Domingão do Faustão
Domingão do Faustão foi um programa brasileiro de auditório, produzido e exibido pela TV Globo de 26 de março de 1989 a 13 de junho de 2021. Foi apresentado por Fausto Silva, exceto no último programa, que teve apresentação de Tiago Leifert.
O início (1989-1995)
O Domingão do Faustão estreou na TV Globo no dia 26 de março de 1989, precisamente às 14h55min, logo depois do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 e num domingo de Páscoa, comandado por Fausto Silva, recém-saído da Rede Bandeirantes. O programa foi criado para frear a audiência do Programa Silvio Santos (SBT), até então líder de audiência nas tardes de domingo, cumprindo o objetivo em pouco tempo. Desde seu início, o programa contava com uma banda musical que toca ao vivo, e a turma do charme nos primeiros anos, que depois viria ser substituída por um grupo de dançarinas, na Academia do Faustão. Há também entrevistas com atores da emissora e cantores, assim como atrações populares em vários quadros. Ao fim, ia ao ar as tradicionais videocassetadas.
Guerra pela audiência e reação (1996-2001)
Em 1997 a audiência do programa passou a ser ameaçada pelo Domingo Legal (SBT), apresentado por Gugu Liberato, chegando inclusive a perder a liderança em outubro. Nos anos seguintes, a disputa passou a empatar e monopolizar a audiência entre ambos os programas, com até 60% contra as outras redes. No início dos anos 2000, Gugu tomou a liderança absoluta do programa, rareando cada vez mais as lideranças da Globo, fazendo com que a emissora começasse a intervir no programa que não apresentava mudanças desde sua estreia: tentaram programa gravado, mas tanto a imprensa como a opinião pública criticaram duramente o programa. Em 2000, a direção do Domingão do Faustão comunicou o mercado fonográfico de que não mais levaria ao programa cantores e bandas que tivessem participado do Domingo Legal do SBT. A medida chocou as gravadoras, mas nenhuma se atreveu a se pronunciar publicamente sobre o assunto.
De volta à liderança (2002-2009)
A partir de 2004, o Domingão do Faustão demonstrou várias vitórias seguidas contra o Domingo Legal, que chegou a ser ameaçado apenas pela RedeTV! (com o Pânico na TV) e a Band (com o futebol). Em 2008, um especial marcando as mil exibições do programa foi levado ao ar e mereceu destaque na Revista Veja. Em 2009, o programa completou 20 anos com a realização da premiação dos Melhores do Ano 2008 (propositalmente adiada). Além da premiação, foram anunciadas novidades na programação da emissora. Em dezembro, Adriana Colin (responsável pelo merchandising), Caçulinha (diretor musical da banda) e Lucimara Parisi (diretora do programa) deixaram o programa por conta da rescisão de seus contratos.
Perda de audiência (2010-2020)
Em 2010, os programas Domingo Espetacular (Record) e Programa do Gugu (Record) representaram uma nova ameaça para o Domingão do Faustão, que chegou a ser derrotado em várias regiões brasileiras, em destaque na Grande SP (a medição do IBOPE na Grande SP é a principal referência no mercado publicitário). Gugu voltava a ameaçar Faustão. Em 2011, o Domingão marcou média de apenas dez pontos no IBOPE Media Information na Grande SP. Em alguns momentos do dia, Faustão chega a perder para Record e SBT. No dia 17 de abril de 2016, pelo primeiro domingo desde a estreia, o programa não foi exibido, em função da votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Saída de Fausto Silva e o fim do programa (2021)
Em 25 de janeiro de 2021, o colunista Lauro Jardim anunciou que o programa sairia do ar em dezembro. A direção da Globo propôs criar uma atração com Fausto Silva às quintas-feiras, mas o apresentador preferiu não aceitar. Essa decisão encerra um ciclo de 32 anos na emissora. Em 13 de junho de 2021 o programa não foi apresentado pelo seu titular, pela primeira vez na história, devido a um tratamento de uma infecção urinária. Excepcionalmente, a edição foi apresentada por Tiago Leifert. No dia 17, é comunicada a saída antecipada de Fausto Silva, fazendo com que Leifert ficasse a frente do programa até o mês de dezembro. O nome Domingão do Faustão deixou de ser utilizado a partir de então, marcando assim o fim da atração, sendo apresentado apenas o quadro Dança dos Famosos como um programa independente.
Na época da estreia do programa, o Programa Silvio Santos, apresentado pelo proprietário do SBT, ultrapassava os 60 pontos em algumas afiliadas do SBT nas tarde e noite de domingo. Em poucos meses, Faustão consegue frear Silvio Santos e lhe toma a liderança. Oito anos na liderança absoluta se passaram e o Domingo Legal, em formato semelhante, começou a incomodar Faustão e em pouco tempo fez a Globo devolver a liderança das tarde e noite de domingo ao SBT. Ao mesmo tempo que a Globo era vice, Record e Band mudam a programação e diminuem a audiência da dupla Faustão-Gugu em menos de 50 pontos. No início dos anos 2000, Faustão e Gugu dividem a audiência mas não a mesma que tinham nos últimos anos. Porém, na segunda metade dos anos 2000, com o declínio do Domingo Legal e a ascensão da RedeTV!, o programa conquistou novamente a até então impossível liderança dos domingos. O SBT não pôde mais reivindicar a liderança das tardes e noites de domingo, mas Gugu sim: trocou o SBT pela Record e, junto ao Domingo Espetacular, voltou a incomodar Faustão.
No dia 8 de setembro de 1996, o programa exibiu por 37 minutos o caso do órfão Rafael Pereira dos Santos, portador da síndrome de Seckel — que causa uma forma aguda de nanismo primordial. Exibido como uma aberração, seria ridicularizado pelo apresentador e por integrantes do grupo humorístico Café com Bobagem, por conta de sua aparência física (possuía apenas 87 centímetros de altura, 8 quilos e idade mental de uma criança de 3 anos, embora tivesse 15 anos de idade), tendo inclusive sido obrigado a imitar o cantor Latino, presente no referido programa (recebendo a alcunha de Latininho, dada pelo apresentador Fausto Silva). O caso levantou o IBOPE do programa, chegando a alcançar 30 pontos de audiência (enquanto que o seu principal concorrente, o Domingo Legal, possuía apenas 16 pontos). O programa causou muita polêmica e protestos por parte da mídia e do Juizado de Menores do Rio de Janeiro, a ponto do então vice-presidente de operações da TV Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, emitir um memorando interno (escrito a mão momentos após ter assistido em sua casa a exibição do programa) proibindo exibições de quadros ou programas que apresentassem atos de baixaria, sensacionalismo ou que ferissem o chamado Padrão Globo de Qualidade. Em 2001, a emissora seria condenada pela justiça a indenizar Rafael em R$ 1 milhão.
Imagem: STJNoticias · BY · Openverse
Em 2003 o programa entrou na lista da campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania", que é formada por denúncias de telespectadores e pelo Comitê de Acompanhamento da Programação (CAP), onde estão como representantes mais de 60 entidades que assessoram a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados para criar o "Ranking da Baixaria na TV". As principais queixas da população que formaram a lista, era de apelo sexual, incitação à violência, exposição das pessoas ao ridículo e discriminação.


