos e empresas francesas.:28 Apesar da queda constante do peso da agricultura no PIB, registou taxas de crescimento significativas, especialmente durante a década de 1970 com cerca de 8% ano ano.:28, permitindo ao país atingir um nível de segurança dos alimentos suficiente. Este desempenho é o resultado de um esforço significativo de apoio e modernização realizado através de uma política de desenvolvimento e regulação das actividades agrícolas e rurais de (crédito do Banco Nacional da Agricultura, assistência técnica e salário mínimo) e demanda impulsionada pelo aumento da procura (aumento da população e aumento da renda).:30

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Setor secundário

Indústria

O Banco Mundial lista os principais países produtores a cada ano, com base no valor total da produção. Pela lista de 2019, a Tunísia tinha a 84ª indústria mais valiosa do mundo (US $ 5,7 bilhões). Em 2019, a Tunísia quase não produzia veículos e não produzia aço. O país foi o 3º maior produtor mundial de azeite de oliva em 2018. A Tunísia é um dos poucos países no mundo em desenvolvimento que aproveitaram a onda de atividades de reabilitação Norte-Sul criando as infraestruturas necessárias e estabelecer a sua reputação em termos de prazos e qualidade. De fato, em 1950, o tecido industrial é quase inexistente e os produtos que vêm de França, pagando uma tarifa baixa ou nenhuma produção local impedida de se desenvolver.

Energia

Nas energias não-renováveis, em 2020, o país era o 62º maior produtor de petróleo do mundo, 30,7 mil barris/dia. Em 2011, o país consumia 88,3 mil barris/dia (81º maior consumidor do mundo). O país foi o 68º maior importador de petróleo do mundo em 2012 (22,1 mil barris/dia). Em 2015, a Tunísia era o 60º maior produtor mundial de gás natural, 1,5 bilhões de m³ ao ano. O país não produz carvão. Nas energias renováveis, em 2020, a Tunísia era o 60º maior produtor de energia eólica do mundo, com 0,2 GW de potência instalada, e não produzia energia solar.

Mineração

Em 2019, o país era o 10º maior produtor mundial de fosfato.

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Setor terciário

Turismo

Em 2018, a Tunísia foi o 39º país mais visitado do mundo, com 8,3 milhões de turistas internacionais. As receitas do turismo, neste ano, foram de US $ 1,7 bilhões.

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