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Democracia Corinthiana

A Democracia Corinthiana foi um movimento surgido na década de 1980 no time brasileiro de futebol Corinthians, liderado por um grupo de futebolistas politizados como Sócrates, Wladimir, Casagrande e Zenon. Constituiu o maior movimento ideológico da história do futebol brasileiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/10/2026
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História

Contexto

Em 1981, o Corinthians vinha de uma péssima campanha no campeonato brasileiro, assim como no Campeonato Paulista. Em abril de 1982, porém, acaba a gestão de Vicente Matheus na presidência, e Waldemar Pires é eleito para assumir o clube. Pires escolheu um sociólogo como diretor de futebol do time, Adilson Monteiro Alves, descrito por Gilvan Ribeiro, no livro "Casagrande e seus demônios", como "um jovem sociólogo com ideias revolucionárias para a administração esportiva". Adílson primava por ouvir os jogadores e outros membros da equipe corinthiana. Somando este fator à presença de jogadores politizados no elenco, como Sócrates e Wladimir, iniciou-se, dessa forma, uma revolução dentro do Corinthians.

Fundação

No início dos anos 1980, o publicitário Washington Olivetto foi apresentado a Adilson por Osmar Santos, que conhecera Washington por causa de uma campanha para a Rádio Globo que o publicitário bolara para anunciar a sua contratação. Adilson queria a ajuda do publicitário (que declarara à revista Status que tinha "amor eterno" pelo clube, porém que estava decepcionado com o desempenho pífio do time) para alavancar o marketing do clube e ajudá-lo a reformular a sua estrutura interna. Washington aceitou na condição de que ele trabalhasse de graça e que ninguém tirasse proveito eleitoral da empreitada. Foi então contratado para ocupar um cargo criado para ele: vice-presidente de marketing.

A Democracia

Entre outras medidas, os atletas conseguiram a flexibilização de normas rígidas de disciplina e hierarquia e liberaram os casados da concentração. Os atletas só não escolhiam a escalação para os jogos, tarefa ainda a cargo do técnico; todo o resto, inclusive contratações e horário dos treinos, era escolhido por voto. O "bicho", premiação em dinheiro para jogadores conforme rendimento em campo, passou a ser calculado conforme o público que o time conseguia trazer ao estádio; quanto mais espectadores, mais cada jogador ganhava. "Jogador de futebol jovem sai do estádio depois do jogo e vai caçar mulher em puteiro. A ideia era tirar o atleta da cultura do puteiro e inseri-lo na cultura do rock 'n' roll, deixá-lo conviver com gente da sua idade, mas com outra cabeça."

Inovação

O Corinthians foi o primeiro clube a utilizar a camisa com dizeres publicitários. Por iniciativa de Washington, o time estampava em suas camisas frases de cunho político, como "Diretas Já" ou "eu quero votar para presidente". Isso no período da ditadura militar, quando os movimentos sociais começavam a se rearticular para a instituição de uma democracia.

Declínio e fim

A Democracia começou a minguar em 1984, quando Sócrates foi para a Itália e Casagrande para o São Paulo. Em 1985, Pires tentou eleger o pai de Alves, Orlando, como sucessor e foi derrotado. Era o fim. Essa história é contada no livro Democracia Corintiana – A Utopia em Jogo, de Sócrates e Ricardo Gozzi. A partir de 1984 começa a articulação para criar o Clube dos 13[carece de fontes]?, onde a figura do presidente e sua cadeira no clube eram essenciais para o ingresso. Paralelamente, o time amargou resultados ruins nas temporadas de 1984 e 85, e assistiu a clubes como o Fluminense, com modelo clássico de gestão, destacarem-se no cenário nacional. Logo depois, consolidar-se-ia ainda o "futebol moderno" vindo da Europa e trazendo meios privados e gerenciais de gestão de clubes. Houve articulação para voltar ao movimento no final dos anos 80, mas agora sem força, face a "nova ordem do futebol mundial" que despontava com a FIFA, UEFA e a Copa do Mundo de 1990. A Emenda Dante de Oliveira também contribuiu para o fim da Democracia. Sócrates, que afirmou só deixar o Corinthians se ela não fosse aprovada, acabou, depois que ela não passou pelo Congresso, partindo para a Fiorentina, da Itália, que havia feito uma oferta milionária pelo seu passe.

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Documentário

Em 8 de dezembro de 2011 foi lançado oficialmente o documentário Ser Campeão é Detalhe - Democracia Corinthiana sobre o movimento, com depoimentos de personagens da época, inclusive, de Sócrates, a quem o filme foi dedicado e que ganhou uma homenagem durante o lançamento.

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Crítica

Apesar de toda a veneração por parte da mídia e de grande parte da torcida, o movimento também recebeu críticas de atletas como o goleiro Rafael Cammarota: Emerson, que foi contratado em meio ao período da Democracia por maioria dos votos, também diria que o movimento era "a única democracia do mundo onde só mandam três: o Sócrates, o Vladimir e o Casagrande". Além disso, a maioria dos jornalistas da grande imprensa, bem como membros do regime militar, tachava o movimento como o símbolo de jogadores descompromissados e enxergava tudo como uma "bagunça".

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Fontes consultadas

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