Joseph Stiglitz
Joseph Eugene Stiglitz é um economista internacionalista estadunidense.
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Crítico severo e contundente dos "fundamentalistas de livre-mercado", Stiglitz tem permanentemente questionado o que chama de "bases ideológicas" que regem a maior parte das decisões econômicas mundiais. Isto torna-se mais evidente na sua polêmica com o Fundo Monetário Internacional - FMI, a quem acusa de "empurrar" os países subdesenvolvidos a abrir seus mercados à competição externa antes que possuam instituições estáveis e democráticas para proteger seus cidadãos. A teoria que desenvolveu, e pela qual recebeu o prêmio Nobel, contesta frontalmente Adam Smith: " O conjunto de ideias que eu vou apresentar aqui solapou as teorias de Smith e a visão de governo que nela se apoiava. Elas sugeriram que a razão pela qual a mão invisível é invisível é por que ela não existe ou, quando existe, está paralítica" Joseph E. Stglits, introdução à sua Aula Magna, por ocasião do recebimento do Prêmio Nobel (Estocolmo, 8/12/2001).
Teorema de Henry George
Stiglitz fez contribuições iniciais para uma teoria das finanças públicas afirmando que uma oferta ótima de bens públicos locais pode ser financiada inteiramente por meio da captura das rendas da terra geradas por esses bens (quando as distribuições populacionais são ótimas). Stiglitz chamou isso de "teorema de Henry George" em referência ao economista clássico radical Henry George, que ficou famoso por defender o imposto sobre o valor da terra. A explicação por trás da descoberta de Stiglitz é que a rivalidade por bens públicos ocorre geograficamente, de modo que a competição pelo acesso a qualquer bem público benéfico aumentará o valor da terra pelo menos tanto quanto seu custo de desembolso. Além disso, Stiglitz mostra que um imposto único sobre as rendas é necessário para fornecer a oferta ideal de investimento público local, por exemplo melhorando a eficiência e equidade das economias agrícolas. Ele também mostra como o teorema pode ser usado para encontrar o tamanho ideal de uma cidade ou empresa, proteger os recursos naturais, melhorar o uso da terra e reduzir a carga de aluguéis e impostos sobre os pobres, ao mesmo tempo em que aumenta a formação de capital produtivo. Ele defende a taxação de "rendas de recursos naturais o mais próximo possível de 100%" e que um corolário desse princípio é que os poluidores devem ser taxados por "atividades que geram externalidades negativas". Portanto, afirma que a tributação do valor da terra é ainda melhor do que pensava seu famoso defensor Henry George.
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A Academia destacou que o trabalho de Stiglitz: "esclareceu o tipo oposto de ajuste de mercado, onde agentes econômicos mal informados extraem informações dos agentes mais informados, como no caso da seleção praticada pelas companhias de seguro, que dividem seus clientes em classes de riscos, oferecendo um cardápio de contratos onde franquias maiores podem ser trocadas por descontos substanciais. Em várias contribuições acerca de diversos tipos de mercado, Stiglitz demonstrou que a 'informação assimétrica' pode ser a chave para se compreender muitos fenômenos observados nos mercados, inclusive desemprego e racionamento de crédito"
A Aula Magna
No dia 8 de dezembro de 2001, por ocasião do recebimento do prêmio Nobel, Stiglitz proferiu, na Universidade de Estocolmo, sua Aula Magna "Informação e a Mudança no Paradigma da Economia", onde resumiu as descobertas de suas pesquisas, num evento que, segundo o próprio Stiglitz e outros analistas, possivelmente estaria destinado a significar uma mudança substancial nos tradicionais paradigmas da Ciência Econômica. Os modelos formais da Economia tradicional se constituem em modelos teóricos nos quais a informação é sempre considerada como sendo perfeita, por hipótese. Todos sabemos que a informação nunca é perfeita, mas a esperança desses modelos, segundo o ditado de Alfred Marshall "Natura non facit saltum", era de que as economias em que a informação não fosse muito imperfeita seriam parecidas com as economias nas quais a informação fosse perfeita. A maior contribuição da pesquisa de Stiglitz foi demonstrar que isso não é verdade: basta uma pequena imperfeição nas informações para causar um profundo efeito na natureza do equilíbrio econômico. O paradigma do século XX, o "modelo econômico neoclássico" ignorou os alertas dos economistas do século XIX, e de outros antigos mestres, sobre como considerações a respeito da informação podem alterar significativamente os resultados de suas análises teóricas.
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Na economia tradicional, ou neoclássica, o conceito de que as economias competitivas seriam sempre conduzidas, por uma mão invisível, à mais eficiente possível alocação de recursos, e deveriam assim atingir, automaticamente, a eficiência de Pareto através da livre competição e dos livres mercados é seu conceito mais central e importante. A economia neoclássica admite que o sistema de livre competição provoca grandes desigualdades na distribuição da renda, mas considera que estes efeitos podem ser compensados pela mera transferência de uma determinada soma fixa de renda dos mais bem aquinhoados para os menos favorecidos. São estes teoremas neoclássicos fundamentais que fornecem a justificativa racional para a crença neoclássica nos livre-mercados e, ao mesmo tempo, faz com que os assuntos de distribuição da renda sejam tratados de forma completamente independente dos assuntos relativos à eficiência.
O exemplo de Stigltz
Stilglitz descreveu, em seus primeiros trabalhos, como a existência de "assimetrias de informação" (i.é, uns saberem mais do que outros) pode destruir os mercados. Estes estudos preliminares provaram que quando os mercados estão ausentes, ou são imperfeitos, o equilíbrio de mercado pode ser "forçosamente Pareto ineficiente", o que equivale a dizer que, nessas circunstâncias, se não houvesse um "mercado", todos os participantes da economia seriam beneficiados.
Possíveis aplicações práticas dos teoremas de Stiglitz
Se por um lado ninguém pode questionar a validade matemática provada pelos teoremas de Stigltz et al., por outro lado sua implicações práticas no campo da economia política e sua eventual aplicação em políticas econômicas na vida real tem sido objeto de grandes debates e divergências de opinião. O próprio Stiglitz parece estar readaptando continuamente seu discurso político-econômico, como se depreende pela diferença das posições expressadas em seu livro Whither Socialism? (1994) em relação às adotadas em seus livros mais recentes. As objeções e críticas à adoção das políticas econômicas sugeridas pelas descobertas de Stiglitz não provém da Economia propriamente dita, mas têm origem principalmente dentre os cientistas políticos, e fazem parte do campo da Sociologia. Assim, David L. Prychitko, ao fazer uma resenha do livro de Stigltz Whither Socialism?, declarou que embora a visão econômica de Stiglitz seja substancialmente correta, ela deixa em aberto dúvidas de importante natureza constitucional e indaga quais seriam os mecanismos capazes de conter o poder coercitivo de um Estado intervencionista e como deveriam ser as relações entre esse Estado e a sociedade civil.
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Taxação
Stiglitz sustentou que os super-ricos deveriam pagar impostos de até 70% para ajudar a lidar com o aumento da desigualdade. Stiglitz afirmou que uma taxa de imposto de renda mundial de 70% sobre os maiores ganhadores "faria claramente sentido". Stiglitz sustentava que a sociedade se tornaria mais igualitária e coesa. Stiglitz disse que impostos sobre fortunas adquiridas durante muitas gerações teriam uma influência maior. Stiglitz afirma que a maioria dos bilionários adquiriu grande parte de sua riqueza por meio da sorte. Ele afirma que a proposta de Elizabeth Warren de um imposto de 2% para pessoas com ativos acima de US$ 50 milhões e de 3% sobre aqueles com mais de US$ 1 bilhão era "muito razoável" e geraria receitas significativas que poderiam melhorar alguns problemas dos Estados Unidos.


