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Dinastia omíada

Os omíadas ou Banu Omaia foram um importante clã dos coraixitas de Meca, descendente de Omaia ibne Abede Xemece, filho de Abede Xemece e neto de Abede Manafe. Durante a Jailia, figuraram entre os grupos mais ricos e influentes da cidade, participando das redes comerciais que ligavam Meca à Síria e ao Iêmem e mantendo alianças com tribos árabes das regiões central e setentrional da Península Arábica. Dividiam-se principalmente nos ramos dos aiacitas e dos anabiçaítas, dos quais procederam algumas das famílias mais importantes da história política do islã, sobretudo os sufiânidas e os maruânidas. Embora membros do clã estivessem entre os primeiros convertidos ao islã, os omíadas figuraram também entre os principais dirigentes da oposição coraixita a Maomé, especialmente sob Abu Sufiane ibne Harbe, antes de a maior parte da família aderir à nova religião após a Conquista de Meca, em 630.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/10/2026
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História

Origens pré-islâmicas

Os omíadas, ou Banu Omaia, eram um clã proeminente da tribo mais ampla dos coraixitas, que dominava Meca durante a Jailia. Os coraixitas obtinham prestígio entre as tribos árabes por sua proteção e manutenção da Caaba, que, na época, era considerada pelos árabes predominantemente politeístas de toda a Península Arábica seu santuário mais sagrado. Um líder coraixita, Abede Manafe ibne Cuçai, que, a julgar por sua posição na tradição genealógica, teria vivido no final do século V, era responsável pela manutenção e proteção da Caaba e de seus peregrinos. Essas funções passaram a seus filhos Abede Xemece, Haxime e outros. Abede Xemece era pai de Omaia ibne Abede Xemece, ancestral epônimo dos omíadas. Omaia sucedeu Abede Xemece como caide (comandante em tempo de guerra) dos mecanos. Essa posição provavelmente constituía um cargo político ocasional, cujo titular supervisionava a condução dos assuntos militares de Meca em períodos de guerra, em vez de exercer necessariamente o comando direto no campo de batalha. Essa experiência inicial de liderança militar mostrou-se instrutiva, pois os omíadas posteriores seriam conhecidos e reconhecidos por sua considerável capacidade de organização política e militar.

Oposição e conversão ao islã

O profeta islâmico Maomé pertencia aos haxemitas, clã coraixita ligado aos omíadas pelo ancestral comum Abede Manafe. Quando iniciou sua pregação religiosa em Meca, enfrentou a oposição da maior parte dos coraixitas. Encontrou apoio entre os habitantes de Medina e transferiu-se para a cidade com seus seguidores em 622. Os abedexemecitas, entre os quais estavam os omíadas, figuraram entre os principais dirigentes da oposição coraixita a Maomé. Eles superaram os maquezumitas, liderados por Abu Jal, depois das pesadas perdas sofridas pela liderança desse clã na luta contra os muçulmanos na Batalha de Badre, em 624. O chefe omíada Abu Sufiane ibne Harbe tornou-se então o líder do exército coraixita de Meca que combateu os muçulmanos comandados por Maomé nas batalhas de Uude e da Trincheira. Abu Sufiane e seus filhos, juntamente com a maioria dos omíadas, aderiram ao islã no final da vida de Maomé, após a Conquista de Meca. Para assegurar a lealdade de líderes omíadas proeminentes, entre eles Abu Sufiane, Maomé concedeu-lhes presentes e cargos de importância no nascente Estado muçulmano. Nomeou outro omíada, Atabe ibne Acide, primeiro governador de Meca. Embora Meca conservasse sua primazia como centro da nova religião, Medina permaneceu como centro político dos muçulmanos. Abu Sufiane e os omíadas transferiram-se para a cidade a fim de preservar sua crescente influência política.

Fortalecimento sob o califa Otomão

O califa Omar morreu em 644 e foi sucedido por Otomão ibne Afane, rico mercador omíada, um dos primeiros convertidos ao islã, genro e companheiro próximo de Maomé. Inicialmente, Otomão manteve nos governos provinciais os funcionários nomeados por seus predecessores, mas gradualmente substituiu muitos deles por omíadas ou por parentes maternos pertencentes ao clã ancestral dos abedexemecitas. Moáuia permaneceu em seu posto sob Otomão, que ampliou seu governo para abranger toda a Síria. Dois omíadas, Alualide ibne Uqueba e Saíde ibne Alas, foram sucessivamente nomeados para Cufa, uma das duas principais cidades-guarnição árabes e centros administrativos do Iraque. O primo de Otomão, Maruane ibne Aláqueme, tornou-se seu secretário-chefe. Embora fosse membro proeminente do clã, Otomão não é considerado integrante da dinastia omíada, pois foi escolhido por consenso de uma xura formada pelo círculo dirigente da comunidade muçulmana e nunca tentou designar um parente omíada como seu sucessor. Ainda assim, como resultado das políticas de Otomão, os omíadas recuperaram parte do poder e da influência que haviam perdido depois da conquista muçulmana de Meca.

Governo dinástico sobre o califado

A reunificação da comunidade muçulmana sob a autoridade de Moáuia marcou o estabelecimento do Califado Omíada. Esse acontecimento assinalou o início da dinastia omíada. Com base nos relatos das fontes muçulmanas tradicionais, Hawting escreve: "Os omíadas, principais representantes daqueles que haviam se oposto ao Profeta [Maomé] até o último momento possível, haviam, no espaço de trinta anos após sua morte, restabelecido sua posição a tal ponto que agora se encontravam à frente da comunidade que ele havia fundado." Em contraste com o fortalecimento dos omíadas promovido por Otomão, o poder de Moáuia apoiava-se nas tribos árabes da Síria, e não no clã omíada, e, salvo pequenas exceções, ele não nomeou omíadas para as principais províncias nem para sua corte em Damasco. Em grande medida, limitou a influência deles a Medina, onde a maioria dos omíadas continuou sediada. A perda de poder político provocou ressentimento entre os omíadas de Medina em relação a Moáuia, que talvez tenha passado a desconfiar das ambições políticas do ramo muito mais numeroso de Abu Alas, ao qual Otomão pertencera, então liderado por Maruane ibne Aláqueme. Moáuia procurou enfraquecer o clã fomentando divisões internas. Entre as medidas adotadas esteve a substituição de Maruane no governo de Medina, em 668, por outro importante omíada, Saíde ibne Alas. Este recebeu ordem de demolir a casa de Maruane, mas recusou-se a fazê-lo. Maruane foi reconduzido ao cargo em 674 e também se recusou a cumprir uma ordem de Moáuia para demolir a casa de Saíde. Em 678, Moáuia nomeou em lugar de Maruane seu próprio sobrinho, Alualide ibne Oteba.

Governo no Alandalus

Um dos sobreviventes dos massacres da família omíada promovidos pelos abássidas, Abederramão ibne Moáuia (mais conhecido como Abederramão I), neto do califa Hixame, dirigiu-se ao Alandalus (Espanha islâmica), onde os maulas dos omíadas o ajudaram a estabelecer uma base de poder na província. Depois de fundar o Emirado de Córdova em 756, convidou outros maruânidas, que mantinham um perfil discreto sob o domínio abássida, a estabelecerem-se no emirado. O poeta andalusino do século XII Alhijari cita Abederramão afirmando que, entre os muitos favores concedidos pelo Todo-Poderoso, estava o de permitir-lhes reunir naquele país seus parentes e familiares e fazê-los participar de seu domínio.[a]

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Ramos e descendentes

No início do século VII, antes de sua conversão ao islã, os principais ramos dos omíadas eram os aiacitas (Aʿyāṣ) e os anabiçaítas (ʿAnābisa). Os primeiros reuniam os descendentes dos filhos de Omaia Abu Alás, Alas, Abu Alis e Aluais, cujos nomes compartilhavam a mesma raiz ou raízes semelhantes, daí a designação do grupo como aiacitas. Os anabiçaítas, cujo nome é a forma plural de Ambaça, nome comum nesse ramo do clã, reuniam os descendentes dos filhos de Omaia Harbe, Abu Harbe, Abu Sufiane Ambaça, Sufiane e Anre, além de Abu Anre Dacuane, possivelmente filho adotivo de Omaia. Dois filhos de Abu Alás, Afane e Aláqueme, foram pais, respectivamente, dos futuros califas Otomão e Maruane I. Dos descendentes de Aláqueme, conhecidos como maruânidas, procederam os califas omíadas de Damasco e, posteriormente, os emires e califas de Córdova. À exceção daqueles que escaparam para o Alandalus, a maioria dos maruânidas foi morta nos expurgos abássidas de 750. Alguns, contudo, estabeleceram-se no Egito e no Irã; entre eles estava Abu Alfaraje de Ispaã, que, no século X, escreveu o Kitab al-Aghani, importante fonte para a história árabe. Otomão, terceiro califa do Califado Ortodoxo, deixou vários descendentes, alguns dos quais exerceram cargos políticos sob os califas omíadas. Da linhagem de Abu Alis procedeu a família politicamente importante de Acide ibne Abi Alis, cujos membros exerceram comandos militares e governos provinciais sob vários califas ortodoxos e omíadas. Da linhagem de Alas procedeu Saíde ibne Alás, que serviu como um dos governadores de Otomão em Cufa.

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Fontes consultadas

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