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Ecolinguística

A Ecolinguística tem sido definida como sendo “o ramo das ciências da linguagem que se preocupa com o aspecto das interações, sejam elas entre duas línguas individuais, entre falantes e grupos de falantes, ou entre língua e mundo, e que intervém a favor de uma diversidade das manifestações e relações para a manutenção do pequeno".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Breve histórico

Associação entre língua e mundo ou entre língua e meio ambiente

As ideias que levaram ao que hoje é conhecido como Ecolinguística começaram já entre os gregos, com Heráclito (aprox. 540 a.C. - 470 a.C.) e Sócrates (aprox. 469 a.C. - 399 a.C), entre outros. Embora nenhum dos dois tenha falado de língua diretamente, na filosofia de ambos a essência da língua estaria na interação comunicativa, não no sistema. Pulando vários séculos, podemos ir para Wilhelm von Humboldt (1767-1835), cujas ideias são amplamente compatíveis com as da atual disciplina, sobretudo a íntima vinculação que faz de língua com seus falantes e a afirmação de que a língua é atividade (Tätigkeit, enérgeia), não algo feito, estático (Werk, érgon). Mas, um dos autores que anteciparam de modo direto a questão das interações entre língua e mundo, ou meio ambiente, foi Edward Sapir (1912), no início do século XX. Ele distingue meio ambiente social e meio ambiente natural, defendendo a tese de que qualquer influência do meio ambiente físico sobre a língua é filtrada pelo social, sobretudo por intermédio do vocabulário que, em sua opinião é o setor da língua que mais diretamente reflete o meio ambiente de determinado povo. Mas, é em Voegelin & Voegelin (1964, p. 2) que se adotou pela primeira vez “a ampla perspectiva da ecologia linguística”, pois “na ecologia linguística começa-se não com uma língua particular mas com uma área particular, não com atenção seletiva em poucas línguas mas com atenção abrangente em todas as línguas de uma área”.

O nascimento da Ecolinguística

Até aqui vimos um pequeno histórico da ideia de associar “língua e mundo”, “língua e meio ambiente”, “língua e ecologia”, bem antes do surgimento da palavra “ecolinguística” que, ao que se sabe, teria sido usada pela primeira vez por Einar Haugen, oralmente, em uma conversa com Adam Makkai em 1972. O primeiro registro que se tem dela por escrito, no entanto, se deu em Marcellesi (1975). No ano seguinte ela apareceu de novo em Gobard (1976), que acrescentou que o linguista aplicado Joe D. Palmer teria usado o termo em 1974, sem citar fontes. Aparentemente quem primeiro fundiu a “ideia de ecolinguística” com a palavra “ecolinguística” foi o psicolinguista Salzinger (1979). Ele certamente ignorava os usos anteriores do termo, pois asseverou que estava propondo um novo termo para designar o que ele e os psicolinguistas behavioristas em geral faziam de modo um tanto mecânico. Embora este ensaio venha sendo ignorado pelos ecolinguistas, é uma boa referência para se entender a Ecolinguística atual. No seu livro L’homme de paroles, (Paris: Fayard, 1985, p. 328), Claude Hagège disse, de passagem, que "uma futura ecolinguística deveria estudar o modo pelo qual são integradas na língua referências 'naturais' culturalizadas, tais como pontos cardeais, particularidades geográficas, habitações humanas, elementos cósmicos". Como Sapir, ele viu o objeto de uma Ecolinguística que ainda não existia na relação língua-mundo, ou seja, no lado descritivo, referencial da língua.

Consolidação da Ecolinguística

A consolidação da Ecolinguística como disciplina acadêmica começa para valer com Fill (1993) e Makkai (1993). O livro de Fill é o primeiro manual de introdução à Ecolinguística. Apesar de ter sido publicado no início da década de noventa do século passado, ainda pode ser usado como obra de referência em cursos de Ecolinguística. O de Makkai é uma coletânea de artigos publicados esparsamente, tratando de assuntos os mais diversos e combinando a teoria da Linguística Estratificacional (agora “Linguística Neurocognitiva”), proposta inicialmente por Sydney M. Lamb, com ideias da Ecologia. Contrariamente à Gramática Gerativa de Noam Chomsky, contemporâneo de Lamb, a Linguística Neurocognitiva vê o que se chama de “estrutura” como redes de relações (relational networks) (MAKKAI, 1993; LAMB, 1999). O livro de Makkai contém desde interpretações de poemas e de ensaios sobre tradução até análise de fenômenos sintáticos, morfológicos e fonológicos. Já é uma tentativa de olhar para os fenômenos da linguagem de uma perspectiva holística, embora não tão completamente como faz a Linguística Ecossistêmica (Couto 2015).

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Algumas tendências teóricas e alguns grupos de Ecolinguística pelo mundo

Teorias

Embora seja uma disciplina relativamente jovem, a Ecolinguística já apresenta algumas ramificações teóricas. Uma das mais antigas é a Linguística Dialética ou Ecolinguística Dialética, de Odense (Dinamarca). Ela vê a língua basicamente como interação, apresentando três dimensões: bio-lógica, ideo-lógica e sócio-lógica. Ela se dedica não apenas à exoecologia da língua, mas também à sua endoecologia (Bang & Døør 2007). O que se faz sob a rubrica Ecolinguística Crítica tem muito a ver com a Análise do Discurso Crítica, sobretudo nos estudos sobre questões ambientais e de defesa dos grupos minorizados. Alguns autores falam em Análise do Discurso Ecológica, embora não haja um grupo específico de praticantes (Alexander & Stibbe 2014). A Ecologia das Línguas, já praticada pelos pioneiros Voegelin & Voegelin (1964) e Haugen (1972), tem muitos representantes inclusive entre os sociolinguistas. A Linguística Ecossistêmica teve início no eixo Brasília-Goiânia, mas hoje está se difundindo por todo o Brasil e até outros países da América Latina. Como parte dela existe a Análise do Discurso Ecossistêmica e a Etnoecologia Linguística (Couto 2007, p. 219-280).

Grupos de ecolinguistas

Em termos cronológicos, o grupo de Odense vem em primeiro lugar, pois ele existe como Linguística Dialética desde pelo menos a década de oitenta do século passado, tendo como líderes o linguista Jørgen Bang e o filósofo Jørgen Døør. Um dos discípulos que tem se destacado é Sune Vork Steffensen, que tem promovido diversos eventos de caráter ecolinguístico. Poderíamos dizer que, guardadas as devidas proporções, a Dinamarca é onde se concentra o maior número de ecolinguistas. Um segundo grupo de ecolinguistas de grande importância é indubitavelmente o de Graz, Áustria, em torno de Alwin Fill, com a colaboração de Hermine Penz. É desse grupo que têm saído diversos livros coletivos e é nele que se têm organizado muitos eventos de natureza ecolinguística. Um outro importante grupo é o que se congrega em torno de Arran Stibbe, na University of Gloucestershire, Cheltenham, Reino Unido. Essa universidade sedia a International Ecolinguistics Association-IEA (http://ecolinguistics-association.org/), maior site de Ecolinguística do mundo. O site contém a revista online Language & Ecology, desde o início do ano 2000, um curso de Ecolinguística gratuito online e uma lista de discussão com cerca de mil membros do mundo inteiro. No Brasil, o grupo centrado na Universidade de Brasília e na Universidade Federal de Goiás, Goiânia, apresenta diversas atividades. Na UFG, as atividades se dão em torno do Núcleo de Estudos de Ecolinguística e Imaginário (NELIM). Na Universidade de Brasília existem o site “Ecolinguística: Linguística Ecossistêmica” (http://www.ecoling.unb.br/), com diversas seções, inclusive uma de ebooks, uma de textos ecolinguísticos em espanhol e muitas outras informações. A universidade hospeda também Ecolinguística: revista brasileira de ecolinguística (ECO-REBEL) (http://periodicos.unb.br/index.php/erbel/) com dez volumes publicados até final de 2019. Recentemente foi fundado na UnB o Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguística Ecossistêmica (GEPLE). Na Università degli Studi di Udine, Itália, há um grupo de ecolinguistas liderado por Maria Bortoluzzi, que tem publicado dossiês em Language & Ecology da IEA. Um dos grupos mais recentes encontra-se na South China Agricultural University, em Guangzhou, China, sob a liderança de Huang Guowen. Aí existe o primeiro Centro de Ecolinguística como parte da organização acadêmica de uma universidade. Esse grupo já promoveu três encontros locais de ecolinguística, sendo o primeiro em 2016 e o terceiro em 2018. Esses encontros são precursores do ICE-4 (International Conference on Ecolinguistics), realizado em Odense em 2019. Em Barcelona, Catalunha, existe um grupo de investigadores de Ecologia das Línguas, com ênfase nas difíceis relações entre o catalão nativo e o castelhano vindo de fora. Enfim, hoje em dia existem muitos ecolinguistas no Irã, na Indonésia, nos países do Leste Europeu e em muitos outros países.

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Algumas fontes de pesquisa disponíveis na internet

O site mais antigo é “Ecolinguistics” (http://www-gewi.uni-graz.at/ecoling/), baseado em Graz, Áustria, organizado por Alwin Fill. Em seguida vem o de Cheltenham (http://ecolinguistics-association.org/) e o de Brasília (http://www.ecoling.unb.br/). Em termos de publicações existem Language & Ecology, do site de Cheltenham, e ECO-REBEL (http://periodicos.unb.br/index.php/erbel/). Por fim, relacionados ao Grupo de Brasília existem três blogs com textos ecolinguísticos. São eles: 1) http://meioambienteelinguagem.blogspot.com/ (com 27 textos, em português); 2) http://aarvinha.blogspot.com (com 6 textos em português); 3) http://ecosystemic-linguistics.blogspot.com/ (com 7 textos em inglês).

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Eventos

Existem pelo menos quatro eventos ecolinguísticos anuais ou bienais. O I Encontro Brasileiro de Ecolinguística (I EBE) foi realizado em 2012 na Universidade de Brasília e, em 2018, realizou-se o IV EBE na Universidade Federal do Ceará. Uma seleção de trabalhos do primeiro está em Cadernos de linguagem e sociedade v. 14, n. 1, 2013 (http://periodicos.unb.br/index.php/les/issue/view/717); os trabalhos do segundo estão publicados em Revista de letras v. 2, n. 37, 2018 (http://www.periodicos.ufc.br/revletras/issue/view/796). Em 2013, realizou-se na UFG o I Encontro Brasileiro de Imaginário e Ecolinguística (I EBIME), com apresentações na área de antropologia do imaginário de Gilbert Durand e na de Ecolinguística. O IV EBIME se deu na mesma universidade, em 2019. Para detalhes sobre os encontros do EBIME e do EBE, pode-se consultar a seção Eventos do site de Ecolinguística (http://www.ecoling.unb.br/), onde se encontram todos os cadernos de resumo. Quanto a eventos internacionais, temos os que foram realizados em Graz, Áustria, como Ecolinguiticum em 2015, precedido de vários outros. Na China, teve lugar o The First Symposium on Ecolinguistics, Guangzhou, 2016, e o segundo em 2017. Em 2018, ele passou a se chamar The 3rd International Conference on Ecolinguistics. O 4th International Conference on Ecolinguistics aconteceu em Odense, em 2019, tendo os encontros nacionais da China continuado, como encontros locais.

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Fontes consultadas

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