Marabá
Marabá é um município brasileiro localizado no sudeste do estado do Pará, Região Norte do país. Sua localização tem, por referência, o ponto de encontro entre dois grandes rios, Tocantins e Itacaiúnas, formando uma espécie de "y" no seio da cidade vista de cima. A sede municipal é formada basicamente por seis núcleos urbanos interligados por rodovias.
A etimologia da palavra "Marabá" remete ao vocábulo indígena mayr-abá, que significa filho do estrangeiro com a índia ou ainda, fruto da índia com o branco. Um poema escrito por Gonçalves Dias teria inspirado Francisco Coelho a denominar o seu armazém de aviamento de Casa Marabá, no então povoado de Pontal. O armazém, na verdade um grande barracão, servia aos pioneiros de todo tipo de secos e molhados. Lá, segundo a tradição, Coelho comprava o caucho coletado, andiroba, copaíba, frutos da mata, caças diversas, e nos fundos mantinha um cabaré, com a venda de bebidas e apresentações de mulheres. Somente em 1904, a subprefeitura do "Burgo do Itacaiúnas" é transferida para o povoado de Pontal, na época com 1 500 habitantes, com o nome de Marabá. É a primeira vez que esta denominação aparece em um documento oficial.
A história de Marabá compreende, tradicionalmente, o período desde a chegada dos comerciantes de drogas do sertão e chefes políticos deslocados do norte da província de Goiás, até os dias atuais. Embora o seu território seja habitado continuamente desde tempos pré-históricos por índios nômades, a região permaneceu praticamente intocada até o início da década de 1890, com raros contatos com europeus e bandeirantes, que desde o século XVI exploravam a região. A primeira tentativa oficial de colonização de origem europeia, no entanto, somente ocorreu em 18 de março de 1809, quando, em um decreto, dom João VI aprovou a criação da Capitania de São João das Duas Barras e nomeou Theotônio Segurado para ouvidor da mesma. A capitania existiu entre 1809 e 1814, e compreendia o território do atual estado brasileiro do Tocantins (na época, capitania de Goiás) e a porção sul da capitania do Grão-Pará. Durante o período em que sustentou o status de capitania, teve duas sedes, sendo uma delas a freguesia de Barra do Tacay-Una, atual Marabá, que havia sido escolhida como capital pelo próprio rei.
Colonização e povoamento
Os primeiros a participarem da formação do povoado de Marabá foram chefes políticos deslocados de guerrilhas que tinham o norte de Goiás como palco, mais precisamente a cidade de Boa Vista do Tocantins (atual Tocantinópolis). O coronel Carlos Leitão deslocou-se, acompanhado de seus familiares e auxiliares de trabalho, chegando em dezembro de 1894 ao sudeste do Grão-Pará, estabelecendo seu primeiro acampamento em localidade situada em terras próximas à confluência do rio Itacaiúnas. Fixaram-se definitivamente na margem esquerda do Tocantins, cerca de 10 km rio abaixo do outro acampamento, em local que foi denominado Burgo do Itacaiúnas (Burgo do Itacayúna, na grafia arcaica), em 5 de agosto de 1895.
Formação do município
No bojo dos conflitos que ficaram conhecidos como a segunda guerrilha do Tocantins, entre 1907 e 1909, Marabá acabou por envolver-se seriamente nas hostilidades entre os grupos partidários pela integração da região ao Goiás e aqueles que não desejavam a mudança do status quo territorial do Pará. O resultado do acirramento dos ânimos se deu com o episódio conhecido como a Batalha dos Galegos, que acabou por acelerar o processo de emancipação municipal, dando fruto também à "Declaração de Marabá" e ao movimento do "estado do Itacaiúnas" (atual estado do Carajás). Desse entreposto comercial, onde o "Itacaiunas desaguando no Tocantins, apertando uma faixa de terra em forma de península",[nota 2] surgiu a cidade de Marabá. Criado em 27 de fevereiro de 1913, através da lei estadual 1 278, o município foi instalado formalmente em cinco de abril do mesmo ano, data que passou a ser comemorada como seu aniversário. O primeiro presidente da Comissão Administrativa Municipal, cargo à época correspondente ao de presidente da câmara dos vogais, foi o coronel Antônio Maia, escolhido e nomeado na data de instalação. Marabá, mesmo sediando o município, permaneceu com a categoria de vila por quase dez anos, recebendo o título de cidade em 27 de outubro de 1923, através da lei estadual 2 207. Em 1914, Marabá passou a sediar a comarca, em ato instituído através do decreto 3 057, de 7 de fevereiro de 1914. A instalação da comarca se deu em 27 de março de 1914, procedida pelo juiz de direito José Elias Monteiro Lopes.
Década de 1970
Com a abertura da PA-70 (atualmente um trecho da BR-222), em 1969, Marabá é ligada à Rodovia Belém-Brasília. A implantação de infraestrutura rodoviária fez parte da estratégia do governo federal de integrar a região ao resto do país. Além disso, o plano de colonização agrícola oficial, a instalação de canteiros de obras, especialmente a construção da Hidroelétrica de Tucuruí, a implantação do Projeto Ferro Carajás (todos estes depois inseridos no Programa Grande Carajás) e a descoberta da mina de ouro da Serra Pelada, aceleraram e dinamizaram as migrações para Marabá nas décadas de 1970 e 1980. Em 1970, o município foi declarado Área de Segurança Nacional (Decreto-lei 1 131, de 30 de outubro de 1970), condição que perdurou até o fim da ditadura militar em 1985. Aliado ao fato de a região ser estratégica para a política de integração, ela foi o ambiente da Guerrilha do Araguaia, resultando numa presença ostensiva das tropas do Exército Brasileiro, tornando, a cidade, uma das bases de operações das tropas federais. Também em 1970 foi criado o Programa de Integração Nacional (PIN) que, dentre outras medidas, previa a construção da rodovia Transamazônica, cujo primeiro trecho foi inaugurado em 1971, juntamente com a criação de um posto do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em Marabá.
Década de 1980
Em 1979/1980, a cidade é assolada pela maior enchente da sua históriaː o Rio Tocantins sobe 17,42 metros. Em consequência disto, há uma reformulação no planejamento do crescimento e expansão urbana da cidade. Em 1984, entra em funcionamento a Estrada de Ferro Carajás e, em 1988, se dá início aos preparativos para a instalação de indústrias siderúrgicas para produção de ferro-gusa, negócio que veio trazer grandes benefícios econômicos para o município. Em 1985, Marabá deixa de ser área de Segurança Nacional e, na eleição para prefeito - a primeira eleição direta realizada sob a égide da Nova República - Hamilton de Brito Bezerra (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) derrota Oswaldo dos Reis Mutran (Partido Democrático Social), cessando uma longa hegemonia na política local da chamada "oligarquia da castanha". Tal fato aconteceu devido ao apoio de boa parte das lideranças camponesas, do então governador Jader Barbalho e de movimentos sociais.
Da década de 1990 à crise econômica
A década de 1990 é marcada pelo acirramento dos conflitos no meio rural. Neste período, há uma explosão demográfica muito grande nesta região, causada principalmente pela grande demanda de mão de obra, não acompanhada de políticas estatais de contenção demográfica e qualificação do trabalhador. A mão de obra não qualificada acabava sendo deslocada para a zona rural, o que, aliado às questões de irregularidades fundiárias existentes desde a década de 1970, acabavam por aumentar as tensões no meio rural. Tais tensões no campo culminaram em assassinatos de sindicalistas, camponeses, líderes religiosos e políticos. Em 2011, Marabá participou ativamente, com todo o sudeste do Pará, da consulta plebiscitária que definiu sobre a divisão do estado do Pará. O município sedia os dois principais organismos de luta pela causa na região. Embora ocorresse expressiva votação em Marabá favorável à divisão (mais de 90% de aprovação), o peso da região de Belém se fez maior e se sobrepôs ao anseio local. Entretanto, mesmo com a derrota na votação, o município continua, juntamente com a região, a pleitear a separação para criação do estado do Carajás.
Centenário - presente
O ano de 2013 foi especial para o município, pois culminou em seu centenário de emancipação política. Na semana do centenário, entre 1 e 7 de abril, muitas programações culturais e artísticas foram realizadas no município. Várias celebrações foram feitas, dentre elas a reconstituição da viagem de balsa capitaneada por Carlos Leitão de Carolina até Marabá. A expedição, com balsa construída inteiramente de talos e palhas de Buriti, no intuito de replicar a característica da embarcação original construída pelo Coronel Leitão, foi promovida pela equipe de técnicos e pesquisadores da Casa da Cultura, que por impossibilidade de navegação em virtude da existência da Hidroelétrica do Estreito, não saiu de Carolina, mas da cidade vizinha, Estreito. Todo o percurso iniciou-se em 16 de abril e foi finalizado no dia 27 de abril, com grande festa em Marabá.
Ocupando uma área de 15 128,058 km², Marabá conta, em 2020, com 283 542 habitantes, sendo o décimo município mais populoso da região Norte do Brasil. A sede municipal apresenta as seguintes coordenadas geográficas: 05º 21' 54" latitude Sul e 049º 07' 24" longitude WGr. Localizada no sudeste do Pará, limita-se com os municípios de: Novo Repartimento, Itupiranga, Nova Ipixuna e Rondon do Pará (ao norte); São Geraldo do Araguaia, Eldorado do Carajás, Curionópolis e Parauapebas (ao sul); Bom Jesus do Tocantins, São João do Araguaia e São Domingos do Araguaia (ao leste); e São Félix do Xingu (ao oeste). De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Marabá. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Marabá, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Sudeste Paraense.
Clima
O clima é tropical semiúmido (Aw) com temperatura média compensada anual em torno dos 27 ºC, baixas amplitudes térmicas e índice pluviométrico elevado, próximo aos 1 900 milímetros (mm) anuais, concentrados entre os meses de dezembro e abril. Com mais de 2 200 horas de insolação, a umidade do ar é relativamente elevada, porém na estação seca (junho a setembro), conhecida como "verão amazônico", quando são registradas as maiores temperaturas do ano e as chuvas se tornam mais escassas, os valores despencam, aumentando a ocorrência de queimadas. A velocidade média do vento é de 1,4 m/s, com predominância no sentido de nordeste. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1973 a menor temperatura registrada em Marabá foi de 15,6 ºC em 20 de outubro de 1975, e a maior atingiu 39,7 ºC em 1° de setembro de 1991. O maior acumulado de precipitação em 24 horas atingiu 182 mm em 22 de dezembro de 1991. Outros grandes acumulados foram 162,8 mm em 2 de novembro de 2011, 157,5 mm em 1° de fevereiro de 1974, 150,8 mm em 7 de dezembro de 1990 e 150,3 mm em 8 de fevereiro de 1990.
O município de Marabá tem uma área de 15 128,058 km². Sua expansão urbana e rural se define pelos grandes acidentes geográficos presentes em todo o território do município. A área urbana do município corresponde somente por cerca de 0,20% da área total do mesmo ou 29,97 km². A população do município foi estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 283 542 habitantes em 2020. Porém o Ministério da Saúde, considerando a população flutuante, aumenta esse número em 7% quando são repassados recursos do Sistema Único de Saúde para a cidade, elevando-o para 303.389 moradores. Uma população bastante miscigenada, praticamente todos os estados brasileiros estão representados em Marabá, com maior volume de nordestinos, mas goianos, paulistas e mineiros também fixaram moradia no município. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Marabá possuía 159.055 eleitores em 2016. Marabá teve considerável crescimento populacional a partir de 1970, como pode verificar no gráfico abaixo.
Religião
Na administração da Igreja Católica Romana, o município é abrangido pela Arquidiocese de Belém do Pará e pela Diocese de Marabá. Desde as suas origens, Marabá tem muita ligação com seu padroeiro, São Félix de Valois, o qual possui igreja própria na cidade. O município possui os mais diversos credos protestantes ou reformados, como a Igreja Luterana, a Igreja Presbiteriana, a Igreja Metodista, a Igreja Adventista, a Igreja Batista, a Igreja Assembleia de Deus Missão, a Igreja Universal do Reino de Deus, as Testemunhas de Jeová, entre outras. Há uma visível tendência de crescimento de denominações de raiz protestantes em Marabá. As igrejas protestantes se espalham por todos os bairros e vilas do município, o que mostra a grande popularidade que estas conseguiram.
Administração
De acordo com a Constituição de 1988, Marabá está localizada em uma república federativa presidencialista. A forma de Estado foi inspirada no modelo estadunidense, no entanto, o sistema legal brasileiro segue a tradição romano-germânica do direito positivo. O federalismo no Brasil é mais centralizado do que o federalismo estadunidense; os estados brasileiros têm menos autonomia do que os estados norte-americanos, especialmente quanto à criação de leis. A administração municipal se dá pelo poder executivo e pelo poder legislativo. Tradicionalmente considera-se que o primeiro representante do poder executivo e Presidente da Comissão Administrativa do município foi Antônio da Rocha Maia, nomeado logo após a emancipação do município. Desde 2017 o cargo é ocupado, pela segunda vez, por Sebastião Miranda Filho.[carece de fontes?]
Contexto regional
A Comarca Judiciária de Marabá não faz parte da administração direta de Marabá, contudo é responsável pelos municípios da Região Geográfica Imediata de Marabá. A Subseção Judiciária de Marabá é responsável por todo o Sudeste Paraense, portanto, Marabá sedia todos os órgãos judiciários da região e entorno.[carece de fontes?] Estatisticamente o município de Marabá faz parte da Região Geográfica Intermediária de Marabá e da Região Geográfica Imediata de Marabá, e historicamente/culturalmente do chamado-sul-sudeste paraense ou região do Carajás.[carece de fontes?] No contexto macropolítico, Marabá sedia diversos órgãos federais e estaduais inclusive as sedes da Associação dos municípios do Araguaia e Tocantins e do Consórcio Público Intermunicipal de Saúde do Araguaia e Tocantins. A cidade também sedia os fóruns sobre a temática da nova unidade federativa de Carajás.
O município de Marabá está oficialmente subdividido em doze distritos. Um deles é urbano, pois é a sede do município, e os outros onze se encontram na zona rural. Devido às dimensões e aos grandes acidentes geográficos presentes em todo seu território, algumas vilas e comunidades da zona rural encontram-se isoladas e são administradas por municípios vizinhos e, em contrapartida, Marabá administra comunidades de municípios do entorno que estão mais próximas de sua zona urbana. Os órgãos oficiais marabaenses não forneçam informações centralizadas sobre o número exato de bairros do município ou, quando fazem, divulgam dados divergentes. Isto se deve ao mal planejamento das ações públicas e a grande quantidade de ocupações irregulares, invasões, além de inúmeros loteamentos.
Marabá vivenciou vários ciclos econômicos que colaboraram fortemente para que na contemporaneidade seja considerado um dos municípios de maior dinamismo e com capacidade de investimentos das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Até o início da década de 1980 a economia era baseada no extrativismo vegetal. No início o extrativismo girava em torno do látex do caucho, cuja lucrativa exploração atraiu grande número de nordestinos. Desde o fim do século XIX (1894) até o final da década de 1940, o extrativismo foi marcado pelo ciclo da borracha que contribuiu sobremaneira para a economia do município e da região. Porém, a crise da borracha levou o município a experimentar o ciclo da castanha-do-pará, que capitaneou por anos a economia municipal. Houve também o ciclo dos diamantes, nas décadas de 1920 e 1940, que eram principalmente encontrados no leito e às margens do rio Tocantins. Com o despontamento da Serra Pelada e por situar-se na maior província mineral do mundo, Marabá também viveu o ciclo dos garimpos, que teve como destaque maior a extração do ouro.
Agricultura, pecuária e extrativismo
Marabá é o centro econômico e administrativo da região conhecida como "fronteira agrícola Amazônica" - maior produtora de commodities agrícolas da amazônia brasileira. A agricultura do município é diversificada, tendo produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, como a castanha-do-brasil, soja, milho, arroz e feijão, de frutas, como a banana, mamão e o cajá. O extrativismo vegetal, não possui a mesma dimensão que as demais atividades primárias, contudo ainda persiste principalmente na coleta de castanha-do-brasil. A pecuária com base na criação de gado bovino para corte e leite, é uma atividade de grande importância para o município, além de assegurar uma das formas de subsistência da população, proporciona o desenvolvimento regional e local, pela criação em grande escala, sendo comercializado nas diversas regiões brasileiras, e também no exterior. O rebanho local é destaque pela sua qualidade, sendo um dos mais expressivos rebanhos bovinos do estado, resultado advindo do uso de tecnologia de ponta na seleção e fertilização. Possui também rebanhos de suínos, equinos e ovinos, além de grande criação de aves para corte.
Indústria e mineração
Através da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Pará (CDI), foi instalado no final da década de 1980, numa área de 1.300 hectares, o Distrito Industrial de Marabá (DIM), para criar a base de um pólo sídero-metalúrgico para o beneficiamento e semibeneficiamento do minério de ferro extraído da Serra dos Carajás, uma área de mineração sob concessão da Vale S.A. O parque industrial do município também produz de aço para construção civil, produtos agroquímicos, insumos minerais e equipamentos para mineração. A economia industrial do município também conta com a mineração de ferro, ouro, cobre e manganês e outros minerais; com destaque para a mineração do cobre, que está concentrada principalmente no Complexo Mineral do Salobo (uma extensão da Serra dos Carajás), com capacidade nominal estimada de 200 mil toneladas anuais, sendo o mais importante gerador de róialtis para o município, e; a Mina da Buritirama, na serra homônima, onde há a extração de manganês.
