Diesel
Diesel, também grafado como dísel e chamado de gasóleo, é um óleo derivado da destilação do petróleo bruto usado como combustível nos motores a diesel/gasóleo, constituído basicamente por hidrocarbonetos. O óleo diesel é um composto formado principalmente por átomos de carbono, hidrogênio e em baixas concentrações por enxofre, nitrogênio e oxigênio. O diesel é selecionado de acordo com suas características de ignição e de escoamento, adequadas ao funcionamento dos motores ciclo diesel. É um produto pouco inflamável, medianamente tóxico, pouco volátil, límpido, isento de material em suspensão.
O dísel tem muitos nomes coloquiais; mais comumente, é simplesmente grafado como diesel. Recebeu o nome e a grafia diesel em homenagem ao engenheiro alemão Rudolf Diesel, que inventou um meio mecânico para explorar a reação química originada da mistura de óleo e do oxigênio presente no ar. No Brasil, o combustível para uso de caminhões e picapes é comumente chamado de diesel ou, às vezes, diesel comum, se necessário para diferenciá-lo de um produto agrícola com imposto reduzido, contendo um corante colorido de identificação conhecido como diesel vermelho. O termo gasóleo (que advém do francês gazole) é usado em Portugal, nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e em Timor-Leste, para se referir ao diesel.
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O dísel é um combustível líquido cuja principal característica é permitir sua queima à alta taxa de compressão no interior da câmara de combustão. Em geral, quanto maior a taxa de compressão, maior será a eficiência na conversão da energia térmica em energia cinética (movimento linear do pistão). Essa característica em conjunto à baixa velocidade de combustão permite a ignição (por compressão, ver ciclo diesel) desse combustível, dispensando o uso de centelhas, velas de ignição e todo seu sistema elétrico. A simplicidade (confiabilidade) do motor diesel, seu regime de baixas rotações (queima lenta) e sua alta compressão (peças internas mais robustas) permitem seu uso em aplicações pesadas como furgões, ônibus, caminhões, embarcações marítimas, máquinas de grande porte, locomotivas, navios e aplicações estacionárias (geradores elétricos, por exemplo). Em muitos países, o óleo dísel é padronizado. Por exemplo, na União Europeia, o padrão para o dísel é EN 590. O dísel com teor de enxofre ultrabaixo (DTEU/ULSD) é um óleo com teores de enxofre substancialmente reduzidos. Em 2016, quase todo o dísel à base de petróleo disponível no Reino Unido, Europa continental e América do Norte era do tipo DTEU. Antes da padronização, a maioria dos motores a dísel normalmente funcionava com óleos combustíveis baratos. Esses óleos combustíveis ainda são usados em motores a dísel de embarcações.
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A densidade do diesel de petróleo é de cerca de 0,853 kg/L, que é mais denso que a gasolina em 12%. Cada litro quando queimado oferece um valor energético de 35,86 MJ (que também é mais que a gasolina que é de 32,18 MJ) e liberta 2,6 kg de CO2.(Também convenientemente expresso na forma de 1 litro/100km = 26,5 g/km CO2 usado para calcular as emissões dos veículos a diesel). Em 2011 motores turbo a diesel conseguem eficiências da ordem 45% entre energia química em energia mecânica (Valor superior aos motores a gasolina que são 30%).
Na figura 2 é mostrado um desenho esquemático genérico do processo de produção do óleo diesel. A partir do refino do petróleo obtém-se, pelos processos de destilação atmosférica, craqueamento catalítico fluido as frações denominadas de gasóleos, básicas para a produção de óleo diesel. Para eliminação de contaminantes (compostos de enxofre e nitrogênio, principalmente) parte dos gasóleos são tratados quimicamente com hidrogênio no processo denominado hidrotratamento. Aos gasóleos podem ser agregadas outras frações como a nafta e o querosene, resultando no produto conhecido como óleo diesel. A incorporação destas frações e de outras obtidas por outros processos de refino dependerá da demanda global de derivados de petróleo pelo mercado consumidor. Estão em desenvolvimento outros processos para a produção de óleo diesel tais como os de produção de biodiesel, diesel sintético e diesel vegetal. O diesel sintético é produzido através do Processo de Fischer-Tropsch (F-T). O diesel vegetal (como o diesel de cana-de-açúcar) é produzido a partir de açúcares de origem vegetal. O biodiesel é um éster, já o diesel de cana-de-açúcar, como o diesel mineral, também é um hidrocarboneto do tipo farneceno. Aplicações a partir de uma diversidade de matérias primas estão em curso para a produção do gás de síntese tais como: gás natural, biomassa e carvão.
No Brasil há predominância do transporte rodoviário, tanto de passageiros quanto de carga. Por esta razão, o óleo diesel é o derivado de petróleo mais consumido no país. O volume de óleo diesel vendido em 2009 representou 41% do volume total de derivados. O crescimento econômico nos últimos anos tem elevado substancialmente as vendas (figura 3). Ainda assim, com a elevação da produção interna recente, houve uma redução percentual da importação deste derivado (figura 4). O óleo diesel, de acordo com sua aplicação, é comercializado como: A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autoriza a utilização do óleo diesel para outras aplicações, denominado off road, e prevê sua futura regulamentação:
Óleo diesel rodoviário
O diesel para veículo rodoviário de motor diesel (VRMD) é classificado como do tipo A (sem adição de biodiesel) ou do tipo B (com adição de biodiesel). A Resolução da ANP nº 42 apresenta a seguinte nomenclatura para o óleo diesel rodoviário: O chamado óleo diesel de referência é produzido especialmente para as companhias montadoras de veículos a diesel, que o utilizam como padrão para a homologação, ensaios de consumo, desempenho e teste de emissão. No Brasil, devido a segunda fase da crise do petróleo, em 1976 foram criadas leis proibindo a venda de veículos menores movidos a diesel, apesar de haver a fabricação dos mesmos em solo nacional para a venda em outros países.
Óleo diesel marítimo
Também ocorrem subdivisões no caso do óleo diesel marítimo de forma a se dispor da qualidade requerida pelo usuário. São encontrados os seguintes tipos, comercializados no país ou destinados à exportação. Todos os tipos de diesel utilizados em embarcações devem conservar como especificação um alto ponto de fulgor (no mínimo 60 °C), a fim de prevenir explosões nos porões das embarcações. Destinado a motores diesel utilizado em embarcações marítimas. Difere do óleo diesel automotivo comercial principalmente pela necessidade de se especificar a característica de ponto de fulgor relacionada a maior segurança deste produto em embarcações marítimas.
Mudança de padrão
A Resolução 315 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), assinada em 2002, dispõe sobre a nova etapa do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE), mas, ao contrário do que se tem divulgado na imprensa brasileira, não cita o total de partes por milhão (ppm) de enxofre para o diesel. A especificação da qualidade do combustível somente ocorreu com a publicação da Resolução 12 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em outubro de 2007. Em nota técnica, o Ministério do Meio Ambiente informou que "o descumprimento da Resolução Conama 315 por parte das indústrias será resolvido no âmbito do Ministério Público ou do Poder Judiciário"


