Renato Casagrande
José Renato Casagrande é um engenheiro florestal, advogado e político brasileiro, filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Casagrande nasceu em Castelo e é filho de Augusto Casagrande e Anna Venturim Casagrande, de uma família de descendência italiana. Cursou o primeiro grau na escola Nestor Gomes, em sua cidade natal. Estudou engenharia florestal na Universidade Federal de Viçosa, de 1979 a 1983, e direito na Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim, de 1987 a 1991. Participou da fundação da Associação Acadêmico Castelense e foi seu primeiro presidente. É casado com Maria Virgínia Casagrande, com quem teve dois filhos, Milla e Victor Casagrande.
Durante a graduação em Viçosa, participou do movimento estudantil e do centro acadêmico de Engenharia Florestal, do qual foi membro entre 1981 e 1982. Iniciou sua militância no Partido Comunista do Brasil, passou pelo PMDB na década de 1980 e ingressou no PSB em 1987. De 1984 a 1987, foi secretário de Desenvolvimento Rural de Castelo. Eleito deputado estadual em 1990, exerceu o mandato de 1991 a 1994 e disputou a eleição seguinte como candidato a vice-governador na chapa de Vitor Buaiz, do Partido dos Trabalhadores. Com a vitória da chapa, assumiu a vice-governadoria em janeiro de 1995 e acumulou o cargo com o de secretário estadual da Agricultura até abril de 1998, quando se afastou da secretaria para concorrer ao governo. Naquela eleição, ficou em terceiro lugar. De abril de 1999 a outubro de 2001, foi secretário de Meio Ambiente da Serra, município da Região Metropolitana da Grande Vitória. Também foi membro do Conselho Estadual de Meio Ambiente entre 1995 e 1998 e presidiu a seção capixaba da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente de 2001 a 2002.
Na Câmara dos Deputados, foi um dos signatários da proposta de emenda à Constituição 215/2003, apresentada por Alberto Fraga e outros deputados. A proposta foi aprovada como Emenda Constitucional 101, em 2019, e permitiu aos militares dos estados, do Distrito Federal e dos territórios acumular cargos públicos nas hipóteses previstas para professores, funções técnicas ou científicas e profissionais de saúde, respeitadas as condições constitucionais. Em 2004, apresentou o projeto de lei de conversão 43/2004, referente à medida provisória 191/2004, que alterava regras de importação de equipamentos e outros bens destinados à pesquisa científica e tecnológica. O texto modificou as leis 8.010/1990 e 8.032/1990, sobre isenções ou redução de impostos, e deu origem à Lei 10.964/2004. Também apresentou, em 2004, o projeto de decreto legislativo 1109/2004, sobre a remuneração dos integrantes do Congresso Nacional. A proposta foi aprovada como Decreto Legislativo 1/2006 e retirou a ajuda de custo paga aos parlamentares nas convocações extraordinárias do Congresso, chamada de jetom.
Na eleição de 1994, os votos foram dados à chapa de Vitor Buaiz e Renato Casagrande, que concorreu como candidato a vice-governador. Os resultados de cada turno são apresentados separadamente.
Propaganda irregular
Em 2014, Casagrande foi multado em R$ 2 mil por uma placa de campanha na fachada de uma borracharia na Avenida Serafim Derenzi, em Vitória. A Justiça Eleitoral entendeu que a publicidade infringia o artigo 37 da legislação eleitoral, que proíbe propaganda em estabelecimentos comerciais, e que a placa não havia sido retirada no prazo de 48 horas após a notificação. O advogado de sua coligação afirmou que Casagrande seguia a legislação e que pretendia recorrer da decisão. Na mesma eleição, Paulo Hartung, Josias da Vitória, Janete de Sá e Renzo Vasconcelos receberam multas por outras propagandas irregulares. A ação contra Hartung foi apresentada pela coligação de Casagrande, enquanto as demais foram propostas pelo Ministério Público Eleitoral.
Escândalo das passagens aéreas
Em novembro de 2016, Casagrande estava entre os 443 ex-parlamentares denunciados pela Procuradoria Regional da República da 1ª Região por suposto uso indevido de dinheiro público na compra de passagens aéreas com cotas da Câmara dos Deputados. As acusações faziam parte do escândalo das passagens aéreas, divulgado em 2009, e foram enquadradas como peculato, crime cuja pena prevista era de dois a doze anos de prisão. Casagrande afirmou que as regras da Câmara e do Senado permitiam aos parlamentares decidir como usar suas cotas de passagens e que havia cedido bilhetes a pessoas de baixa renda que precisavam de atendimento no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília. Disse que uma assistente fazia a seleção dos beneficiários em Vitória e defendeu que o uso estava amparado pelas resoluções do Congresso.
Delação da Odebrecht
Em abril de 2017, o Supremo Tribunal Federal encaminhou ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região uma delação e um pedido de investigação sobre Casagrande, a partir das delações de ex-executivos da Odebrecht. Sérgio Neves, ex-superintendente da empresa em Minas Gerais e no Espírito Santo, afirmou ter repassado R$ 1,8 milhão em caixa dois à campanha de Casagrande ao governo em 2010 e R$ 500 mil, a pedido dele, à campanha de Luciano Rezende para prefeito de Vitória em 2012. Neves citou Paulo Brusque nas tratativas e afirmou que uma reunião para acertar os repasses ocorreu no Palácio Anchieta, sede do governo estadual, em 2012. Casagrande negou ter discutido financiamento de campanha na sede do governo e afirmou que suas reuniões com a empresa eram sobre assuntos do estado. Também declarou que as doações recebidas seguiram a legislação e acusou o delator de misturar doações eleitorais e propina para obter benefícios na colaboração com a Justiça.
Troca de mensagens com o desembargador
Nas mensagens de julho de 2024 ao desembargador federal Macário Júdice Neto, Casagrande enviou uma decisão desfavorável ao prefeito de Montanha, André Sampaio, e perguntou se poderia telefonar ao relator para "pedir agilidade e olhar com carinho". O desembargador se ofereceu para entregar o material ao colega e, na semana seguinte, respondeu que a questão estava resolvida. Em outro contato, pediu a cessão de um assessor do governo ao tribunal. Ao examinar os diálogos, a Polícia Federal levantou a hipótese de troca de favores e pediu a abertura de uma investigação em março de 2026. Júdice Neto havia sido preso em 16 de dezembro de 2025, na segunda fase da Operação Unha e Carne, sob suspeita de vazamento de informações e obstrução da Justiça. A operação investigava o vazamento de informações da Operação Zargun.


