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Dercy Gonçalves

Dolores "Dercy" Gonçalves Costa, foi uma atriz, humorista e cantora brasileira. Oriunda dos espetáculos circenses, tornou-se uma das maiores estrelas do auge do teatro de revista na década de 1930 e da produção cinematográfica brasileira a partir da década de 1940. Foi reconhecida pelo Guinness Book como a atriz com maior tempo de carreira na história mundial, totalizando 86 anos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Biografia

Foi contratada pelo SBT, e voltou a experimentar um programa próprio, mas que teve curta duração. Posteriormente Dercy atuou na A Praça É Nossa com um quadro fixo junto a Carlos Alberto de Nóbrega. Em 4 de setembro de 2006, aos 99 anos, recebeu o título de cidadã honorária da cidade de São Paulo, concedido pela Câmara de Vereadores.

Primeiros anos: infância

Dercy veio de uma família miscigenada: a avó era negra africana, de Dacar, e o avô, português de Coimbra. Uma outra avó era “quase índia”. Originária de família pobre, nasceu no interior do estado do Rio de Janeiro. Sua irmã Cecília, segundo o registro, difere de seis meses do seu nascimento. Na época, era muito comum registrar os filhos mais tarde, pela falta de acesso a cartórios e informações acerca da importância de um registro civil. Era filha de um alfaiate, chamado Manuel Gonçalves Costa e de uma lavadeira, chamada Margarida Gonçalves Costa. Sua mãe abandonou o lar e os sete filhos ao descobrir a infidelidade do marido. Dercy, abandonada pela mãe ainda pequena, foi criada pelo pai alcoólatra. A menina, que foi crescendo, teve que conviver com um pai bêbado e violento em casa e sofreu muito com o abandono da mãe, que foi embora para o Rio de Janeiro para trabalhar como empregada doméstica e que anos mais tarde faleceu durante a Gripe espanhola.

Estreia no teatro circense

Aos dezessete anos, fugiu de casa para Macaé embaixo do vagão de um trem, pois queria se juntar a uma trupe de teatro mambembe que lá estava, com diversos atores de circo experientes, na qual ela poderia trabalhar, a Companhia de Maria Castro. Após um tempo morando em Macaé e trabalhando no teatro circense, o circo teve que partir para se fixar em outra cidade e fazer apresentações novas. Então, ela foi junto com a Companhia de Circo para Minas Gerais, onde estreou em Leopoldina, integrando o elenco da Companhia Maria Castro. Fazendo teatro itinerante, formou dupla com Eugênio Pascoal em 1930, com quem se apresentou por cidades do interior de alguns estados, sob o nome de "Os Pascoalinos", exibindo-se em circos ou integrando temporariamente outras companhias ambulantes, como as de João Rios, de Silva Filho, dentre outras. No final de 1931, Pascoal deixa Dercy sozinha na capital, indo para Atibaia tratar tuberculose. Considerada sua inexperiência, ela não teve êxito. Para sobreviver, foi cantora de números românticos e regionais na Companhia de Genésio Arruda.

Início na Televisão

Na década de 1960, iniciou sua carreira solo. Suas apresentações, em diversos teatros brasileiros, conquistavam um público cheio de moralismo. Nesses espetáculos, gradativamente introduziu um monólogo, no qual relatava fatos autobiográficos. Paralelamente a estas apresentações, atuou em diversos filmes do gênero chanchada e comédias nacionais. Na televisão, chegou a ser a atriz mais bem paga da TV Excelsior em 1963, na qual também conheceu o executivo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Depois passou para a TV Rio e, já na TV Globo, convenceu Boni a trabalhar na emissora, junto de Walter Clark. De 1966 a 1969, apresentou na TV Globo um programa de auditório de muito sucesso, Dercy de Verdade (1966-1969), que acabou saindo do ar com a intensificação da censura no país após o AI-5. Em 22 de Setembro de 1969, o programa foi suspenso pela Censura Federal por 15 dias.

Anos 1970: Problemas com a Censura

Em 1970, se apresenta com "A Dama das Camélias" em Lisboa, Portugal, sob a direção de Flávio Rangel. Em 1971, comandou o programa Dercy em Família, semelhante ao que apresentava anteriormente na TV Globo, mas, sem a equipe de apoio que a emissora lhe dava, durou pouco. No mesmo ano, faz uma participação no documentário Cômicos e mais Cômicos de Jurandir Passos de Noronha. Permanece quase toda a década de 1970 afastada da televisão, só retornando em 1978 em um segmento paulista no humorístico A Praça da Alegria.

Anos 1980

Em 1980, interpretou a vedete Dulcinéia, protagonista da novela Cavalo Amarelo, levada ao ar pela Rede Bandeirantes, e revive a personagem na continuação Dulcinéa Vai à Guerra. Em 1980, realiza entrevista no programa Canal Livre, cuja fita foi apreendida pela censura. Recebe em 1981 o Troféu Imprensa de melhor atriz de 1980, empatando com Dina Sfat. Ainda, por volta de 1981, grava um piloto de um programa para o SBT, chamado A Família Maluca, projeto que não teve continuação. Em 1981, estava de volta à TV Record, graças a sua boa amizade com Paulo Machado de Carvalho, assumiu a apresentação do Dercy Sempre aos Domingos, escrito e dirigido por Chico de Assis. O nome do programa parodiava uma antiga e bem cotada atração da TV Excelsior, o Bibi Sempre aos Domingos, apresentado ao final da década de 1960 por Bibi Ferreira. No entanto, mesmo quinze anos depois, a referência ao programa da Excelsior, uma emissora que já nem mais existia, incomodou, e o nome do programa teve que ser trocado para "Dercy Povão". Com problemas financeiros, a emissora, que em 1982 deixou de pertencer à família Machado de Carvalho, despediu Dercy.

Anos 1990

No carnaval de 1991, foi tema do enredo do desfile da Unidos do Viradouro, "Bravíssimo - Dercy Gonçalves, o retrato de um povo", na primeira apresentação da escola no Grupo Especial das escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro. Na ocasião, Dercy causou polêmica ao desfilar, no último carro, com os seios à mostra. Em 1992, participou da novela Deus Nos Acuda, de Silvio de Abreu, em um dos papéis centrais, o Anjo Celestina. Sua biografia, Dercy de Cabo a Rabo (1994), foi escrita por Maria Adelaide Amaral. Dercy de Verdade foi o título dado à minissérie sobre a vida da atriz, que também foi escrita por Maria Adelaide Amaral, com direção de Jorge Fernando. A minissérie estreou em 10 de janeiro de 2012 e teve quatro capítulos.

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Vida pessoal

Ainda na adolescência, foi noiva de Luís Pontes, mas o casamento não pôde ser realizado por oposição da família do noivo. Em 1934, depois de curada da tuberculose, após deixar o circo, teve um romance com o exportador de café mineiro Ademar Martins, mesmo ele sendo casado. Desse relacionamento de dois anos, nasceu sua única filha, em 1934, Maria Dercimar Gonçalves Senra, Maria Dercimar faleceu em novembro de 2023, aos 88 anos de idade. O nome Dercimar, dado à sua filha, é uma mistura do nome dos pais, Dercy e Ademar. Ademar descobriu que Dercy engravidou e, mesmo casado, decidiu assumir o filho fora do casamento, colocou Dercy em uma casa para morar e ajudou nas despesas. Quando o bebê nasceu, Ademar registrou a criança e visitava Dercy e a crianção com alguma frequência. Devido ao fato ser casado, mantiveram o romance em segredo e não moravam juntos. No entanto, deixou de visitá-las, causando angústia em Dercy. Como consequência, Dercy criou a filha sozinha e voltou a trabalhar no teatro.

Centenário

Em 23 de junho de 2007, Dercy Gonçalves completou 100 anos de idade com uma festa na Praça Coronel Braz, no centro do município de Santa Maria Madalena (sua cidade natal), na região serrana do Rio de Janeiro. Na festa, Dercy comeu bolo, levantou as pernas fazendo graça para os fotógrafos, falou palavrão e saudou o povo, que parou para acompanhar a comemoração. Embora oficialmente tenha completado 100 anos, Dercy afirmava que seu pai a registrou com dois anos de atraso, o que significa que teria completado 102 anos de idade. Foi este também o mês em que Dercy subiu pela última vez num palco: foi na comédia teatral Pout-PourRir (espetáculo criado e dirigido pela dupla Afra Gomes e Leandro Goulart), onde comemorou "Cem Anos de Humor", com direito a festa, autógrafos em seu DVD biográfico e um teatro lotado por um público de fãs, celebridades e jornalistas. À noite, inesquecível para quem estava presente, quando Dercy foi entrevistada por uma personagem interpretada pelo ator Luís Lobianco, ainda deixou para a história duas frases memoráveis. Foi perguntado à atriz se ela tinha medo da morte, e Dercy, sempre de forma irreverente respondeu: "Não tenho medo da morte, a morte é linda... (ela repensa) ...mas a vida também é muito boa!", e, no fim, após cortar o bolo com as próprias mãos e atirar nos atores, diretores e plateia, fez o público emocionar-se ainda mais, dizendo: "Eu vou sentir falta de vocês. Mas vocês também vão sentir a minha".

Morte

Dercy Gonçalves morreu em 19 de julho de 2008, aos 101 anos de idade,[nota 1] no Hospital São Lucas, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Ela foi internada durante a madrugada. A causa da morte teria sido uma complicação decorrente de uma pneumonia comunitária grave que evoluiu para uma sepse pulmonar e insuficiência respiratória. O estado do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias em memória à atriz. Ela foi sepultada de pé em uma pirâmide de cristal projetada pela atriz, no cemitério de Santa Maria Madalena, sua terra natal. Na mesma semana, Afra Gomes e Leandro Goulart e o elenco de Pout-PourRir prestaram, em cena, uma última homenagem a Dercy.

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