Dar Anadua
Dar Anadua era um espaço de reunião em Meca, no tempo do profeta islâmico Maomé, utilizado pelas principais figuras da cidade para discutir questões políticas, sociais e militares. Embora não fosse uma assembleia formal nem possuísse autoridade legislativa definida, funcionava como um fórum de deliberação em situações importantes, reunindo sobretudo nobres e líderes tribais. Localizada ao norte da Caaba, tratava de temas como casamentos, guerra, costumes sociais e assuntos públicos. Sua existência reflete a organização política descentralizada da Meca pré-islâmica, marcada pela ausência de autoridade central e pela predominância de costumes e acordos tribais.
A fundação da Dar Anadua é atribuída a Cuçai ibne Quilabe, antepassado dos coraixitas, que, após derrotar a tribo dos cuzaaítas, tornou-se líder de Meca, unificou os ramos de sua tribo e promoveu a fixação da população em habitações permanentes. Reconhecendo as diferenças entre os grupos, manteve privilégios já existentes, ao mesmo tempo que concentrou algumas funções, entre elas o aconselhamento político (nadua). Por volta de 440, Cuçai a construiu com a entrada voltada para a Caaba, destinando-a à reunião dos nobres (malāʾ). Apenas chefes de clãs com mais de quarenta anos podiam participar das deliberações. A instituição, contudo, formalizava práticas anteriores, já que reuniões semelhantes ocorriam na casa de Cuçai, onde também se celebravam casamentos e se discutiam questões comunitárias. Durante a época do profeta islâmico Maomé, continuou em uso e foi cenário de decisões importantes dos opositores do Islã. Um episódio marcante relata que líderes mequenses ali se reuniram para discutir a expansão da nova religião e, por iniciativa de Abu Jal, planejaram o assassinato do Maomé por meio de um grupo formado por jovens de diferentes tribos, de modo a diluir a responsabilidade entre todos os clãs. Apesar do apoio majoritário, o plano fracassou, e Maomé conseguiu escapar. Além de sua função política, a Dar Anadua aparece nas fontes como um espaço comunitário multifuncional, cuja versatilidade era possibilitada pela presença de divisórias leves (macsura). Segundo os relatos, havia compartimentos separados para homens e mulheres, possivelmente utilizados também como hospedaria temporária. O local servia ainda para celebrações de casamento e outros eventos sociais que exigiam segregação de espaços.


