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Ecletismo no Brasil

O ecletismo no Brasil é definido pela mistura de estilos do passado, característico na arquitetura da segunda metade do século XIX e que perdurou até as primeiras décadas do século XX no Brasil. Além de mesclar diferentes estilos estéticos históricos, a arquitetura eclética também se caracterizou pela simetria, grandiosidade, rigorosa hierarquização dos espaços internos e riqueza decorativa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
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Chegada do Ecletismo no Brasil

O Ecletismo aportou no Brasil como resultado da influência cultural direta das políticas européias. Porém como aqui ainda o processo de industrialização era embrionário, a maior parte dos materiais e das técnicas empregadas eram importadas. A transição do Neoclassicismo para o Ecletismo ocorreu de forma gradual, até meados dos anos de 1870, os edifícios eram construídos seguindo as características neoclássicas. A partir dessa época, o Ecletismo começou a prevalecer sobre os outros estilos. Com relação ao contexto histórico, o ecletismo surgiu em meio a transformação do Brasil Império em Brasil República. Isso facilitou sua difusão, pois coincidiu com o anseio em negar o passado português e criar novas referências culturais. Era também o auge do café. Além disso, com a abolição da escravidão e imigração européia, os centros urbanos testemunharam um crescimento, levando à transformações e a expansão das cidades.

Ecletismo no Rio de Janeiro

Foi incentivado pelo engenheiro Francisco Pereira Passos, que entre 1902 e 1906 foi prefeito da então capital federal. Francisco Pereira Passos empreendeu uma reforma urbanística, derrubando antigas construções do período colonial para dar passagem à moderna avenida Central, atualmente conhecida como avenida Rio Branco, e à avenida Beira-Mar. Também destaca-se neste período, o engenheiro militar Souza Aguiar. Alguns exemplares da arquitetura eclética no Rio de Janeiro:

Ecletismo em São Paulo

À época, São Paulo ainda ocupava uma posição menos relevante com relação ao Rio de Janeiro, porém as obras ecléticas foram muitas e até mais diversas em suas características se comparadas ao Rio de Janeiro. Teve mais traços influenciados pela arquitetura italiana assim como nas residências particulares, foram construídos exemplares mais exóticos, alguns mesmos bizarros, seguindo as solicitações de uma nova classe de imigrantes ricos e de prósperos fazendeiros de café. O arquiteto italiano Tommazio Bezzi foi responsável pelo primeiro monumento do novo movimento arquitetônico, o Museu Paulista (também conhecido como Museu do Ipiranga). Outro engenheiro-arquiteto de forte atuação foi Ramos de Azevedo, que construiu desde edifícios públicos até residenciais.

Ecletismo em Recife

O Ecletismo no Recife prolongou-se até 1930, e como nas outras regiões do país, também representava um novo estilo de vida associado à burguesia emergente. Um outro movimento em paralelo também ocorreu neste período, o Revivalismo, mas como as diferenças entre eles são tênues, alguns historiadores consideram o Revivalismo como parte do Ecletismo. Basicamente a diferença era que o Revivalismo procurava uma reprodução mais fiel dos modelos antigos, já no ecletismo a composição era completamente nova e fantasiosa. Exemplos da arquitetura eclética em Recife:

Ecletismo em Curitiba

O Ecletismo em Curitiba teve início com a construção do Paço da Assembleia e construídos até 1930, em diversas localidades estratégicas, permitindo que a imponência seja vista e faça parte do dia a dia da população. Alguns exemplares do ecletismo em Curitiba:

Ecletismo em Porto Alegre

O Ecletismo predominou durante o período de 1880 até 1930. Devido sua multiplicidade de características arquitetônica, diferenciou-se bastante dos estilos anteriores, a arquitetura colonial portuguesa (até 1822) e neoclassicismo (período imperial) que eram mais homogêneos. Vários exemplares da arquitetura eclética podem ser vistas na avenida Independência. Alguns exemplares do ecletismo em Porto Alegre:

