Desaparecimento de Madeleine McCann
Madeleine Beth McCann é uma menina britânica que desapareceu em Portugal, onde estava com os seus pais, irmão e irmã de férias na vila da Luz, Lagos no Algarve.
Madeleine Beth McCann é a filha mais velha de Kate McCann, antiga médica anestesista e de clínica geral, e Gerry McCann, cardiologista no Hospital Glenfield em Leicester. Madeleine, que tem dois irmãos gémeos, Sean e Amelie, em 2007 de dois anos, vivia com a sua família em Rothley, Inglaterra. Uma marca característica é o seu olho direito que tem um tipo de coloboma, um alastramento completo da íris (uma faixa radial que se estende da pupila até ao limite do olho).
Madeleine desapareceu do apartamento onde passava férias com a sua família na noite de 3 de maio. Na altura os seus pais puseram Madeleine e os seus dois irmãos gémeos na cama, e foram jantar a cerca de 100 metros de distância com amigos no Tapas bar do Ocean Club. Aproximadamente às 21h00, Gerry McCann verificou que os filhos se encontravam bem. Um amigo verificou perto de 21h30. Cerca das 22h, Kate encontrou a cama de Madeleine vazia e uma janela e uns estores abertos. Um amigo avisou a recepção do Ocean Club que alertou a GNR às 22h41. Funcionários e hóspedes do resort, juntamente com as autoridades, efectuaram buscas até às 04h30 e a polícia portuguesa e todos os aeroportos ibéricos foram notificados.
Fase inicial
A primeira declaração oficial da Polícia Judiciária (PJ), feita por Guilhermino Encarnação, às 12h00 de sábado dia 5 de maio, revela haver suspeita de crime de rapto da criança e da existência de um "esboço" de um eventual suspeito. A Polícia Judiciária referiu a 6 de maio terem identificado um suspeito e que a criança deveria estar viva e ainda na área. Cães treinados farejaram o aldeamento do resort, que tem uma capacidade de cerca de mil pessoas. No entanto, a 8 de maio, cinco dias após o desaparecimento, a Polícia Judiciária admitiu não ter certeza quanto ao estado de Madeleine. A 7 de maio é anunciado que a PJ pediu ajuda do SIS que entrou em contacto com as suas congéneres espanhola e inglesa.
Murat e Malinka
Às 7 horas de 14 de maio foram iniciadas buscas na Casa Liliana, propriedade de Jennifer Murat, cidadã britânica, perto do apartamento do desaparecimento de Madeleine. A polícia e equipas de investigação forense selaram a casa, e às 16h00 a piscina foi drenada. Três pessoas, incluindo o seu filho Robert Murat, foram interrogados na esquadra em Portimão. Robert, um visitante frequente do aldeamento, gerou suspeitas a Lori Campbell, uma jornalista do Sunday Mirror, que informou a polícia do facto. Uma antiga colega de escola, Gaynor de Jesus, disse não ter conhecimento de que Murat fosse o tradutor oficial da polícia. Robert Murat afirmou estar profundamente preocupado com o caso de Madeleine devido à perda recente da custódia da sua filha de três anos que é parecida com a menina desaparecida. Não foram efectuadas detenções. Na lei portuguesa, as detenções só podem ser efectuadas após alguém ser indiciado oficialmente como arguido; até lá são considerados testemunhas do processo. A 15 de maio, Robert Murat recebeu o estatuto de arguido mas não foi detido nem acusado. Não é claro se foi Murat ou a polícia que pediram o estatuto de arguido, pois este confere direitos adicionais ao arguido tais como o direito de permanecer em silêncio. Desde essa altura Murat está ausente em parte incerta.
