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Cráton São Francisco

O Cráton do São Francisco, também chamado Cráton São Francisco-Congo, é um cráton situado na parte oriental da América do Sul. Aflora nos estados brasileiros de Minas Gerais, Bahia e Sergipe. Em torno de 1,0 gigaannum atrás, ele estava localizado no sul do supercontinente Rodínia e depois da fragmentação deste no final do Proterozoico tornou-se parte do supercontinente Gonduana até sua fragmentação no Jurássico. A abertura posterior do Oceano Atlântico deixou o sul da África no Cráton do Congo e Cráton do São Francisco na América do Sul.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Descrição

De forma simples, crátons são entendidos como porções da litosfera continental de longa estabilidade e resistência mecânica. Além disso, apresentam raízes espessas e antigas, de espessuras crustais ligeiramente superiores à média dos continentes. O Cráton do São Francisco situa-se no centro-leste do Brasil. Abrangindo mais de 1 bilhão de quilômetros quadrados, inclui parte dos territórios de Minas Gerais (MG), Bahia (BA), Goiás (GO), Piauí (PI), Sergipe (SE), Pernambuco (PE) e Tocantins (TO), principalmente dos dois primeiros estados. Juntamente com os crátons do Amazonas, de São Luís e Rio de La Plata, o Cráton do São Francisco corresponde às porções internas das placas tectônicas, que foram aglutinadas no final do Proterozoico, formando a porção oeste de Gonduana. Assim, a geologia de domínios cratônicos e seus cinturões marginais fornecem informações de longos períodos da história da Terra, um dos motivos pelo qual o Cráton do São Francisco e suas margens sejam a porção Pré-Cambriana mais estudada da placa Sul-Americana.

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Evolução geológica

Algumas simplificações e/ou generalizações são necessárias para produzir esse material. Ressalta-se que várias questões acerca das definições, evolução e significado geológico são temas de controvérsias científicas. Recomenda-se, deste modo, consulta às referências bibliográficas no final do texto para maior aprofundamento nas questões científicas do Cráton do São Francisco.

Arqueano

O Cráton do São Francisco apresenta informações da geologia do Arqueano, importantes para entender a geodinâmica inicial terrestre. Seu embasamento Arqueano é uma extensão do Cráton do Oeste do Congo e aflora nas porções sul e norte do Cráton do São Francisco, com ocorrências menores em janelas estratigráficas na Bacia Sanfranciscana e um bloco delimitado por falhas no Aulacógeno do Paramirim. A sul, as rochas de idade arqueana correspondem aos complexos Bação, Belo Horizonte, Caeté, Santa Bárbara e Bonfim, que são granito-gnáisses expostos em formato dômico no Quadrilátero Ferrífero, onde também encontra-se o Supergrupo Rio das Velhas, uma típica sucessão metavulcanossedimentar que constitui o greenstone belt Rio das Velhas, além do complexo Campo Belo, a oeste do Quadrilátero Ferrífero.

Paleoproterozoico

No Paleoproterozoico blocos arqueanos colidiram e deram origem a dois principais orógenos: o Cinturão orogênico do leste da Bahia, junto com seu correspondente cinturão oeste central africano, e o Cinturão Mineiro. O Cinturão orogênico do leste da Bahia foi resultado de uma colisão que data de 2125 a 2050 M.a. e deu origem a terrenos conforme explicitado nos cartoons: No cenário précolisional os blocos arqueanos são representados por micro-continentes denominados Gavião, Jequié e Serrinha e um arco magmático Neoarqueano, o cinturão Itabuna-Salvador-Curaçá (ISAC), separados por bacias oceânicas que foram progressivamente consumidas pelos movimentos convergentes dos blocos Serrinha e Gavião. Isso é evidenciado por típicos granitos de subducção e rochas que constituem sequências vulcano sedimentares espalhadas ao longo dos dois blocos.

Mesoproterozoico

Barbosa et al (2003) afirma que no Cráton do São Francisco, no final do Paleoproterozoico, colisões de segmentos crustais provocaram sucessivos mecanismos tectônicos que colocaram, lado a lado, unidades de rochas arqueanas, como o Bloco do Gavião e antigos núcleos TTGs, sequências metassedimentares Contendas Mirante, Umburanas e Mundo Novo, Complexos Jequié e Mairi, Núcleo Serrinha, etc., com unidades de rochas formadas no início do Paleoproterozoico, como o Grupo Jacobina, Greenstone Belts do Rio Itapicuru e Capim, etc.,. O metamorfismo associado reequilibrou estas rochas de diferentes idades nas fácies granulito, anfibolito e xisto-verde, constituindo cinturões móveis poli-deformados como os de Itabuna, Salvador-Curaçá e Salvador-Esplanada. No Mesoproterozoico este embasamento metamórfico foi truncado por um rift abortado, orientado N-S, e onde foram depositadas as rochas do Supergrupo Espinhaço, as quais extravasaram para as suas margens como coberturas suaves. Sobre estas rochas e em parte do embasamento arqueano/paleoproterozoico acumularam-se sedimentos glaciais e pelítico-carbonáticos, paraplataformais neoproterozoicos do Supergrupo São Francisco.

Neoproterozoico

No início do Neoproterozoico, uma importante glaciação afeta a maior parte do Cráton, acompanhando o começo de uma nova etapa tafrogenética, responsável pela individualização da placa São Francisco-Congo há aproximadamente 950 Ma (Período Toniano), delineando-se os traços do que se tornaria o Cráton do São Francisco como se tem hoje. A sedimentação glaciogênica durante este evento tafrogênico é representada pelo Grupo Macaúbas. A idade máxima de deposição do Grupo Macaúbas, caracterizado por depósitos glacio-continentais a glacio-marinhos, é 900 Ma e sua sedimentação está relacionada ao preenchimento de um rifte neoproterozoico. Os riftes estaterianos foram reativados e alguns ramos evoluíram para margens passivas. Assim, bacias de margem passiva com sedimentação gravitacional e possível contribuição glacial desenvolveram-se nas bordas do cráton. Essas rochas estão preservadas nas faixas dobradas, constituindo várias unidades estratigráficas, que representam a inversão tectônica e o metamorfismo das margens passivas originais, formadas durante a Orogênese Brasiliana.

Fanerozoico

Durante o éon fanerozoico, a partir de 542 milhões de anos atrás, a atual região do Cráton do São Francisco esteve unida ao paleo Cráton do Congo, ambos permanecendo aglutinados ao paleocontinente de Gonduana. o qual fora formado durante o ciclo de orogêneses no neoproterozoico. Esse paleocontinente ainda se conectaria com a Laurásia vindo a formar o paleocontinente chamado de Pangéia. Após isso, Gonduana novamente separaria-se de Pangéia. Durante os períodos Carbonífero e Permiano (entre 350 e 250 milhões de anos atrás), no éon Paleozoico, o Cráton do São Francisco registrou um evento de glaciação. Nessa época, o paleocontinente de Gonduana (ao qual o Cráton do São Francisco fazia parte) passou por altas latitudes no hemisfério sul do planeta. Os registros geológicos desse período estão registrados, dentre outros lugares, próximos à cidade de Santa Fé - Minas Gerais, no chamado Grupo Santa Fé. parte da bacia sedimentar chamada Bacia Sanfranciscana.

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Recursos minerais

Recursos associados à rochas do Arqueano

No estado de Minas Gerais, onde encontra-se a porção arqueana austral do Cráton do São Francisco, os recursos minerais são principalmente ouro, grafita, agalmatolito e agregados para construção civil. O ouro é principalmente do tipo orogênico, que ocorrem nos greenstone belts Rio das Velhas e Pitangui. O agalmatolito constitui rochas peraluminosas, utilizadas principalmente nas indústrias cerâmicas e químicas e ocorrem em uma faixa relacionada ao greenstone belt Rio das Velhas a noroeste do Quadrilátero Ferrífero. Na região de Itapecerica (MG), ocorre grande depósito de grafita, associado a grafita xistos em sequências paraderivadas. Enquanto que o embasamento arqueano na porção setentrional do CSF, no estado da Bahia, fornece recursos e evidências de mineralizações de manganês e magnesita associadas a talco em rochas vulcanossedimentares; cobre, chumbo e zinco no greenstone belt Mundo Novo; Ni em dunitos e peridotitos; Fe-Ti-V em gabros e anortositos; e barita (Ba) em supracrustais.

Recursos associados à rochas do Paleoproterozoico

Segundo Lobato e Pedrosa-Soares (1993), um dos principais recursos minerais do Paleoproterozoico é o Ferro. As jazidas se localizam no Distrito Itabiritico de Minas Gerais no Quadrilátero Ferrífero, estando inseridas na Formação Cauê e Gandarela (Supergrupo Minas). As principais minas são: Águas Claras, Alegria, Capanema, Cauê, Chacrinha, Conceição, Dois Córregos, Esmeril, Mutuca, Onça, Periquito, dentre outras. O mineral fonte são hematita, magnetita e martita sendo a hematita friável e associada a dobras e falhas a mais comum fonte de minério. A origem do minério é hidrotermal e resultado da lixiviação de silica. A associação a manganês é comum.

Recursos associados à rochas do Mesoproterozoico

Segundo Lobato e Pedrosa-Soares (1993), no Mesoproterozoico os principais recursos minerais encontram-se na borda oriental do cráton São Francisco e Faixa Araçuaí localizados na Serra do Espinhaço e suas proximidades. Os recursos mais expressivo são diamantes, oriundos de paleoplacers conglomeráticos da Formação Sopa Brumadinho que se depositaram em um paleoambiente caracterizado por um sistema fluvial entrelaçado associado a leques aluviais em um contexto de abertura tectônica gerando espaço para deposição de sedimentos da Formação Sopa Brumadinho sobrepostos a Formação São João da Chapada. Haralyi et al (1991) Dividiram esses recursos em distritos:

Recursos associados à rochas do Neoproterozoico

As coberturas neoproterozóicas do Cráton do São Francisco revelam pequenos depósitos de Pb, Zn, Ag (Fluorita e Fosfato). Destacam-se os depósitos minerais neoproterozoicos associados aos kimberlitos do Bloco Serrinha e às rochas sedimentares da Bacia de Irecê. Muitos depósitos minerais neoproterozoicos também encontram-se envolvidos nas faixas dobradas que circundam o Cráton São Francisco, principalmente nas faixas Araçuaí e Brasília. No Bloco Serrinha, localizado à nordeste do Cráton São Francisco, foi encontrada uma série de corpos kimberlíticos (Braúna) datados em 680 Ma, os quais mostram que a porção central do bloco era favorável à cristalização de diamante, enquanto suas margens foram retrabalhadas durante as orogêneses sucessivas.

Recursos associados à rochas do Fanerozoico

Dentre as principais ocorrências, recursos e depósitos desse éon temos importantes bens minerais ligados a diversos setores tais como construção civil até indústria de jóias. Argilas bentoníticas, na região do Alto Paranaíba ou no Alto Mata da Corda são relacionadas à alteração das rochas vulcânicas da região e possuem potencial para exploração mineral. Várias ocorrências desse tipo de argila são reportadas em cidades como Carmo do Paranaíba, Lagoa Formosa, Patos de Minas, Presidente Olegário. Diamantes em aluviões ocorrem em diversas regiões do cráton, associados a erosão e intemperismo de rochas pré-cambrianas ou a rochas alcalinas do fanerozoico tanto no estado de Minas Gerais (por exemplo em Abaeté e Diamantina) quanto no estado da Bahia.

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Fontes consultadas

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