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Protestos pró-Palestina nos campi universitários em 2024

Os protestos pró-Palestina nos campi universitários intensificaram-se em abril de 2024, espalhando-se nos Estados Unidos e em outros países, como parte de um movimento mais amplo de manifestações contra a guerra em Gaza [en] que se estenderam até o verão. A escalada começou em 18 de abril, após prisões em massa durante a ocupação do campus da Universidade Columbia [en], liderada por grupos antissionistas, que exigiam o desinvestimento da universidade em Israel [en] devido ao Genocídio em Gaza. Nos EUA, mais de 3.100 manifestantes foram detidos, incluindo professores e funcionários, em mais de 60 campi. Em 7 de maio, os protestos alcançaram a Europa, com prisões em massa nos Países Baixos [en]. Cinco dias depois, 20 acampamentos haviam sido estabelecidos no Reino Unido, assim como em universidades da Austrália e do Canadá.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/10/2026
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Contexto

Manifestações relacionadas à Guerra em Gaza, como comícios, protestos, campanhas e vigílias, ocorreram em diversas partes dos Estados Unidos desde o início do conflito, marcado pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, paralelamente a outros protestos ao redor do mundo [en]. Os manifestantes pró-palestinos criticaram a invasão de Israel, sua conduta na guerra [en] e o genocídio na Faixa de Gaza, bem como o apoio militar e diplomático dos EUA a Israel. Estudantes que ocuparam prédios administrativos foram presos a pedido de administradores universitários na Universidade Brown em novembro e dezembro de 2023, e no Pomona College em 5 de abril de 2024. Em março de 2024, após manifestantes ocuparem o escritório do presidente na Universidade Vanderbilt, a universidade suspendeu estudantes e expulsou três deles. Segundo o The New York Times, essas foram "consideradas as primeiras expulsões de estudantes por protestos relacionados ao conflito Israel-Hamas".

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Protestos em campi universitários

Até 6 de maio de 2024, protestos estudantis haviam ocorrido em 45 dos 50 estados dos Estados Unidos e no Distrito de Colúmbia, com acampamentos, ocupações, greves ou protesto sentado em quase 140 campi universitários. No Reino Unido, foram estabelecidos 34 acampamentos; na Austrália, os protestos se espalharam por várias universidades, começando pela Universidade de Sydney; e no Canadá, incluindo um acampamento na Universidade McGill [en]. Em 7 de maio, os protestos se intensificaram nos campi europeus após prisões em massa durante a ocupação do campus da Universidade de Amsterdã [en], incluindo a ocupação de prédios universitários na Universidade de Leipzig na Alemanha, na Sciences Po na França e na Universidade de Gante na Bélgica. Até 8 de maio, os protestos já haviam ocorrido em mais de 25 países, e, em 13 de maio, cerca de mil estudantes e funcionários universitários holandeses participaram de uma "Walkout".

Primeiro acampamento na Universidade de Columbia

Uma série de protestos de ocupação realizados por estudantes pró-palestinos ocorreu na Universidade de Columbia em Nova Iorque, de abril a junho de 2024, no contexto dos amplos Protestos nos Estados Unidos contra a guerra em Gaza. Os protestos tiveram início em 17 de abril de 2024, quando estudantes pró-palestinos montaram um acampamento com cerca de 50 barracas no campus, denominado Acampamento de Solidariedade a Gaza, exigindo que a universidade retirasse investimentos de Israel [en]. O primeiro acampamento foi desmontado quando a presidente da universidade, Minouche Shafik [en], autorizou a entrada do Departamento de Polícia da Cidade de Nova Iorque (NYPD) no campus em 18 de abril, resultando em prisões em massa. No dia seguinte, um novo acampamento foi erguido. A administração então iniciou negociações com os manifestantes, que fracassaram em 29 de abril, levando à suspensão dos estudantes envolvidos. No dia 30, os manifestantes invadiram e ocuparam o Hamilton Hall [en], o que resultou em uma segunda operação da NYPD, com a prisão de mais de 100 manifestantes e o desmantelamento completo do acampamento. Essas prisões marcaram a primeira vez que a Columbia permitiu a intervenção policial para reprimir protestos no campus desde as manifestações de 1968 contra a Guerra do Vietnã [en]. Em 31 de maio, um terceiro acampamento foi brevemente montado no campus em resposta a uma reunião de ex-alunos.

Expansão nos Estados Unidos

Mais de 3.100 manifestantes foram presos nos EUA, incluindo professores e funcionários, em mais de 60 campi universitários. As manifestações começaram a se espalhar pelos EUA em 22 de abril de 2024, quando estudantes de várias universidades da Costa Leste — incluindo a Universidade de Nova Iorque, a Universidade Yale, o Emerson College, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade Tufts — iniciaram ocupações de campi, enfrentando prisões em massa em Nova Iorque e Yale. Nos dias seguintes, protestos surgiram por todo o país, com acampamentos estabelecidos em mais de 40 campi. Em 25 de abril, ocorreram prisões em massa no Emerson College, na Universidade do Sul da Califórnia e na Universidade do Texas em Austin.

Exigências dos manifestantes

Muitos dos protestos envolveram estudantes exigindo que suas instituições cortassem laços financeiros com Israel e com empresas envolvidas no conflito, bem como o fim do apoio militar dos Estados Unidos a Israel, como parte do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). Alguns protestos também demandaram que as universidades rompessem laços acadêmicos com Israel, apoiassem um cessar-fogo em Gaza e divulgassem seus investimentos. As exigências dos estudantes variaram entre as diferentes ocupações, incluindo que as universidades parassem de aceitar verbas de pesquisa de Israel que apoiassem o setor militar e que os fundos de endowments deixassem de investir com gestores que lucram com entidades israelenses.

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Impacto

Fechamentos, cancelamentos e protestos em formaturas

Em abril de 2024, as ocupações levaram ao fechamento da Universidade de Columbia e da Cal Poly Humboldt pelo restante do semestre, e professores na Califórnia, Geórgia e Texas iniciaram votações de desconfiança. Columbia, Cal Poly Humboldt e a Universidade do Sul da Califórnia cancelaram suas cerimônias de formatura previstas para maio. Em 13 de maio, a Universidade de Amsterdã fechou por dois dias após novas ocupações no campus. Em maio, protestos durante cerimônias de formatura ocorreram na Universidade de Michigan, na Universidade Northeastern, na Universidade de Illinois em Chicago, na Universidade de Indiana, na Universidade da Commonwealth de Virgínia, na Universidade de Wisconsin-Madison, na Universidade da Carolina do Norte e na Universidade da Califórnia em Berkeley. Após demandas dos manifestantes, a Universidade de Vermont cancelou a participação de sua oradora na cerimônia de formatura, a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield. Em 1º de junho, estudantes realizaram uma saída coletiva durante a cerimônia de formatura da Universidade de Chicago, e saídas semelhantes ocorreram nas formaturas da Universidade de Harvard, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e em outros locais. Em abril, um grupo estudantil pró-palestino venceu as eleições para o governo estudantil da Universidade de Michigan. Em agosto, o governo estudantil votou por congelar o financiamento de clubes estudantis até que a universidade atendesse às demandas de desinvestimento dos ativistas.

Desinvestimento por universidades

Em 28 de abril, a Universidade Estadual de Portland (PSU) anunciou a suspensão de seus laços financeiros com a Boeing, incluindo doações e subsídios, devido às suas conexões com Israel. A presidente da PSU, Ann Cudd [en], escreveu em uma carta à comunidade universitária que "a paixão com que essas demandas estão sendo expressas repetidamente por alguns em nossa comunidade é motivadora". Em 6 de maio, o Trinity College Dublin, na Irlanda, concordou em encerrar seus investimentos em empresas israelenses listadas na "lista negra" do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, após a montagem de um acampamento na Praça dos Fellows. Isso incluiu três das 13 empresas israelenses nas quais o fundo de endowment da universidade havia investido.

Negociações com manifestantes

Outras universidades afirmaram que considerariam as demandas de desinvestimento relacionadas a empresas afiliadas a Israel. Algumas se comprometeram a divulgar seus investimentos e a aumentar a conscientização sobre a Palestina. Universidades que chegaram a acordos com manifestantes sobre certas demandas, para que os acampamentos fossem desmontados, incluíram a Universidade Northwestern em 29 de abril; a Universidade Brown e o Evergreen State College [en] em 30 de abril; a Universidade de Minnesota em 1º de maio; a Universidade Rutgers em 2 de maio; o Goldsmiths, Universidade de Londres [en] e a Universidade da Califórnia em Riverside [en] em 3 de maio; a Universidade Thompson Rivers em 4 de maio; e a Universidade da Califórnia em Berkeley em 14 de maio. A Universidade Wesleyan permitiu a continuidade dos acampamentos no campus, e na Universidade de Barcelona, o Senado votou por romper laços com Israel.

