Pesquisa · Mapa mental

Cristina da Suécia

Cristina - com o nome de nascimento Kristina Augusta e mais tarde, em 1655, Kristina Alexandra, vulgarmente conhecida em sueco como Kristina - foi a rainha da Suécia de 1632 até a sua abdicação em 1654. Era a única filha do rei Gustavo II Adolfo e de sua esposa, a princesa Maria Leonor de Brandemburgo. Foi uma visionária pensadora humanista.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/10/2026
01

Primeiros anos

O nascimento de Cristina aconteceu durante um conjuntura astrológica rara que causou grande especulação sobre a influência que a criança, que se esperava que fosse um rapaz, teria na política mundial. O rei já tinha tido duas filhas: uma princesa sem nome conhecido nascida em 1620, e depois a primeira princesa Cristina, que nasceu em 1623 e morreu no ano seguinte. Assim, havia grande expectativa quando a rainha Maria Leonor engravidou pela terceira vez em 1626, e o castelo encheu-se de gritos de alegria quando nasceu um bebé, que primeiro se pensava ser um varão já que era peludo e chorava com uma voz forte e enrouquecida. Na sua autobiografia, Cristina escreveu: "Espalhou-se um grande embaraço pelas mulheres quando descobriram o erro que tinham cometido." O rei ficou muito feliz, afirmando que "Vai ser esperta, já que nos enganou a todos!" A sua mãe continuou indiferente à criança, desiludida por não ter um herdeiro varão. Cristina acreditava que uma dama-de-leite a tinha deixado cair ao chão quando era bebé, fazendo com que partisse um ombro. Em consequência, teve um ombro maior do que o outro o resto da vida.

02

Reinado

A coroa da Suécia era hereditária na dinastia de Vasa, mas desde o tempo do rei Carlos IX, os príncipes de Vasa descendiam de um irmão deposto e de um sobrinho dele. Os irmãos mais novos de Gustavo II Adolfo tinham morrido alguns anos antes e o único que lhe restava era fruto de um caso extraconjugal do pai e, por isso, só havia herdeiras femininas. Não havia descendentes femininas elegíveis vivas descendentes do rei Gustavo I, por isso Cristina era a herdeira presumível. Desde seu nascimento, o rei Gustavo II Adolfo a reconhecera como herdeira legitima e, apesar de ser chamada de rainha, o título oficial que recebeu na sua coroação foi o de rei. Entre 1636 e 1637, Peter Minuit e Samuel Blommaert negociaram com o governo a fundação da Nova Suécia, a primeira colónia sueca no Novo Mundo. Em 1638, Minuit ergueu o Forte Cristina em Wilmington, no Delaware, EUA. O rio Cristina também recebeu esse nome em sua honra. Em dezembro de 1643, as tropas suecas invadiram a Holsácia e a Jutlândia na Guerra do Torstenson.

Visita de Descartes, intelectuais e músicos

Em 1645, Cristina convidou Hugo Grócio para se tornar seu bibliotecário, mas o holandês morreu na viagem para Rostock. Depois contratou Benedito Nemias de Castro, um judeu de origem portuguesa residente em Hamburgo, para seu médico pessoal. Em 1647, foi nomeado Johann Freinsheim. A Semíramis do Norte (nome pelo qual Cristina era conhecida) trocava correspondência com Pierre Gassendi. Blaise Pascal ofereceu-lhe um exemplar da calculadora mecânica de sua invenção, La pascaline. Pediu a Heinsius e a Isaac Vossius que fossem à Suécia para catalogar a sua nova colecção. Estudou Neo-Estoicismo, Padres da Igreja, Islão e leu o Tratado dos Três Impostores, um trabalho que questionava todas as religiões organizadas e era especialista em História clássica e filosofia.

