Pesquisa · Mapa mental

Edgar Degas

Hilaire Germain Edgar Degas, conhecido como Edgar Degas, foi um pintor, gravurista, escultor e fotógrafo francês. É conhecido, sobretudo, pela sua visão particular do mundo do balé, sabendo captar os mais belos e sutis cenários. Também é reconhecido pelos seus célebres tons pastéis e por ter sido um dos fundadores do impressionismo. Muitos dos seus trabalhos conservam-se hoje no Museu de Orsay, na cidade de Paris, onde o artista nasceu e faleceu. Se o quisermos classificar na história da arte, a maioria das obras consagradas de Degas ligam-se ao movimento impressionista - formado na França no final do século XIX, como reação à pintura académica da época. Com ele estavam Claude Monet, Paul Cézanne, August Renoir, Alfred Sisley, Mary Cassatt, Berthe Morisot e Camille Pissarro, que cansados de serem recusados em exposições oficiais, associaram-se e criaram a sua própria escola para poderem apresentar e ensinar as suas obras ao público.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
01

Biografia

Filho primogénito do rico banqueiro Auguste de Gas e de Célestine Musson, Edgar Hilaire Germain Degas[nota 1] nasceu em Paris a 19 de julho de 1834. O pai pertencia a uma família nobre da Bretanha, que tinha se mudado para Nápoles durante a Revolução Francesa; a mãe, Célestine, era originária de Nova Orléans (Luisiana) e a sua família dedicava-se à produção de algodão. Foi batizado com o nome de Edgar-Hilaire Germaine de Gas e passou a sua infância na rua St. George, próximo do Jardim de Luxemburgo em Paris. Mesmo com quatro irmãos e irmãs, teve uma infância afetada pela morte de sua mãe, em 1847.

Os estudos

A origem e a formação de Edgar Degas jamais sugeririam que ele viesse a ser um revolucionário, satirizando e reformulando as percepções visuais das pessoas do seu tempo. Em 1845, entrou como aluno no Liceu Louis-le-Grand (Paris), onde conheceu Henri Rouart, amigo que o acompanhou durante toda a sua vida. Com dezoito anos, numa sala da mansão dos seus pais, instalou um atelier onde concebeu alguns dos melhores trabalhos do início da sua carreira. Não progredia muito na escola, pois tinha bem assente a sua posição social, e os pais relembravam-lhe constantemente que era um aristocrata. Já com o bacharelato, saiu do liceu aos vinte anos de idade com outros planos em mente.

Na Itália

Entusiasmado, empreendeu uma viagem a Itália, onde viveu por três anos, dedicando-se a copiar as pinturas dos grandes mestres do Renascimento como Luca Signorelli, Sandro Botticelli, as esculturas clássicas, afrescos de Rafael e o trabalho de Michelangelo na Capela Sistina, obras que são as principais motivações do pintor. Inicialmente, viajou com sua família para Nápoles e depois para Roma e Florença, onde se tornou amigo do pintor Gustave Moreau. Teve contato com as obras de Rafael Sanzio, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Andrea Mantegna - copiando os seus trabalhos, como "A crucificação de Mantegna", entre outros artistas da Renascença. Durante esta viagem, concebeu um dos seus melhores trabalhos: Retrato da família Bellelli, com esboços de todos os membros da família aristocrata italiana.

Regresso a Paris e os Impressionistas

De regresso a França no ano de 1859, Degas instala-se num estúdio em Paris e continua o seu trabalho sobre o Retrato da família Bellelli, cuja execução durou mais de dois meses e que queria apresentar no Grande Salão de Paris. Com esta pintura, Degas consegue evidenciar o carácter psicológico da baronesa, que contrasta visivelmente com o do barão. Ela limita-se a olhar friamente uma janela sabendo que está ali só para posar para o retrato. Já o barão, mais velho que a esposa, olha ternamente a sobrinha sentada. Para além deste quadro, não se cansou de retratar os membros da sua família, incluindo o seu avô, Hilaire Germain de Gás, os seus irmãos e o chefe da família De Gás. Também efetuou estudos sobre várias pinturas históricas: Alexandre e Bucephalus e a filha de Jefté em 1859-1860; Semiramis construindo Babilônia, em 1860, e Jovens espartanos por volta de 1860. Em 1861, Degas vai visitar o seu amigo de infância Paul Valpinçon na Normandia, onde faz os seus primeiros estudos sobre cavalos.

