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Museu Nacional (Rio de Janeiro)

O Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é a mais antiga instituição científica do Brasil que, até setembro de 2018, figurou como um dos maiores museus de história natural e de antropologia das Américas. Localiza-se no interior do parque da Quinta da Boa Vista, na cidade do Rio de Janeiro, estando instalado no Palácio de São Cristóvão. O palácio serviu de residência à família real portuguesa de 1808 a 1821, abrigou a família imperial brasileira de 1822 a 1889 e sediou a primeira Assembleia Constituinte Republicana de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso do museu, em 1892. O edifício é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1938. Fundado por Dom João VI em 6 de junho de 1818 sob a denominação de Museu Real, o museu foi inicialmente instalado no Campo de Santana, reunindo o acervo legado da antiga Casa de História Natural, popularmente chamada "Casa dos Pássaros", criada em 1784 pelo Vice-Rei Dom Luís de Vasconcelos e Sousa, além de outras coleções de mineralogia e zoologia. A criação do museu visava atender aos interesses de promoção do progresso socioeconômico do país através da difusão da educação, da cultura e da ciência. Ainda no século XIX, notabilizou-se como o mais importante museu do seu gênero na América do Sul. Foi incorporado à Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1946.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/10/2026
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História

Imagem: midianinja · BY-NC-SA · Openverse

Antecedentes

A instituição remonta ao Museu Real, fundado por Dom João VI (1816-1826) em 1818, numa iniciativa para estimular o conhecimento científico no Brasil. Inicialmente o museu abrigou coleções de materiais botânicos, de animais empalhados, de minerais, de numismática, de obras de arte e de máquinas. Herdou algumas das aves empalhadas da antiga Casa dos Pássaros, primeiro museu de história natural brasileiro, fundado pelo vice-rei Dom Luis de Vasconcelos. A primeira sede do Museu Real localizava-se no Campo de Santana, no centro da cidade, em um prédio mais tarde ocupado pelo Arquivo Nacional. Com o casamento do príncipe Dom Pedro I com a princesa Maria Leopoldina de Áustria, vieram para o Brasil importantes naturalistas europeus, como Johann Baptiste von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius, que trabalharam para o museu. Outros pesquisadores europeus, como Auguste de Saint-Hilaire e Georg Heinrich von Langsdorff, contribuíram, ao longo do século XIX, para a coleção de exemplares naturais e etnológicos da instituição, nas respectivas expedições pelo país.

Segundo Reinado

Em 1844, apenas quatro anos após a Declaração da Maioridade que trouxe Dom Pedro II ao poder, o diretor do museu à época, Frei Custódio Alves Serrão, redigiu um relatório apontando problemas no museu devido a falta de recursos para sua manutenção. O relatório foi publicado pouco tempo após um corte orçamentário aprovado pelo Senado do Império, e apontava condições precárias na infraestrutura do edifício que abrigava o museu, na época localizado em sua primeira sede, no Campo de Santana. No decorrer do século XIX, refletindo tanto as preferências do Imperador Pedro II quanto o interesse do público europeu, o Museu Nacional passou a investir nas áreas da antropologia, paleontologia e arqueologia. O próprio Imperador, um entusiasta de todos os ramos da ciência, contribuiu com diversas peças de arte egípcia, fósseis e exemplares botânicos, entre outros itens, obtidos por ele em suas viagens. Desta forma o Museu Nacional se modernizou e tornou-se o centro mais importante da América do Sul em História Natural e Ciências Humanas.[carece de fontes]?

República

O Imperador ainda era uma figura muito popular no momento em que foi deposto, em 1889. Desta forma, os republicanos procuraram apagar os símbolos do Império. Um destes símbolos, o Paço de São Cristóvão, a residência oficial dos imperadores, tornou-se um local ocioso e que ainda representava o poder imperial. Então, em 1892, o Museu Nacional, com todo o seu acervo e seus pesquisadores, foi transferido da Casa dos Pássaros para o Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, onde se encontra até os dias de hoje.[carece de fontes]? Em 1946, o Museu passou a ser administrado pela então Universidade do Brasil, atual UFRJ. Os pesquisadores e laboratórios ocupam boa parte do museu e alguns prédios erguidos no Horto Botânico, na Quinta da Boa Vista. No Horto ainda encontra-se uma das maiores bibliotecas científicas do Rio de Janeiro.[carece de fontes]?

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Acervo científico

Imagem: Dornicke · BY-SA · Openverse

O Museu Nacional era detentor do maior acervo de história natural e antropologia da América Latina, bem como a instituição museológica brasileira que tem sob sua guarda o maior número de bens culturais. O museu possuía mais de 20 milhões de itens catalogados, divididos em coleções de ciências naturais (geologia, paleontologia, botânica e zoologia) e antropológicas (antropologia biológica, arqueologia e etnologia). Diversos núcleos do acervo remontavam a coleções iniciadas ainda no século XVIII, tais como os itens provenientes da Casa dos Pássaros e da Coleção Werner. Ao longo de mais de dois séculos, o acervo foi ampliado por intermédio de coletas e escavações, permutas, doações e compras. Incluía vastos conjuntos representativos do mundo natural e da produção humana, provenientes do Brasil e de outras partes do mundo, e possuía destacado valor científico, histórico e artístico, servindo como base para a realização de um grande número de pesquisas científicas, teses, dissertações e monografias. Em função do volume do acervo museológico e da exiguidade do espaço, apenas uma pequena amostra desse total (cerca de três mil objetos) encontrava-se em exposição permanente.

Geologia

O Museu Nacional possuía uma coleção de aproximadamente 70 mil itens relacionados às ciências da Terra, subdividida em núcleos de paleontologia, mineralogia, petrologia e meteorítica, composta por objetos provenientes de diversas localidades do Brasil e do mundo. Formado desde o fim do século XVIII, era um dos maiores e mais diversificados acervos geológicos brasileiros, caracterizado por seu alto valor científico, histórico e artístico, tombado como patrimônio nacional e desenvolvido em grande parte com o auxílio de alguns dos mais renomados cientistas e pesquisadores da geologia e da paleontologia do país. Dentre os colaboradores das atividades científicas do museu, realizadas de forma sistemática desde 1842, encontravam-se Wilhelm Ludwig von Eschwege (responsável pela primeira exploração geológica de caráter científico no Brasil), Claude-Henri Gorceix (fundador da Escola de Minas de Ouro Preto), Orville Derby (pioneiro da geologia brasileira), Alberto Betim Paes Leme (pioneiro em pesquisas de meteoritos no Brasil) e Ney Vidal (um dos pioneiros das coletas de exemplares de fósseis de vertebrados no Nordeste brasileiro), entre outros. Igualmente presentes no acervo estavam objetos provenientes das primeiras grandes expedições científicas realizadas em território brasileiro, organizadas ou integradas por colaboradores do museu, nomeadamente a Expedição Thayer (liderada por Louis Agassiz) e as Expedições Morgan (organizadas por Charles Frederick Hartt). Por fim, o museu conservava o acervo coletado pela Comissão Geológica do Império, criada em 1875 e dirigida por Charles Frederick Hartt, composto, sobretudo, por itens provenientes das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Paleontologia

O Museu Nacional possuía um dos mais significativos acervos paleontológicos da América Latina, totalizando cerca de 56 mil exemplares e 18 900 registros, divididos em núcleos de paleobotânica, paleoinvertebrados e paleovertebrados. Era composto majoritariamente por fósseis de plantas e animais, provenientes do Brasil e de outros países, além de reconstituições, réplicas, modelos e moldes. A coleção se destacava pela presença de núcleos de reconhecido valor científico e histórico, coletados em tempos remotos, contemporâneos ao surgimento da própria paleontologia. Os primeiros fósseis encaminhados à instituição foram escavados no Uruguai em 1826, pelo naturalista prussiano Friedrich Sellow. Nas décadas seguintes, a colaboração de naturalistas estrangeiros seria fundamental para a ampliação do acervo paleontológico (destacando-se os envios do italiano Giovanni Michelotti, entre 1836 e 1837), bem como as aquisições efetuadas por Frederico Leopoldo César Burlamaque, então diretor-geral do museu, responsável por reunir conjuntos de fósseis de ictiossauros do Jurássico da Inglaterra e de mamíferos do Nordeste do Brasil. No último terço do século XIX, a coleção foi enormemente expandida graças às expedições realizadas pela Comissão Geológica do Império, lideradas por Charles Frederick Hartt e integradas por Orville Derby. No século XX, já contando com o provimento de profissionais locais e paleontólogos especializados, a instituição pôde ampliar os estudos, investigações e expedições que ajudariam a consolidar a natureza enciclopédica de sua coleção paleontológica.

Antropologia biológica

O acervo de antropologia biológica do Museu Nacional — constituído em meados do século XIX e ampliado continuamente desde então — consistia em exemplares relacionados à história do processo evolutivo do homem. Conservava importantes remanescentes esqueléticos humanos de populações pré-históricas e históricas do Brasil e de diferentes partes do mundo, sendo particularmente relevante para os estudos sobre o povoamento e a dispersão dos primeiros ocupantes dos territórios brasileiro e sul-americano. O acervo também contava com expressivas coleções de caráter histórico, compostas por instrumentos, documentos e materiais iconográficos versando sobre as características e a trajetória da antropologia biológica no Brasil.

Arqueologia

O acervo de arqueologia do Museu Nacional, composto por mais de 100 000 objetos, notabilizava-se pela diversidade cultural abarcada, reunindo peças de grande importância provenientes de diversas civilizações que habitaram as Américas, a Europa e a África, desde o Paleolítico até o século XIX. O acervo era subdivido em quatro coleções principais: arqueologia egípcia, arqueologia mediterrânea, arqueologia pré-colombiana e arqueologia brasileira — essa última, reunida de forma sistemática desde 1867, consiste não apenas no segmento mais bem representado do acervo, mas também na mais importante coleção existente em sua tipologia, cobrindo de forma enciclopédica o Brasil pré-cabralino e abrangendo alguns dos mais destacados registros materiais produzidos durante esse período.

Etnologia

O acervo de etnologia do Museu Nacional abrigava cerca de 40 000 itens referentes à cultura material de diversos povos do mundo. O núcleo de etnologia indígena brasileira é o mais representativo, abrangendo objetos produzidos por povos nativos de todas as regiões do país, desde o início do período colonial até os dias de hoje. A coleção abrange também significativos conjuntos de artefatos referentes à etnologia africana, à etnologia afro-brasileira e às culturas do Oceano Pacífico. Por fim, o núcleo de linguística conserva um vasto conjunto de registros documentais e sonoros relativos às línguas indígenas brasileiras. O acervo do setor de etnologia serve de subsídio para diversas investigações científicas, destacando-se, nesse contexto, os estudos interdisciplinares feitos pelo Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (Laced).

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Ensino

Imagem: Edwardliu2013 · BY-SA · Openverse

O Museu Nacional oferece cursos de pós-graduação vinculados à UFRJ nas áreas de Antropologia Social, Arqueologia, Botânica, Geologia, Paleontologia e Zoologia.

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Fontes consultadas

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