Decisão de não se casar

Apesar de Cristina ter um desenvolvimento prematuro e ser claramente adversa a todas as coisas femininas, o governo ainda esperava que se casasse e tivesse herdeiros. Em 1630, já se estavam a fazer planos para o casamento da futura rainha, quando ela tinha apenas quatro anos de idade. O primeiro candidato foi o seu primo direito, Frederico Guilherme, Eleitor de Brandemburgo, que tinha apenas onze. A união nunca se chegou a realizar e, dois anos depois, aconteceu o mesmo ao segundo candidato, o príncipe Ulrico, filho do rei Cristiano IV da Dinamarca. Cristina revelou na sua autobiografia que sentia "uma repulsa indescritível" pelo casamento, assim como "uma repulsa indescritível por tudo o que as mulheres diziam e faziam". Além do mais, não estava disposta a partilhar o seu poder com um marido. Mesmo assim, quando tinha dezasseis anos de idade, Cristina teve uma paixoneta pelo seu primo Carlos Gustavo, filho da sua tia Catarina. Os dois tinham sido amigos próximos quando eram crianças, mas quando a amizade se transformou em romance, acabaria por ser, para ela, uma aventura sentimental e não um caso amoroso. Cristina gostava dos encontros secretos, as cartas apaixonadas escritas em código e as declarações de "amor eterno" e "fidelidade até à morte", mas tinha cuidado para não se envolver demasiado, e não fez promessas.

Religião e opiniões pessoais

O seu tutor, Johannes Matthiae tinha uma atitude mais gentil do que a maioria dos luteranos. Em 1644, sugeriu que se criasse uma nova ordem na igreja, mas a proposta foi rejeitada por ser considerada demasiado calvinista. Cristina, que na altura já se tinha tornado rainha, defendeu-o, indo contra os conselhos do chanceler Oxenstierna, mas três anos depois a proposta teve de ser esquecida. Em 1647, o clero quis introduzir o Livro de Concórdia, um livro que definia a forma correcta de praticar o luteranismo e distingia as heresias, tornando a liberdade de pensamento religioso impossível. Matthiae opôs-se fortemente a esta proposta e voltou a ter o apoio de Cristina. O Livro de Concórdia nunca foi introduzido.

03

Abdicação

Em 1654, Cristina disse aos seus conselheiros que precisava descansar e o país precisava de um líder forte. Os conselheiros recusaram e Cristina aceitou ficar com a condição de que nunca lhe fosse pedido para casar. Algumas semanas depois, Cristina tinha perdido muita da sua popularidade, após o enforcamento de Arnold Johan Messenius, que a tinha acusado de mau-comportamento e de ser uma Jezabel. Em vez de governar, a rainha começou a passar a maior parte do tempo com os seus amigos estrangeiros no salão de baile e as noites de Domingo no teatro. Em 1653, Cristina criou a ordem militar de Amaranten. António Pimental foi o primeiro cavaleiro a ser armado. Todos os membros que se juntassem à ordem tinham de prometer que nunca se casariam, ou voltariam a casar. Em fevereiro de 1654, a rainha confessou de forma muito directa ao Conselho a sua intenção de abdicar do trono. Oxenstierna respondeu que Cristina iria arrepender-se da decisão em poucos meses. Em maio, o Riksdag discutiu a proposta. A rainha tinha pedido 200 000 rikstalers por ano, mas, em vez disso, recebeu terras. Financeiramente, a rainha estava segura devido aos rendimentos da cidade de Norrköping e das ilhas de Gotlândia, Olândia e Saaremaa, e as suas propriedades em Mecklemburgo e na Pomerânia. As duas dívidas foram pagas pelo tesouro do Estado.

04

Partida e exílio

No Verão de 1654, Cristina deixou a Suécia vestida com roupa de homem com a ajuda de Bernardino de Rebolledo e chegou à Dinamarca usando o nome conde Dohna. As relações políticas entre os dois países ainda estavam tão tensas que teria sido impossível para Cristina viajar com segurança usando a sua verdadeira identidade. A ex-rainha já tinha embalado e enviado para o estrangeiro vários livros valiosos, quadros, estátuas e tapeçarias do seu castelo de Estocolmo, reduzindo muito os seus tesouros. Cristina visitou Johann Friedrich Gronovius e Anna Maria van Schurman quando passou pela República Holandesa. Em Agosto chegou ao sul dos Países Baixos e ficou a viver em Antuérpia. Durante quatro meses, Cristina viveu na mansão de um mercador judaico, onde recebeu a visita do arquiduque Leopoldo Guilherme da Áustria, do príncipe de Condé, do embaixador Chanut e do antigo governador da Noruega, Hannibal Sehested. De tarde ia sempre dar uma volta a cavalo e à noite dava festas com peças de teatro e música. Cristina ficou sem dinheiro muito depressa e teve que vender algumas das suas tapeçarias, pratas e jóias. Como a situação financeira não melhorava, o arquiduque convidou-a a viver no seu palácio em Bruxelas. A 24 de dezembro de 1654, Cristina converteu-se à fé católica na capela do arquiduque. Raimondo Montecuccoli e Pimentel de Prado, que se tinham tornado grandes amigos, estavam presentes. Não revelou a sua conversão ao público, caso o conselho sueco se recusasse a pagar o seu rendimento. Além do mais, a Suécia preparava-se para entrar em guerra com a Pomerânia, o que significava que o seu rendimento que recebia deste território seria drasticamente reduzido. O Papa e o rei Filipe IV de Espanha também não podiam apoiá-la publicamente, visto que ela ainda não era reconhecida como católica. Cristina conseguiu obter um grande empréstimo, dando livros e estátuas como garantia.

05

Vida em Roma

A viagem da ex-rainha para o Sul, em Itália, foi planejada com grandes pormenores pelo Vaticano que lhe providenciou entradas triunfantes em Ferrara, Bolonha, Faenza e Rimini. Em Pesaro, Cristina ficou amiga dos bonitos irmãos Santinelli que a impressionaram tanto com a sua poesia e gosto pela dança, que a ex-rainha os contratou para a sua comitiva juntamente com um tal Monadeschi. A 20 de dezembro, chegou ao Vaticano, tendo sido levada nos últimos momentos do seu percurso numa cadeira criada por Bernini. Recebeu os seus próprios aposentos dentro do Vaticano e quando o Papa viu a expressão "Omne malum ab Aquilone." ("Todos os males vêm do Norte."), apressou-se a mandar alguém cobri-la de tinta. A entrada oficial em Roma aconteceu a 23 de Dezembro, quando Cristina chegou em um cavalo pela Porta Flaminia, que é conhecida hoje em dia por Porta del Popolo. Cristina conheceu Gian Lorenzo Bernini alguns dias depois e os dois tornaram-se amigos para a vida. Visitava-o frequentemente no seu estúdio e, quando ele estava prestes a morrer, pediu que ela rezasse por ele, já que iria falar numa língua que Deus entenderia.

Palácio Farnésio

Cristina passou a viver no Palácio Farnésio, que pertencia ao duque de Parma, e que ficava do lado oposto à Igreja de Santa Brígida, outra sueca que havia vivido em Roma. Cristina abriu uma academia no palácio, a 24 de janeiro de 1656, chamada Academia da Arcádia, onde os participantes desfrutavam de música, teatro, literatura e línguas. Todas as Quartas-feiras abria o palácio a visitantes de classes altas que podiam observar as suas obras de arte. Um dos participantes do círculo Arcádia, Francesco Negri, um franciscano de Ravena que era considerado o primeiro visitante do Cabo Norte, na Noruega, escreveu oito cartas sobre o seu passeio pela Escandinávia, até ao Cabo Norte em 1664. Outro franciscano era o sueco Lars Skytte que, com o nome Pater Laurentius, foi confessor de Cristina durante oito anos. Skytte também tinha sido aluno de Johannes Matthiae e o seu tio tinha sido professor do pai de Cristina. Tinha sido diplomata em Portugal onde se tinha convertido ao Catolicismo e pediu para ser transferido para Roma quando soube que Cristina ia viver lá.

Assassinato de Monaldeschi

Na altura, o rei de Espanha governava Milão e o reino de Nápoles e da Sicília. O político francês Mazarin, que também era italiano, tinha tentado libertar Nápoles do domínio espanhol, contra o qual os habitantes locais tinham lutado, mas uma expedição militar realizada em 1654 não tinha conseguido cumprir esse objectivo. Mazarin estava agora a considerar escolher Cristina para rainha de Nápoles. Os habitantes não queriam um duque italiano no trono, preferindo um príncipe francês. No Verão de 1656, Cristina partiu de barco para Marselha, e daí foi até Paris para discutir o assunto. A 22 de setembro de 1656, o acordo entre o rei Luís XIV e ela estava pronto. O rei iria recomendar Cristina para rainha dos napolitanos e servir de aliada contra uma invasão espanhola. No dia seguinte, Cristina partiu para Pésaro, onde ficou a viver enquanto esperava pelo resultado final desta situação. Como rainha de Nápoles, Cristina poderia tornar-se independente financeiramente do rei da Suécia e também poderia negociar uma paz entre França e Espanha. No Verão de 1657, Cristina voltou à França, visitando oficialmente a cidade papal de Avinhão. Em outubro foram-lhe dados aposentos em Fontainebleau, onde testemunhou um acto que, sem dúvida, terá ficado na sua memória: a execução de Gian Rinaldo Monaldeschi, o seu mestre de cavalaria. Foi Cristina que escreveu a versão da história que correu a Europa.

Volta a Roma

A 15 de maio de 1658, Cristina chegou a Roma pela segunda vez, mas desta vez não houve qualquer triunfo. A sua popularidade tinha-se perdido com a morte de Monaldeschi. Alexandre VII deixou-se ficar na sua residência de Verão e afirmou que não queria receber mais visitas da mulher que agora considerava bárbara. Cristina ficou no Palazzo Rospigliosi que pertencia a Mazarin e ficava perto do Palácio de Quirinal, por isso o Papa ficou extremamente aliviado quando ela se mudou para Trastevere para viver no Palazzo Riario, no topo do Janículo em julho de 1659. Foi o cardeal Azzolino que assinou o contrato e que lhe deu novos criados para substituir Francesco Santinelli, que tinha sido o carrasco de Monaldeschi.

Visita à Suécia

Em abril de 1660, Cristina foi informada de que Carlos X tinha morrido em fevereiro. O seu filho, Carlos XI, tinha apenas cinco anos de idade. Nesse Verão, Cristina visitou a Suécia, deixando claro que tinha deixado o trono apenas ao seu primo direito e aos descendentes, por isso, se Carlos XI morresse, seria ela a subir ao trono novamente. Depois de passar algumas semanas em Estocolmo, encontrou hospedagem na cidade de Norrköping, que ficava na sua área. Eventualmente acabou por se submeter a uma segunda renúncia do trono, passando um ano em Hamburgo para reorganizar as suas finanças para poder regressar a Roma. Deixou o seu rendimento a cargo do banqueiro Diego Texeira (um judeu cujo nome verdadeiro era Abraão) com a condição de que este lhe entregasse um rendimento mensal e lhe pagasse as dividas que deixou em Antuérpia. Visitou a família Texeira e recebeu-os na sua própria casa, algo que na altura era raro numa relação com judeus.

Regresso a Roma e morte

A quarta e última entrada de Cristina em Roma aconteceu no dia 22 de novembro de 1668. Como tinha acontecido em 1655, a antiga rainha entrou pela Porta del Popolo em triunfo. Clemente IX tinha-se oferecido para ir visitá-la, visto que ambos partilhavam o gosto por peças de teatro. Quando o Papa sofreu uma apoplexia, Cristina estava entre os poucos que quiseram vê-lo no seu leito de morte. Em 1671, Cristina abriu o primeiro teatro público de Roma no edifício de uma antiga prisão, o Tor di Nona. O novo Papa Clemente X preocupava-se com a influência negativa que o teatro tinha na moralidade das pessoas, mas quando Inocêncio XI se tornou Papa a situação ficou ainda pior. O teatro de Cristina tornou-se num celeiro de cereais, apesar de ele próprio ter sido um convidado no seu camarim real entre outros cardeais. O Papa também proibiu a participação das mulheres em peças de teatro e o uso de vestidos com decotes. Cristina considerou estas leis um disparate e continuou a deixar as mulheres actuar no seu palácio.

Enterro

Cristina tinha pedido um enterro simples, mas o Papa insistiu para que se realizasse um velório de quatro dias no Palácio de Riaro. Cristina foi embalsamada, o seu corpo coberto com brocado branco, uma máscara de prata, uma coroa dourada e um ceptro. O seu corpo foi colocado dentro de três caixões: um de cipreste, um de chumbo e outro de carvalho. A procissão funerária realizou-se de Santa Maria em Valicella para a Basílica de São Pedro e o seu corpo foi enterrado na Gruta Vaticana, sendo uma das três mulheres que tiveram direito a esta honra. Os seus intestinos foram colocados numa urna suspensa. Hoje em dia o seu sarcófago de mármore encontra-se ao lado do túmulo do Papa São João Paulo II.