Ecletismo em Belo Horizonte

Das referências do Ecletismo, o mais predominante na capital mineira foi o Neoclássico. Praticamente a maioria dos prédios antigos erguidos na Praça da Liberdade fazem parte da arquitetura eclética. Alguns exemplos da arquitetura eclética em Belo Horizonte:

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Arquitetos do Ecletismo no Brasil

Destacam-se na arquitetura eclética do Brasil:

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Características do Ecletismo no Brasil

O Ecletismo caracterizou-se por sua simetria, busca da grandiosidade e excessiva decoração, com fachadas ornamentadas Quanto às características arquitetônicas, o Ecletismo se caracterizou, de modo geral, pela simetria, busca da grandiosidade e riqueza decorativa, com fachadas bastante ornamentadas, com esquinas mais arredondadas, presença de colunas, importação de elementos para construção(por exemplo, o ferro) e destaque para a proporção. Com sua origem ligada às revoluções industriais na Europa e nos Estados Unidos e com os progressos na engenharia, também incorpora no rol de suas características o uso do aço, do vidro, do ferro forjado e do vidro laminado.

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Valorização do Ecletismo no Brasil

Durante muito tempo foi desvalorizada, até mesmo pelos órgãos oficiais como o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Até a década de 1980 e 1990, existia um preconceito com relação a esta arquitetura. Foi duramente criticado pelos primeiros arquitetos modernistas, que preconizava a limpeza das formas, a funcionalidade, vidros nas fachadas para aproveitar a iluminação natural e as telhas deram lugar para as lajes de concreto armado. Os primeiros planos em defesa de preservar um patrimônio artístico histórico foi divulgada por um modernista suíço, o poeta Blaise Cendrans (que frequentava a Villa Kyrial) e tinha contato com os intelectuais da semana modernista de 22 em São Paulo. Porém os modernistas tinha uma visão muito nacionalista em que era valorizado somente o que estava associado à tradição e passado verde-amarelo. Com isso, o ecletismo (a ponte entre o período do Brasil colônia e a modernidade) foi ignorado uma vez que era influenciado pela cultura européia e norte-americana.

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Visões do Ecletismo

Perspectiva de Acquarone

Segundo Francisco Acquarone, ele interpreta o ecletismo como o abandono da arquitetura colonial em favor de uma arquitetura "horrível", segundo opinião de Acquarone, com casas de platibandas ornadas, outras similares à fortalezas medievais, quando não, com cúpulas parecidas da igreja de São Pedro em Roma. Sua crítica focava mais na visão de superfície, nos valores formais.

Perspectiva de Pevsner

A visão de Nikolaus Pevsner é focada na questão sociológica, onde uma classe de novos ricos com anseio de status, que não possuem a cultura aristocrática do século anterior. Além disso, ele detecta o início do ecletismo influenciado pelo Iluminismo, com sua postura investigativa, sua vontade de rever os estilos do passado sob à forma de pensar do presente. Isso ocasionará a multiplicidade de características na arquitetura do século seguinte.

Perspectiva de Argan

Já para o historiador Giulio Argan, o retorno, a revisão do passado é um processo similar ao ritmo da moda, seguindo as regras do consumo da produção industrial e incorporando os materiais surgidos da era da industrialização a uma arquitetura fantasiosa.

Perspectiva de Mignon

Mignon por sua vez, concorda com o tema dos arquitetos experimentarem os novos materiais nas edificações, porém complementa que é uma unificação dos valores arquitetônicos do passado com as necessidades da vida contemporânea.

Perspectiva de Belcher

John Belcher ressalta o ecletismo como uma forma de teatralizar , representar a vida. Justifica este argumento, citando como o ecletismo é mais notável nas fachadas, e que é através dela que o morador da residência se expõe ao mundo exterior, uma forma de apresentar seu status.

Perspectiva de Griseri e Gabetti

Griseri e Gabetti analisam o ecletismo como consequência de diferentes contextos:

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Fontes consultadas

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