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Dinastia heracliana

A dinastia heracliana governou o Império Bizantino entre 610 e 711, um período marcado por importantes eventos que marcaram a história do império e da região. No período inicial, o império ainda era conhecido como "Império Romano do Oriente", dominava o Mediterrâneo e se orgulhava de sua próspera civilização urbana da Antiguidade Tardia. Sucessivas invasões destruíram esse cenário e resultaram em grandes perdas territoriais, colapso financeiro e epidemias que esvaziaram as cidades enquanto controvérsias religiosas e revoltas civis enfraqueciam ainda mais o império.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Contexto

Desde a queda do Império Romano do Ocidente, o Império Romano do Oriente continuava a ver a Europa Ocidental como um território imperial por direito. Porém, apenas Justiniano I tentou fazer valer essa reivindicação à força. Um sucesso temporário no ocidente custou a perda dos territórios orientais para os sassânidas, onde os bizantinos foram forçados a pagar tributos para evitar uma guerra prolongada. Porém, depois da morte de Justiniano, a maior parte da recém-conquistada Itália foi perdida para os lombardos e logo os visigodos reduziram os territórios imperiais na Hispânia. Na mesma época, as guerras contra os persas não tinham um final em vista. Em 591, porém, a longa guerra terminou com num tratado favorável aos bizantinos, que conseguiram a região da Armênia. E assim, depois da morte do sucessor de Justiniano, Tibério II Constantino, Maurício tentou recuperar o prestígio do império.

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Heráclio

No início, Heráclio se mostrou um excelente imperador - reorganização do império em temas permitiu que os bizantinos extraíssem tanto quanto possível de cada região para reforçar seu potencial militar. Este reforço se mostrou essencial depois de 650, quando o Califado Ortodoxo estava numa situação muito melhor e era mais poderoso que os bizantinos. Heráclio também completou a helenização do império tornando o grego a língua oficial - o latim ficou cada vez mais restrito às classes mais altas e educadas. Como o império perdeu suas colônias mais distantes, o número de falantes do grego aumentou e não era mais vantajoso falar o latim. Heráclio abandonou as palavras imperador, augusto e outros títulos imperiais em favor da palavra basileu, grego para "rei". Foi talvez esta transformação que resultou nas moedas que traziam o moto "Rei dos reis, Governante do governantes", um título quase sem sentido para o período pós-640 dada a pouca quantidade de territórios governada pelo imperador.

Focas deposto por Heráclio, o Jovem

Por causa da enorme crise que enfrentava o império, Heráclio, o Jovem, tentou tomar o poder de Focas numa tentativa de mudar os rumos do governo. Conforme o império seguia em direção à anarquia, o Exarcado de Cartago permaneceu relativamente fora do alcance da conquista persa. Distante da incompetente autoridade imperial da época, Heráclio, o Velho, o exarca de Cartago, juntamente com seu irmão Gregório, começou a juntar suas forças para tomar Constantinopla. Depois de interromper o suprimento de grãos para a capital a partir de seus territórios, Heráclio liderou um grande exército e uma frota em 608 para restaurar a ordem ao império. Heráclio deu o comando de seu exército ao filho de Gregório, Nicetas, e o comando da frota, ao seu filho, Heráclio, o Jovem. No final do ano, Nicetas levou parte da frota e suas forças para o Egito, tomando a cidade de Alexandria. Enquanto isso, Heráclio, o Jovem, seguiu para Salonica de onde, depois de receber tropas e suprimentos, embarcou para Constantinopla, onde chegou em 3 de outubro de 610. Depois de desembarcar sem enfrentar resistência, ele foi recebido pelos cidadãos da capital como um libertador.

Fracassos iniciais

Depois de ser coroado e de se casar com sua esposa Fábia Eudócia numa suntuosa cerimônia, o imperador de 36 anos de idade iniciou seu governo. A primeira parte de seu reinado trouxe resultados similares aos do antecessor no que diz respeito às agitações nos Balcãs. Os ávaros e os eslavos ainda invadiam em grande quantidade pelo Adriático ocidental e também pelas regiões sul e leste do Egeu. A rapidez da invasão na Dalmácia lhes valeu a conquista de várias cidades bizantinas, entre elas Singiduno (Belgrado), Viminácio (Kostolac), Naísso (Niš), Sérdica (Sófia) e a destruição de Salona (Solin) em 614. Porém, todas as tentativas de conquistar Salonica falharam, o que permitiu aos bizantinos manter uma importante cidade (e base) na região.

Contra-ataque bizantino

Para se recuperar de uma aparente sequência de derrotas, Heráclio iniciou um plano de reconstrução de suas forças militares, financiando-as mediante multas aos acusados de corrupção, aumento de impostos, desvalorização da moeda para pagar mais soldados e através de empréstimos forçados. O patriarca de Constantinopla, Sérgio, colocou os recursos da Igreja nas mãos do estado, um surpreendente - e bem recebido - sacrifício. O objetivo de Heráclio era eliminar um de seus mais perigosos inimigos, o Império Sassânida. Os persas haviam conquistado grandes territórios na Anatólia, na Mesopotâmia, no Levante e no Norte da África, mas ainda precisavam consolidar suas conquistas. Heráclio decidiu negociar uma paz com os ávaros e os eslavos pagando-lhes um grande tributo para poder remanejar seus exércitos da Europa para a Ásia com o objetivo de lançar uma contra-ofensiva. Na primavera de 622, com seus oponentes ainda próximos de Calcedônia, Heráclio resolveu dar-lhes combate. Ele embarcou seu recém-criado exército e navegou pela costa jônica e desembarcou em Isso, no mesmo local onde Alexandre, o Grande, havia derrotado decisivamente os persas mil anos antes. Ali, Heráclio supervisionou o extenso treinamento de suas tropas. No outono do mesmo ano, ele marchou para o norte e encontrou os persas nas terras altas da Capadócia. Apesar de não ter experiência alguma liderando um exército em combate, o imperador bizantino derrotou as forças inimigas do experiente general persa Sarbaro, aumentando o moral de suas tropas e recuperando um enorme território.

Cerco de Constantinopla

A vitória foi bizantina e agora a guerra estava equilibrada, porém, a ameaça persa não diminuiu. O já esperado ataque à capital bizantina estava finalmente começando a se materializar - os ávaros começaram a movimentar suas armas de cerco para Constantinopla (o cerco começou em 29 de junho de 626) enquanto Sarbaro recebeu ordens de Cosroes II para enviar um exército até Calcedônia para se unir aos ávaros. O xá persa começou então a alistar todos os homens capazes para formar um novo exército, que chegou a ter 50 000 homens. Heráclio, ao que parece, estava não apenas sendo enganado, mas enganado por diversos grandes exércitos. Porém, o imperador tentou conter os persas utilizando a mesma estratégia que eles: ele dividiu suas forças em três contingentes distintos. Um exército ficou para defender a capital, enquanto outro, sob o comando do irmão do imperador, Teodoro, enfrentaria os 50 000 conscritos - que eram liderados pelo general persa Saíno - na Mesopotâmia. Enquanto isso, o terceiro, liderado pelo próprio Heráclio, marcharia através da Armênia e do Cáucaso para invadir a Pérsia, que ele acreditava estar agora desprotegida por causa do alistamento de Cosroes. Heráclio esperava conseguir chegar facilmente ao coração do território inimigo.

Resultado final

Para Heráclio, 626 foi um ano de pouca ação - parece que numa tentativa de reforçar suas forças, ele prometeu a mão de sua filha Epifânia ao cã dos Grão-Canato Turco Ocidental, Ziebel. Impressionado pela oferta, o cã juntou um exército de 40 000 homens ao bizantino. Para o alívio da noiva, o cã morreu apenas dois anos depois em 628. Mesmo assim, o Império Bizantino fez bom uso das tropas quando Heráclio marchou para a Mesopotâmia no ano seguinte. Seu objetivo era claro: destruir o exército persa e marchar para Ctesifonte. Seu exército avançou cautelosamente por terreno difícil, pois Heráclio sabia que havia uma força persa nas proximidades e uma emboscada era uma possibilidade. Enquanto isso, Razates, o novo comandante persa, evitava o combate até que seu exército estivesse pronto para um combate cerrado.

Declínio

A ameaça dos árabes (originários da região da Arábia foi desprezada pelos persas e bizantinos por diversas razões - as mais importantes delas eram a guerra que travavam entre si e a falta de comunicação atravessando a larga faixa de deserto que isolava os árabes. Ainda assim, alguns esforços foram feitos, por vezes de forma conjunta, pelas duas potências para conter o avanço árabe. Em 8 de junho de 632, o profeta islâmico Maomé morreu numa febre. Porém, a religião que ele deixou como legado mudaria para sempre o Oriente Médio. No ano seguinte, os exércitos do islã saíram da Arábia com o objetivo de espalhar as palavras do profeta, à força se preciso fosse. Em 634, os árabes derrotaram uma força bizantina que defendia a Síria e tomaram Damasco, mas a chegada de um outro grande exército bizantino a Antioquia (com 80 000 soldados) forçou os árabes a se retirarem. Os bizantinos avançaram em maio de 636, mas, em 20 de agosto, uma tempestade de areia os pegou de surpresa e os árabes, se aproveitando da situação, atacaram e aniquilaram a força bizantina:

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Constante II

Heraclonas e Constantino III

A inabilidade de Heráclio de governar quando sua morte se aproximava atrapalhou muito o império. Depois da morte do imperador em 641, a ex-imperatriz Martina declarou seu filho Heraclonas e Constantino III co-imperadores do Império Bizantino. Porém, a população de Constantinopla se recusou a aceitar a proclamação e, assim, quando Constantino III morreu entre 24 e 26 de maio de 641 (que muitos acreditavam ter sido morto por Martina), Heraclonas e a mãe foram depostos no verão seguinte. O nariz dele foi cortado e a língua dela, arrancada (as deformações garantiam que eles jamais pudessem novamente reivindicar os títulos imperiais). Porém, suspeitos de terem comitido um regicídio, o exílio dos dois para a ilha de Rodes foi visto como uma punição leve.

Guerras contra os árabes

Constante II herdou do avô a guerra contra os árabes, que estavam empenhados em conquistar o Império Bizantino e em espalhar a palavra do profeta Maomé. Ao ascender, ele teve pouco tempo para preparar uma defesa adequada do Egito - e quando a província caiu, em 642, Constante II pouco pôde fazer. A perda do Egito e do Levante foram catastróficas, pois levaram consigo a mão-de-obra da região e as colheitas de grãos do Egito. A escassez de alimentos agora se juntou à lista de problemas que afligiam o imperador. Para piorar a situação, os exércitos árabes não davam trégua - em 647, o Exarcado de Cartago foi decisivamente derrotado - outra custosa derrota, pois a África era, depois do Egito, a principal fonte de alimentos do império. A lista de derrotas continuou a crescer quando, em 644, os árabes começaram a construir uma poderosa frota para desafiar o predomínio marítimo greco-romano que já durava séculos. Em 657, os árabes atacaram pelo mar a ilha de Chipre - a ilha tinha uma pequena guarnição e os árabes conseguiram saquear a principal cidade da região, Salamina, destruindo o porto e devastando a zona rural. Em 654, a frota muçulmana avançou sem enfrentar resistência até Rodes. Depois que a ilha também caiu, Constante II sofreu ainda uma outra humilhante derrota na Batalha dos Mastros, quando ele enviou a frota bizantina para combater os árabes na costa da Lícia. Durante a batalha, Constante II, temendo a possibilidade de ser capturado, trocou de roupas com outro homem para conseguir escapar sem ser identificado. Embora tenha conseguido, a experiência foi embaraçosa para aquele que se auto-denominava o "Rei dos reis".

Controvérsias religiosas

Era claro que o Império Bizantino não tinha chance alguma de defender-se de seus inimigos enquanto seus bispos se engalfinhavam em debates teológicos, dividindo o império. Constante II percebeu a situação e parece ter perdido a paciência. Em 648, com apenas 18 anos, Constante publicou um édito proibindo qualquer cidadão de se engajar na controvérsia entre os calcedonianos e monotelitas sob pena de banimento logo depois da excomunhão do patriarca de Constantinopla Pirro I pelo papa Teodoro I. Quando o sucessor de Teodoro, Martinho, novamente começou a jogar lenha na fogueira ao convocar um concílio para condenar o monotelismo em outubro de 648, ele foi preso, levado para Constantinopla e tratado como um criminoso comum. Na prisão, diz-se que sofreu tamanhos maus tratos que "havia sangue no chão". Finalmente, depois de ser acusado de traição e regicídio, ele foi banido para a Crimeia.

Ocidente

Constante II decidiu virar sua atenção para o ocidente na esperança de conseguir remediar a situação. Enquanto os sarracenos estavam se assentando nos antigos territórios bizantinos, os ávaros e os búlgaros ainda permaneciam ao logo do rio Danúbio, assim como os eslavos, cujos pagamentos anuais ao império começaram a falhar. Constante II então decidiu mudar sua capital para Siracusa, na Sicília em 662. Alguns dizem que ele fez isso para escapar das horríveis visões que ele tinha sobre o irmão que assassinara dois anos antes. Sua estadia na Itália e na Sicília não agradou à população local e tudo o que havia de valor em Roma foi confiscado para ajudar o exército bizantino - até mesmo o cobre que recobria o teto dos edifícios. Muitos se alegraram quando Constante foi assassinado no banho por um escravo grego em 15 de setembro de 668.

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Constantino IV

O novo imperador, Constantino IV, se mostraria muito mais sábio e hábil que Constante, apesar de seu constante ciúme dos irmãos Heráclio e Tibério, que acabariam depostos e mutilados em 681.

Cerco de Constantinopla

As guerras contra os árabes continuaram sem interrupção. Antes de se tornar imperador, Constantino era o administrador das propriedades do pai na região oriental do império, que diminuía à cada dia por causa das conquistas árabes ao longo da costa da Jônia. Finalmente, em 672, o califa omíada Moáuia I capturou a península de Cízico, a apenas 80 quilômetros da capital. A capital estava sob ameaça e havia poucas chances de defendê-la, uma situação tão deprimente quanto familiar. Os árabes trouxeram suas pesadas armas de cerco e cercaram a cidade em 674. Apesar disso, Constantinopla se mostrou demais para eles: onde antes a desunião, a pura falta de sorte ou a habilidade e zelo haviam dado a vitória aos muçulmanos, agora ela pertencia aos defensores que, armados com o fogo grego, conseguiram repelir todos os ataques inimigos. Finalmente, em 678, depois de sofrer enormes perdas, o exército do califa recuou e Moáuia aceitou uma oferta de paz. Ele morreu apenas dois anos depois e Constantino IV, agora no auge de sua popularidade, conseguiu derrotar os árabes, tanto por terra, na Lícia, quanto por mar.

Guerra contra os búlgaros

Com a ameaça árabe debelada, os bizantinos voltaram suas atenções para o ocidente, onde os búlgaros estavam invadindo o território imperial. Em 680, Constantino lançou uma expedição naval para expulsá-los, mas ela fracassou e acabou aumentado a ousadia dos invasores. Incapaz de detê-los pela força, Constantino aceitou um humilhante - mas não desastroso - tratado de paz pelo qual ele concordou em pagar pela "proteção" do rei búlgaro. A maior implicação deste trato foi eliminar a ameaça búlgara pelo resto do reinado de Constantino IV.

Concílio em Constantinopla

Constantino IV estava determinado a resolver a controvérsia entre os monotelitas e os calcedonianos de uma vez por todas. Convocando representantes de todos os cantos do mundo cristão para discutir o tema, o concílio se manteve reunido até 681, quando Constantino, que havia presidido a maior parte das reuniões, endossou os resultados quase unânimes. Quatro anos depois, o imperador morreu e sua morte, aos trinta e três anos, privou o império de um excelente imperador que conseguira defender o império de seus inimigos internos e externos. A esposa de Constantino, Anastácia, deu-lhe um filho chamado Justiniano. O novo imperador tentou forçar uma política externa de conquistas no ocidente como fizera seu antepassado homônimo - um movimento arriscado considerando os poucos recursos à disposição do império.

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Justiniano II

Vitórias

O começo do reinado de Justiniano II continuou a sequência de vitórias que seu pai vinha conquistando contra os invasores árabes. Através de campanhas na Armênia, Geórgia e mesmo na Síria, ele conseguiu forçar a renovação do tratado de paz firmado por Constantino IV e o califa. Com a ameaça no oriente resolvida, Justiniano também se voltou para o ocidente e enviou uma expedição contra os eslavos entre 688 e 689. Seus sucessos na região foram coroados com sua entrada triunfal em Tessalônica, a segunda maior cidade do império. Depois deste sucesso inicial, Justiniano iniciou um plano para aumentar o poder do Tema Opsiciano assentando cerca de 250 000 camponeses eslavos na Ásia Menor. Com isso, ele esperava conseguir duas coisas, (i) ampliar a extensão de terras cultivadas na região e (ii) ampliar a base populacional a partir da qual novos soldados pudessem ser alistados. Além disso, o aumento da população nas classes mais baixas alterou o balanço de poder na região, da aristocracia para os camponeses proprietários de terra, que eram a principal fonte de soldados para o exército. Ele conseguiu assim aumentar o poder não somente do império, mas também o seu próprio, uma vez que desde tempos pré-imperiais os plebeus buscavam um campeão que combatesse o poder dos aristocratas.

Fracassos

Em 691, a guerra contra os árabes reiniciou e Justiniano começou a aumentar os impostos para financiar o conflito. Porém, frente às exigências extorsivas da capital, por volta de 20 000 soldados eslavos desertaram para os árabes - e, com eles, se foi também a Armênia. Enfurecido, Justiniano ordenou o extermínio de todos os eslavos da Bitínia e incontáveis homens, mulheres e crianças foram mortos pela espada na vingança do imperador. Justiniano então se concentrou nos assuntos religiosos, que há muito haviam se aquietado por causa dos esforços do seu pai. Ele convocou um novo concílio para terminar o trabalho dos concílios ecumênicos anteriores (o quinto e o sexto - e por isso chamado de Concílio Quinissexto) que aprovou diversas questões legislativas triviais, como as penas de excomunhão para "crimes" como cachos no cabelo provocativos ou sedutores, a menção de deuses pagãos (especialmente Baco durante a vindima), a venda de amuletos, a consulta com adivinhos e mesmo a dança. Os eremitas foram proibidos de se dirigirem aos habitantes das cidades ou, se o fizessem, deveriam fazê-lo de uma forma específica. Para piorar a situação, nenhum representante de Roma foi convocado e quando pediram que o papa Sérgio I aprovasse os 102 cânones, ele não apenas se recusou como enviou as milícias de Roma e Ravena contra o exarca Zacarias, que só escapou com vida pela clemência do papa.

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Intervalo não-dinástico: Leôncio

Leôncio estava preso quando um monge lhe disse que um dia ele ele vestiria o diadema imperial. Este tipo de conversa era perigosa não somente para o monge (que, se descoberto, teria sido cegado ou exilado por traição), mas também para quem participava. Contudo, a previsão ficou na memória de Leôncio e, em 695, já livre, ele começou um golpe relativamente sem planejamento. Felizmente para ele, muitos de seus aliados haviam sido também presos (o que sugere que, talvez, sua unidade toda havia caído em desgraça) e, quando ele marchou até sua antiga prisão para libertá-los, a maioria passou a apoiá-lo.

Ascensão e queda

Seguindo até Santa Sofia, ele teve a sorte de conseguir o apoio do patriarca Calínico I, cujos recentes insultos ao imperador haviam colocado sua vida em risco e sem alternativas. Com o apoio fanático do time dos Azuis do Hipódromo, Leôncio e seus homens derrubaram Justiniano II, que teve seu nariz cortado, e o usurpador se declarou basileu. O reinado de Leôncio foi tão breve quanto fracassado. Os exércitos do Islã estavam novamente em marcha e, desta vez, o Exarcado de Cartago viu-se em sérios problemas. Diversas derrotas anteriores já haviam estabelecido a supremacia árabe na região, mas Leôncio ainda assim resolveu enviar uma expedição militar para a região. Derrotadas, as tropas preferiram aclamar um novo imperador do que enfrentar a fúria de Leôncio e o escolhido foi um germânico chamado Apsimar). Com o apoio do time dos Verdes, rivais dos Azuis aliados de Leôncio, ele chegou ao trono e assumiu o nome de Tibério III.

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Intervalo não dinástico: Tibério III

O reinado de Tibério III foi igualmente curto, mas brilhou um pouco mais por causa de sua vitoriosa campanha contra os árabes e seus exércitos avançaram até a Armênia e a Síria. Contudo, na época (705), ele acabou deposto num golpe militar. Justiniano, que permanecera no exílio por dez anos, voltou. Contudo, o resultado não poderia ser pior.

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Justiniano II (restaurado)

Exílio

Depois de ter sido deposto por Leôncio, Justiniano escapou para o Grão-Canato Cazar, que o recebeu com honras e onde chegou a se casar com uma irmã do grão-cã. Renomeada Teodora, o casal se assentou em Fanagória, na entrada do mar de Azov, onde podiam acompanhar em segurança os acontecimentos na capital. Contudo, Justiniano foi forçado a agir em 704, quando notícias de que havia uma recompensa pela sua morte o alcançaram. Estes rumores foram confirmados quando um bando de soldados chegaram até a cidade onde ele morava. Percebendo que de fato sua vida corria perigo, ele convidou dois dos oficiais (que ele acreditava serem os assassinos) até sua casa e os matou. Deixando a esposa em segurança com seu cunhado, Justiniano fugiu para Bulgária, o principal adversário do Império Bizantino no ocidente. Lá, ele assegurou um pacto com o rei Tervel que lhe garantia o título de césar se ele o ajudasse a reconquistar o trono bizantino.

Restauração

Na primavera de 705, Constantinopla se viu cercada por um exército de eslavos e búlgaros liderados por Justiniano. Depois de três dias procurando, seus homens encontraram uma passagem pelas muralhas e conseguiram se infiltrar na cidade. Lá, eles surpreenderam os guardas no Palácio de Blaquerna e rapidamente o dominaram. Temendo por sua vida, Tibério fugiu para a Bitínia enquanto que a população rapidamente se rendeu - a alternativa, um selvagem saque da cidade, era o que desejava o vingativo Justiniano. No dia seguinte, Justiniano recebeu novamente o título de césar e o manto púrpura. Com o sucesso de seu golpe, Justiniano II mandou buscar sua esposa e começou a acertar as contas com aqueles que lhe haviam traído. Tibério e seu predecessor, Leôncio, foram executados depois de um humilhante desfile pelo Hipódromo. Em seguida, o patriarca Calínico I, cujas ofensas o haviam levado a apoiar Leôncio e às coroações dos dois sucessores dele, foi cegado e exilado em Roma. Em seguida, Justiniano assassinou o irmão de Tibério, Heráclio, que era provavelmente o melhor general do império. Com ele e seus principais assessores mortos, os vizinhos do império não perderam tempo em se aproveitar do enfraquecido exército: Justiniano sofreu pesadas derrotas frente para as tribos bárbaras perto da foz do Danúbio e perdeu a estratégica fortaleza de Tiana na Capadócia.

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Fontes consultadas

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