06

Aparência, corpo e comportamento

Cristina era estranha para o seu tempo por preferir vestir-se com roupas masculinas e também por ter alguns traços masculinos. É difícil saber se a rainha escolhia a sua roupa por se considerar masculina ou simplesmente por razões práticas. Segundo alguns testemunhos históricos referentes ao aspecto físico de Cristina, alguns investigadores acreditam que poderia ser um indivíduo intersexuado (alguém que possui uma mistura de órgãos genitais femininos e masculinos, hormonas e cromossomas). Segundo a autobiografia de Cristina, as parteiras que a puseram no mundo acreditaram inicialmente que ela era um menino por ser "completamente peluda e com uma voz rouca e forte." Depois de mudar de ideias, decidindo que se tratava de uma menina, o seu pai Gustavo II Adolfo decidiu “descobrir ele próprio a natureza do mistério.” Esta ambiguidade não acabou com o seu nascimento, visto que Cristina fez várias declarações ambíguas sobre a sua constituição física ao longo da vida. O seu corpo pouco normal também chamava a atenção de muitas que a conheciam e que reparavam que a rainha tinha voz, aparência e movimentos masculinos. Apesar de tal não ser uma prova directa da sua constituição física, Cristina sentia repulsa pela ideia de se casar, ter sexo, pelas conversas femininas e pela educação de crianças, algo que pode ter surgido da visão que tinha uma pessoa com este tipo de problema. Em 1965, estas observações levaram a que fosse efectuada uma investigação aos restos mortais de Cristina, que acabou por ter um resultado inconclusivo. Tal como o antropólogo Carl-Herman Hjortsjö, que levou a cabo a investigação, explicou: “O nosso conhecimento incompleto sobre os efeitos que a intersexualidade pode ter na formação do esqueleto […] faz com que seja impossível decidir quais serão as partes dos ossos que deveriam ser pedidas para realizar um diagnóstico de intersexualidade." Apesar de tudo, Hjortsjö especulou que Cristina muito provavelmente tinha órgãos sexuais femininos normais porque existem registos de que tinha menstruação.

07

Legado e cultura popular

Legado literário

A sua autobiografia inacabada, redigida em francês, possivelmente entre 1670 e 1680, recebeu o título L'Histoire de La Reine Christine – faite par elle même dediée au Dieu. O manuscrito original Kristina – L’Historie de La Reine Christine - faitte par elle mesme dediee au Dieu qui est [ms] – está conservado pelo Arquivo Nacional Sueco (Riksarkivet). A obra está publicada em sueco como Christina: Självbiografi och aforismer (lit. Christina: Autobiografia e Aforismos; Natur och kultur, 1957; tradução de Marianne Rappe) e como Kristina: Brev och skrifter (Kristina: Cartas e Textos; Academia Sueca/Editora Atlantis, 2006, tradução de Cecilia Huldt). Embora seja referida por vezes em sueco como Drottning Kristinas historia, skriven av henne själv, tillägnad Gud (”A História da Rainha Cristina, escrita por ela mesma e dedicada a Deus”), é vulgarmente conhecida como Christinas självbiografi (lit. ”Autobiografia de Christina”).

Legado histórico e cultural

A primeira conquista sueca na América do Norte recebeu o nome de Forte Cristina que se encontrava perto da actual baixa da cidade de Wilmington, no Delaware. O Rio Cristina, que fica perto, também tem o nome da rainha. A personalidade complexa de Cristina já inspirou várias peças de teatro, livros e obras de arte. A peça de August Strindberg, "Kristina", de 1901, representa-a como uma criatura versátil e impulsiva. “Cada qual merece ser a Cristina que merece”, dizia a personagem principal. A alegoria do autor finlandês Zacharias Topelius intitulada “Stjärnormas Kungabarn” também a representa como tendo um temperamento vivo, facilmente irritável e ainda mais facilmente piedoso, tal como o seu pai. Kaari Utrio também retratou as suas paixões tormentosas e sede de amor.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando