Cristianismo
Cristianismo é uma religião monoteísta abraâmica baseada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré. É a maior e mais difundida religião do mundo, com cerca de 2,4 bilhões* de seguidores, representando um terço da população global. Estima-se que seus adeptos, conhecidos como cristãos, constituem a maioria da população em 157 países e territórios. A maioria dos cristãos acredita que Jesus é o Filho de Deus, cuja vinda como o Messias foi profetizada na Bíblia hebraica e registrada no Novo Testamento.
Os primeiros cristãos judeus se referiam a si mesmos como 'O Caminho' (em grego koiné: τῆς ὁδοῦ, transl.: tês hodoû), provavelmente vindo de Isaías 40:3, "prepare o caminho do Senhor". De acordo com Atos 11:26, o termo "cristão" (Χρῑστῐᾱνός, Khrīstiānós), que significa "seguidores de Cristo" em referência aos discípulos de Jesus, foi usado pela primeira vez na cidade de Antioquia pelos habitantes não judeus de lá. O uso registrado mais antigo do termo "cristianismo/cristianismo" (Χρῑστῐᾱνισμός, Khrīstiānismós) foi por Inácio de Antioquia por volta de 100 a.C.
Embora os cristãos em todo o mundo compartilhem convicções básicas, também existem várias diferenças de interpretações e opiniões sobre a Bíblia e as tradições sagradas nas quais o cristianismo se baseia.
Credos
Declarações doutrinárias concisas ou confissões de crenças religiosas são conhecidas como credos. Eles começaram como fórmulas batismais e foram posteriormente expandidos durante as controvérsias cristológicas dos séculos IV e V para se tornarem declarações de fé. "Jesus é o Senhor" é o credo mais antigo do cristianismo e continua a ser usado, como no Conselho Mundial de Igrejas. O Credo dos Apóstolos é a declaração mais amplamente aceita dos artigos da fé cristã. É usado por várias denominações cristãs para fins litúrgicos e catequéticos, mais visivelmente por igrejas litúrgicas da tradição cristã ocidental, incluindo a Igreja Latina da Igreja Católica, Luteranismo, Anglicanismo e Ortodoxia de Rito Ocidental. Também é usado por presbiterianos, metodistas e congregacionais.
Jesus
O princípio central do cristianismo é a crença em Jesus como o Filho de Deus e o Messias (Cristo). Os cristãos acreditam que Jesus, como o Messias, foi ungido por Deus como salvador da humanidade e sustentam que a vinda de Jesus foi o cumprimento das profecias messiânicas do Antigo Testamento. O conceito cristão de messias difere significativamente do conceito judaico contemporâneo. A crença cristã central é que, por meio da crença e aceitação da morte e ressurreição de Jesus, os humanos pecadores podem se reconciliar com Deus e, assim, receber a salvação e a promessa da vida eterna. Embora tenha havido muitas disputas teológicas sobre a natureza de Jesus ao longo dos primeiros séculos da história cristã, geralmente os cristãos acreditam que Jesus é Deus encarnado e "verdadeiro Deus e verdadeiro homem" (ou totalmente divino e totalmente humano). Jesus, ao tornar-se plenamente humano, sofreu as dores e as tentações de um homem mortal, mas não pecou. Como totalmente Deus, ele ressuscitou. De acordo com o Novo Testamento, ele ressuscitou dos mortos, ascendeu ao céu, está sentado à direita do Pai e finalmente retornará.
Salvação
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna". O apóstolo Paulo, como os judeus e pagãos romanos de seu tempo, acreditava que o sacrifício pode trazer novos laços de parentesco, pureza e vida eterna. Para Paulo, o sacrifício necessário era a morte de Jesus: os gentios que são "de Cristo" são, como Israel, descendentes de Abraão e "herdeiros segundo a promessa". O Deus que ressuscitou Jesus dentre os mortos também dá nova vida aos "corpos mortais" dos cristãos gentios, que se tornaram com Israel, os "filhos de Deus" e, portanto, não estavam mais "na carne".
