Crescimento escandente
O crescimento escandente, comumente associado a plantas trepadeiras ou lianas, é uma estratégia botânica onde a planta emite novos brotos para cima, apoiando-se em árvores, rochas, muros ou outros suportes para alcançar a luz. Essa forma de crescimento permite um rápido acesso a áreas bem iluminadas com baixo investimento fisiológico em tecidos de suporte, sendo especialmente vantajosa em ambientes com vegetação densa e intensa competição por luz. O termo 'trepadeira' é geralmente usado para plantas escandentes herbáceas, enquanto 'liana' se aplica a espécies lenhosas.
Pontos-chave
- O crescimento escandente permite que plantas alcancem a luz com mínimo investimento em tecidos de suporte.
- É uma estratégia vantajosa em ambientes densos com alta competição por luminosidade.
- Plantas escandentes usam suportes como árvores, rochas e muros para seu desenvolvimento vertical.
- O termo 'trepadeira' é comum para plantas herbáceas, e 'liana' para as lenhosas.
- Muitas espécies podem alternar entre hábito arbustivo e trepador dependendo da disponibilidade de suporte.
A escandência oferece benefícios competitivos e exige adaptações anatômicas específicas para o sucesso das plantas trepadeiras.
Vantagem Competitiva da Escandência
As trepadeiras desenvolvem caules longos, que podem atingir centenas de metros em lianas. Essa característica serve a três propósitos principais: (1) permite o uso de suportes externos (rochas, outras plantas) em vez de investir energia na produção de tecido de suporte próprio, facilitando o rápido alcance da luz solar e a colonização de grandes áreas; (2) afasta as gemas de crescimento do solo, reduzindo a herbivoria; e (3) possibilita a colonização de áreas com pequenas manchas de solo fértil adjacentes a locais expostos com mais luz, mas pouco ou nenhum solo.
Adaptação Anatômica e Ecologia
As plantas escaladoras necessitam de um suporte para crescer eretas, seja outra planta, uma rocha ou estruturas artificiais. Para isso, desenvolvem órgãos de fixação como gavinhas, ganchos (uncinos) ou raízes adventícias adesivas. Algumas, chamadas 'plantas volúveis', enrolam seus próprios talos no suporte. Embora certas espécies dependam exclusivamente de suporte, muitas podem sobreviver sem ele, assumindo um hábito arbustivo. Exemplos incluem espécies de Toxicodendron (heras-venenosas) e Solanum dulcamara (doce-amarga), que crescem como arbustos decumbentes na ausência de suporte, mas se tornam trepadeiras quando disponível.
As trepadeiras são um grupo evolutivamente diverso, predominantemente tropical, com notável capacidade de escalar. Sua plasticidade fenotípica permite o crescimento tanto em sombra profunda quanto em pleno sol. A forma de escalada e a capacidade de extensão pelos suportes determinam seu sucesso ambiental, com diferentes mecanismos de escalada influenciando as respostas fotossintéticas e a tolerância à sombra.
Plantas Volúveis
São trepadeiras cujo caule principal se enrola em espiral em torno de um suporte, sendo ele próprio o órgão de escalada. Essa adaptação é comum em lianas e cipós. Diferente de trepadeiras com gavinhas, as volúveis usam o crescimento helicoidal de seus caules para se fixar. Muitas também possuem hastes ásperas ou cerdas voltadas para baixo para auxiliar na aderência. O lúpulo, usado na cerveja, é um exemplo comercialmente relevante de planta volúvel.
Plantas com Folhas Fixadoras
Nessas plantas, as folhas são especializadas para a fixação ao substrato. O gênero Lygodium, um pteridófito, é um exemplo notável, com frondes cujo ráquis pode atingir 30 metros de comprimento, enrolando-se no substrato e emitindo folíolos. O caule não escala; são as folhas que se desenvolvem no ápice e crescem continuamente. Essas trepadeiras podem formar densos matagais ao se desenrolarem sobre outras plantas, rochas e cercas.
Plantas com Gavinhas
Gavinhas são estruturas caulinares ou foliares finas que permitem a fixação da planta ao suporte. As gavinhas caulinares são ramos que se enrolam após o contato, enquanto a maioria das gavinhas foliares deriva de folíolos ou do ráquis da folha. Algumas gavinhas terminam em estruturas aderentes, como em Parthenocissus quinquefolia. São altamente sensíveis ao toque, e seu enrolamento é mediado por hormônios como jasmonato e ácido indol-3-acético, com estudos indicando um possível mecanismo de mediação iônica envolvendo ATPases translocadoras de íons.
Plantas com Raízes Adventícias
Essas plantas emitem raízes adventícias com estruturas de fixação, frequentemente semelhantes a haustórios, que se prendem mecanicamente à superfície do suporte. As heras (gênero Hedera) são um exemplo clássico desse tipo de fixação.
Hemitrepadoras
As hemitrepadoras, ou 'trepadoras com ganchos', apoiam-se na vegetação arbórea ou arbustiva sem se fixar firmemente. Elas escalam até o nível desejado de exposição solar, onde se ramificam e se apoiam sobre a vegetação circundante.
Plantas Reptantes
São trepadeiras que repousam no solo e desenvolvem raízes adventícias a partir de seus nós, enraizando-se. Muitas cucurbitáceas, por exemplo, podem ser tanto rastejantes quanto trepadeiras. No entanto, existem plantas rastejantes que não possuem a capacidade de trepar.