Comércio e serviços
O setor de comércio e serviços também tem sua parcela de contribuição. Marabá conta com aproximadamente cinco mil estabelecimentos divididos entre comércio formado por micros, pequenas, médias e grandes empresas e serviços hospitalares, financeiros, educacionais, de construção civil e de serviços públicos. É um setor muito forte e que vem apresentando bons índices de crescimento. Isto se deve à posição de Marabá como entreposto regional, com o município acabando naturalmente por sediar todos os principais organismos de representatividade do sul e sudeste do Pará (região do Carajás), dando, assim, ainda mais visibilidade perante a região e o estado. O comércio é dinâmico graças exatamente a esta condição de entreposto comercial que Marabá desempenha em relação ao sul e sudeste do Pará.
Marabá detém uma relevante infraestrutura se comparado aos municípios da região do Carajás, porém, se comparado a outras cidades médias das regiões Norte e Nordeste do Brasil, está deveras aquém neste quesito. O serviço de água e esgoto de Marabá é feito pela Cosanpa. A água consumida pelos habitantes de Marabá é proveniente dos rios Tocantins e Itacaiunas, que passa por tratamento nas estações de tratamento de água do município.[carece de fontes?] A energia elétrica é fornecida pela empresa Celpa, que possui quatro subestações, uma no bairro Folha 19, uma no bairro Jardim Vitória, uma no bairro Gabriel Pimenta (núcleo urbano da Morada Nova) e outra no núcleo urbano do Distrito Industrial. A subestação localizada no núcleo urbano da Morada Nova, é o centro distribuidor da rede Norte-Sul do sistema Eletrobrás, que fornece energia ao Sudeste do Brasil. Em dezembro de 2017 Marabá contava 53 com estabelecimentos bancários e financeiros, entre agências e postos de atendimento, com operações de crédito na casa dos 288 112,00 mil reais (2008), e a poupança com 109 804,00 mil reais (2008), além de nove agências e um centro regional de distribuição dos Correios.
Segurança
Devido ao forte crescimento econômico, que impulsiona grandes correntes migratórias, aliado à ineficácia estatal em gerir políticas públicas de qualidade, principalmente para a juventude, Marabá vem apresentando altos índices de violência. O município foi considerado o 22º com maiores taxas de homicídio do Brasil, segundo a pesquisa "Mapa da Violência 2015" elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), em 2015, e o 5º entre os municípios paraenses onde os jovens estão mais expostos à criminalidade, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em 2016. De acordo com o relatório da Organização dos Estados Ibero-Americanos de 2007, o município ainda apresentava altos índices de violência no campo, tendo como principais fatores: a grilagem de terras, o desmatamento ilegal e a pressão do agronegócio por mais terras somados à fraca atuação do Estado são os principais ingredientes para que a violência prolifere na região. O município ainda é um dos campeões de incidência de trabalho escravo, que, somado aos indicadores de homicídios no campo, coloca-o entre os líderes do ranking de violência no meio rural.
Educação
Marabá conta com escolas em praticamente todas as regiões do município, contudo, está longe de figurar entre os seus melhores indicadores. As escolas da rede estadual contam com infraestrutura abaixo do ideal, e em sua maioria encontram-se sucateadas, principalmente na zona rural. A rede municipal de ensino conta com escolas em melhores condições alcançando a meta do IDEB de 2015 para o município (4,1), no entanto, na avaliação geral segundo o Ministério Público, o ensino ainda é de má qualidade. No que tange à educação profissional e superior, o município conta cerca de 30 unidades de ensino, um número relativamente alto, se comparado aos municípios que não são capitais na região Norte do Brasil. As universidades públicas mantém 7 campus e polos no município, com destaque para a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, a Universidade do Estado do Pará e o Instituto Federal do Pará (este último com vias de tornar-se o Instituto Federal do Sul e Sudeste do Pará). Com este perfil, Marabá é considerada a primeira localidade do interior da Amazônia com perfil de "polo/cidade universitária".
Saúde
Segundo dados do IBGE/2009, Marabá possui 61 estabelecimentos de saúde, sendo 31 deles públicos, entre hospitais, prontos socorros, postos de saúde e serviços odontológicos. Em 2009, a cidade possuía 444 leitos para internação em estabelecimentos de saúde, sendo 344 públicos e 100 privados. Mesmo com estes indicadores, não há um reflexo na qualidade da saúde no município, um fator que força para baixo indicadores de saúde e longevidade de toda região, visto que Marabá é o polo de saúde do sul do estado. Contando com 6 hospitais, sendo 4 públicos, ainda o Hospital Municipal de Marabá (HMM) é o mais requisitado no atendimento ao público de Marabá e de toda a região, estando constantemente superlotado, com estruturas degradadas ou com falta de profissionais. Como suporte há o Hospital Regional do Sudeste do Pará Dr. Geraldo Veloso (HRSP; referência em alta complexidade no sul e sudeste do estado), o Hospital Materno Infantil de Marabá (HMIM) e o Hospital da Guarnição de Marabá (HGuMba), este último subordinado à 23ª Bda Inf Sl, sendo um dos melhores hospitais da região, embora não ofereça atendimento ao público em geral. As únicas instituições privadas do tipo, até 2018, eram o Hospital Unimed Sul do Pará (HUSP; antigo Hospital CLIMEC) e o Hospital Santa Teresinha (HST).
Comunicações
Marabá possui uma considerável estrutura de meios de comunicação, indo desde os tradicionais jornais, que já circulavam em Marabá na década de 1900, como é o caso do antigo periódico católico "A Cruz", até os meios mais recentes, concentrados nos sistemas de internet. Dado a polaridade que exerce sobre outros municípios, Marabá concentra inclusive alguns conglomerados midiáticos regionais. Os meios impressos como o jornal Correio de Carajás, criado em 15 de janeiro de 1983, pelo jornalista Mascarenhas Carvalho da Luz, e o Jornal Opinião Marabá, criado em 1995 pelo jornalista João Salame Neto e o publicitário Cláudio Feitosa Felipeto, são referências na comunicação regional. Muitos jornais de Marabá circulam também em Belém e no Sudeste do Pará.
Mobilidade e transportes
Marabá tem um razoável sistema de transportes que a liga a várias cidades do interior paraense, a capital e a todo território nacional, por meio de rodovias, aeródromos, ferrovias e por meio fluvial. Somente para o transporte rodoviário, há cinco terminais interurbanos: Terminal Pedro Marinho (Folha 32), Terminal Miguel Pernambuco (km 06/Maria da Cruz), Terminal COOPERMABI (Cidade Nova), Terminal Dionor Maranhão (Laranjeiras) e Terminal Morada Nova (bairro homônimo). Em 2016 a frota de veículos em Marabá era de 104.587 (terceira maior do estado), sendo 27.267 automóveis, 3.691 caminhões, 642 caminhões-tratores, 11.308 caminhonetes/camioneta, 57.644 motos/motonetas, 1.084 ônibus/micro-ônibus e apenas 11 tratores agrícolas.
Tecidos urbanos
Marabá possui uma miríade de tecidos urbanos. Os núcleos originais da cidade apresentam-se alterados, conservando-se poucos dos edifícios históricos; e as periferias desenvolvem-se, de forma geral, com edificações de em geral quatro compartimentos, sem lage ou construção superior. Comparada a outras cidades médias (como as cidades de Vitória da Conquista/BA, Foz do Iguaçu/PR e Volta Redonda/RJ), porém, Marabá é considerada uma cidade de "edifícios baixos". A heterogeneidade de tecidos, porém, trouxe, porém, para as regiões centrais, pessoas em extrema pobreza, indigentes, tráfico de drogas, comércio ambulante e prostituição, o que incentivou a criação de novas centralidades do ponto de vista socioeconômico.
Cultura e costumes
Com um rico mosaico cultural, Marabá é considerada uma terra cosmopolita, onde se encontram todas as facetas do Brasil (e do mundo), em todas as suas formas e expressões, refletindo-se na culinária, literatura, música, artes, festas, etc..
Culinária
A culinária marabaense se distingue um pouco da culinária paraense, mas tem muitos elementos desta, principalmente pelo fato de que todo o estado tem influência indígena neste ponto. Porém, em Marabá, alguns pratos relevam-se em relação ao resto do Pará, tanto por fator cultural quanto por fator étnico. Um exemplo disso é que o povoamento teve participação ativa de nordestinos, mineiros, goianos, sírios, palestinos e libaneses, que trouxeram para Marabá seus costumes e seus tipos de comida. São as principais iguarias da culinária local e as que se integraram aos costumes: marizabel, suco do guaraná, frango com pequi, peixe com abóbora cabotia, vinho de açaí, tucunaré ao leite de castanha, cozidão de bagre, grelhados à base de coco babaçu, pão de queijo, tacacá, arroz árabe, tabule, frango árabe, pão árabe, quibe-cru, charuto árabe, mudárdara, sopa de lentilhas, cafta, salada de berinjela, homus, tahine, esfirra, carneiro assado ou guisado, arroz-doce e cuscuz.
Música, literatura e artes visuais
Devido à intensa migração ter trazido brasileiros de todas as partes para o município, a cultura local diferenciou-se da cultura tradicional paraense, inclusive na música. É possível observar a preferência pelos gêneros sertanejo, forró e reggae, distanciando-se um pouco do brega que é estilo musical predominante no Pará. Desse "mix cultural musical" há inclusive ritmos locais genuínos e de musicalidade e sonoridade próprias a partir de mistura de forró, arrocha, brega, reggae e sertanejo. A influência de outras culturas se deu também no campo da literatura. As misturas decorrentes das migrações têm ocasionado a produção de uma literatura e de uma arte diferente e de qualidade, ou seja, uma significação positiva dos desdobramentos da migração como produtividade cultural enriquecida pelos cruzamentos. Os principais expoentes da literatura local são Airton Souza, Ademir Braz, Frederico Morbach, Abílio Pacheco, Creusa Salame, Maria Virgínia Bastos de Mattos, Janaílson Macedo, Charles Trocatte e Rosana Salame.
Festas populares
A Festas juninas, no mês de junho, Marabá busca preservar as tradições ao comemorar os festejos juninos. A Secretaria Municipal de Cultura abre inscrições para os grupos de bois-bumbá, quadrilhas roceiras e alegóricas, que fazem o espetáculo maior da festa caipira. Tradicionalmente a festa acontece na Praça Cipriano Santos, mas foi inovado em 1999, com apresentações em outros núcleos da cidade, com desfiles dos participantes na Avenida Antônio Maia, em direção ao Arraial da Praça, onde se encontram montadas barracas de comidas típicas e bebidas, completando o sucesso da festa. São Félix de Valois (lê-se valoá)[nota 3] é o Padroeiro de Marabá. Todos os anos, uma festa é feita em sua homenagem. Durante dez dias, na praça da primeira igreja erguida na cidade acontecem quermesses com música ao vivo, comidas típicas, bingos, leilões entre outras opções.
Eventos
A cidade de Marabá sedia inúmeros eventos de relativa repercussão, tais como: O Festival Internacional Amazônida de Cinema de Fronteira (FIA-CINEFRONT) é um festival de cinema que reúne produções nacionais e de diversos países promovido pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. É composto pela mostra de obras fílmicas de indígenas, camponeses, entre outros. As corridas do Aço, da Infantaria, de 5 de Abril são tradicionais maratonas que ocorre, respectivamente nos meses de outubro, maio e abril. Os eventos reúnem atletas profissionais e amadores, visando promover a cultura da saúde e da qualidade de vida por meio da prática esportiva.
Esportes
A prática de esportes é muito comum entre a população de Marabá. As principais modalidades praticadas são a corrida rústica e o futebol, mas há também prática de voleibol, basquete, kart, de paraquedismo, exploração de cavernas, desportos aquáticos, futsal, rugby, entre outros. Em Marabá destacam-se as equipes de futebol Águia de Marabá, fundado em 22 de janeiro de 1982, e o Gavião Kyikatejê Futebol Clube, fundado também na década de 1980. Em 2008 o Águia foi campeão da Taça Cidade de Belém, e em 2010, campeão da taça estado do Pará do Campeonato Paraense de Futebol, todavia, ficou somente com o vice-campeonato nas duas edições. O time já disputou a série C, ficando na edição de 2008 na 5ª colocação, e; na edição de 2010, também passou perto do acesso a série B. O principal estádio da cidade é o Zinho Oliveira, onde o Águia de Marabá e o Gavião Kyikatejê, mandam seus jogos pelos campeonatos oficiais.