Trindade
Trindade refere-se ao ensino de que o único Deus compreende três pessoas distintas e eternamente coexistentes: o Pai, o Filho (encarnado em Jesus Cristo) e o Espírito Santo. Juntas, essas três pessoas às vezes são chamadas de Divindade, embora não haja um único termo usado nas Escrituras para denotar a Divindade unificada. Nas palavras do Credo Atanasiano, uma declaração inicial da crença cristã, "o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, e ainda não há três Deuses, mas um só Deus". Eles são distintos um do outro: o Pai não tem fonte, o Filho é gerado pelo Pai e o Espírito procede do Pai. Embora distintas, as três pessoas não podem ser separadas uma da outra. Embora alguns cristãos também acreditem que Deus apareceu como o Pai no Antigo Testamento, concorda-se que ele apareceu como o Filho no Novo Testamento e continuará a se manifestar como o Espírito Santo no presente. Mas, ainda assim, Deus ainda existia como três pessoas em cada uma dessas épocas. No entanto, tradicionalmente existe a crença de que foi o Filho que apareceu no Antigo Testamento.
Escatologia
O fim das coisas, seja o fim de uma vida individual, o fim dos tempos ou o fim do mundo, em termos gerais, é a escatologia cristã; o estudo do destino dos humanos conforme revelado na Bíblia. As principais questões da escatologia cristã são a Grande Tribulação, a morte e a vida após a morte (principalmente para grupos evangélicos), o milenarismo e o arrebatamento seguinte, a Segunda Vinda de Jesus, a Ressurreição dos Mortos, o Céu (para ramos litúrgicos), o Purgatório e o Inferno, o Juízo Final, o fim do mundo e os Novos Céus e Nova Terra. Os cristãos acreditam que a segunda vinda de Cristo ocorrerá no fim dos tempos, após um período de severa perseguição (a Grande Tribulação). Todos os que morreram serão ressuscitados fisicamente dentre os mortos para o Juízo Final. Jesus estabelecerá plenamente o Reino de Deus em cumprimento das profecias das escrituras.
Dependendo da denominação específica do cristianismo, as práticas podem incluir o batismo, a Eucaristia (a Santa Ceia ou a Ceia do Senhor), a oração (incluindo a Oração do Senhor), a confissão, a crisma, os ritos funerários, os ritos do casamento e a educação religiosa das crianças. A maioria das denominações tem clérigos ordenados que conduzem cultos comunitários regulares. Os ritos, rituais e cerimônias cristãs não são celebrados em uma única língua sagrada. Muitas igrejas cristãs ritualísticas fazem distinção entre linguagem sagrada, linguagem litúrgica e linguagem vernacular. As três línguas importantes no início da era cristã eram: latim, grego e siríaco.
Culto comunitário
Os serviços normalmente seguem um padrão ou forma conhecida como liturgia.[nota 2] Justino Mártir descreveu a liturgia cristã do século II em sua Primeira Apologia (c. 150) ao imperador Antonino Pio, e sua descrição permanece relevante para a estrutura básica do culto litúrgico cristão: E no dia chamado domingo, todos os que vivem nas cidades ou nos campos se reúnem em um lugar, e as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas são lidos, enquanto o tempo permite; então, quando o leitor cessou, o presidente instrui verbalmente e exorta à imitação dessas boas coisas. Então todos nos levantamos juntos e oramos e, como dissemos antes, quando nossa oração termina, pão, vinho e água são trazidos, e o presidente da mesma maneira oferece orações e ações de graças, de acordo com sua capacidade, e o povo concorda. dizendo Amém; e há uma distribuição para cada um, e uma participação daquilo que foi dado graças, e para aqueles que estão ausentes, uma porção é enviada pelos diáconos. E aqueles que são bons e dispostos, dão o que cada um acha adequado; e o que é recolhido é depositado com o presidente, que socorre os órfãos e as viúvas e aqueles que, por doença ou qualquer outra causa, estão em necessidade, e aqueles que estão em cativeiro e os estrangeiros que peregrinam entre nós, e em uma palavra cuida de todos os que precisam.