Greves nos campi da Califórnia

Em 15 de maio, membros do Local 4811 da United Auto Workers, o sindicato que representa 48 mil estudantes de pós-graduação em 10 campi do sistema da Universidade da Califórnia, votaram pela autorização de uma greve. A decisão foi motivada por mudanças injustas nas políticas da universidade, discriminação contra estudantes que exerciam seu direito à liberdade de expressão e a criação de um ambiente de trabalho inseguro ao permitir ataques a manifestantes. A autorização não garantia a realização da greve, mas permitia que o conselho executivo a convocasse a qualquer momento. A greve teve início na UC Santa Cruz em 20 de maio. Membros e líderes do sindicato declararam que não estavam lecionando, corrigindo provas nem fornecendo dados, e que continuariam assim até chegarem a um acordo com os administradores da universidade. A paralisação foi, em parte, um protesto contra as prisões de manifestantes pró-palestinos na UCLA, na UC Irvine e na UC San Diego. O sistema da UC reagiu buscando uma liminar contra o sindicato, declarando a paralisação ilegal. Em 23 de maio, a Comissão de Relações de Emprego Público da Califórnia [en] negou o pedido de liminar. A greve se estendeu à UCLA e à UC Davis em 28 de maio, com planos de expansão para a UC Santa Barbara, UC San Diego e UC Irvine a partir da semana de 3 de junho.

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Participantes

Organizadores e ideologias

Os participantes incluíam estudantes, professores e pessoas não afiliadas de diversas origens, incluindo judeus e muçulmanos. Ativistas pró-palestinos em Columbia afirmaram que seu movimento é antissionista, e vários protestos nos campi foram organizados por grupos antissionistas. Alguns dos protestos foram coordenados por organizações como Students for Justice in Palestine (SJP), Jewish Voice for Peace, IfNotNow e os Young Democratic Socialists of America. Segundo o The Jerusalem Post, em uma coletiva de imprensa, manifestantes em Harvard chamaram o movimento de ocupação dos campi de "intifada estudantil",[nota 5] termo que foi ecoado por manifestantes na Universidade George Washington, na Universidade Stanford, na Universidade de Indiana em Bloomington, e por palestinos em Gaza, enquanto pediam uma escalada nos protestos. Os manifestantes também identificaram uma ampla gama de ideologias que os motivavam, como antirracismo, interseccionalidade, anticolonialismo, anti-imperialismo, abolicionismo de polícia e prisões, ecossocialismo, direitos indígenas e liberdade de expressão.

"Agitadores externos"

Muitos manifestantes antissionistas usaram máscaras e keffiyehs, o que aumentou as preocupações de reitores e diretores de que pessoas externas haviam se infiltrado nos protestos. Os manifestantes expressaram temores de sofrer danos à reputação e à carreira caso fossem identificados. Houve preocupação sobre a presença de grupos externos nos protestos. Durante prisões em Nova York em 2 de maio, a polícia anunciou que quase metade dos detidos na Columbia e no CCNY não estava afiliada a nenhuma das instituições. O prefeito Eric Adams afirmou que havia evidências de que agitadores externos e "profissionais", como Lisa Fithian [en] e a esposa de Sami Al-Arian [en], forneceram aos estudantes conhecimentos táticos e treinamento para intensificar os protestos.

Infiltração

Especialistas expressaram preocupação com tentativas de grupos de extrema-direita de se infiltrar nos protestos para causar danos, bem como com as reações subsequentes de ativistas militantes de extrema-esquerda alinhados ao movimento antifascista. Avaliações de inteligência americanas concluíram que o Irã apoiou secretamente os protestos por meio de redes sociais, fazendo-se passar por estudantes e utilizando operativos que forneceram assistência financeira a alguns grupos de protesto, numa tentativa de fomentar divisões. No entanto, a Diretora de Inteligência Nacional Avril Haines afirmou que os cidadãos americanos estavam protestando "de boa-fé" e que essas informações "não indicavam o contrário". Relatos indicam que o Catar contribuiu com 4,7 bilhões de dólares para instituições acadêmicas dos EUA entre 2001 e 2021; Kenneth Marcus [en], do Centro Brandeis [en], sugeriu que isso pode ter influenciado a relutância dos administradores universitários em impor disciplina.

Contramanifestantes

Agitadores de extrema-direita e nacionalistas brancos foram identificados em alguns protestos buscando semear caos e violência. Durante a ocupação do campus da UCLA [en], eles estavam entre os contramanifestantes pró-Israel que atacaram o acampamento. Um supremacista branco afiliado aos Proud Boys foi identificado entre os contramanifestantes, que receberam apoio de ativistas de extrema-direita em todo o país.

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Controvérsias

Alegações de antissemitismo

Vários protestos foram criticados por suposto antissemitismo. Alguns estudantes descreveram certos incidentes relatados nos protestos e nos campi como "ameaçadores" e disseram que se sentiam inseguros. Estudantes judeus foram alvo por causa de sua fé, por usarem símbolos judaicos ou por serem acusados de sionistas e, consequentemente, visados. Alguns estudantes judeus também afirmaram que os protestos criaram um clima de medo e ódio nos campi. De acordo com o The Jerusalem Post, uma pesquisa realizada pela Hillel com estudantes judeus em universidades com acampamentos revelou que a maioria se sentia insegura devido aos acampamentos. 72% dos entrevistados queriam que eles fossem desmantelados, e 61% consideraram a linguagem usada nos protestos como antissemita. O Departamento de Educação dos EUA concluiu que a Universidade de Michigan e a CUNY falharam em avaliar se os protestos criaram um ambiente hostil.

Alegações de antipalestinianismo e islamofobia

Manifestantes pró-palestinos e seus apoiadores criticaram a postura de diversas administrações universitárias, alegando que elas perpetuam uma "exceção Palestina [en]" à liberdade acadêmica. Estudantes pró-palestinos e seus aliados expressaram preocupações sobre o antipalestinismo e a islamofobia. Investigações foram iniciadas pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos nas universidades de Columbia, Emory, Carolina do Norte e UMass Amherst, em resposta à atuação das administrações frente aos protestos e à defesa estudantil desde o início da guerra.

Violência nos protestos

Um estudo conduzido pelo Projeto de Localização e Dados de Eventos de Conflitos Armados [en] (ACLED) revelou que 97% dos protestos foram pacíficos, e quase metade dos que se tornaram violentos envolveu confrontos entre manifestantes e forças policiais durante intervenções. Segundo autoridades da Universidade Vanderbilt, um segurança ficou ferido quando manifestantes invadiram um prédio administrativo, resultando na expulsão dos três estudantes que lideraram o ato. Imagens de vídeo mostraram os estudantes forçando a entrada no edifício e empurrando um guarda contra o batente de uma porta, causando lesões que o afastaram do trabalho por duas semanas. Os estudantes negaram ter usado violência, classificando seu protesto como pacífico.

Vandalismo e danos materiais

Na Universidade Estadual de Portland, manifestantes danificaram computadores e móveis durante a ocupação da biblioteca do campus. Na Universidade Columbia, janelas foram quebradas pelos manifestantes durante a ocupação do Hamilton Hall. Policiais e trabalhadores municipais destruíram tendas, bandeiras e outros suprimentos do acampamento da Universidade da Pensilvânia [en] ao desmontá-lo. Na Universidade George Washington, manifestantes picharam uma estátua de seu homônimo, o presidente George Washington. A estátua foi envolta com lenços e bandeiras palestinas, e as palavras "Universidade Belicista Genocida" foram pintadas com spray em sua base.

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Respostas e reações

Com mais de 3.100 manifestantes presos, universidades suspenderam e expulsaram estudantes manifestantes [en], em alguns casos desalojando-os de moradias no campus, e recorreram à polícia para dissolver ocupações à força. A maioria das universidades que enfrentou protestos com acampamentos na primavera tentou negociar a desmobilização, frequentemente ameaçando intervenções policiais para forçar um acordo. Muitas iniciaram processos disciplinares contra os manifestantes, acusando-os de violar códigos de conduta estudantil. Departamentos de polícia empregaram diversas táticas, como dispersar multidões com cavalos e policiais em equipamento antimotim, usar balas de pimenta, tasers, prisões em massa, e gás lacrimogêneo, desmantelar acampamentos não autorizados, e agredir estudantes e professores. A polícia também agrediu, prendeu e restringiu o acesso de alguns jornalistas durante a cobertura dos protestos. Alguns membros do Partido Democrata e organizações de direitos humanos criticaram a resposta policial. Até o outono de 2024, muitas universidades reforçaram suas restrições a protestos, incluindo mais de 100 instituições, e várias proibiram acampamentos em seus terrenos.

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Pesquisas de opinião e referendos

Um referendo sobre desinvestimento realizado em maio de 2024 na Universidade DePaul resultou em 91% dos votos a favor do desinvestimento. Em abril de 2024, o Columbia College votou sobre três questões de desinvestimento. A primeira perguntava se Columbia deveria desinvestir de Israel, a segunda se deveria cancelar o programa do Centro Global de Tel Aviv, e a terceira se deveria encerrar o programa de duplo diploma com a Universidade de Tel Aviv. As propostas foram aprovadas por 76%, 68% e 65%, respectivamente, com 40% de participação dos eleitores. Estudantes da Universidade da Pensilvânia votaram 73% a favor da divulgação de todos os investimentos do fundo da escola e 63% a favor do fim da relação da universidade com a Ghost Robotics, com 22% de participação eleitoral. De acordo com uma pesquisa da YouGov divulgada em 3 de maio de 2024, 47% dos americanos se opuseram aos protestos nos campi, enquanto 28% os apoiaram. Entre os muçulmanos americanos, 75% apoiaram os protestos contra 14% que se opuseram, enquanto 72% dos judeus americanos foram contra e 18% a favor. Adultos com menos de 45 anos foram mais propensos a apoiar os protestos do que os mais velhos. Além disso, 33% acharam que a resposta aos protestos não foi suficientemente dura, 16% consideraram-na excessiva e 20% a julgaram adequada. Entre os americanos acima de 45 anos, 48% acharam a resposta branda demais, contra apenas 16% dos menores de 45 anos.

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Análise

Comparações

O The Guardian descreveu os protestos como "talvez o mais significativo movimento estudantil desde os protestos nos campi contra o Vietnã no final dos anos 1960". Os protestos em Columbia foram comparados aos protestos de 1968 [en] devido à sua escala e táticas, sendo vistos como ecos desse movimento. Segundo o The Independent, os manifestantes estudaram o movimento de 1968. Um estudante de graduação da Columbia afirmou que os organizadores aprenderam com as gerações mais velhas, descrevendo o movimento como "totalmente construído" sobre o legado dos protestos de 1968. Mark Rudd [en], que liderou protestos contra a Guerra do Vietnã em Columbia na década de 1960, declarou: "Para mim, é a coisa mais normal do mundo olhar para o assassinato de 34.000 pessoas e o deslocamento de quase 2 milhões em Gaza e dizer: 'Ei, parem!'". Laurel Krause, irmã de Allison Krause [en], vítima do Massacre de Kent State, afirmou que não apenas apoiava os protestos e pedia aos líderes universitários que ouvissem suas demandas, mas também condenou a resposta militarizada das autoridades para dispersá-los, destacando que isso colocava em risco a vida e o direito à livre expressão dos estudantes.

Críticas políticas

Influenciadores de extrema direita e alguns republicanos caracterizaram os protestos como violentos, uma "tomada marxista" e "terrorismo". O jornal The New York Times opinou que os protestos ocorreram em um ano de eleições presidenciais no qual os democratas haviam "se apoiado em promessas de estabilidade e normalidade para vencer eleições recentes cruciais", e que os protestos representaram uma oportunidade para os republicanos dividirem o Partido Democrata por meio de mensagens políticas. O mesmo jornal publicou um artigo citando organizações como NewsGuard, o Instituto de Diálogo Estratégico [en], a Fundação para a Defesa das Democracias [en], o Australian Strategic Policy Institute e a Recorded Future sobre como a mídia da Rússia, da China e do Irã cobriu os eventos. A conclusão foi que esses países realizaram esforços abertos e encobertos para explorar os protestos, com o objetivo de desacreditar a democracia, intensificar tensões partidárias, criticar o presidente Biden antes das eleições presidenciais de 2024, apoiar Trump e manifestar solidariedade ao Hamas e aos palestinos em geral.

Propagação dos protestos

Inicialmente, o The New York Times relatou que os protestos fora dos Estados Unidos eram "esporádicos e menores, sem desencadear um movimento estudantil mais amplo". O "contexto político partidário" foi apontado como uma das razões para a intensidade dos protestos nos EUA. O status da Universidade Columbia como uma escola da Ivy League, sua proximidade com Nova Iorque e com a mídia nacional, além de sua grande população de estudantes judeus, foram destacados como fatores que aumentaram a atenção da mídia e o escrutínio político, contribuindo para a disseminação dos protestos. Um estudo da revista Washington Monthly em maio revelou que manifestações e acampamentos pró-palestinos eram mais frequentes em universidades de elite nos EUA. A publicação destacou que, "na grande maioria dos casos, campi que atendem principalmente estudantes de origem trabalhadora não registraram atividade de protesto".

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Fontes consultadas

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