Setembro de 2007
Após meses de investigação, a Polícia Judiciária (PJ) interroga os pais de Madeleine. Saem ambos como arguidos e sujeitos a termo de identidade e residência, através da suspeita do homicídio acidental causado por negligência ou excesso de medicação calmante na criança. A corroborar os fatos, vários indícios de fluidos corporais com o ADN da criança encontrados num carro alugado pelos pais mais de vinte dias após o desaparecimento, que indicam o transporte do corpo da menina. Tem sido notável a actuação dos media britânicos, apontando "falhas" na investigação policial (Sky News e The Sun). Suspeitas que o relacionamento entre os pais de Maddie e o então primeiro-ministro britânico possam estar por trás duma imensa campanha politizada, que implicou até audiência papal, têm sido apontadas por vários meios noticiosos televisivos portugueses (Francisco Moita Flores, na RTP a 8 de Setembro de 2007).
As investigações das autoridades do Reino Unido ao desaparecimento de Maddie McCann devem terminar no final de 2022, devido ao fim do financiamento da investigação iniciada quatro anos após o desaparecimento da menina. As autoridades britânicas acreditam na tese de rapto e as investigações custaram até junho de 2021 mais de 14 milhões de euros (12 milhões de libras). As autoridades alemãs acreditam que a criança terá sido raptada por Christian Brueckner. Em abril de 2022, o Ministério Público de Faro constituiu arguido o cidadão alemão Christian Brueckner, que está a cumprir, na Alemanha, uma outra pena de prisão por uma condenação por tráfico de drogas. Em maio de 2022, o procurador alemão Hans Christian Wolters afirmou que "A investigação contra Christian Bruckner ainda está em curso e acho que encontrámos factos novos que nos dão a certeza de que ele é o assassino de Madeleine McCann." O procurador mostra algumas dúvidas em conseguir acusar o predador sexual alemão. Bruckner está preso na Alemanha por um crime praticado no Algarve - violou uma mulher de 72 anos. O suspeito garante nada ter que ver com o desaparecimento de Maddie e até diz ter um álibi - terá passado a noite com uma namorada de 18 anos.
Em 23 de maio, a Polícia Judiciária portuguesa iniciou novas buscas por Madeleine McCann na barragem do Arade, passados dezesseis anos desde seu desaparecimento. Ao fim de três dias (mais um do que inicialmente previsto), os meios começaram a desmobilizar. Não são conhecidas as conclusões desta investigação, levada a cabo por autoridades alemãs, britânicas e portuguesas. "a Policia Judiciária informa que foram dadas como cumpridas as diligências solicitadas pelas autoridades alemãs, através de um pedido de cooperação internacional, de que resultou a recolha de algum material que irá ser sujeito às competentes perícias. (...) o material recolhido será entregue às autoridades alemãs, de acordo com as regras da cooperação judiciária internacional."
Em setembro de 2024, foi anunciado na imprensa que Christian Brueckner, considerado pelas autoridades alemães o principal suspeito do desaparecimento de Madeleine McCann, teria confessado a Laurentiu Codin, ex-companheiro de cela, "ter sequestrado uma menina de um apartamento no Algarve".
Em junho de 2025, a Polícia Judiciária realizou novas buscas em Lagos pedidas pelas autoridades alemãs que continuam a apontar Christian Bruckner como principal e único suspeito do crime. A investigação, que tem por objetivo procurar eventuais vestígios do corpo da criança, centrou-se numa zona entre a Praia da Luz e uma das casas onde Bruckner habitou durante o período em que Maddie desapareceu. Todas as provas apreendidas durante as buscas foram entregues às autoridades alemãs, mediante autorização prévia do Ministério Público português. Detido por outro crime, ele confessou a um preso que teria sequestrado uma criança, levando as autoridade a ligar os fatos e reacender o caso de Madeleine. Devido a insuficiência de provas, Christian Bruckner foi liberado em 17 de setembro de 2025.
A 8 de maio de 2007, foi reportado o registo visual de uma menina semelhante a Madeleine na companhia de um homem num supermercado à polícia de Nelas, no Norte de Portugal. O homem, de nacionalidade belga, parou no supermercado com a sua filha e saiu num automóvel antes que a polícia pudesse ser contactada, mas a polícia confirmou posteriormente que se tratava de um falso alarme. A 19 de maio, o jornal 24 Horas referiu que a polícia havia encontrado um automóvel perto da Praia da Luz que poderá ter sido utilizado pelo raptor. A 19 de maio, foi dado a conhecer que um circuito interno de vigilância de um posto de combustível perto de Lagos mostrava uma criança correspondendo à descrição de Madeleine com uma mulher, com a qual a criança estava em altercação e dois homens. Outras pessoas no resort reportaram incidentes relacionados, incluindo alguém que tirava fotos a crianças loiras. A 10 de maio foi revelado que o carro, no qual foram avistadas as três pessoas no circuito interno de televisão no posto de combustível, tinha matrícula britânica e foi referido que uma dessas pessoas era o autor das fotografias.
Foi lançado um fundo, conhecido como Madeleine’s Fund: Leaving No Stone Unturned, em Leicester a 16 de maio, com apoio do antigo jogador de rugby Martin Johnson. O objectivo do fundo consiste em ajudar a família nos custos incorridos e em continuar a investigação independentemente, caso se torne necessário. A família declarou que quaisquer fundos adicionais serão utilizados para ajudar a procura de outras crianças desaparecidas. O websítio de suporte anunciou ter recebido 58 milhões de hits e 16 mil mensagens de suporte até 18 de maio, dois dias apenas após o seu lançamento. Na página do fundo é possível aceder-se também a uma loja patrocinada pelo casal Mcann, onde são "vendidos" pósteres com a fotografia da criança, e pulseiras amarelas de recordação. Este facto levou já alguns órgãos de comunicação a questionarem o cariz comercial e financeiro da campanha. A família permaneceu no mesmo resort desde o desaparecimento. O pai de Madeleine efectuou uma breve deslocação à Inglaterra a 20 de maio, para finalizar a campanha em busca da sua filha.
Foram realizados diversos apelos para o regresso de Madeleine desde familiares até celebridades, e da polícia por fotografias.
Da família
O pai de Madeleine, Gerry McCann, disse, "palavras não podem descrever a angústia e o desespero que sentimos. Por favor, quem tiver Madeleine, deixem-na regressar a casa para a sua mãe, pai, irmão e irmã". Acrescentou ainda que a família não deixaria "pedra intacta" na procura de Madeleine e que ele e a sua esposa permaneciam esperançados. Philomena McCann desenhou um póster para circular numa corrente de mensagens electrónicas para ajudar na busca. Ela também referiu numa entrevista telefónica que havia pouca divulgação do caso noutros países que não o Reino Unido e Portugal.
Da polícia
A 21 de maio, a delegação britânica do CEOP (Child Exploitation and Online Protection Centre) reportou que a polícia britânica apelava aos ocupantes do resort onde Madeleine desapareceu a 3 de maio para fornecerem cópias de quaisquer fotografias relevantes durante a sua estadia, numa tentativa de identificar o raptor utilizando técnicas biométricas de reconhecimento facial, através das quais as feições das pessoas abrangidas nas fotografias possam ser comparadas com as de pessoas condenadas por delito sexual ou de outra natureza.
De futebolistas
O futebolista português da Juventus FC, Cristiano Ronaldo, que na época era jogador do clube inglês Manchester United, fez um apelo na Manchester United TV para o retorno em segurança de Madeleine afirmando: "fiquei muito transtornado ao saber do rapto de Madeleine McCann e apelo a todos que tenham informação relevante a sua divulgação". O jogador do Chelsea FC e da selecção nacional inglesa, John Terry e o seu colega de equipa e jogador da selecção portuguesa Paulo Ferreira afirmaram estar "devastados por ouvir que a pequena Maddy havia sido raptada. Os nossos pensamentos e emoções vão para os seus pais, a sua família e apelamos a quem tenha informações que as divulgue".