Sacramentos ou ordenanças
E esta comida é chamada entre nós Eukharistia [a Eucaristia], da qual ninguém pode participar, exceto o homem que acredita que as coisas que ensinamos são verdadeiras e que foi lavado com a lavagem que é para a remissão dos pecados e para a regeneração, e que está vivendo como Cristo ordenou. Pois não os recebemos como pão comum e bebida comum; mas assim como Jesus Cristo, nosso Salvador, tendo sido feito carne pela Palavra de Deus, teve carne e sangue para nossa salvação, assim também fomos ensinados que a comida que é abençoada pela oração de Sua palavra e de da qual nosso sangue e nossa carne por transmutação são nutridos, é a carne e o sangue daquele Jesus que se fez carne.
Calendário litúrgico
Católicos, cristãos orientais, luteranos, anglicanos e outras comunidades protestantes tradicionais enquadram o culto em torno do ano litúrgico. O ciclo litúrgico divide o ano em uma série de estações, cada uma com suas ênfases teológicas e modos de oração, que podem ser significados por diferentes formas de decoração das igrejas, cores de paramentos e paramentos para o clero, leituras bíblicas, temas para pregação e até tradições e práticas diferentes, muitas vezes observadas pessoalmente ou em casa. Os calendários litúrgicos cristãos ocidentais são baseados no ciclo do rito romano da Igreja Católica e os cristãos orientais usam calendários análogos baseados no ciclo de seus respectivos ritos. Os calendários reservam dias santos, como solenidades que comemoram um evento na vida de Jesus, Maria ou dos santos, e períodos de jejum, como quaresma e outros eventos piedosos ou festas menores comemorando santos. Grupos cristãos que não seguem uma tradição litúrgica costumam manter certas celebrações, como Natal, Páscoa e Pentecostes: são as celebrações do nascimento de Cristo, ressurreição e descida do Espírito Santo sobre a Igreja, respectivamente. Algumas denominações, como os quakers, não fazem uso de um calendário litúrgico.
Símbolos
A maioria das denominações cristãs geralmente não pratica o aniconismo, a evitação ou proibição de imagens devocionais, mesmo que os primeiros cristãos judeus, invocando a proibição da idolatria no Decálogo, evitassem figuras em seus símbolos. A cruz, hoje um dos símbolos mais amplamente reconhecidos, foi usada pelos cristãos desde os primeiros tempos.[nota 3] Tertuliano, em seu livro De Corona, conta como já era tradição os cristãos traçarem o sinal da cruz na testa. Embora a cruz fosse conhecida pelos primeiros cristãos, o crucifixo não apareceu em uso até o século V. Entre os primeiros símbolos cristãos, o do peixe ou ichthys parece ter ficado em primeiro lugar em importância, como visto em fontes monumentais como túmulos das primeiras décadas do século II. Sua popularidade aparentemente surgiu da palavra grega ichthys (peixe) formando um acróstico para a frase grega Iesous Christos Theou Yios Soter (Ἰησοῦς Χριστός, Θεοῦ Υἱός, Σωτήρ), (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador), um resumo conciso da fé cristã.
Batismo
O batismo é o ato ritual, com uso de água, pelo qual uma pessoa é admitida como membro da Igreja. As crenças sobre o batismo variam entre as denominações. As diferenças ocorrem em primeiro lugar sobre se o ato tem algum significado espiritual. Algumas, como as igrejas católica e ortodoxa, bem como luteranas e anglicanas, defendem a doutrina da regeneração batismal, que afirma que o batismo cria ou fortalece a fé de uma pessoa e está intimamente ligado à salvação. Os batistas e as Assembleias dos Irmãos veem o batismo como um ato puramente simbólico, uma declaração pública externa da mudança interior que ocorreu na pessoa, mas não como espiritualmente eficaz. Em segundo lugar, existem diferenças de opinião sobre a metodologia (ou modo) do ato. Esses modos são: por imersão; se a imersão for total, por submersão; por afusão (derramamento); e por aspersão. Aqueles que sustentam a primeira opinião também podem aderir à tradição do batismo infantil; todas as Igrejas Ortodoxas praticam o batismo infantil e sempre batizam por imersão total repetida três vezes em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A Igreja Luterana e a Igreja Católica também praticam o batismo infantil, geralmente por afusão e utilizando a fórmula trinitária. Os cristãos anabatistas praticam o batismo do crente, no qual um adulto escolhe receber a ordenança após tomar a decisão de seguir a Jesus. As denominações anabatistas, como os menonitas, amish e huteritas, usam o derramamento como modo de administrar o batismo do crente, enquanto os anabatistas das tradições dos dunkers e dos irmãos do rio batizam por imersão.
Oração
"... ‘Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome. Venha o seu reino. Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia. Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal'". No Evangelho de São Mateus, Jesus ensinou a Oração do Senhor, que foi considerada um modelo para a oração cristã. A liminar para os cristãos rezarem o Pai Nosso três vezes ao dia foi dada na Didache e passou a ser recitada pelos cristãos às 9h, 12h e 15h. Na Tradição Apostólica do século II, Hipólito de Roma instruiu os cristãos a orar em sete horários fixos de oração: "ao levantar, ao entardecer, ao deitar, à meia-noite" e "na terceira, sexta e nona horas do dia, sendo horas associadas à Paixão de Cristo". Posições de oração, incluindo ajoelhar-se, ficar de pé e prostrar-se têm sido usadas para esses sete tempos fixos de oração desde os dias da Igreja primitiva. Breviários são usados pelos cristãos ortodoxos orientais para rezar essas horas canônicas enquanto se voltam para a direção leste da oração.
O cristianismo, como outras religiões, tem adeptos cujas crenças e interpretações bíblicas variam. O cristianismo considera o cânone bíblico, o Antigo Testamento e o Novo Testamento, como a palavra inspirada de Deus. A visão tradicional da inspiração é que Deus trabalhou por meio de autores humanos para que o que eles produzissem fosse o que Deus desejava comunicar. A palavra grega que se refere à inspiração em 2 Timóteo 3:16 é theopneustos, que significa literalmente "inspirado por Deus". Alguns acreditam que a inspiração divina torna as Bíblias atuais inerrantes. Outros alegam inerrância para a Bíblia em seus manuscritos originais, embora nenhum deles exista. Outros ainda sustentam que apenas uma tradução específica é inerrante, como a Bíblia do Rei Jaime. O cânone do Antigo Testamento aceito pelas igrejas protestantes, que é apenas o Tanaque (o cânone da Bíblia hebraica), é mais curto do que o aceito pelas igrejas ortodoxa e católica, que também incluem os livros deuterocanônicos que aparecem na Septuaginta, sendo o cânone da Igreja Ortodoxa um pouco maior que o católico; os protestantes consideram o último como documentos históricos apócrifos importantes que ajudam a informar a compreensão das palavras, gramática e sintaxe usadas no período histórico de sua concepção. Algumas versões da Bíblia incluem uma seção apócrifa separada entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento.
Cristianismo primitivo
O cristianismo se desenvolveu durante o século I como uma seita cristã judaica com influência helenística do judaísmo do Segundo Templo. Uma comunidade cristã judaica primitiva foi fundada em Jerusalém sob a liderança dos Pilares da Igreja, ou seja, Tiago, o Justo, irmão de Jesus, Pedro e João. O cristianismo judaico logo atraiu gentios tementes a Deus, criando um problema para sua perspectiva religiosa judaica, que insistia na observância rigorosa dos mandamentos judaicos. O apóstolo Paulo resolveu isso insistindo que a salvação pela fé em Cristo e a participação em sua morte e ressurreição pelo batismo eram suficientes. A princípio ele perseguiu os primeiros cristãos, mas depois de uma experiência de conversão, ele pregou aos gentios e é considerado como tendo tido um efeito formativo na emergente identidade cristã separada do judaísmo. Eventualmente, sua saída dos costumes judaicos resultaria no estabelecimento do cristianismo como uma religião independente.
Idade média
Com o declínio e queda do Império Romano do Ocidente, o papado tornou-se um ator político, visível pela primeira vez nas negociações diplomáticas do Papa Leão I com hunos e vândalos. A Igreja também entrou em um longo período de atividade missionária e expansão entre as várias tribos. Enquanto os arianistas instituíam a pena de morte para os pagãos praticantes, o que mais tarde se tornaria o catolicismo também se espalhou entre os húngaros, os germânicos,] os celtas, os bálticos e alguns povos eslavos. Por volta de 500, o cristianismo foi completamente integrado à cultura bizantina e do Reino Ostrogótico e Bento de Núrsia estabeleceu sua regra monástica, criando um sistema de regulamentos para a fundação e administração de mosteiros. O monaquismo tornou-se uma força poderosa em toda a Europa e deu origem a muitos dos primeiros centros de aprendizagem, mais notoriamente na Irlanda, Escócia e Gália, contribuindo para o Renascimento Carolíngio do século IX.
Reforma Protestante e Contrarreforma
O Renascimento do século XV trouxe um renovado interesse em estudos antigos e clássicos. Outra grande cisma, a Reforma, resultou na divisão da cristandade ocidental em várias denominações cristãs. Em 1517, Martinho Lutero protestou contra a venda de indulgências e logo passou a negar vários pontos-chave da doutrina católica romana. Outros, como Zwingli e Calvino ainda criticaram o ensino católico romano e adoração. Estes desafios desenvolveram no movimento chamado de protestantismo, que repudiou o primado do papa, o papel da Tradição, os sete sacramentos e outras doutrinas e práticas (ver: Cinco solas). A Reforma na Inglaterra começou em 1534, quando o Rei Henrique VIII tinha se declarado chefe da Igreja da Inglaterra. No início em 1536, os mosteiros por toda a Inglaterra, País de Gales e Irlanda foram dissolvidos.
Pós-iluminismo
Na era conhecida como a Grande Divergência, quando no ocidente o Iluminismo e a revolução científica trouxeram grandes mudanças sociais, o cristianismo foi confrontado com várias formas de ceticismo e com certas ideologias políticas modernas, como as versões do socialismo e do liberalismo. Nessa época, eventos que variaram do mero anticlericalismo à explosões de violência contra o cristianismo, como a descristianização durante a Revolução Francesa, a Guerra Civil Espanhola, e a hostilidade geral dos movimentos marxistas, especialmente da Revolução Russa de 1917 quando o ateísmo Marxista-leninista desencadeou a perseguição aos Cristãos na União Soviética e a posterior perseguição aos Cristãos no Bloco do Leste sob o ateísmo de Estado.
Com cerca de 2,3 bilhões de adeptos, dividida em três ramos principais de católicos, protestantes e ortodoxos, o cristianismo é a maior religião do mundo. A parte cristã da população mundial representa cerca de 33% da humanidade nos últimos cem anos, o que significa que uma em cada três pessoas no mundo são cristãs. Isso mascara uma grande mudança na demografia do cristianismo; grandes aumentos no mundo em desenvolvimento (cerca de 23 000/dia) têm sido acompanhados por reduções substanciais no mundo desenvolvido, principalmente na Europa e América do Norte (cerca de 7 600/dia). O cristianismo ainda é a religião predominante na Europa, América e África Austral. Na Ásia, é a religião dominante na Geórgia, Armênia, Timor-Leste e Filipinas. No entanto, o cristianismo está em declínio em muitas áreas, incluindo o norte e o oeste dos Estados Unidos, Oceania (Austrália e Nova Zelândia), no norte da Europa (incluindo o Reino Unido, Escandinávia e outros lugares), França, Alemanha, as províncias canadenses de Ontário, Colúmbia Britânica e Quebec, e partes da Ásia (especialmente no Oriente Médio, Coreia do Sul, Taiwan, e Macau). A população cristã não está diminuindo no Brasil, no sul dos Estados Unidos e na província de Alberta, no Canadá, mas o percentual está diminuindo. Em países como a Austrália e a Nova Zelândia, a população cristã está em declínio tanto em números quanto em percentual. Na maioria dos países desenvolvidos a frequência à igreja do mundo entre as pessoas que continuam a identificar-se como cristãs vem caindo ao longo das últimas décadas. Algumas fontes visualizam isto simplesmente como parte de um distanciamento dos membros das instituições tradicionais, enquanto outros apontam para sinais de um declínio na crença e na importância da religião em geral.
As três divisões principais do cristianismo são o catolicismo, a ortodoxia e o protestantismo: Existem outros grupos cristãos que não se encaixam perfeitamente em uma destas categorias primárias. O Credo Niceno é "aceito como autorizado pela Igreja Católica Romana, Ortodoxa, Anglicana e as principais igrejas protestantes". Há uma diversidade de doutrinas e práticas entre os grupos que se autodenominam cristãos. Estes grupos são por vezes classificados sob denominações, embora por razões teológicas muitos grupos rejeitam este sistema de classificação. Outra distinção que às vezes é traçada é entre o cristianismo oriental e o cristianismo ocidental. O antitrinitarismo inclui todos os sistemas de crença cristã de que rejeitam, total ou parcialmente, a doutrina da Trindade, isto é, o ensinamento de que Deus é três hipóstases distintas e ainda coeternamente iguais e que estão indissoluvelmente unidas em uma essência. Na antiguidade, esporadicamente, na Idade Média, e novamente após a Reforma e até hoje, existiram pontos de vista diferentes sobre a divindade dos da Trindade e da cristologia tradicionais. Embora diversas, essas visões podem ser geralmente classificadas nos que mantêm Cristo apenas divino e não diferindo-o do Pai, aqueles que detêm Cristo como um Deus menor do que o Pai; em outras formas de ser completamente humano e um mensageiro como o humano criado perfeito.
Catolicismo
A Igreja Católica compreende as igrejas particulares, liderada por bispos, em comunhão com o Papa, o Bispo de Roma, como sua mais alta autoridade em matéria de moral, fé e governança da Igreja. Como a Igreja Ortodoxa, o Igreja Católica Romana, através da sucessão apostólica, traça suas origens à comunidade cristã fundada por Jesus Cristo. Os católicos defendem que o "una, santa, católica e apostólica" fundada por Jesus subsiste plenamente na Igreja Católica Romana, mas também reconhece outras igrejas e comunidades cristãs e trabalha no sentido da reconciliação entre todos os cristãos. A fé católica é detalhada no catecismo da Igreja Católica.
Igreja Ortodoxa
A Igreja Ortodoxa, ou ortodoxia bizantina, compreende as igrejas em comunhão com a Sé Patriarcal do Oriente, como o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Como a Igreja Católica Romana, a Igreja Ortodoxa também tem sua herança à fundação do cristianismo através da sucessão apostólica e tem uma estrutura episcopal, embora a autonomia do indivíduo, principalmente nas igrejas nacionais, seja enfatizada. Uma série de conflitos com o cristianismo ocidental sobre questões de doutrina e autoridade culminou com o Grande Cisma. A Ortodoxia Bizantina é a segunda maior denominação única do Cristianismo, com mais de 200 milhões de adeptos, embora os protestantes, coletivamente, os superem substancialmente. Como uma das instituições religiosas mais antigas do mundo, a Igreja Ortodoxa desempenhou um papel proeminente na história e na cultura da Europa Oriental e do Sudeste europeu, do Cáucaso e do Oriente Próximo.
Ortodoxia oriental
As Igrejas Ortodoxas Orientais (também chamadas de igrejas "Antigas Orientais") são aquelas igrejas orientais que reconhecem os três primeiros concílios ecumênicos — Niceia, Constantinopla e Éfeso — mas rejeitam as definições dogmáticas do Concílio de Calcedônia e, em vez disso, defendem uma cristologia miafisisma. A comunhão Ortodoxa Oriental consiste em seis grupos: Igreja Ortodoxa Síria, Igreja Ortodoxa Copta, Igreja Ortodoxa Etíope, Igreja Ortodoxa Eritreia, Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara (Índia) e Igreja Apostólica Armênia. Estas seis igrejas, embora estejam em comunhão umas com as outras, são completamente independentes hierarquicamente. Essas igrejas geralmente não estão em comunhão com a Igreja Ortodoxa Oriental, com a qual estão em diálogo para erigir uma comunhão. E, juntas, têm cerca de 62 milhões de membros em todo o mundo.
Igreja Assíria do Oriente
A Igreja Assíria do Oriente, com um patriarcado ininterrupto estabelecido no século XVII, é uma denominação cristã oriental independente que reivindica a continuidade da Igreja do Oriente — em paralelo ao patriarcado católico estabelecido no século XVI que evoluiu para a Igreja Católica Caldeia, uma igreja católica oriental em comunhão plena com o Papa. É uma igreja cristã oriental que segue a tradicional cristologia e eclesiologia da Igreja histórica do Oriente. Em grande parte anicônica e não em comunhão com qualquer outra igreja, pertence ao ramo oriental do cristianismo siríaco e usa o rito siríaco oriental em sua liturgia. Sua principal língua falada é o siríaco, um dialeto do aramaico oriental, e a maioria de seus adeptos são assírios étnicos. Está oficialmente sediada na cidade de Erbil, no norte do Curdistão iraquiano, e sua área original também se espalha pelo sudeste da Turquia e noroeste do Irã, correspondendo à antiga Assíria. Sua hierarquia é composta por bispos metropolitanos e bispos diocesanos, enquanto o baixo clero consiste em padres e diáconos, que servem em dioceses (eparquias) e paróquias em todo o Oriente Médio, Índia, América do Norte, Oceania e Europa (incluindo o Cáucaso e a Rússia).
Protestantismo
No século XVI, Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio e João Calvino inauguraram o que veio a ser chamado de protestantismo. Os herdeiros teológicos primários de Lutero são conhecidos como luteranos. Os herdeiros de Zwingli e Calvino são muito mais amplas denominalmente e são amplamente referidos como a Tradição Reformada. A maioria das tradições protestantes se ramificam a partir da Tradição Reformada, de alguma forma. Além dos ramos luteranos e reformados da Reforma, há o anglicanismo após a Reforma Inglesa. A tradição anabatista foi amplamente condenada ao ostracismo por parte dos outros protestantes na época, mas conseguiu uma medida de afirmação na história mais recente. Alguns (mas não a maioria) dos batistas preferem não ser chamados de protestantes, alegando uma linha direta ancestral que remonta aos apóstolos, no século I.
Restauracionismo
O Segundo Grande Despertar, um período de renascimento religioso que ocorreu nos Estados Unidos durante o início dos anos 1800, viu o desenvolvimento de um número de igrejas independentes. Elas geralmente se viam como a restauração da igreja original de Jesus Cristo, em vez de reformar uma das igrejas existentes. A crença ordinária detida pelos restauradores era que as outras divisões do cristianismo tinham introduzido defeitos doutrinários no cristianismo, que era conhecido como a Grande Apostasia (ver: Constantinismo e Reviravolta de Constantino) Algumas das igrejas que tiveram origem durante este período são historicamente ligadas à reuniões em acampamento no centro-oeste e norte de Nova York no início de século XIX. O milenarismo e o adventismo estadunidenses, que surgiu do protestantismo evangélico, influenciou o movimento das Testemunhas de Jeová (com 7 milhões de membros), e, como uma reação especificamente para William Miller, os Adventistas do Sétimo Dia. Outros, incluindo os Discípulos de Cristo e as Igrejas de Cristo, têm suas raízes no Movimento da Restauração contemporânea de Stone-Campbell, que foi centrada em Kentucky e no Tennessee.
Influência na cultura ocidental
A cultura ocidental, ao longo da maior parte de sua história, foi quase equivalente à cultura cristã, e uma grande parte da população do hemisfério ocidental pode ser descrita como praticante ou cristão nominal. A noção de "Europa" e de "Mundo Ocidental" está intimamente ligada ao conceito de "Cristianismo e Cristandade". Muitos até atribuem o cristianismo por ser o elo que criou uma identidade europeia unificada. Embora a cultura ocidental contivesse várias religiões politeístas durante seus primeiros anos sob a civilização greco-romana, à medida que o poder romano centralizado diminuía, o domínio da Igreja Católica era a única força consistente na Europa Ocidental. Até o Iluminismo, a cultura cristã guiou o curso da filosofia, literatura, arte, música e ciência ocidentais.
Ecumenismo
Grupos e denominações cristãs há muito expressam ideais de reconciliação e, no século XX, o ecumenismo cristão avançou de duas maneiras. Uma maneira era uma maior cooperação entre grupos, como a Aliança Evangélica Mundial fundada em 1846 em Londres ou a Conferência Missionária de Protestantes de Edimburgo em 1910, a Comissão de Justiça, Paz e Criação do Conselho Mundial de Igrejas fundada em 1948 por igrejas protestantes e ortodoxas, e conselhos nacionais semelhantes, como o Conselho Nacional de Igrejas da Austrália, que inclui os católicos. A outra forma era uma união institucional com igrejas unidas, uma prática que pode ser rastreada até as uniões entre luteranos e calvinistas no início do século XIX na Alemanha. Igrejas congregacionalistas, metodistas e presbiterianas uniram-se em 1925 para formar a Igreja Unida do Canadá, e em 1977 para formar a Igreja Unida na Austrália. A Igreja do Sul da Índia foi formada em 1947 pela união de igrejas anglicanas, batistas, metodistas, congregacionalistas e presbiterianas.
Críticas
As críticas ao cristianismo e aos cristãos remontam à Era Apostólica, com o Novo Testamento registrando atritos entre os seguidores de Jesus e os fariseus e escribas (por exemplo, Mateus 15: 1–20 e Marcos 7: 1–23). No século II, o cristianismo foi criticado pelos judeus por vários motivos, por ex. que as profecias da Bíblia Hebraica não poderiam ter sido cumpridas por Jesus, visto que ele não teve uma vida de sucesso. Além disso, um sacrifício para remover pecados antecipadamente, para todos ou como um ser humano, não se encaixava no ritual de sacrifício judaico; além disso, diz-se que Deus julga as pessoas por seus atos e não por suas crenças. Um dos primeiros ataques abrangentes ao cristianismo veio do filósofo grego Celso, que escreveu A Verdadeira Palavra, uma polêmica criticando os cristãos como membros não lucrativos da sociedade. Em resposta, o padre grego Orígenes publicou seu tratado Contra Celsum, uma obra seminal da apologética cristã, que sistematicamente abordou as críticas de Celso e ajudou a trazer ao cristianismo um nível de respeitabilidade acadêmica.
Perseguição
Os cristãos são um dos grupos religiosos mais perseguidos do mundo, especialmente no Oriente Médio, Norte da África e Sul e Leste da Ásia. Em 2017, o Portas Abertas estimou que aproximadamente 260 milhões de cristãos são submetidos anualmente a "perseguição alta, muito alta ou extrema", sendo que a Coreia do Norte é considerada a nação mais perigosa para os cristãos. Em 2019, um relatório encomendado pelo governo britânico para investigar a perseguição global de cristãos descobriu que a perseguição aumentou e é maior no Oriente Médio, Norte da África, Índia, China, Coreia do Norte e América Latina, entre outros, e que é global e não se limita aos Estados islâmicos. Esta investigação descobriu que aproximadamente 80% dos crentes perseguidos em todo o mundo são cristãos.
Apologética
A apologética cristã visa apresentar uma base racional para o cristianismo. A palavra "apologética" (grego: ἀπολογητικός apologētikos) vem do verbo grego ἀπολογέομαι, apologeomai, que significa "(eu) falo em defesa de". A apologética cristã assumiu muitas formas ao longo dos séculos, começando com o apóstolo Paulo. O filósofo Tomás de Aquino apresentou cinco argumentos para a existência de Deus na Summa Theologica, enquanto sua Summa contra Gentiles foi uma importante obra apologética. Outro famoso apologista, G. K. Chesterton, escreveu no início do século XX sobre os benefícios da religião e, especificamente, do cristianismo. Famoso por usar o paradoxo, Chesterton explicou que, embora o cristianismo tivesse mais mistérios, era a religião mais prática. Ele apontou o avanço das civilizações cristãs como prova de sua praticidade. O físico e sacerdote John Polkinghorne, em sua obra Questions of Truth, discute o assunto religião e ciência, um tema que outros apologistas cristãos, como Ravi Zacharias, John Lennox e William Lane Craig se envolveram, com os dois últimos homens opinando que o modelo do Big Bang é uma evidência da existência de Deus.


