Drica Moraes
Adriana Moraes Rêgo Reis é uma atriz brasileira. Iniciou sua carreira nos palcos do Tablado e, mais tarde, tornou-se conhecida por seus papéis como mulheres determinadas e complexas na televisão e no cinema. Moraes é ganhadora de vários prêmios, incluindo um Grande Otelo, um APCA, dois Mambembes e um Prêmio Qualidade Brasil, além de ter sido indicada a quatro Prêmios Guarani e três Prêmios Shell.
Primeiros anos e formação
Adriana Moraes Rego Reis, mais conhecida como Drica Moraes, nasceu no Rio de Janeiro em 29 de julho de 1969. Optou por seguir a carreira artística ainda no ensino médio, frequentando as aulas de teatro ministradas por Miguel Falabella no Colégio Andrews. Seus pais são Gustavo Eduardo Barros de Moraes Rego Reis, arquiteto, e Clarissa Gaspar de Oliveira, dona de um restaurante no bairro do Leblon. É neta paterna do general Gustavo Moraes Rêgo Reis. Drica tem uma irmã e cinco irmãos. Aos 12 anos, iniciou sua formação no Tablado, uma respeitada escola de teatro da cidade, fundada por Maria Clara Machado. Posteriormente, complementou seus estudos na Cia dos Atores, uma companhia teatral criada por colegas como Enrique Díaz, Gustavo Gasparini e Isabela Garcia, no final dos anos 1980. Drica permaneceu no grupo por mais de duas décadas, desempenhando diversas funções, incluindo direção de arte e cenografia.
1983—89: Início da carreira no teatro infantil e estreia na televisão
Drica deu início à sua jornada como atriz ainda na infância, atuando em produções teatrais voltadas para o público infantil nos palcos do Rio de Janeiro. Sua estreia profissional ocorreu em 1983, em uma adaptação do renomado conto Chapeuzinho Vermelho, sob a direção e texto de Maria Clara Machado, ilustre criadora do Teatro O Tablado. Na peça, ela despontou no papel da personagem principal, a "Chapeuzinho Vermelho". Em seguida, Drica foi convidada para atuar na adaptação de Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato, dirigida por Carlos Wilson. O enredo se concentra na primeira parte dos trabalhos do herói, equilibrando desafios e as observações perspicazes de Lobato sobre as emoções do adolescente. O elenco incluía artistas iniciantes como Malu Mader, Maurício Mattar, Carla Daniel e Guilherme Fontes, além de Drica. No ano seguinte, continuou sob a direção de Carlos Wilson, estrelando ao lado de Maurício Mattar na peça Nossa Cidade, interpretando o papel de "Emily Webb", uma jovem apaixonada.
1990—99: Cia dos Atores, amadurecimento e aclamação da crítica
Em 1990, Drica Moraes se envolveu na fundação da Cia dos Atores, uma companhia teatral que ela criou junto com colegas atores, incluindo Enrique Díaz e Isabela Garcia. A estreia da companhia foi marcada pela peça A Bao A Qu: Um Lance de Dados, dirigida por Enrique Díaz, com Drica encarregada do figurino e da cenografia do espetáculo. Também em 1990, teve sua estreia no cinema com o curta-metragem Vaidade, dirigido por Vicente Amorim e David França Mendes, no qual contracenou com Julia Lemmertz. Neste mesmo ano, retorna às novelas em Lua Cheia de Amor, escrita por Ana Maria Moretzsohn, Ricardo Linhares e Maria Carmem Barbosa. Nesta trama, ela interpreta a reservada "Isabela Souto Maia", irmã de Augusto (Maurício Mattar) e Patrícia (Maria Mariana), e filha de Laís (Susana Vieira) e Conrado (Cláudio Cavalcanti). Isabela é vista como o patinho feio da família, alguém que nunca se imagina se transformando em um cisne. Ela é retraída, triste, extremamente sensível e sensata, além de ser cleptomaníaca, uma característica que reflete sua experiência de rejeição familiar.
2000—09: O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta e Alma Gêmea
Na década de 2000, realizou parceria com o autor Walcyr Carrasco em algumas produções que marcaram sua carreira. Em 2000, foi convidada para o elenco da novela O Cravo e a Rosa. A produção marcou a estreia do autor na TV Globo e, inicialmente, estava programada para ir ao ar em 90 capítulos. No entanto, o sucesso de audiência da novela levou a emissora a alongar a trama. Para preencher a história, o autor Walcyr Carrasco criou uma nova vilã, e Drica entrou na trama às pressas para interpretar a megera "Marcela". Na trama, ela uma mulher rica e elegante, filha do também vilão "Joaquim" (Carlos Vereza), que no passado teve um romance com "Petruchio" (Eduardo Moscovis) e volta para atrapalhar a vida do casal de protagonistas. Nesse mesmo ano, ao lado de Marília Pêra, Betty Gofman, Camila Pitanga, Mariana Hein e Zezé Polessa, estrelou o humorístico Garotas do Programa, que reunia diversas esquetes satirizando o universo feminino.
2010—19: Retomada da carreira após leucemia e consagração
Em 2010, retomou sua carreira após uma pausa para o tratamento de leucemia que enfrentou. Neste ano, aparece no filme de comédia O Bem-Amado, dirigido por Guel Arraes. No filme, ela interpreta "Judicéia Cajazeira", que completa o trio das "Irmãs Cajazeiras" ao lado de Zezé Polessa e Andréa Beltrão. Em 2011, fez uma participação especial em Ti Ti Ti, como "Teresa Batalha", uma fisioterapeuta de personalidade forte que é encarregada de auxiliar na recuperação de "Pedro" (Marco Pigossi), após o filho de "Jacques" (Alexandre Borges) sofrer um acidente de moto. Também em 2011, volta a fazer participação no seriado A Grande Família, no episódio "Aqui se Faz, Aqui se Paga", e, em 2012, atua no episódio "A Rosa Púrpura do Bairro". Em 2012, atua na minissérie Dercy de Verdade, biografia de Dercy Gonçalves estrelada por Fafy Siqueira e Heloísa Perissé no papel-título, onde interpreta "Clô", uma amiga da humorista.
2020—presente: Volta às novelas, protagonismo no cinema e trabalhos recentes
Em 2020, durante a pandemia de COVID-19, gravou o especial televisivo Amor e Sorte, que trazia episódios com elencos variados mas focados em uma poesia diferente sobre a quarentena. Drica esteve nos episódios "Linha de Raciocínio", estrelado também por Taís Araújo e Lázaro Ramos, e "A Beleza Salvará o Mundo", com Caio Blat e Luísa Arraes, onde interpretou "Fernanda", uma terapeuta. Neste ano ainda, atua no spin-off Sob Pressão: Plantão Covid, como a médica "Drª. Vera Lúcia Veiga", derivado da série Sob Pressão, mas com foco no trabalho e desgaste emocional dos profissionais da saúde em meio a crise sanitária global. Em 2022, Drica retorna às novelas em Travessia, de Glória Perez. Na história, ela é "Núbia", mãe do protagonista "Ari" (Chay Suede) e proprietária de um comércio no interior do Maranhão. Mulher trabalhadora de classe média, investiu todas as suas economias na educação e na criação do filho, vendo nele a chance de alcançar os sonhos que sempre almejou. Sua personagem é uma mulher encrenqueira, vaidosa, deslumbrada e ambiciosa. Ainda em 2022, aparece no filme dramático As Verdades, dirigido por José Eduardo Belmonte e estrelado por Lázaro Ramos e Bianca Bin, cujo enredo gira em torno de um policial que tenta desvendar um crime por meio de várias versões e relatos diferentes. Ela interpreta "Amara", mãe de "Francisca" (Bin), que está envolvida no crime. Por esse trabalho, recebeu indicação ao Grande Otelo de Melhor Atriz Coadjuvante.
Em 1994, nas gravações de um seriado de televisão, conheceu o diretor Regis Farias. No mesmo ano foram viver juntos. Ela começou a tentar engravidar, mas não estava conseguindo, e iniciou um tratamento de fertilização, e em 1998 descobriu estar grávida, mas em poucos meses sofreu um aborto espontâneo, e entrou em depressão. Durante mais alguns anos, continuou tentando ter filhos, mas sem sucesso. Em 2003, o casal não estava mais se entendendo, e decidiram-se pela separação. Poucos meses após a separação, conheceu o produtor cultural Raul Schmidt. Ele era nadador e Drica, fumante e asmática. Se tornaram amigos e ele a ajudou a largar o vício e começar a fazer exercícios, para melhorar o tratamento da asma. Dessa união de amigos, eles começaram a namorar. Menos de um ano de namoro foram viver juntos. Drica quis engravidar de Raul, mas mesmo fazendo fertilização, não obteve respostas, e então decidiu parar de tentar ter um filho biológico, e junto do marido, em 2005, se inscreveram na fila de adoção. Em 2008, por desentendimentos conjugais, Drica se separou de Raul, mas, mesmo sozinha, manteve o processo de adoção. Em 2009, finalmente saiu a sentença da justiça, e Drica realizou seu maior sonho, o de ser mãe: Conseguiu adotar um bebê de 03 dias de vida, a quem batizou de Mateus Moraes Pitanga. No início de 2010 começou a namorar o médico homeopata Fernando Pitanga (ficaram juntos até 2020), que se tornou, inclusive, o pai adotivo de seu filho Mateus.
Leucemia
Em fevereiro de 2010, após fazer muitos exames e ao longo de 1 ano se sentindo muito mal, tendo dores pelo corpo, febre e desmaios, foi internada no Hospital Samaritano para verificar o que tinha, até que houve o diagnóstico de leucemia mieloide aguda. Drica ficou muito assustada e entrou em depressão, mas começou, então, a iniciar sessões de quimioterapia. Seus amigos e parentes fizeram o teste, mas nenhum deles era compatível com Drica. Desesperados, todos eles mobilizaram uma grande campanha nas ruas, na TV e na internet para doação de sangue e medula. Em julho de 2010, teve que raspar a cabeça, e enfim, submeteu-se a um transplante de medula. Depois de recuperada, Drica concedeu uma entrevista ao programa Fantástico. Durante a entrevista, ela disse, "A vida melhora muito se você não morre". Para a revista Marie Claire afirmou: "Graças a Deus, eu tive a doença. E me curei". "...Diante de situações como essa, temos de decidir viver ou desistir. Mesmo com todas as limitações que a doença me impõe, quero estar aqui. Um dos momentos mais marcantes do tratamento foi de felicidade: o dia em que acharam um doador de medula compatível comigo. Isso era necessário, pois precisei de um transplante e nenhum de meus irmãos poderia ser doador. Minha vida dependia disso. Foram seis meses de espera. O que é até rápido. Há pacientes que aguardam anos e outros que morrem antes de achar um doador compatível. Por tudo isso, há um ano trabalho em campanhas que estimulam a doação. É importante que todos saibam que doar a medula é simples." contou. Ela fará tratamento intensivo por mais um ano e será acompanhada a vida toda, para evitar que a doença retorne.


