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Sancho II de Portugal

Sancho II, apelidado de "o Capelo" e "o Piedoso", Rei de Portugal de 1223 até à sua morte, em 1248. Era o filho mais velho do rei Afonso II e sua esposa Urraca de Castela.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Vida

Sancho II viria a chefiar um reino que atravessava uma profunda crise económica que já se tinha feito sentir nos tempos do seu avô Sancho I, devido a uma série de factores conjunturais e locais, como as más colheitas e consequente subida de preços e fome, ou a escassez dos frutos de pilhagens e saques a potências inimigas nos últimos anos do seu reinado. Daí que em 1210 tenhamos registo de Sancho I, juntamente com Vasco Mendes, terem recorrido à pilhagem da quinta de um dos seus próprios paisanos, Lourenço Fernandes da Cunha, para enriquecer os cofres reais. Esta acção não parece ter sido isolada, e virá a repetir-se, seguindo o exemplo real. Neste ano conturbado crê-se ter nascido Sancho II, provavelmente entre os dois últimos meses. O jovem Sancho esteve, pelo menos durante esses primeiros anos do reinado de Afonso, debaixo da tutelagem dos seus vassalos Martim Fernandes de Riba de Vizela e Estevainha Soares da Silva, casal nobre ligado por parentesco aos Sousa e aos de Lanhoso. Martim tinha sido alferes do rei em 1203, posição que manterá até à morte deste, para subir, com Afonso II, ao mordomado, no mesmo ano em que este assume a Coroa. Parece contudo morrer em 1212, deixando Sancho, que não podia ter mais de 2 anos, a cargo de sua mulher Estevainha. Em 1213, através de uma doação feita por Estevainha a um mosteiro, sabemos que o jovem Sancho se encontrava doente. Embora não se saiba ao certo, é provável que Sancho tenha sido criado em Coimbra e na região do Entre Douro e Minho, e que sua ama tenha sido Teresa Martins, filha de Estevainha.

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Reinado

D. Sancho II é coroado na Primavera de 1223, seu pai D. Afonso II tendo morrido excomungado pelo Papa Honório III. Começava já com o pé esquerdo, visto que era filho de um casamento que ia contra a lei canónica — Afonso II e Urraca de Castela, pois eram primos, em 5.º grau canónico — e que era menor, não tendo ainda atingido os catorze anos e possivelmente os treze. H. Fernandes argumenta que o facto de nenhum tutor ter sido seleccionado para participar, assinando, dos documentos saídos da chancelaria de Sancho II durante a sua menoridade, e de se observar a ausência de um ritual de passagem como a investidura na cavalaria que marca a entrada de Afonso VIII na posse real do reino de Castela, viriam a ajudar o argumento a favor da sua deposição. Outra linha de argumento, utilizada por exemplo por Honório III em correspondência com o monarca, leva em consideração a idade tenra e primeira adolescência de Sancho II e realça o papel corruptor dos seus conselheiros régios. Tornar-se-á um dispositivo recorrente nos discursos sobre Sancho produzidos, muito para além dos primeiros anos do seu reinado. Tanto um artifício como o outro visam desculpabilizá-lo, ou simplesmente fazê-lo sobressair como fraco e incapaz de reinar.

Reconquista

Contrariamente ao que durante muito tempo a historiografia tradicional portuguesa se esforçou por indicar, Sancho II não era um capaz chefe militar, e tampouco participou de forma activa das conquistas que se deram ao longo do Guadiana a partir do ano de 1230. O castelo de Elvas aparenta ter sido tomado "pela graça do salvador", portanto sem a intervenção de Sancho, ocupado quase que por sorte, sem confronto militar. Este padrão repetir-se-á, por exemplo, com Beja. De certa forma, a reconquista é impulsionada pelo Papa Gregório IX, que, em 1232, concede a Sancho que não pode ser excomungado sem mandado especial da Santa Sé, desde que persista na guerra contra os sarracenos, e que portanto nenhum dos seus bispos o possa excluir da comunidade cristã. Estas absolvições continuaram, vendo-se em Junho de 1233 uma por violências cometidas por Sancho sobre clérigos "com a sua mão e com um bastão".

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Conflitos

Infantas, Tias de Sancho II

Filhas e herdeiras de considerável feudo territorial de Sancho I, seu pai, estas tinham em Teresa, antiga rainha de Leão, um líder incontestado, visto que parecia querer assumir, tal como a sua rival Berengária, papel nuclear na política do Ocidente peninsular. As raízes do conflito remontam ao primeiro testamento de Sancho I, redigido em 1188, que disponibilizava os castelos de Alenquer, Montemor, Viseu, Guimarães e Santa Maria para a sua mulher D. Dulce e para as suas filhas e deixava à sua filha maior D. Teresa o castelo de Montemor e Cabanões, e à mais nova, Sancha, Bouças, Vila do Conde e Fão. Há um detalhe que se revela logo de início capaz de semear a discórdia: a concessão hereditária feita a Teresa, de 12 anos, e Sancha, de 8.

Com a Igreja

O rei Sancho I, avô paterno de Sancho II, teve dissensões com o Bispo do Porto por ter interferido nas graves fracturas que afectavam a relação do bispo com os seus cónegos e com a elite da cidade. Assim é então que na Primavera de 1210 o Papa Inocêncio III troca correspondência com D. Martinho Rodrigues, tratando as graves opressões e enormes injúrias perpetradas sobre ele e os seus homens bem como alguns cónegos que lhe tinham permanecido fiéis. A razão destes desacordos aparenta ter sido o facto de Rodrigues não ter aceitado a proposta de Sancho de promover a entrada solene e processional na cidade em benefício de seu filho Afonso, porque o casamento deste com Urraca era ilícito face à lei canónica, que nesta altura ainda restringia os casamentos até ao sétimo grau de parentesco.

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Excomunhão

A 16 de agosto de 1234, D. Sancho II é excomungado pelo mesmo comité de juízes pontifícios que lançara o Interdito em 1231, reunido em Ciudad Rodrigo. Era a consequência natural da Bula Si quam horribile do ano anterior. O eterno e cada vez mais omnipotente chanceler de D. Sancho, Mestre Vicente, é enviado em missão à Cúria Pontifícia, conseguindo assim minorar os efeitos da excomunhão sobre a autoridade de D. Sancho II, prolongando assim o seu reinado.

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Guerra Civil, Deposição e Morte

O isolamento político de Sancho II começa provavelmente em 1232, estando o reino com conturbações internas; Afonso de Castela entra nesse ano pelo Norte do reino em defesa de Sancho II. Resigna também em Roma o bispo de Coimbra, Pedro, aliado de Sancho. D. Afonso, irmão mais novo de Sancho, denuncia em 1245 o casamento de Sancho com Mécia. Nesse mesmo ano a Bula Inter alia desiderabilia prepara a deposição de facto do monarca. O papado, através de duas Breves, aconselha Afonso, Conde de Bolonha, a partir para a Terra Santa em Cruzada e também que passe a estar na Hispânia, fazendo aí guerra ao Islão. A 24 de julho, a Bula Grandi non immerito depõe oficialmente Sancho II do governo do reino, e Afonso torna-se regente. Os fidalgos levantam-se contra Sancho, e Afonso cede a todas as pretensões do clero no Juramento de Paris, uma assembleia de prelados e nobres portugueses, jurando que guardaria todos os privilégios, foros e costumes dos municípios, cavaleiros, peões, religiosos e clérigos seculares do reino. Abdicou imediatamente das suas terras francesas e marchou sobre Portugal, chegando a Lisboa nos últimos dias do ano.

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Conclusões

Na medida em que os conflitos com o clero ocorriam a uma escala maior que a do reino português, eles demonstram uma linha de oposição entre um modelo de sociedade teocrática, tal como o papado desde Gregório VII o vinha propondo e um outro, menos definido, mas que tem o poder dos príncipes como centro e que a recuperação do direito romano virá contribuir para unificar em torno de bases ideológicas mais sólidas. Conflitos entre o rei e os bispos, destes com os seus cabidos, intervenções papais: tudo parece convergir num ponto onde os interesses casuísticos dos grupos se encontram com processos de longa duração que afectam a própria organização social urbana. Mencione-se ainda que as sequelas destas conturbações prolongar-se-ão durante o tempo em que outros estão nos cargos de Bispo acima mencionados. Os vestígios escritos da chancelaria de Sancho II oferecem um grande número de lacunas por vezes extensas, por exemplo de 1229 a 1235, o que H. Fernandes julga ser fruto de uma provável destruição desta documentação pelo irmão e futuro rei Afonso III. Até ao ano de 1236, o Mestre Vicente é chanceler do rei, maestro da política régia, detendo assim um cargo importante. De 1236 em diante, Sancho II traz frequentemente os seus físicos na Corte, sinal de que provavelmente já se encontrava doente. As pilhagens a partir de 1236 são protagonizadas por bandos de fidalgos com os seus homens.

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Títulos, estilos, e honrarias

Títulos e estilos

O estilo oficial de D. Sancho II enquanto Rei de Portugal: "Pela Graça de Deus, Sancho II, Rei de Portugal"

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