Pesquisa · Mapa mental

Maria II de Portugal

Maria II, cognominada "a Educadora" e "a Boa Mãe", foi Rainha de Portugal de facto por duas vezes: primeiro de 1826 a 1828, quando foi deposta pelo seu tio D. Miguel, e depois, de 1834 até à sua morte, em 1853. Era a filha mais velha do rei D. Pedro IV e da sua primeira esposa, a arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
01

Biografia

Após a revolução liberal, na sequência da reforma administrativa de 1836, a rainha Maria II entregou o foral de concelho ao Seixal, no dia 6 de novembro. Foi no seu reinado, em 1853, que começou a circulação do selo em Portugal (com a sua cara) pago pelo remetente e não pelo destinatário, como era habitual antes da criação do selo. Foi por isso que as cartas antes da época da criação normalmente não eram recebidas pelo destinatário. O Teatro Nacional Maria II, no Rossio (zona central de Lisboa), tem o seu nome por ter sido inaugurado no dia de aniversário da rainha. D. Maria II engravidou 12 vezes e teve 11 partos, tudo isto em 16 anos, a uma média de filho por cada 17 meses. Desde a sua primeira gravidez, aos dezoito anos de idade, Maria II enfrentou problemas para dar à luz, com trabalhos de parto prolongados e extremamente difíceis. Exemplo disso foi a sua terceira gestação, cujo trabalho de parto durou 32 horas, findas as quais, foi retirada a fórceps uma menina, baptizada in articulo mortis com o nome de Maria (1840).

Nascimento

Dona Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga nasceu em 4 de abril de 1819 no Palácio de São Cristóvão, cidade do Rio de Janeiro, Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, sob o título de Princesa da Beira e posteriormente Princesa Imperial do Brasil. Era a filha mais velha do então príncipe real Pedro de Alcântara e da sua primeira esposa, a arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria. Maria da Glória foi a única monarca da Europa a nascer fora de terras europeias, embora tenha nascido dentro de território português.

Início do reinado

Pedro ascendeu ao trono português em março de 1826, como Pedro IV. A 29 de abril, outorgou aos portugueses uma constituição livre, a carta constitucional. Porém, rapidamente abdicou em favor da sua filha mais velha, que se tornou Rainha de Portugal e dos Algarves como Maria II, aos sete anos de idade, pois os brasileiros não aceitaram que o imperador cingisse a coroa portuguesa, o que resultaria na unidade da antiga monarquia, da qual se haviam libertado. A abdicação era condicional: a princesa casaria com o seu tio paterno, o infante Miguel, e enquanto se não realizasse o consórcio, e o novo regime não dominasse em Portugal, continuaria a regência da infanta Isabel Maria em nome de Pedro IV.

Levantamento absolutista

Miguel chegara a Lisboa em 22 de fevereiro de 1828. A tomada de posse oficial da regência ocorreria quatro dias mais tarde. Em 13 de março de 1828, Miguel dissolveu as cortes, convocando a 3 de maio o conselho dos três Estados para que "por modo solene e legal, segundo os usos e estilos desta Monarquia, e na forma praticada em semelhantes ocasiões, reconheçam a aplicação de graves pontos do Direito português". O conselho reuniu-se em 23 de junho e Miguel foi aclamado rei em 11 de julho. Começaram então as Guerras Liberais que se prolongam até 1834, ano em que Maria foi reposta no trono e Miguel exilado para a Alemanha. O Marquês de Barbacena, chegando a Gibraltar com a princesa em 3 de setembro de 1828, teve conhecimento, por um emissário, do que se passava em Portugal e compreendeu que Miguel viera de Viena resolvido a encabeçar o movimento absolutista, aconselhado pelo príncipe Klemens Wenzel von Metternich, que dirigia a política europeia, sendo assim perigoso a jovem rainha seguir para Viena. Tomando a responsabilidade, mudou a direção da viagem, e partiu para Londres, onde chegou a 7 de outubro. A política inglesa nada favorecia os seus intuitos. O gabinete do Duque de Wellington patrocinava abertamente Miguel, de sorte que o asilo que o marquês procurara não era seguro. Maria II foi recebida na corte com as honras devidas à sua elevada hierarquia, mas os ingleses impediam os seus súbditos ali emigrados de irem reforçar a guarnição da ilha Terceira.

Guerra civil

Em 1831, Pedro I abdicou, a 7 de abril, da coroa imperial do Brasil em nome do seu filho Pedro II do Brasil, irmão de Maria II, e veio para a Europa com a filha e a segunda mulher, sustentar os direitos da filha à coroa de Portugal. Tomou o título de duque de Bragança, e de Regente em seu nome. Quase ao mesmo tempo a regência da ilha Terceira, nomeada por Pedro e composta pelo marquês de Palmela, o conde de Vila Flor e José António Guerreiro, preparou uma expedição que em pouco tempo se apossou dos Açores. Enquanto se ampliava, assim, o território constitucional, Pedro desembarcava em França, sendo acolhido com simpatia pelo novo governo e por Luís Filipe I. O governo de Miguel desacatara as imunidades dos súbditos franceses e não satisfizera de pronto as reclamações do governo francês, que mandara uma esquadra comandada pelo almirante Roussin forçar a barra de Lisboa e impor humilhantes condições de paz.

Proclamação da maioridade

Em 18 de setembro de 1834 o Parlamento de Portugal aprovou a maioridade de D. Maria II, passando a reinar sem a figura do regente.

Casamentos

Com dispensa papal, por procuração, em 29 de outubro de 1826 casou com o seu tio, o infante D. Miguel de Bragança (1802-66). Porém, esse casamento foi dissolvido ou declarado nulo em 1 de dezembro de 1834. Casou em Munique, na Alemanha, por procuração, no dia 1 de Dezembro de 1834 e ao vivo, em pessoa, na cidade de Lisboa, em Portugal, a 26 de janeiro de 1835 com o príncipe Augusto de Beauharnais. Baptizado Augusto Carlos Eugénio Napoleão de Beauharnais, nasceu em Milão a 9 de dezembro de 1810 e morreu a 28 de março de 1835, com doença de difteria, no Paço Real das Necessidades, em Lisboa. Segundo duque de Leuchtenberg, Príncipe de Eichstätt, feito príncipe de Portugal pelo casamento e 1.° duque de Santa Cruz no Brasil, feito em 5 de novembro de 1829 pelo seu sogro e cunhado Pedro I do Brasil. Era filho de Eugénio de Beauharnais e da princesa Augusta da Baviera, e irmão mais velho da imperatriz Amélia, madrasta de Maria II.

02

Títulos, estilos, e honrarias

Títulos e estilos

O estilo oficial de Maria como rainha era: Sua Majestade Fidelíssima, Maria II, pela Graça de Deus, Rainha de Portugal e Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhora da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.

Honrarias

Enquanto monarca de Portugal, Maria foi Grã-Mestre das seguintes Ordens:

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando