Dirigível
Dirigível é um aeróstato que pode ser controlado. Ao contrário dos aeródinos os dirigíveis sustentam-se através de uma grande cavidade que é preenchida com um gás menos denso que o ar atmosférico, como por exemplo o gás hélio ou mesmo o inflamável gás hidrogênio.
A história dos dirigíveis se confunde com a da aviação. As primeiras experiências para tentar a conquista dos céus foram com balões de ar quente. Um dos pioneiros foi o padre jesuíta luso-brasileiro Bartolomeu de Gusmão que em 1709 conseguiu fazer um balão de ar quente, o Passarola, subir aos céus diante de uma corte portuguesa abismada. Esse evento teria ocorrido em 5 de agosto de 1709, quando o padre Bartolomeu de Gusmão realizou a primeira demonstração da Passarola no pátio da Casa da Índia, na cidade de Lisboa. O balão pegou fogo sem sair do solo, mas numa segunda demonstração elevou-se a 95 metros de altura. Tratava-se de um pequeno balão de papel pardo grosso, cheio de ar quente, produzido pelo "fogo de material contido numa tigela de barro incrustada na base de um tabuleiro de madeira encerada". O evento teve como testemunha o Núncio Apostólico em Lisboa (o futuro papa Inocêncio XIII).
O hélio é um gás mais leve que o ar, o que significa que ele tem uma densidade menor do que a do ar. Quando você coloca hélio dentro de algo, como um balão, o objeto fica mais leve no ar em comparação com um balão cheio de ar ou sem nada. Isso acontece porque o hélio faz com que o balão tenha uma força de empuxo (a força que faz as coisas subirem) maior do que o peso do balão e do hélio juntos. Essa força de empuxo é o que faz o balão subir. Então, o hélio não "deixa outras coisas leves" por si só, mas quando usado em algo como um balão, ele faz com que o balão flutue porque o conjunto (balão + hélio) é mais leve que o ar ao redor. Isso também acontece com dirigíveis, que são grandes aeronaves que utilizam gases leves, como o hélio, para flutuar no ar. O princípio é o mesmo que o dos balões: do hélio dentro do dirigível é menos denso que o ar ao redor, então a força de empuxo que ele gera é maior que o peso do dirigível, o que permite que ele suba e permaneça flutuando no ar. O hélio é utilizado porque é seguro (não inflamável) e eficaz para esse propósito.
Um dos ícones da história da aerostação e aviação foi o dirigível LZ 127 Graf Zeppelin, construído em 1928. O Graf Zeppelin possuía 213 m de comprimento e 5 motores, transportava de 20 a 24 passageiros e cerca de 36 tripulantes. O primeiro voo de longa distância aconteceria em outubro de 1928, ligando Frankfurt a Nova York em 112 horas. Caberia ao 127 Graf Zeppelin a primazia de ser o primeiro aparelho voador a dar a volta ao mundo. A epopeia, em sete etapas, seria feita em 1929, percorrendo 33 mil quilômetros. O Graf Zeppelin foi construído pela Deutsche Zeppelin-Reederei, empresa fundada por Ferdinand Von Zeppelin, em 1928, e percorreu mais de 500 mil quilômetros, transportando pelo menos 17 mil pessoas. O LZ 129 Hindenburg era o orgulho da engenharia aeronáutica alemã e considerado o modelo mais espetacular fabricado pela Deutsche Zeppelin-Reederei. O Hindenburg foi o maior aparelho voador da história, com 245 m de comprimento e 41,5 m de diâmetro. Voava a 135 km/h com autonomia de 14 mil quilômetros e tinha capacidade para conduzir 50 passageiros e 61 tripulantes. O modelo explodiu em Nova Jérsia, nos Estados Unidos em 6 de maio de 1937, antes de pousar na base aérea de Lakehurst, falecendo dos 97 ocupantes (36 passageiros e 61 tripulantes), 13 passageiros, 22 tripulantes e um técnico americano em solo, no total de 36 pessoas. O desastre marcou o fim da era dos dirigíveis rígidos.
Dirigível rígido
Esta é a designação dos dirigíveis que possuem armações rígidas que contêm várias cavidades ou balões de gás não pressurizado para prover a elevação, por exemplo, os zeppelins. Dirigíveis rígidos não dependem de pressão interna para manter a sua forma.
