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Diocleciano

Diocleciano foi o imperador romano de 284 até sua abdicação em 305. Ele nasceu em uma família de baixa posição social, porém conseguiu ascender pelas patentes do exército romano até se tornar um comandante de cavalaria do exército do imperador Caro. Diocleciano foi aclamado imperador pelas tropas da Nicomédia depois das mortes de Caro e seu filho Numeriano, durante as campanhas contra a Pérsia. O título também foi reivindicado por Carino, o filho sobrevivente de Caro, porém Diocleciano o derrotou em julho de 285 na Batalha do Margo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Início de vida

Diocleciano nasceu em Salona, na Dalmácia, entre 243 e 245. Seus pais lhe deram o nome grego Diocles, ou possivelmente Diocles Valério. O historiador Timothy Barnes considera que seu aniversário oficial, 22 de dezembro, era sua data real de nascimento. Entretanto, outros historiadores não têm tanta certeza. Seus pais eram de baixa posição social; o historiador Eutrópio registrou "que a maioria dos escritores diz que era filho de um escriba, mas alguns dizem ter sido um homem liberto de um senador chamado Anulino". Pouquíssimo se sabe sobre seus primeiros quarenta anos de vida. Diocles recebeu educação e foi promovido pelo imperador Aureliano. O crônico bizantino João Zonaras afirmou que ele foi um "Duque da Mésia", um comandante de forças militares no baixo Danúbio. A muitas vezes não confiável História Augusta afirmou que Diocles serviu na Gália, porém isto não é corroborado por outras fontes e é ignorado pelos historiadores modernos. A primeira vez que seu paradeiro pode ser estabelecido com certeza é em 282, quando o imperador Caro o nomeou comandante dos Protetores Domésticos, uma força de cavalaria de elite diretamente ligada à casa imperial, posto este que lhe valeu a posição de cônsul no ano seguinte.

Ascensão

Caro morreu durante uma campanha contra a Pérsia e em circunstâncias misteriosas, tendo supostamente sido atingido por um raio ou morto por soldados persas, deixando seus filhos Numeriano e Carino como os novos imperadores. Carino rapidamente partiu para Roma de seu posto de comissário imperial na Gália e chegou na cidade em janeiro de 284, tornando-se o legítimo imperador, enquanto Numeriano permaneceu no oriente. A retirada romana da Pérsia foi realizada em ordem e sem oposição. O xainxá Vararanes II da Pérsia não conseguiu montar um exército para enfrentar os romanos por ainda estar lutando para estabelecer sua própria autoridade. Numeriano só tinha conseguido chegar em Emesa, na Síria, em março, enquanto em novembro avançou apenas até a Anatólia. Ele ainda estava aparentemente vivo e com boa saúde em Emesa, tendo emitido o único rescrito sobrevivente em seu nome no local.[nota 1] Entretanto, depois de ele ter deixado a cidade, sua criadagem, incluindo seu sogro e prefeito pretoriano Áper, uma figura de grande influência, relataram que Numeriano estava sofrendo de uma inflamação nos olhos, passando a viajar em um coche fechado. Alguns soldados sentiram um odor emanando do coche depois de o exército ter chegado em Bitínia. Eles abriram as cortinas e descobriram o corpo morto de Numeriano.

Conflito com Carino

Lúcio Cesônio Basso e Diocleciano foram nomeados cônsules e assumiram as fasces nos lugares de Carino e Numeriano. Basso era membro de uma família senatorial da Campânia, um ex-cônsul e procônsul na África. Ele tinha experiência em áreas de governo de que Diocleciano supostamente carecia. A elevação de Basso a cônsul por Diocleciano simbolizou sua rejeição ao governo de Carino em Roma, sua recusa em aceitar uma posição secundária a qualquer outro imperador e sua disposição em colaborar com as aristocracias militar e senatorial do império. Essa ação também ligava seu sucesso ao do Senado Romano, cujo apoio ele necessitaria para avançar sobre a capital.

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Início de reinado

É possível que Diocleciano tenha se envolvido imediatamente depois da Batalha do Margo em confrontos contra os quados e marcomanos. Ele acabou chegando no norte da Itália e estabeleceu um governo imperial, porém não se sabe se ele visitou a cidade de Roma nessa época. Uma série de moedas contemporâneas sugerem um advento imperial na cidade, porém historiadores modernos afirmam que Diocleciano deliberadamente evitou Roma por questões de princípio, pois a cidade e o senado não eram mais politicamente relevantes para os assuntos do império e necessitavam aprender isso. O próprio Diocleciano datou o início de seu reinado para a data em que foi aclamado pelo exército, não a data em que foi ratificado pelo senado, seguindo uma prática estabelecida por Caro, que havia declarado a ratificação do senado como uma formalidade inútil. Entretanto, ele demonstrou deferência em relação ao senado mantendo Aristóbulo como cônsul ordinário e colega pelo ano de 285, uma das poucas instâncias durante o Império Tardio em que um imperador permitiu um privatus como colega.

Maximiano coimperador

Os assassinatos dos imperadores Aureliano e Probo demonstraram que uma única pessoa reinar como imperador sozinho era algo perigoso para a estabilidade do império. Conflitos estavam surgindo em várias províncias, incluindo a Gália, Síria, Egito e o Baixo Danúbio. Era muito para uma única pessoa ser capaz de controlar, assim Diocleciano necessitava de alguém que pudesse ser seu segundo em comando. Ele elevou seu colega oficial militar Maximiano para o posto de césar em julho de 285 em Mediolano,[nota 2] tornando-o coimperador júnior. O conceito de dois imperadores compartilhando o poder não era algo novo no Império Romano. Augusto, o primeiro imperador, tinha nominalmente compartilhado seu poder com alguns colegas, com cargos mais formais de coimperadores existindo a partir de Marco Aurélio no século II. Mais recentemente, Caro e seus filhos tinham governado juntos, porém sem sucesso. Diocleciano estava em uma posição menos favorável que a maioria de seus predecessores, pois só tinha uma filha, Valéria, e nenhum filho homem. Seu coimperador precisaria vir de fora de sua família, o que levantava a questão de confiança. Alguns historiadores afirmaram que ele adotou Maximiano como seu "filho augusto" ao nomeá-lo para o trono, seguindo o precedente estabelecido por alguns imperadores anteriores. Entretanto, esse argumento não é aceito por todos.

Conflitos com sármatas e persas

Maximiano, depois de sua aclamação, foi rapidamente enviado para enfrentar os bagaudas, camponeses que tinham se insurgido na Gália. Diocleciano, enquanto isso, voltou para o oriente, porém progrediu lentamente. Ele tinha chegado apenas nos Bálcãs até 2 de novembro. Na primavera de 285 ele encontrou a tribo dos sármatas, que pediram a Diocleciano que os ajudasse a recuperar suas terras ou que lhes concedesse direitos de pastagem dentro do império. O imperador recusou as duas propostas e os enfrentou em batalha, porém não foi capaz de garantir uma vitória completa. As pressões nômades na planície europeia permaneceram e não seriam resolvidas com uma única guerra.

Diarquia

As campanhas de Maximiano não prosseguiram bem. Os bagaudas tinham sido facilmente subjugados, porém Caráusio, o homem colocado no comando de operações contra piratas saxões e francos, tinha começado a tomar para si mesmo bens que tinham sido tomados dos piratas. Maximiano emitiu um mandato de morte contra Caráusio, porém este fugiu do continente e se proclamou imperador, agitando a Britânia e o noroeste da Gália em uma revolta aberta contra Maximiano e Diocleciano. Evidências arqueológicas indicam que é mais provável que Caráusio já tivesse algum posto militar importante na Britânia e uma base de poder firme tanto na Britânia quanto no norte da Gália, aproveitando-se da falta de legitimidade do governo central. Ele lutou para ter sua legitimidade como coimperador júnior reconhecida por Diocleciano, com suas moedas, que eram de melhor qualidade que aquelas oficiais e exaltavam a "concórdia" entre ele e o governo central romano, chegando a mostrá-lo como um igual de Diocleciano e Maximiano. Entretanto, Diocleciano não podia permitir que um usurpador regional, semelhante a Póstumo, entrasse no colégio imperial por conta própria.

03

Tetrarquia

Fundação

Diocleciano, em algum momento após seu retorno para o oriente, e antes de 293, transferiu o comando da guerra contra Caráusio para Flávio Constâncio, ex-governador da Dalmácia e um oficial militar com experiência desde as campanhas de Aureliano contra Zenóbia duas décadas antes. Ele era o prefeito pretoriano e genro de Maximiano, tendo se casado com Teodora, filha mais velha de Maximiano. Este concedeu o cargo de césar a Constâncio em Mediolano no dia 1º de março de 293. Diocleciano fez o mesmo com Galério, marido de sua filha Valéria e talvez seu prefeito pretoriano, em Filipópolis ou Sirmio na primavera de 293.[nota 6] Constâncio recebeu o controle da Gália e Britânia, enquanto Galério inicialmente ficou responsável pela Síria e Egito.

Derrota de Caráusio

Constâncio, pouco antes de ser elevado a césar, procedeu para cortar Caráusio de sua base de apoio na Gália, retomando Bonônia depois de um cerco ferrenho, um sucesso que fez Caráusio ser assassinado por apoiadores e substituído por seu ajudante Aleto, que manteria seu domínio da Britânia por mais três anos. Ele seria derrotado e morto apenas após uma invasão naval realizada por Júlio Asclepiodoto, prefeito pretoriano de Constâncio. Este retomou Londínio de desertores francos pagos por Aleto, o que lhe permitiu assumir o papel de libertador da Britânia. A supressão a essa ameaça à legitimidade da Tetrarquia permitiu que Constâncio e Maximiano concentrassem seus esforços em outras ameaças, com o primeiro retornando para o Reno em 297 e o segundo lançando-se em campanha total na África contra piratas francos e nômades, terminando com uma entrada triunfal em Cartago no dia 10 de março de 298.

Conflitos nos Bálcãs e Egito

Diocleciano passou a primavera de 293 viajando com Galério até Bizâncio. Ele depois voltou para Sirmio, onde permaneceu até a primavera seguinte. Fez uma nova campanha contra os sármatas em 294, provavelmente no outono, conquistando uma vitória. Isto os manteve longe das províncias do Danúbio por muito tempo. Enquanto isso, Diocleciano construiu fortes ao norte do rio, incluindo em Aquinco, Bonônia, Ulcísia Castra e Intercisa. Estes tornaram-se parte de uma nova linha de defesa chamada Ripa Sarmática. Fez campanha na região novamente em 295 e 296, conquistando uma vitória sobre os carpos. Galério assumiu os deveres de campanhas na região em 299 e 302, enquanto Diocleciano estava no oriente. O imperador tinha garantido o comprimento do Danúbio até o fim de seu reinado, tendo construído fortes, pontes, vias e cidades muradas, além de ter enviado quinze legiões para patrulhar a região; uma inscrição em Sexaginta Prista exaltou que ele restaurou a tranquilidade da região. Essas defesas tiveram um custo elevado, porém mesmo assim foram uma grande realização em uma área de difícil defesa.

Guerra contra a Pérsia

O xainxá Narses assumiu o trono na Pérsia em 294, tendo eliminado seu predecessor Vararanes III, um jovem que tinha sido instaurado governante após a morte de Vararanes II em 293. Narses enviou a Diocleciano no início do ano o pacote costumeiro de presentes entre os impérios, com o imperador romano respondendo com uma troca de embaixadores. O xainxá, enquanto isso, estava destruindo todos os vestígios de seus predecessores imediatos em monumentos públicos. Ele procurou se identificar com monarcas guerreiros como Artaxes I e Sapor I, que tinham derrotado e aprisionado o imperador Valeriano depois de este ter invadido o Império Sassânida. Narses declarou guerra contra os romanos em 295/6. Ele aparentemente invadiu primeiro a Armênia, tomando as terras que tinham sido entregues a Tiridates em 287. O xainxá então seguiu para o sul até a Mesopotâmia romana em 297, onde infligiu uma séria derrota sobre Galério na região entre Carras e Calínico. Não se sabe se Diocleciano também estava na batalha, porém ele rapidamente se afastou de qualquer responsabilidade. Uma cerimônia pública ocorrida em Antióquia estabeleceu a versão oficial de que Galério era o único responsável pela derrota. Diocleciano humilhou Galério publicamente, fazendo-o caminhar por um quilômetro e meio na frente da caravana imperial, ainda vestido das roupas púrpuras de imperador.[nota 7]

04

Perseguições religiosas

Primeiras perseguições

Diocleciano e Galério retornaram para Antioquia pouco depois da conclusão da Paz de Nísibis. Os dois participaram em 299 de uma cerimônia de sacrifício e adivinhação em uma tentativa de prever o futuro. Os arúspices não conseguiram ler as entranhas dos animais sacrificados e culparam os cristãos que trabalhavam na criadagem imperial. Diocleciano e Galério então ordenaram que todos os membros da corte realizassem um sacrifício para purificar o palácio. Os dois enviaram cartas ao comando militar exigindo que o exército inteiro também realizasse os sacrifícios necessários, se não haveria dispensas. Diocleciano era uma pessoa conservadora em questões religiosas, fiel ao panteão romano tradicional e compreensivo sobre as exigências para purificação religiosa. Entretanto, seus contemporâneos Constantino, Eusébio de Cesareia e Lactâncio afirmaram que foi na verdade Galério o principal apoiador de um expurgo de cristãos, além de seu maior beneficiário. Este era ainda mais devoto e dedicado à religião tradicional do que Diocleciano, enxergando uma vantagem política na perseguição religiosa e estando disposto a quebrar com a política governamental de inação sobre a questão.

Grande Perseguição

Diocleciano voltou para Antióquia no outono de 302 e ordenou que o diácono Romão de Cesareia, a quem ele considerava um arrogante, tivesse sua língua cortada por desafiar ordens da corte e interromper rituais de sacrifício. Romão foi enviado para a prisão e executado em 17 de novembro de 303. O imperador deixou a cidade no inverno e seguiu para a Nicomédia junto com Galério. Segundo Lactâncio, Diocleciano e Galério tiveram uma discussão sobre a política imperial em relação aos cristãos enquanto passavam o inverno de 302 para 303 na Nicomédia. Diocleciano argumentou que proibir cristãos de se envolverem na burocracia e em questões militares seria o suficiente para satisfazer os deuses, porém Galério defendia seu extermínio. Os dois procuraram conselhos do oráculo de Apolo em Dídimos. O oráculo respondeu que ímpios na Terra impediam Apolo de proporcionar conselhos. Membros da corte informaram Diocleciano que esses ímpios só poderiam ser os cristãos do império. O imperador, a pedido da corte, cedeu aos pedidos por uma perseguição universal.

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Fim de vida

Doença e abdicação

Diocleciano entrou em Roma no inverno de 303. Ele celebrou o vigésimo aniversário de seu reinado em 20 de novembro junto com Maximiano, além do décimo aniversário da tetrarquia e um triunfo pela guerra contra a Pérsia. O imperador logo ficou impaciente com a cidade, pois os habitantes o estavam tratando com uma "familiaridade licenciosa", segundo Lactâncio. O povo da cidade não deu deferência suficiente para sua autoridade, já que era esperado que ele desempenhasse o papel de governante aristocrático, não monárquico. Diocleciano deixou Roma em 20 de dezembro e foi para o norte. Ele nem chegou a realizar as cerimônias o investindo com seu nono consulado, realizando-as em vez disso em Ravena em 1º de janeiro de 304. Lactâncio e os Panegíricos Latinos sugerem que Diocleciano fez arranjos ainda em Roma para que ele e Maximiano se aposentassem no futuro. Segundo esses mesmos relatos, Maximiano jurou cumprir os planos de Diocleciano durante uma cerimônia no Templo de Júpiter Capitolino.

Aposentadoria e morte

Diocleciano voltou para sua terra natal na Dalmácia, indo morar em um enorme palácio que tinha construído nas margens do Mar Adriático. Maximiano, por sua vez, foi morar em vilas na Campânia ou Panônia. Suas novas casas eram distantes da vida política, porém mesmo assim os dois estavam próximos o bastante para manterem contato regular um com o outro. Galério assumiu as fasces consulares em 308 tendo Diocleciano como seu colega. Galério encontrou-se com Diocleciano em Carnunto no outono de 308. Este e Maximiano estiveram presentes em 11 de novembro para testemunhar Galério nomear Licínio como imperador após Severo ter sido morto por Magêncio. Diocleciano também ordenou que Maximiano, que tinha tentado retomar o poder, encerrasse sua nova reivindicação. O povo de Carnunto implorou para que Diocleciano retornasse ao poder a fim de resolver os conflitos que tinham surgido com a ascensão de Constantino e usurpação de Magêncio, porém ele gentilmente recusou.

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Reformas

Tetrárquica e ideológica

Diocleciano enxergou seu trabalho como de um restaurador, uma figura de autoridade cujo dever era devolver a paz ao império, recriar estabilidade e justiça onde hordas bárbaras as tinham destruído. Ele arrogou, arregimentou e centralizou a autoridade política em uma escala massiva. Suas políticas forçaram um sistema de valores sobre populações provinciais diversas e frequentemente não receptivas. A propaganda do período deturpava e minimizava a história recente a serviço da temática dos tetrarcas como restauradores. As realizações de Aureliano foram ignoradas, a Revolta de Caráusio foi datada para o reinado de Galiano e foi implicado que os tetrarcas armaram a derrota de Aureliano para os palmirenas. O período entre Galiano e Diocleciano foi efetivamente apagado. A história do império antes da tetrarquia foi retratada como uma época de guerra civil, despotismo selvagem e ruína imperial. Os tetrarcas, nas inscrições com seus nomes, eram chamados de "restauradores do mundo inteiro" e homens que conseguiram "derrotar as nações de bárbaros e confirmar a tranquilidade de seu mundo". Diocleciano também foi chamado de "fundador da paz eterna". O tema de restauração era conjunto com uma ênfase da singularidade das realizações dos próprios tetrarcas.

Administrativas

O conselho de Diocleciano também diferia de seus predecessores, seguindo de acordo com sua mudança de ideologia de republicanismo para autocracia. Ele destruiu a ilusão de Augusto do governo imperial como uma questão cooperativa compartilhada entre imperador, Senado e Exército. No seu lugar ele estabeleceu uma estrutura autocrática, uma mudança depois enfatizada por seu nome institucional: seria chamado de consórcio, não conselho. Diocleciano regulou sua corte ao distinguir departamentos separados para funções diferentes. Desta estrutura surgiram cargos de diferentes mestres, como o mestre dos ofícios, e secretariados associados. Os ocupantes desses cargos eram adequados para lidar com petições, pedidos, correspondências, assuntos jurídicos e embaixadas estrangeiras. Diocleciano manteve um corpo permanente de conselheiros jurídicos dentro de sua corte. Havia também dois ministros da economia que lidavam com órgãos separados para o tesouro público e os domínios pessoais do imperador. Diocleciano reduziu a guarda pretoriana ao nível de uma guarnição e diminuiu os poderes de seu prefeito, apesar de o cargo ainda reter grande influência. O prefeito pretoriano mantinha uma equipe de centenas e cuidava de assuntos em todos os segmentos do governo, frequentemente sendo o segundo em comando, abaixo apenas do imperador.

Jurídicas

Boa parte da rotina de Diocleciano, assim como imperadores anteriores, girava ao redor de assuntos jurídicos, como responder a apelos e petições ou entregar decisões sobre questões em disputa. Rescritos, interpretações autoritárias emitidas pelo imperador em resposta a exigências de disputantes tanto em casos públicos quanto privados, eram um dever comum de imperadores dos séculos II e III. Diocleciano ficava inundado de papelada e era quase incapaz de delegar suas funções, porém ignorá-la seria visto como negligência do dever. Seus prefeitos pretorianos Afrânio Hanibaliano, Júlio Asclepiodoto e Aurélio Hermogeniano ajudavam na regulamentação do fluxo e apresentação de tal papelada, porém o enorme legalismo enraizado na cultura romana mantinha o trabalho constantemente pesado. Imperadores nos quarenta anos anteriores não conseguiram cuidar desses deveres de forma tão eficiente e sua emissão de rescritos foi baixa. Entretanto, Diocleciano era pródigo nessas questões, com mais de mil rescritos em seu nome tendo sobrevivido ao tempo, representando apenas uma pequena porção da emissão total. Esse aumento vertiginoso foi interpretado como evidência de seu esforço para realinhar o império nos termos ditados pelo centro imperial.

Militares

É arqueologicamente difícil distinguir as fortificações de Diocleciano daquelas de seus predecessores e sucessores. Por exemplo, os Diques do Diabo, uma série de aterros e fortificações no rio Danúbio tradicionalmente atribuídos a Diocleciano, não podem ser datados com segurança para um século específico. O que mais pode ser dito sobre estruturas construídas durante seu reinado é que ele reconstruiu e fortaleceu fortes ao longo da linha Reno-Iller-Danúbio, no Egito e na fronteira com a Pérsia. Além disso, boa parte das discussões são especulativas e dependem de generalizações das fontes escritas. Diocleciano e os tetrarcas não tinham um plano consistente para avanços na fronteira, e registros de ataques e fortes construídos nas regiões fronteiriças provavelmente indicam apenas reivindicações temporárias. A Estrada Diocleciana ao longo da fronteira oriental representa o sistema fronteiriço diocleciânico clássico, formado por uma estrada seguida por fortes bem espaçados e depois por mais fortificações na retaguarda.

Econômicas

Diocleciano introduziu um novo sistema de impostos baseado em cabeças e terras e relacionado com um novo censo regular da população e riqueza do império. Funcionários do censo viajavam por todo o império, avaliavam o valor do trabalho e terra de cada fazendeiro e somavam os números de cada um para produzir números totais de cabeças e terras para cada cidade. Não havia uma medida consistente de terra e ela variava de acordo com o tipo de terra, colheita e trabalho necessário para sua sustentabilidade. Também não havia uma medida consistente para cabeças, com mulheres, por exemplo, sendo frequentemente avaliadas como meia-cabeça e algumas vezes como outros valores. Cidades iriam pagar seus impostos com animais, dinheiro e mão de obra em proporção ao valor de sua cabeça, enquanto grãos seriam entregues em proporção à terra.

07

Legado

O historiador A. H. M. Jones comentou que "Talvez a maior realização de Diocleciano foi que ele reinou por vinte e um anos e então abdicou voluntariamente, passando o restante de seus anos em uma aposentadoria pacífica". Diocleciano foi um dos pouquíssimos imperadores dos séculos III e IV a morrer de causas naturais e o primeiro a se aposentar voluntariamente. Entretanto, o sistema da Tetrarquia ruiu depois de ele abdicar e o império frequentemente caiu em guerra civil sem sua presença. A estabilidade só retornou após 324, quando Constantino emergiu vitorioso. Todas as realizações de Diocleciano foram repudiadas sob o cristão Constantino, porém o reinado deste validou essas realizações e o princípio autocrático que ele representava. As fronteiras permaneceram seguras, mesmo com os enormes gastos militares de Constantino durante suas guerras civis; a transformação burocrática do governo romano foi completada e Constantino deixou as cerimônias da corte de Diocleciano ainda mais extravagantes.

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Fontes consultadas

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