Pesquisa · Mapa mental

Crioulo cabo-verdiano

O crioulo cabo-verdiano ou língua cabo-verdiana é uma língua originária do Arquipélago de Cabo Verde. É uma língua crioula, de base lexical portuguesa. É a língua materna de quase todos os cabo-verdianos, e é ainda usada como segunda língua por descendentes de cabo-verdianos em outras partes do mundo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
01

Nome e relevância

Imagem: Paredilson · BY-SA · Openverse

A designação mais correcta desta língua é «crioulo cabo-verdiano», mas no uso diário, a língua é simplesmente chamada de «crioulo» pelos seus falantes. O nome «cabo-verdiano» ou «língua cabo-verdiana» foi proposto para quando a língua estiver padronizada. O crioulo cabo-verdiano reveste-se de particular importância para o estudo da crioulística pelo facto de se tratar de o crioulo (ainda falado) mais antigo, por ser o crioulo de base portuguesa com o maior número de falantes nativos, por ser o crioulo de base portuguesa mais estudado, e por ser um dos poucos crioulos em vias de se tornar uma língua oficial. O crioulo cabo-verdiano reveste-se também de importância para o estudo diacrónico da língua portuguesa pelo facto de o crioulo ter conservado algum léxico, alguma fonologia e alguma semântica do português dos Sécs. XV a XVII.

02

Classificação interna

Imagem: Paredilson · BY-SA · Openverse

Apesar da pequenez territorial, a situação de insularidade fez com que cada uma das nove ilhas desenvolvesse uma forma própria de falar crioulo. Cada uma dessas nove formas é justificadamente um dialecto diferente, mas os académicos em Cabo Verde costumam chamá-las de «variantes», que é o termo que passaremos a empregar neste artigo. Essas variantes podem ser agrupadas em duas grandes variedades. A Sul temos a dos crioulos de Sotavento que engloba as variantes de Brava, Fogo, Crioulo de Santiago e Maio. A Norte temos a dos crioulos de Barlavento que engloba as variantes de Boa Vista, Sal, São Nicolau, São Vicente e Santo Antão. Para mais pormenores, consultar os artigos referentes a cada uma das variantes. As autoridades linguísticas em Cabo Verde consideram o crioulo como uma língua única, e não como línguas diferentes. Seguindo a política da Wikipédia, neste artigo não será favorecido, nem se incidirá sobre uma variante específica. O crioulo cabo-verdiano será tratado como uma língua única conforme tem sido a política da Wikipédia.

03

Origens

A história do crioulo cabo-verdiano é difícil de traçar devido, primeiro, à falta de registos escritos desde a formação do crioulo, segundo, devido ao ostracismo a que o crioulo foi relegado durante a administração portuguesa. Existem presentemente três teorias acerca da formação do crioulo cabo-verdiano. A teoria eurogenética defende que o crioulo foi formado pelos colonizadores portugueses, numa simplificação da língua portuguesa de modo a torná-la acessível aos escravos africanos. É o ponto de vista de alguns autores como Prudent, Waldman, Chaudesenson, Lopes da Silva. A teoria afrogenética defende que o crioulo foi formado pelos escravos africanos, aproveitando as gramáticas de línguas da África Ocidental, e substituindo o léxico africano pelo léxico português. É o ponto de vista de alguns autores como Adam, Quint. A teoria neurogenética defende que o crioulo formou-se espontaneamente, não por escravos nascidos no continente, mas pela população nascida nas ilhas, aproveitando as estruturas gramaticais inatas com as quais todo o ser humano nasce. É o ponto de vista de alguns autores como Chomsky, Bickerton, que explicaria porquê que os crioulos localizados a quilómetros de distância apresentam estruturas gramaticais similares, mesmo sendo de base lexical diferente. O melhor que se pode dizer é que nenhuma dessas três teorias foi concludentemente provada.

04

Situação a(c)tual

Imagem: Paredilson · BY-SA · Openverse

Apesar do crioulo ser a língua materna de quase toda a população de Cabo Verde, o português ainda é a única língua oficial. Entretanto há atualmente um movimento para tornar a língua oficial no país. Como a língua portuguesa é utilizada na vida quotidiana (na escola, pela administração pública, em actos oficiais, etc.) o português e o crioulo vivem num estado de diglossia. Em consequência desta presença generalizada do português, regista-se um processo de descrioulização em todas as variantes dos crioulos cabo-verdianos. Nota-se neste texto várias situações de descrioulização / intromissão do português: Como consequência desta descrioulização existe um contínuo entre variedades basilectais e acrolectais. Um pequeno inquérito estudantil levado a cabo em 2000 a alunos do 12.º ano de quatro escolas secundárias públicas de São Vicente e de Santo Antão revelou pouca receptividade ao uso do crioulo na sala de aulas. A razão principal é que o crioulo é uma língua de uso privado na vida quotidiana. Mas, assim que uma conversa se torna formal ou oficial, a língua portuguesa é sempre a preferida.

05

Sistema de escrita

Imagem: Paredilson · BY-SA · Openverse

Apesar de o ALUPEC ser o único sistema de escrita oficialmente reconhecido pelo governo de Cabo Verde, a mesma lei permite o uso de outros modelos de escrita, «desde que apresentados de forma sistematizada e científica». Por esse motivo, como nem todos os leitores estão familiarizados com o ALUPEC ou com o AFI, nos artigos do Wikipédia sobre o crioulo cabo-verdiano foi adoptado um sistema de escrita alternativo: Convém referir que esse sistema de escrita é adoptado neste artigo da Wikipédia apenas para simplificar aos leitores. Não se trata de nenhum sistema oficial, nem deve ser indicado como referência para a escrita do crioulo cabo-verdiano.

06

Vocabulário

Imagem: Paredilson · BY-SA · Openverse

O vocabulário do crioulo cabo-verdiano vem em grande parte do português. Embora as diversas fontes não estejam de acordo, os números oscilam entre 90 a 95 % de palavras originárias do português. O restante provém de diversas línguas da África Ocidental (mandinga, uolofe, fula, balanta, manjaco, temne, etc.), e o vocabulário proveniente de outras línguas é diminuto (inglês, francês, latim, etc.). A página das Etimologias do Dicionário Caboverdiano Português On-Line fornece uma ideia de diferentes origens do vocabulário cabo-verdiano. O crioulo manteve alguns vocábulos que já caíram em desuso no português contemporâneo. Outros vocábulos, embora persistem no português contemporâneo, ou mantiveram o significado que tinham outrora, ou sofreram evoluções semânticas. Por exemplo:

07

Fonologia

O crioulo cabo-verdiano possui os seguintes fonemas (segundo o AFI):

08

Gramática

Imagem: Paredilson · BY-SA · Openverse

A gramática do crioulo cabo-verdiano é significativamente diferente da gramática do português. Em contrapartida, apresenta muitas similaridades com outros crioulos, quer sejam de base portuguesa ou não.

09

Exemplos de crioulo cabo-verdiano

Imagem: Paredilson · BY-SA · Openverse

Excerto da letra de Dôci Guérra da autoria de Antero Simas. A letra completa pode ser encontrada (com uma ortografia diferente) em CABOINDEX » Doce Guerra. Excerto da letra de Nôs Ráça da autoria de Manuel d’ Novas. A letra completa pode ser encontrada (com uma ortografia diferente) em Cap-Vert :: Mindelo Infos :: Musique capverdienne: Nos raça Cabo Verde / Cape Verde. Tradução livre por parte de (?) do 1.º artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando