Descolonização
A descolonização é o processo de emancipação dos territórios coloniais em relação às metrópoles colonizadoras, conduzindo, em regra, à independência daqueles.
Antecedentes
O crescimento populacional e econômico em vários países da Europa e da Ásia (os mongóis e os japoneses) levou a um tipo de colonização, com o carácter de dominação (e, por vezes, extermínio) de povos que ocupavam territórios longínquos e dos seus recursos naturais, criando grandes impérios coloniais. Um dos aspectos mais importantes desta colonização foi a escravatura, com a “exportação” de uma grande parte da população africana para as Américas, com consequências nefastas, tanto para o continente africano, como para os descendentes dos escravizados, que perduram até hoje. Esta foi a primeira forma de imperialismo, em que vários países europeus, principalmente Portugal, Espanha, França, a Holanda e a Inglaterra (mais tarde o Reino da Grã-Bretanha), constituíram grandes impérios coloniais abrangendo praticamente todo o mundo. A exploração desenfreada dos recursos dos territórios ocupados, levou a movimentos de resistência dos povos locais e, finalmente à sua independência, num processo denominado descolonização, terminando estes impérios coloniais em meados do século XX.
Américas
Começando com o surgimento dos Estados Unidos na década de 1770, a descolonização ocorreu no contexto da história do Atlântico, no contexto das revoluções Americana e Francesa. A descolonização tornou-se um movimento popular em muitas colônias no século XX e uma realidade depois de 1945. O historiador William Hardy McNeill, em seu famoso livro de 1963, A Ascensão do Ocidente, parece ter interpretado o declínio pós-1945 dos impérios europeus como sendo, paradoxalmente, devido à própria ocidentalização destes lugares, escrevendo que: Embora os impérios europeus tenham decaído desde 1945 e os Estados-nações separados da Europa tenham sido eclipsados como centros de poder político pela fusão de povos e nações ocorrendo sob a égide dos governos americano e russo, é verdade que, desde o final da Segunda Guerra Mundial, a luta para imitar e apropriar a ciência, a tecnologia e outros aspectos da cultura ocidental aceleraram-se enormemente em todo o mundo. Assim, o destronamento da Europa ocidental, a partir de seu breve domínio do globo, foi associado (e foi causado por) por uma rápida ocidentalização sem precedentes de todos os povos da Terra.:566
África, Ásia e Oceania
Durante o século XIX, as potências europeias exploraram exaustivamente os recursos dos continentes africano e asiático. Apesar disso, algumas colónias obtiveram relativo desenvolvimento que, para continuar, exigia a ruptura dos laços coloniais. A Segunda Guerra Mundial, por sua vez, possibilitou aos povos dominados a descoberta da própria força, já que vários deles prestaram auxílio às metrópoles durante o conflito. Uma das marcas essenciais da conjuntura internacional do pós-guerra foi o surgimento de numerosas nações. Muitas delas se formaram em consequência da luta de povos asiáticos e africanos para se libertarem do domínio imposto pelas potências colonizadoras. Essa nova realidade estimulou os povos dominados a reafirmarem os princípios de dignidade humana e direitos civis: o direito de autodeterminação dos povos, proclamado pela Carta de São Francisco. As novas nações acabaram contando em sua luta com o apoio tanto dos Estados Unidos quanto da União Soviética.


