Ver como um Estado
Vendo como um Estado: como certos esquemas para melhorar a condição humana falharam é um livro de James C. Scott que critica um sistema de crenças que denominada como "alto modernismo", que se baseia no excesso de confiança dos governos na capacidade de projetar e operar a sociedade de acordo com leis científicas.
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Scott mostra como os governos centrais tentam impor a legibilidade (simplificação) aos seus cidadãos, falhando em reconhecer formas complexas e valiosas de ordem social e conhecimento local. Um tema central deste livro, mostrado por seus exemplos históricos, é que os estados operam sistemas de poder em direção à simplificação (legibilidade) para ver corretamente seus cidadãos em um modelo hierarquizado e modernista, que é falho, problemático e frequentemente termina mal para os cidadãos. O objetivo da demasiada simplificação do local (legibilidade) pelo estado é a transparência de cima para baixo, do topo da torre ou do centro/sede do governo, para que o estado possa operar efetivamente sobre seus cidadãos. O livro utiliza exemplos como a introdução de sobrenomes permanentes na Grã-Bretanha, levantamentos cadastrais na França e unidades de medida padronizadas em toda a Europa para argumentar que uma reconfiguração da ordem social é necessária para a supervisão estatal e requer a simplificação de arranjos naturais preexistentes. Enquanto, em épocas anteriores, um certo setor podia ser medido pela quantidade de vacas que podia sustentar ou pelos tipos de plantas que podia cultivar, após a centralização, seu tamanho é medido em hectares. Isso permite que os governantes, que têm pouco ou nenhum conhecimento local, compreendam imediatamente o contorno da área, mas ao mesmo tempo cega o estado para as complexas interações que ocorrem na natureza e na sociedade. Na agricultura e na silvicultura, por exemplo, isso levou à monocultura, ou seja, o foco exclusivo no cultivo de uma única cultura ou árvore em detrimento de todas as outras. Embora a monocultura seja fácil de medir, gerenciar e entender, ela também é menos resiliente a crises ecológicas do que a policultura.
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Resenhas de livros
O cientista político da Universidade Stanford, David D. Laitin, descreveu o livro como "um livro magistral". No entanto, ele apontou falhas na metodologia, afirmando que o livro "é um produto de uma história indisciplinada". Segundo ele, uma das questões reside na seletividade e ecletismo da evidência apresentada por Scott, com poucas tentativas de considerar evidências que contradigam suas ideias. Laitin sugere que a capacidade do autor de escolher de todo o registro histórico e usar material de todos os países torna muito fácil a apresentação seletiva de evidências confirmatórias. Em outras palavras, a crítica está centrada na preocupação de que o livro pode não oferecer uma visão abrangente e equilibrada, possivelmente negligenciando evidências que contradizem ou complicam os argumentos apresentados.
Discussões
A edição de setembro de 2010 da Cato Unbound foi dedicada à discussão dos temas do livro. Scott escreveu o ensaio principal. Outros participantes foram Donald Boudreaux, Timothy B. Lee e J. Bradford DeLong. Várias pessoas, incluindo Henry Farrell e Tyler Cowen, participaram da discussão em seus próprios blogs.


