Timeu (diálogo)
O Timeu é um diálogo filosófico de Platão, escrito por volta de 360 a.C. Apresenta um extenso monólogo do personagem Timeu, explorando a natureza do universo físico e dos seres humanos. É uma obra fundamental para entender as ideias cosmológicas de Platão e é seguida pelo diálogo Crítias.
Pontos-chave
- O diálogo Timeu discute a origem e a natureza do mundo físico e dos seres humanos.
- Platão distingue entre o mundo físico, mutável e apreendido pelos sentidos, e o mundo eterno, imutável e apreendido pela razão.
- A criação do universo é atribuída a um Demiurgo, uma divindade que moldou o mundo a partir de um modelo eterno.
- O Demiurgo, inspirado na Ideia do Bem, transferiu as virtudes do modelo para a criação.
- O diálogo serve como introdução à história de Atlântida, contada no diálogo Crítias.
O diálogo Timeu se insere em uma sequência de conversas após Sócrates apresentar sua cidade ideal. Timeu, Crítias e Hermócrates são convidados a dar continuidade ao debate.
A Continuação do Debate
O diálogo ocorre no dia seguinte à descrição da cidade ideal por Sócrates, tema abordado em A República. Sentindo que a discussão anterior não foi suficiente para o entretenimento, Sócrates convida Timeu, Crítias e Hermócrates para prosseguir. Hermócrates sugere que Crítias inicie, e ele começa a narrar a história da viagem de Sólon ao Egito, onde ouviu sobre Atlântida e a antiga Atenas, um estado ideal que enfrentou uma guerra contra a cidade submersa. Crítias antecipa que Timeu abordará a origem do Universo, adiando a história completa de Atlântida para o diálogo Crítias, e então o foco do diálogo se volta para a exposição de Timeu.
A Natureza do Mundo Físico
Timeu começa com uma distinção entre o mundo físico e o mundo eterno. O mundo físico é o mundo que muda e perece: é o objeto de parecer e de sensação irracional. O mundo eterno não muda nunca: por isso é apreendido pela razão (28). Os discursos sobre os dois mundos são condicionados pela natureza distinta de seus objetos. De fato, "uma descrição do que é imutável, fixo e claramente inteligível será imutável e fixo", (29b), enquanto uma descrição do que muda, provavelmente, também vai mudar e ser apenas provável. Timeu sugere que nada "se torna ou muda" sem causa, então a causa do universo deve ser um demiurgo ou um deus, uma figura que Timeu refere-se a como o pai e criador do universo. E já que o universo é justo, o demiurgo deve ter olhado para o modelo eterno para transformá-lo e não à um modelo perecível (29a). Assim, usando o mundo eterno e perfeito de "formas" ou ideais como um modelo, ele começou a criar o nosso mundo, que anteriormente só existia em um estado de desordem.
Timeu expõe sua visão sobre a criação do universo, distinguindo o mundo sensível do inteligível e apresentando a figura do Demiurgo como o artífice divino.
O diálogo levanta questões sobre a origem do universo, a natureza da realidade e o papel da divindade na criação, inspirando-se em pensadores anteriores e estabelecendo novas bases para a filosofia.