Dirigível não rígido
Esta é a designação dos dirigíveis que usam uma quantidade de pressão excessiva para manter sua forma.
Dirigível semirrígido
Esta é a designação dos dirigíveis que fazem uso da pressão interna para manter a forma, mas possuem algumas armações articuladas em torno do fundo do balão para distribuir a suspensão da carga e manter a pressão do balão relativamente baixa (em relação aos não rígidos).
Dirigível "metal-clad"
Esta é a designação dos dirigíveis que possuem características dos dirigíveis rígidos e não rígidos, utilizando um balão de metal muito fino e hermético, em vez do balão de borracha fechado conforme o habitual. Só há dois exemplos de dirigíveis deste tipo, o balão de alumínio de Schwarz de 1897, e o ZMC-2, construído na mesma época.
Dirigível híbrido
Este é um termo geral para uma aeronave que combina características de andar na água, na terra e no ar. Exemplos incluem helicópteros/dirigíveis híbridos pretendidos para aplicações de elevação de cargas aquáticas e dirigíveis dinâmicos pretendidos para viajar em ambientes terrosos. Nenhum dirigível híbrido prático que pudesse transportar anfíbios foi construído até então. Porém, foram propostos muitos modelos e alguns protótipos foram construídos.
Aeróstato
Aeróstato é a designação dada às aeronaves mais leves que o ar, onde se incluem os balões e os dirigíveis.
Dirigível
Originalmente chamados de "balões dirigíveis", da palavra dirigible, significando "controlável" ou "navegável". Isso foi resumido para "dirigível" e esse termo continuou sendo usado. No uso moderno, o termo "balão", geralmente se refere à aeróstatos sem motor.
Airship
Na língua inglesa, os termos: "airship", "air-ship", "air ship" e "ship of the air" foram usados nos primeiros anos da aeronáutica, designavam qualquer tipo de máquina voadora controlável ou "navegável". Em 1919 Frederick Handley Page se referia a eles como "ships of the air", e os menores como "air yachts". Na década de 1930, os grandes hidroaviões intercontinentais, também eram chamados de "ships of the air" ou "flying-ships". Hoje em dia, "airship" é usado apenas para balões controláveis e motorizados, com subtipos classificados como: rígidos, semirrígidos e não rígidos.
Blimp
Um "blimp" é um aeróstato não rígido. É um termo geralmente usado nos Estados Unidos, associado a tipos específicos de dirigíveis. Na Grã-Bretanha o termo se refere à qualquer aeróstato não rígido, incluindo balões de barragem e balões de observação, que tenham um formato comprido e flaps estabilizadoras na cauda.
Zeppelin
O termo "zeppelin" é uma "marca genérica", que originalmente se referia aos dirigíveis fabricados pela empresa alemã Luftschiffbau-Zeppelin GmbH, que foi pioneira no uso de grandes dirigíveis nos primeiros anos do século XX. As iniciais "LZ", de Luftschiff Zeppelin (Dirigível Zeppelin), normalmente eram usas como prefixo na identificação de seus modelos. Hoje em dia, em algumas culturas (línguas) os termos zeppelin e dirigível são usados com o mesmo significado, ou seja, um tipo específico de dirigível rígido.
As duas principais partes constituintes de um dirigível, são o seu "envelope" de armazenamento de gás e a gôndola ou estrutura similar pendurada sob ele com capacidade de levar a tripulação e outros equipamentos. Os motores podem ser montados na gôndola ou em qualquer outra parte do "envelope".
Estrutura
A estrutura básica de um dirigível, pode ser: rígida, semirrígida ou não rígida, como já descrito.
Envelope
O "envelope" é a superfície externa, geralmente envolvendo uma ou mais bolsas de ar dentro dele. Aletas na traseira do envelope estabilizam o dirigível, permitindo que ele voe em linha reta. Em alguns desenhos menores, essas aletas são parte integrante da bolsa de gás e só assumem o seu formato quando infladas. Alguns poucos dirigíveis, do tipo metal-clad, tendo sido construídos exemplares rígidos e não rígidos. Cada um usando um "envelope" de metal fino no lugar do mais comum tecido emborrachado. Até onde se sabe, apenas quatro desse tipo de dirigível foram construídos, e desses, apenas dois efetivamente voaram: o Schwarz, primeiro dirigível de alumínio rígido de 1893, que foi danificado durante a preparação para seu segundo voo; e o ZMC-2, dirigível não rígido, construído para a Marinha dos Estados Unidos, tendo voado de 1929 a 1941, quando ele foi sucateado por ser muito pequeno para uso operacional em operações da patrulha antissubmarino; enquanto em 1929, o dirigível City of Glendale da empresa Slate Aircraft Corporation foi danificado na sua primeira tentativa de voo. Ambos os dirigíveis "não rígidos" tinham envelopes feitos de metal, enquanto eles mantinham seu formato quando estavam vazios, necessitavam de muito mais pressão durante o voo.
Gás de sustentação
Os primeiros dirigíveis usavam hidrogênio como seu gás de impulsão, que é o mais leve disponível. Normalmente, ele era gerado durante o processo de enchimento, reagindo ácido sulfúrico com limalhas de metal. O primeiro balão de hidrogênio de 1783 usava limalha de ferro na reação, enquanto o Nulli Secundus de 1907, usava limalha de zinco. Mais tarde, os Estados Unidos começaram a usar hélio, pelos fatos dele não ser inflamável e ter 92,7% da capacidade de impulsão do hidrogênio. Depois de uma série de desastres com dirigíveis na década de 1930, especialmente o desastre do Hindenburg, a partir do qual o hidrogênio deixou de ser usado. Dirigíveis térmicos usam um gás aquecido com gás de sustentação, geralmente ar, de maneira semelhante aos balões de ar quente. O primeiro desse tipo que voou em 1973, foi construído pela empresa britânica Cameron Balloons.
Gôndola
O termo "gôndola" nesse contexto, é usado para descrever o compartimento dos passageiros dos dirigíveis, que fica pendurado em baixo do centro do "envelope". As gôndolas podem ser pequenas para motores e trens de pouso, ou maiores, para comportar passageiros. As primeiras gôndolas eram estruturas abertas penduradas abaixo dos envelopes, as que vieram depois, eram fechadas e presas diretamente à estrutura interna. Um dirigível não rígido, carrega todos os passageiros numa gôndola, já um dirigível rígido pode carregar passageiros e cargas dentro do envelope. O grande dirigível Graf Zeppelin se caracterizava por uma pequena gôndola de passageiros na dianteira para favorecer a observação do solo. A maior parte dos aposentos da tripulação e espaço de carga ficavam dentro do envelope.
Propulsão e controle
Pequenos dirigíveis levam seus motores nas suas gôndolas. Quando existem vários motores em grandes dirigíveis, eles são colocados em naceles separadas. Para permitir impulso assimétrico ser usado para manobras, essas naceles são montadas nas laterais dos envelopes, distantes da linha central da gôndola. Isso também as mantem distantes do solo, reduzindo o risco de as hélices atingirem o solo durante a aterrissagem. Nessa disposição essas naceles são conhecidas em inglês como wing cars. Essas naceles de motor levavam uma tripulação durante o voo para fazer as manutenções necessárias, mas que também trabalhavam nos controles de direção e aceleração e etc. As instruções eram enviadas a eles da cabine de comando por intermédio de um sistema de comunicação, como num navio.
A era dos grandes dirigíveis encerrou-se abruptamente em 6 de maio de 1937, quando o luxuoso Hindenburg, caiu em chamas durante o pouso em Nova Jérsia, nos EUA, matando boa parte da tripulação e alguns passageiros. Mas, passadas algumas décadas, eles podem estar prestes a alçar voo novamente. Os novos projetos, iniciados em várias partes do mundo, também herdaram características dos modelos originais. Mas são, de longe, máquinas muito mais avançadas. A primeira providência que todas as empresas tomam é usar o gás hélio no lugar do explosivo gás hidrogênio. A outra é incorporar os avanços tecnológicos dos aviões, como os modernos instrumentos computadorizados de orientação de voo. A própria companhia Zeppelin, agora denominada Luftschiffbau-Zeppelin GmbH (ZLT) também resolveu investir numa nova linha de dirigíveis no início dos anos 90. Em setembro do ano de 1999, realizou o voo de seu primeiro protótipo, o LZ N07. Seguindo a tradição da fábrica, o corpo do balão tem estrutura rígida, que combina tubos de alumínio com fibra de carbono, mas é bem menor que os do passado, com 68 metros de comprimento. A cobertura foi concebida com a ajuda de um computador e a gôndola de passageiros lembra a cabine de um jatinho, mas com muito mais espaço entre as 12 poltronas de passageiros. Os mecânicos trabalharam intensamente nos motores, projetados para se voltar para frente e, também, para baixo, de modo a estabilizar o dirigível enquanto ele é amarrado em seu mastro no solo. A importância desse detalhe está no fato de que os antigos zepelins requeriam 200 soldados para segurá-los nas pistas de pouso e decolagem.
Transporte de cargas pesadas
Duas empresas, a britânica ATG (Aviation Technology Group) e a alemã AG CargoLifter, apostam na ressurreição dos gigantes mais leves do que o ar como forma de se inserir no crescente mercado de transporte intercontinental de cargas pesadas. O Cargolifter CL 160, com 242 metros de comprimento, poderá carregar 160 toneladas e peças de até 50 metros de comprimento, numa imensa gôndola de carga. Com isso, resolverá problemas como o transporte de uma turbina de hidroelétrica, sem paralisar o tráfego nas rodovias. Impulsionado por cinco motores diesel, consome a quarta parte do combustível de um jato de carga. É claro que os jatos superam em muito sua velocidade de cruzeiro, que varia de 80 a 135 km/h. Mas nenhum transporte termina no aeroporto. Então, computando-se o tempo de retirada da carga para embarcar num caminhão ou trem, o CL 160 ganha a corrida. Este projeto terminou por falência financeira. Acredita-se que o seu súbito encerramento foi devido à disputas internas na Alemanha Federal, cujo Governo é um dos maiores acionistas da Airbus.
Em 1930, o LZ 127 Graf Zeppelin fez sua primeira viagem ao Brasil, chegando a cidade do Recife, no estado de Pernambuco, em 21 de maio. O primeiro brasileiro a viajar nele foi o engenheiro e escritor Vicente Licínio Cardoso. Este voo iniciou uma regular e bem sucedida rota comercial entre o Brasil e Alemanha. Inicialmente, devida a ausência de instalações adequadas no Campo dos Afonsos, na cidade do Rio de Janeiro, nestes primeiros anos de operação o Graf Zeppelin, atracava na cidade do Recife onde os passageiros eram desembarcados, e seguiam viagem para o Rio de Janeiro em aviões da empresa aérea Syndicato Condor. Até hoje a estação de atracação de dirigíveis em Recife, a Torre do Zeppelin foi preservada. Funcionários da empresa alemã Luftschiffbau-Zeppelin GmbH viajaram ao Brasil em 1933 para selecionar um local apropriado às operações de pouso, decolagem e armazenamento dos gigantescos zeppelins. Após realizarem um detalhado estudo climatológico, levando em consideração, principalmente, a velocidade e direção dos ventos, optou-se pelo uso de uma área próxima à Baía de Sepetiba, no estado do Rio de Janeiro. A área, que media 80 000 m², foi cedida pelo Ministério da Agricultura.
Atualmente
Atualmente no Brasil, dirigíveis a base de gás hélio são utilizados com fins publicitários e para realização de transmissões de TV em eventos esportivos. A mais famosa dessas aeronaves possui o nome de Ventura, sendo mais conhecido como "dirigível da Goodyear", por ser de propriedade dessa fabricante de pneus. O Brasil ganhou importância no cenário mundial dos dirigíveis com a empresa Space Airships do Brasil, que está desenvolvendo dirigíveis para transporte de grandes cargas. No Brasil essa empresa é a única homologada para operação de dirigíveis. A empresa dispõe também de um dirigível da classe "não-tripulado", que é a nova plataforma aérea da Space Airships e pode ser utilizada tanto como veículo de publicidade como para monitoramento aéreo.