02

O percurso artístico

Depois da sua longa visita a Itália, onde não se absteve de estudar e até mesmo copiar as obras dos mais distintos pintores do Renascimento italiano, Degas regressou a Paris. Enfastiado pela arte renascentista e barroca, passou a ir frequentemente ao Museu do Louvre, onde estudou as obras de pintores, seus precedentes, de toda a Europa, sem exceptuar Nicolas Poussin, Dominique Ingres, Leonardo da Vinci, Hans Memling, Ticiano, Anthony van Dyck, Joshua Reynolds, Hubert Robert, John Constable e outros mestres. As pinturas deste período, cópias das obras dos precedentes pintores ou inspiradas nas obras dos mesmos, começaram a encarar o sucesso e foram até aceitas no Salon. Degas era reconhecido como um convencional e ecléctico pintor parisiense do Salon. Mas, em 1870, a vida de Degas mudou, devido a Guerra Franco-Prussiana. Nessa guerra, entre duas das maiores potências europeias - embora em declínio -, Degas serviu na Guarda Nacional, na artilharia, agindo na defesa de Paris. Estava ali junto a Henri Rouart. Os dois ficaram instalados na casa de uns amigos da família De Gás, de nome Valpiçon. Foi aqui, em Ménil-Hubert, na Normandia, que Degas trabalhou em Retrato da jovem Hortense Valpiçon. O quadro revela uma assimetria semelhante a A dama dos crisântemos, que, por sua vez, retrata a mãe de Hortense, a famosa Madame Valpiçon. Esta temporada marcou o interesse maior do aristocrata pela pintura histórica.

O estilo artístico

Degas é considerado vulgarmente como um dos impressionistas, todavia, tal afirmação revela-se um erro, visto que o autor nunca adotou o leque de cores típico dos impressionistas, proposto por Monet e Boudin, e para além disso, desaprovou vários trabalhos seus. Pelo contrário, Degas misturava o estilo impressionista - inspirado em Manet - com influências conservadoras, com bases assentes na Renascença italiana e no Realismo francês. Mas, à semelhança de muitos modernistas - desta época ou de outras, veja-se Matisse, que viveu posteriormente -, inspirou-se muito nas odaliscas de Dominique Ingres. Na primeira exibição impressionista, Degas constava na lista dos que ali tinham obras expostas. As suas obras reuniam uma gama de influências vasta e sem semelhança, onde sobressaem as gravuras japonesas e os torneados humanos de Dominique Ingres. Como é de notar, os quadros de Degas não surpreenderam tanto como os de Monet, por exemplo. O público não se espantava tanto com as suas pinturas; eram tão mais delicadas, sem a agressividade que viram nos outros trabalhos, fazia-lhes até lembrar a pintura histórica, os grandes mestres italianos e o encanto dos franceses do setecento.

03

A reputação e a aceitação da sua obra

"Saúdo Vossa Excelência que tem aquela perspectiva, talvez das pinturas de Degas, capaz de vislumbrar o horizonte sem o impressionismo que dificulta muitas vezes o exercício da poesia para a boa aplicação da justiça." Ministro Menezes Direito - STF Degas era um aristocrata, um homem de famílias típicas, um descendente de banqueiros napolitanos. Portanto, os seus trabalhos, do início da sua carreira, foram bem aceitos pela crítica e pela aristocracia restante que se espantava ao ver o talento daquele gênio. Sem dúvida, a sua classe social influenciava na aceitação dos seus trabalhos. Desde cenas do cotidiano doméstico às frenéticas ruas de Paris, desde a Bolsa de Nova Orleans à pintura histórica, desde as corridas de cavalo à mulheres passando a ferro, todas as suas obras eram bem aceitas e de extrema reputação. Contudo, tal viria a mudar depois da concepção de Place de La Concorde. Enquanto nos seus antigos quadros surgem com bastante dinamismo, a composição deste não permitiu tal coisa. As figuras deslocam-se, aparentemente, de forma vagarosa - o que é óbvio, pois representava um passeio. Existe uma quase ausência de personagens na praça parisiense. Figuram duas meninas que não se sabe a quem pertencem, de onde vêm nem para onde vão. Demonstram um sorriso implacável e constrangedor, comparável ao de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. Dois velhos de cara triste, deambulando com cartola posta, e barba arranjada, muito ecléticos. Parecem infelizes. E esta atmosfera triste realça-se mais com os trajes dos personagens, cinzas ou pretos.

A pequena bailarina

E depois de A pequena bailarina de catorze anos, Degas marca o início da sua independência do grupo dos impressionistas. Deixa-os para trás. Aquilo, para ele, era somente uma brincadeira, com a qual se tornou reconhecido na Europa. Ao exibir essa escultura, deixou os seus colegas chocados, assim como toda a "boa sociedade" da época. A bailarina representada era um dançarina da Ópera que Degas conhecera. A sua família era miserável, tendo mesmo uma irmã prostituta. Depois de Degas a ter esculpido, ela chegou a estudar balé, até os dezesseis anos, mas acabou por se prostituir para conseguir viver. Na escultura, estão bem marcados, na face da bailarina, as marcas da miséria em que viviam milhares de parisienses.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando