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Curdistão iraquiano

O Curdistão iraquiano, conhecido localmente como Região do Curdistão ou Curdistão do Sul é uma região federal autônoma do Iraque. Faz fronteira com o Irã a leste, a Turquia a norte, a Síria a oeste e com o resto do Iraque ao sul. Sua capital é a cidade de Arbil.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
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História

O Curdistão iraquiano é parte de uma antiga região conhecida como Alta Mesopotâmia, possuindo sítios arqueológicos que datam do Neolítico. Na Antiguidade, o território fez parte da Assíria por um longo período de tempo, sendo posteriormente, conquistado pelos Medos. Após isto, a região foi governada pelos Aquêmenidas, Helênicos, Romanos e Partas, estando sempre ligada ao Reino de Adiabena. Em 428, os persas incorporaram-na ao Império Sassânida. Até que em 651, a região é invadida pelos árabes ortodoxos, durante a conquista muçulmana da Pérsia. Na segunda metade do século XVI, com a fragmentação do Ilcanato, a região divide-se em alguns principados, sendo os principais Soran e Baban, que passaram posteriormente ao controle do Império Otomano.

Mandato Britânico (1918–1932)

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, o vilaiete otomano de Moçul, correspondente ao sul do Curdistão, caiu sob domínio britânico, responsável pela Campanha da Mesopotâmia. Durante a dissolução e a partilha do Império Otomano, os curdos no Iraque tentaram estabelecer, por mais de uma vez, um Estado independente. Em 1919, o xeique da ordem sufista cadirita, considerado a personalidade mais influente no sul do Curdistão, se uniu com líderes tribais contra os britânicos e declarou um Curdistão independente em maio do mesmo ano. Entre suas tropas e apoiadores, estava o jovem Mustafa Barzani, futuro líder nacionalista curdo. Os britânicos responderam militarmente e Mamude foi derrotado em junho de 1919, sendo exilado na Índia.

Revolta de Barzani (1960–1979)

Liderados por Mustafa Barzani, os curdos estiveram em luta contra os sucessivos regimes iraquianos a partir de 1960, em busca de sua autonomia. Um plano de paz foi anunciado em março de 1970, e previu uma autonomia curda mais ampla. O plano também deu aos curdos representação em órgãos de governo, a ser implementado em quatro anos. Apesar disso, o governo iraquiano iniciou um programa de arabização nas regiões ricas em petróleo de Quircuque e Khanaqin no mesmo período. O acordo de paz de 1970 não durou muito, e em 1974, o governo iraquiano iniciou uma nova ofensiva contra os rebeldes curdos, empurrando-os perto da fronteira com o Irã. O Iraque informa a Teerã que estava disposto a satisfazer exigências iranianas em troca de um fim a seu auxílio para os curdos. Além disso, em março de 1975, Iraque e Irã assinaram o Acordo de Argel. Segundo o Irã, o acordo cortava suprimentos para os curdos iraquianos. Seguindo esta evolução, Barzani fugiu para o Irã com muitos dos seus apoiantes. Outros renderam-se em massa e a rebelião terminou dentro de um curto período de tempo. As vítimas da guerra são estimadas em cerca de 5.000 soldados e civis.

Guerra Irã-Iraque e Anfal (1980–1989)

No início de 1980, com a erupção da Guerra Irã-Iraque, outra rebelião curda no norte do Iraque eclodiu, iniciada em grande parte com apoio iraniano. O estágio mais violento do conflito foi a Campanha al-Anfal do exército iraquiano contra os curdos, que decorreu entre 1986-1989 e incluiu o ataque com gás venenoso em Halabja. Um número estimado de 182.000 curdos perderam a vida durante as séries de ataques e centenas de milhares tornaram-se refugiados, fugindo principalmente para o vizinho Irã. Os ataques levaram também à destruição cerca de 4.000 aldeias curdas. A rebelião terminou em 1988 com um acordo de anistia entre as duas partes beligerantes: o governo iraquiano e os rebeldes curdos. O Iraque foi amplamente condenado pela comunidade internacional, mas nunca foi seriamente punido pelos meios violentos que utilizou, como o assassinato em massa de centenas de milhares de civis, a destruição generalizada de milhares de aldeias e a deportação de milhares de curdos para o sul e o centro do Iraque.

Autonomia de facto (1991–2010)

A área entrou em turbulência mais uma vez após a Guerra do Golfo. Durante as revoltas no Iraque de 1991 (em curdo: Raperîn), lideradas pela União Patriótica do Curdistão (UPC) e pelo Partido Democrático do Curdistão (PDC), tropas iraquianas recapturaram as regiões curdas e centenas de milhares de curdos fugiram para zonas fronteiriças no Irã e na Turquia. Para proteger os curdos e as operações humanitárias, zonas de exclusão aérea no Iraque foram estabelecidas pelo Conselho de Segurança da ONU ainda em 1991, permitindo o retorno dos refugiados. Desta forma, o Curdistão obteve uma autonomia de facto e a região ficou sendo controlada pelos dois partidos locais.

Guerra Civil Iraquiana (2011–2017)

Em junho de 2014, grupos fundamentalistas iniciaram uma grande ofensiva no Iraque, e o norte passou a sofrer com as ações do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que invadiu cidades com populações curdas, rumando para a capital Erbil, quando finalmente foi repelido pelas forças Peshmerga. A partir de então, o exército curdo iniciou uma bem-sucedida operação para libertar as áreas ocupadas pelo EIIL no norte do Iraque, como partes das províncias de Quircuque e Ninawa, que foram incorporadas à administração do Governo Regional do Curdistão. Aproveitando-se da fragilidade do governo central, em fevereiro de 2016, Massoud Barzani anunciou intenções de realizar um referendo visando a independência do Curdistão, em meio a crise de segurança e a crise econômica, provocada pela queda nos preços do petróleo. No final de 2016 e início de 2017, os curdos participaram da Batalha de Mossul, apoiando o exército iraquiano no cerco à cidade, reduto dos fundamentalistas.

Pós-referendo (2018–presente)

Após as eleições parlamentares gerais no Iraque em maio de 2018, foram programadas novas eleições regionais curdas. Em 30 de setembro de 2018, as eleições parlamentares foram realizadas nas quatro províncias que compõem o Curdistão iraquiano, e resultaram em um fortalecimento do partido governista, o PDK. No mês seguinte, o líder do partido e ex-presidente Masoud Barzani anunciou a indicação do atual primeiro-ministro Nechirvan Barzani, seu sobrinho, para a presidência do governo. Ainda em dezembro de 2018, o comitê de finanças do parlamento iraquiano aprovou um possível aumento da fatia do orçamento federal para a região do Curdistão, que passaria para 14% no ano seguinte. Em junho de 2019, o parlamento regional elegeu Masrour Barzani como o novo primeiro ministro do Curdistão.

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Geografia

A Região do Curdistão é composta oficialmente por quatro províncias do norte do Iraque: Duhok, Arbil, Suleimânia e Halabja, que abrangem um território de cerca de 40.000 quilômetros quadrados. No entanto, ainda existem disputas entre o governo regional curdo e o governo central iraquiano a respeito de territórios de maioria curda fora das atuais fronteiras do Curdistão iraquiano, principalmente na província de Quircuque, também no norte do país, e outras províncias vizinhas. O principal rio que corta a região é o Rio Tigre, tendo como principais afluentes os rios Grande Zabe, Diala e Pequeno Zabe. A Cordilheira de Zagros também atravessa a região, que é em sua maior parte montanhosa. Devido a isso, o clima é ameno e mediterrânico, com áreas semiáridas ao sul.

Áreas em disputa

Disputas políticas sobre a fronteira da região do Curdistão com o restante do Iraque têm estado em pauta no país desde a invasão americana em 2003 e a posterior reorganização do governo. A constituição iraquiana de 2005 determinou que deveriam ser realizados referendos nas áreas reivindicadas pelos curdos, para determinar sua incorporação ou não à região autônoma, até o ano de 2007. No entanto, mesmo após uma década não houve nenhuma ação por parte do governo iraquiano, que em 2017 enviou suas tropas para as áreas em disputa.

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Governo e política

Imagem: Marco Gomes · BY-NC-SA · Openverse

O Curdistão é uma democracia parlamentar, com uma Assembleia Nacional com 111 cadeiras. O primeiro ministro é escolhido sempre após as eleições parlamentares, a cada quatro anos, assim como o presidente regional. O cargo de presidente, entre final de 2017 e meados de 2019, esteve vago, depois que Massoud Barzani anunciou sua renúncia em outubro de 2017. As eleições são realizadas, geralmente, junto com o restante do Iraque.

Eleições recentes

Massoud foi escolhido presidente após as eleições parlamentares de 2005, de forma indireta, e em 2009 venceu as primeiras eleições presidenciais da história do Curdistão. Em 2013, o parlamento estendeu o seu mandato por mais dois anos. Já em 2015, em plena guerra contra o EIIL, o parlamento decidiu novamente estender o seu mandato, devido à impossibilidade da realização de eleições naquele momento. No entanto, pouco tempo depois, a Assembleia Nacional foi paralisada pelo partido governista (KDP). Em abril de 2016, os órgãos do governo passaram a adotar na internet o domínio ".krd", separado do Iraque. Já em 2017, os maiores partidos da região costuraram um acordo para reativar o parlamento, visando o referendo de independência, o que ocorreu apenas poucas semanas antes da votação, realizada em 25 de setembro. Também foram programadas eleições parlamentares e presidenciais para novembro do mesmo. No entanto, após a realização do referendo e a perda de Quircuque dos curdos para o governo do Iraque, com a escalada do conflito curdo-iraquiano (2017), as eleições foram canceladas.

Forças armadas

O Curdistão iraquiano possui forças armadas desde a década de 1920, período em que o Iraque esteve sob domínio britânico. Estas são constituídas pelo Exército Peshmerga. Historicamente, os peshmergas existiam apenas como guerrilhas, que lutavam contra o domínio do Império Otomano e Britânico na região. No entanto, durante o período da República de Mahabad (1946–1947), liderados por Mustafa Barzani tornaram-se oficialmente as forças armadas da região. Posteriormente, com a constituição iraquiana de 2005, sua legitimidade foi ratificada. Hoje, o Curdistão é a região mais estável e segura do Iraque, e nenhum soldado americano estacionado ali foi morto, ferido ou sequestrado desde a invasão do país, em 2003.

Relações internacionais

O território mantém suas próprias relações estrangeiras, e hospeda consulados e escritórios de representação de diversos países e organizações, entre estas as Nações Unidas, a União Europeia, o Reino Unido, a Alemanha, França, Rússia, China e Turquia. O Brasil possuía um consul honorário na região, o Dr. Safeen Sindi, até 18 de novembro de 2021, quando por meio de uma portaria do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro da época extinguiu o consulado. Em fevereiro de 2015, havia sido dispensada a exigência de visto iraquiano para brasileiros entrarem no Curdistão, embora esta permaneça para o restante do Iraque. Atualmente, todos os assuntos diplomáticos e de vistos são tratados pela Embaixada Brasileira em Bagdá.

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Economia

Imagem: Marco Gomes · BY-NC-SA · Openverse

Como uma das principais forças econômicas do Iraque, o Curdistão tem as mais baixas taxas de pobreza e o mais alto padrão de vida do país. O ponto de inflexão econômica na região foi uma lei de atração de investimentos aprovada em 2006. A economia curda viveu um boom, com facilidades para o investimento estrangeiro, sendo inaugurados em Erbil um novo aeroporto internacional e o maior shopping do país. A capital curda é considerada uma das cidades mais seguras e modernas do Iraque. Segundo o governo do Curdistão, quase 40 mil empresas estão registradas na região autônoma, sendo cerca de 33 mil delas negócios locais, 3.500 empresas entrangeiras e 1.200 empresas iraquianas. De acordo com estimativas do final de 2013, as reservas geológicas das jazidas de petróleo do Curdistão iraquiano ultrapassam 1 bilhão de toneladas de petróleo. Atualmente, um total de 26 empresas de vários países exploram o mineral nos territórios curdo, incluindo Noruega, Áustria, Inglaterra e Turquia.

Infraestrutura e transporte

A região possui dois aeroportos internacionais, nas cidades de Erbil e Suleimânia. Atualmente, cerca de 23 companhias aéreas operam no Curdistão iraquiano, sendo 8 delas árabes. Há também companhias de outros países vizinhos, europeias e ocidentais. Por terra, inúmeras estradas interligam a região com o restante do Iraque, sendo as principais via Mossul e Bagdá. Há ainda diversos postos de fronteira com o Irã e a Turquia, e também um com a Síria.

Turismo

A região do Curdistão é o principal destino turístico internacional do Iraque, recebendo visitantes de países do Oriente Médio e de outras partes do mundo. No ano de 2018, cerca de 3 milhões de turistas estiveram em suas cidades, consideradas as mais seguras do país. Já em 2022, esse número saltou para 6 milhões de pessoas. Belas montanhas, cachoeiras e rica gastronomia atraem os visitantes, assim como a facilidade do visto para turismo, e voos diretos de diversas cidades da Ásia e Europa.

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Cultura

A principal festividade do Curdistão é o Noruz (Newroz), conhecido no Ocidente como o "Ano Novo Persa", celebrado anualmente em 21 de março. A festa é tradicional também no Irã e em outros países da região.

Língua

A língua curda é o idioma oficial do território, em sua variação no dialeto sorâni, também chamado de curdo central. O idioma é escrito em uma variante do alfabeto persa e árabe, embora sinalizações em alfabeto latino também sejam comuns nas cidades. Já o dialeto curmânji, ou curdo sententrional, é falado na província de Dohuk, onde também é chamado de Badînî.

Religião

Os curdos são em sua maioria muçulmanos sunitas, mas com uma interpretação menos conservadora da fé. A região curda é marcada pela tolerância e liberdade religiosa, havendo também muitos cristãos, judeus e iazidis.

Televisão

O Curdistão possui diversos canais regionais, com programação inteiramente em língua curda. Dentre os principais canais estão o jornalístico Rudaw e o Kurdsat, que em 2017 estreou uma versão local da franquia Idols, intitulada Kurd Idol.

Esportes

O principal esporte na região é o futebol. Embora os times curdos disputem os campeonatos nacionais iraquianos, eles possuem também sua própria liga e copa regionais, que são bastante populares entre os torcedores locais. A Premier League do Curdistão é realizada anualmente pela Associação de Futebol do Curdistão Iraquiano e conta com a participação de 14 clubes. O principal estádio da região é o Estádio Franso Hariri, em Erbil, que já foi usado pela seleção iraquiana de futebol. Em 2012, a Copa do Mundo VIVA foi realizada no Curdistão, sendo vencida pela equipe da casa. Em abril de 2019, a seleção do Curdistão Iraquiano realizou seu primeiro amistoso contra a seleção do Iraque. A partida terminou empatada em 2 a 2, marcando o estreitamento dos laços entre as duas equipes.

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Educação

As duas principais formas da língua curda, o sorâni e o curmânji, são ensinadas nas escolas e universidades da região, junto com o árabe. Antes do estabelecimento do governo regional, em 1992, apenas o árabe era ensinado. Em 2006, foi aberto o primeiro colégio internacional no Curdistão, o International School of Choueifat, que possui unidades em vários países do Médio Oriente. Outras redes internacionais também se estabeleceram, posteriormente. A região possui também 11 universidades públicas e diversas universidades particulares, a maioria aberta após 2003. Abaixo, há uma lista delas:

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